quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O que é filosofia? O que me leva a filosofar?

O questionamento e o esforço para compreender o mundo e o homem me levam a filosofar. E pergunto: de onde surgem os questionamentos que dão origem ao filosofar? Para mim o espanto é a base de todo o questionamento: com o espanto surgem questões e nasce um impulso para investigar e compreender as coisas desse mundo e do universo. Assim, emerge a ocasião para contemplar e refletir.

Nesse sentido, o espanto é a fonte da filosofia: ela é possível em qualquer lugar e tempo, uma passagem para a compreensão e interação com o mundo que vivemos. Percebemos que estamos no mundo. Observamos o mundo e percebemos que as coisas estão sempre em mudanças: no entanto, para nós , o mundo aparece sempre o mesmo. Uma mesma coisa, que pode parecer diferente em outro lugar e em outro tempo.

Percebendo tudo isso, nós nos espantamos. E, perguntamos: O que? Porquê? Para quê? Será que as coisas são realmente da maneira como se apresentam para nós? Além do mundo visível, existe outro mundo? Essas perguntas nós levam a filosofar. Criando,assim uma chance para o entendimento filosófico. Sendo que esse impulso primordial precisa se transformar num entendimento filosófico, chegando até uma compreensão do mundo e a revelação do ser. A busca de compreensão das coisas finalmente nos leva à idéia de que o mundo não é apenas da maneira que ele mostra-se a nós, em um primeiro olhar... Que existe algo mais, algo não revelado a ser descoberto.

E esse é o meu ponto de partida para despertar “ curiosidade” através do espanto nos meus alunos.

Certas questões são eternas e inerentes ao ser humano. Provavelmente nunca teremos as respostas para tais questões ou, melhor dizendo, há uma infinidade de respostas para elas. Questões como “ o que somos nós?”” Por que estamos aqui?” “de onde viemos?” Para onde vamos?”

Todas as pessoas são filósofas natas. Eu não me excluo. É próprio do ser humano questionar. É quase que instintiva no ser humano a busca pela verdade. Também eu achei que a busca da verdade merecesse a duração de uma vida. Parafraseando o aforismo de Hipócrates “ longa é a arte e breve é a vida” (Hipócrates versava sobre a medicina mas a frase é perfeita para a filosofia). Esta busca levou-me à filosofia . Esta é a minha busca: o eterno tentar responder aos “por quês”.

Resta agora a mais difícil das questões formuladas: como criar em meus alunos a vontade de filosofar. Como fazer com que eles sejam “contaminados” por tal “ doença”?

Sinceramente, há dias em que desanimamos . O que aconteceu com as pessoas de hoje? Shakespeare escreveu que “ os velhos temem a juventude porque um dia foram jovens”. Entretanto hoje temos que temer a juventude por sua apatia, falta de perspectivas e ideais e não por aquilo que Shakespeare quis dizer: a revolta, o idealismo extremo, a generosidade desmedida.

Os jovens parecem estar velhos.

Para quem cresceu nos anos 60 e foi jovem nos anos 70 e 80 o contraste é gigantesco, o conformismo é gritante e o consumismo asqueroso. Onde estão os jovens de hoje? Por que tanto desinteresse e desesperança? De qualquer modo estas são questões que eu também quero responder. O que faço com meus alunos é tentar mostrar que cada pessoa pode conter todo um universo dentro de si. Tento agitar alguma coisa que (espero) ainda esteja viva neles apesar da busca incessante pelo tênis da moda, pelos ipods, etc. Tento mostrar aos jovens para quem leciono que certas dúvidas que eles têm são dúvidas tão antigas quanto o ser humano. Tento inculcar nestas pessoas que ser mais é melhor que ter mais. É isto que busco.

Marise von Frühauf Hublard


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