terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A filosofia e os outros saberes

A filosofia é diferente da ciência e da matemática. Ao contrário da ciência, não assenta em experimentações nem na observação, mas apenas no pensamento. E, ao contrário da matemática, não tem métodos formais de prova. A filosofia faz-se colocando questões, argumentando, ensaiando ideias e pensando em argumentos possíveis contra elas e procurando saber como funcionam realmente os nossos conceitos.

A preocupação fundamental da filosofia consiste em questionarmos e compreendermos ideias muito comuns que usamos todos os dias sem pensarmos nelas. Um historiador pode perguntar o que aconteceu em determinado momento do passado, mas um filósofo perguntará: «O que é o tempo?» Um matemático pode investigar as relações entre os números, mas um filósofo perguntará: «O que é um número?» Um físico perguntará de que são constituídos os átomos ou o que explica a gravidade, mas um filósofo irá perguntar como podemos saber que existe qualquer coisas for a das nossas mentes. Um psicólogo pode investigar como é que as crianças aprendem uma linguagem, mas um filósofo perguntará: «Que faz uma palavra significar qualquer coisas?» Qualquer pessoa pode perguntar se entra num cinema sem pagar se está errado, mas um filósofo perguntará: «O que torna uma acção certa ou errada?»

Nagel, Thomas., Que quer dizer tudo isto?, “Introdução”, pp. 8-9.


Fonte: http://www.espanto.info

2 comentários:

Marcos Miorinni disse...

Oi Marise, bom dia, com relação ao post e a algumas questões da Filosofia aqui abordadas por Nagel,Thomas em "Que quer dizer tudo isto?", tenho que discordar de algumas como por exemplo: A Filosofia também se baseia na experiência, ela não é somente metafísica. Costurando o retalho, principalmente na questão do tempo, é só pegarmos a Crítica da Razão Pura de Kant para ver que existe o juízo sintético a priori ( fundado na experiência, p.ex: a noção de espaço:para que as coisas existam há necessidade de espaço para as mesmas; e o juízo sintético a posteriori que se fundamenta no raciocínio como é o caso do tempo, pois o mesmo não necessita de experiência pois não é condição de existência dentro das categorias kantianas) enfim ... bastante pano para manga, parabéns pelo post.

abraço das letras
Marcos Miorinni

Marise von Frühauf Hublard disse...

Olá Marcos,

Agradeço pelo seu comentário. É gratificante ver como a filosofia nos leva questionar, pensar. Concordo com kant para que as coisas existam é necessário o espaço, mas a experiência para mim é fundamental.
Percebo nas aulas de filosofia no Ensino Médio, o aluno necessita fazer primeiro uma experiência (relacionada com seu cotidiano), depois desta experiência ele começa a usar a razão e criar o interesse pela filosofia. Começa então a questionar, perguntar, dúvidar e acaba percebendo que para viver é preciso filosofar.
Abraço,
Marise.

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