sábado, 7 de março de 2009

Chimarrão

Sou gaúcha...
Chimarrão sinônimo de amizade e diálogo.
Em qualquer lugar do mundo, onde tiver um gaúcho,
tem chimarrão.


Chimarrão?Mas o que é isto?


O chimarrão é uma bebida quente característica da cultura do Rio Grande do Sul (tá, de outros lugares também, mas meu foco é o RS), também chamada de mate.

O que significa chimarrão?

Origem provável é cimarrón, termo usado pelos espanhóis para designar, ao mesmo tempo, amargo e chucro.

O que preciso para fazer um chimarrão?

1º - Uma cuia = a cuia deve ser sempre de Porongo e, preferencialmente, o Porongo grosso ou doce, é o recipiente mais adequado para o mate ou chimarrão do gaúcho, já que não modifica o seu sabor, não permite que a erva fique lavada (sem gosto) precocemente, e não alterando ainda, a temperatura da água.

2º - Erva-mate = é uma planta (Ilex paraguariensis) que pode atingir 12 metros de altura, tem caule cinza, folhas ovais e fruto pequeno e verde ou vermelho-arroxeado. Os ramos da erva-mate percorrem um longo processo até virar a erva-mate para o chimarrão.

3º - Bomba = a bomba de chimarrão é o instrumento de metal que é usado para a sucção do líquido contido na cuia de chimarrão.

4º - Água = a água precisa ser quente, mas não fervida. Quando o chimarrão é feito com água fervida a erva fica lavada, ou seja, perde o gosto e o chimarrão fica ruim.

Como se toma chimarrão?

A roda de chimarrão é uma das mais singulares manifestações culturais do sul do país. A roda de chimarrão é um exercício de liberdade. Democrática, sempre tem lugar para mais um. A roda começa com quem preparou o chimarrão (chamado de cevador) e servindo primeiro a quem estiver à sua direita, sempre com a mão direita, ou em casos especiais, pela pessoa mais velha ou por alguém se que deseje homenagear.
Na roda, o cevador é o mestre de cerimônia. Apenas ele pode arrumar o mate. Depois de cada mateada (rodada do chimarrão), a cuia deve voltar ao cevador. Ele deve ajeitar o mate e colocar a água. Quem chega depois que a roda começou, entra ao lado do esquerdo do cevador, aguardando a sua vez.
Para parti
cipar de uma roda, alguns procedimentos precisam ser seguidos. Fazer “roncar” a cuia, bebendo até a última gota do chimarrão, por exemplo, é obrigação de cada participante da roda. Não é educado
resto de água na cuia.

Nas rodas de chimarrão, só se agradece quando já está satisfeito, não deseja mais tomar o chimarrão. Mesmo parando de beber, a pessoa pode permanecer na roda e participar das conversas.
É claro que nem todas as pessoas
seguem exatamente essas regras, porque a roda de chimarrão é algo bem descontraído, e também creio que muitos gaúchos desconhecem todas as regras. As regras em negrito são as mais comuns. Muitas pessoas também tomam chimarrão sozinhas.

Todo gaúcho gosta de chimarrão?

Nem todo gaúcho gosta de chimarrão. Eu sou um exemplo (pra mim tem gosto de grama,acho horrível, mas acho super legal a tradição,o jeito que tudo isso é feito). Mas os que não gostam são minoria. Existem crianças que não gostam, e quando crescem “aprendem” a gostar. As crianças até podem gostar de chimarrão, mas não costumam participar da roda (criança não consegue ficar parada, bem capaz que vai ficar sentadinha esperando sua vez, ouvindo papos de adultos...). Alguns gaúchos gostam tanto de chimarrão que não passam um dia sem tomá-lo.
Muitas pessoas brin
cam que “se não toma chimarrão, não é gaúcho de verdade”. Hehehehe!

Existe hora para to
mar chimarrão?

Não. Isso depende de cada pessoa. Vou usar meus avós como exemplo.. Minha vó toma chimarrão pela manhã, fazendo o almoço, toma quando vem visita, toma no fim da tarde. Tem gente que toma depois do almoço, de madrugada, de noite...para quem é fã, chimarrão não tem hora.

Existe algum lugar ideal para tomar chimarrão?

Não! Tem gente que toma dentro de casa, no pátio, na igreja, no trabalho, na sala de aula (meu professor botou pra rua..é proibido comer durante as aulas na minha escola heheheh), em qualquer lugar..

Existe algum assunto específico para se falar na roda de chimarrão?

Não!!Na roda de chimarrão as pessoas conversam sobre qualquer coisa!

Constituição química do chimarrão e seus benefícios

Na constituição qu
ímica da erva-mate, aparecem: Alcalóides (cafeína, metilxantina, teofilina e teobromina), taninos (ácidos fólico e cafeico), vitaminas (A, Bi, B2, C e E), sais minerais (alumínio, cálcio, fósforo, ferro, magnésio, manganês e potássio), proteínas (aminoácidos essenciais), glicídeos (frutose, glucose, rafinose e sacarose), lipídeos (óleos essenciais e substâncias ceráceas), além de celulose, dextrina, sacarina e gomas.
A erva- ma
te é considerada um alimento quase completo, pois contém quase todos os nutrientes necessários ao nosso organismo.Também é extenso o rol de propriedades terapêuticas da erva-mate, de modo especial em razão da presença de alcalóides, como a cafeína, na sua composição.
O chimarrão é estimulante da atividade física e mental, atuando beneficamente sobre os nervos e músculos eliminando a fadiga. Observa-se também que estimulante do chimarrão é mais prolongada que a do café, sem deixar efeitos colaterais ou residuais como a insônia e irritabilidade. Por outro lado, o chimarrão atua sobre a circulação, acelerando o ritmo cardíaco e harmoniza o funcionamento bulbo-medular. Age também sobre o tubo digestivo, facilita a digestão e favorece a evacuação e mictação. É considerada ainda um ótimo remédio para pele e reguladora das funções do coração e da respiração, além de exercer importante papel na regeneração celular.
A erva-mate contém altas proporções de vitamina E, efetiva na regulação das funções sexuais, além de ser um elemento indispensável para a pele. As análises feitas com as folhas de erva-mate mostram que esta planta possui vitaminas, aparecendo em maior escala as do complexo B; possui também cálcio, magnésio, sódio, ferro e flúor, minerais indispensáveis a vida. O chimarrão é rico em ácido pantotênico, encontrado em menor escala na tão propalada geléia real das abelhas, muito procurada pelas características medicinais que possui.


Malefícios do Chimarrão

Talvez você já tenha ouvido dizer que o chimarrão dá câncer de esôfago. Sim, pode dar. Mas não é o chimarrão, e sim a temperatura da água. Quem toma bebidas muito quentes pode ter câncer de esôfago. Fora isso, não faz mal nenhum tomar chimarrão!

Erva



Brotos da Ilex paraguariensis, a famosa erva-mate.










Ramos da Illex paraguariensis















Como é fabricada?

Na fase inicial, faz-se o sapeco dos ramos com as folhas para retirar a umidade superficial, eliminar enzimas e impedir a decomposição do produto. No sistema rudimentar, o processo era feito manualmente junto ao fogo, enquanto hoje se realiza por meio a sapecador mecânico, giratório e sua alimentação também já ocorre por esteira.
Ainda no beneficiamento primário, outra operação completa a desidratação (secagem) e efetua-se o cancheamento (fragmentação) da erva-mate. A secagem era feita no chamado carijó, com as chamas atuando diretamente sobre a erva; evoluiu-se para o barbaquá, casinha com armações de madeira onde os ramos sapecados recebem o calor por canal subterrâneo e chegou-se ao secador mecânico, que também vem sendo aperfeiçoado. Já a trituração do material, no sistema artesanal, acontecia após a secagem, inicialmente com facões e depois com moendas de madeira. Com a mecanização, esse procedimento é realizado normalmente logo após o sapeco por meio de um picador mecânico.
O modo artesanal e correto do processamento da erva-mate é muito

importante porque sendo um processo lento e gradual permite que uma série de elementos nutricionais da erva-mate não sejam eliminados, ao contrário do que acontece nos sistemas industriais modernos, que necessitam de rapidez na produção e com isso há a eliminação de componentes nutricionais importantes.

Tipos de Erva


Assim como existe a laranja de umbigo, a laranja comum, a laranja do céu, a bergamota e o limão, todas frutas tão diferentes, mas pertencendo ao gênero cítrus, também ocorre em relação à erva-mate. Ela faz parte do gênero Ilex do qual existem de 550 a 660 espécies, segundo o professor Renato Kaspary, mestre em Botânica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Na sua casa em Mato Leitão/RS, ele recebe a equipe do Anuário com um chimarrão feito a preceito e com a adição de alguns chás medicinais de bom gosto, para falar dessa planta à qual dedicou sua tese de mestrado "Efeitos de diferentes graus de sombreamento sobre o desenvolvimento de plantas jovens de erva-mate", defendida em 1985.
Ele revela qu
e, apesar de haver tantas espécies do gênero Ilex, distribuídas nas zonas temperadas e subtropicais do mundo inteiro, tendo como centro de dispersão a América do Sul, cerca de 150 a 170 delas ocorrem no Brasil e apenas 10 no Rio Grande do Sul. Destas, somente três são espécies erváveis, isto é, prestam-se à produção de chimarrão: Ilex angustifolia, que seria a erva-mate Periquita, existente na região de Sarandi/Erechim; Ilex amara, a erva-mate crioula e, como o nome indica, um pouco mais amarga que as outras duas, e a Ilex paraguariensis St. Hil., também conhecida como erva-mate Argentina, que é a mais cultivada pelo Brasil afora, no Paraguai e na Argentina.
Afinal, por que conhecer tantos detalhes sobre esta cultura? É que só a diferenciação entre as espécies poderá detectar as adulterações nos produtos comerciais à base de folhas e ramos de erva-mate. E sabe-se que essas adulterações existem e que são muito semelhantes às folhas das diversas espécies de Ilex existentes.
Além do gênero Ilex, existem outros dois da família das Aquifoliaceae, à qual pertence a erva-mate: o gênero Byronia, com três espécies, encontradas na Austrália e Ilhas Poliné
sias, e gênero Neniopanthus, com uma espécie na região nordeste dos Estados Unidos. Essa é uma pequena identificação dessa planta, descrita pelo professor Renato Kaspary como "lindíssima, apaixonante, maravilhosa e invulgar." Ele diz que ela só ocupará o seu verdadeiro lugar quando for estudada em todas as etapas de seu desenvolvimento. Certamente os que a conhecerem melhor e não só pelo chimarrão hão de concordar com ele.


A cuia

A cuia dentre os apetrechos do mate, é a mais cantada e declamada pelos poetas sulinos. A cuia, que deve ser sempre de Porongo e, prefencialmente, o Porongo grosso ou doce, é o recipiente mais adequado para o Mate ou chimarrão do gaúcho, já que não modifica o seu sabor, não permite que a erva fique lavada precocemente, e não alterando ainda, a temperatura da água.Existem cuias, confeccionadas de outros materiais, tais como madeira, barro cozido, porcelana, vidro e até de plástico, que foram diferentes tentativas de se buscar outros recipientes para o mate, em períodos diversos da história. Tentativas essas que restaram frustradas, já que nenhum se mostrou capaz de competir com o velho Porongo, descoberto pelos Índios Guaranis e conservado hediornamente, como vasilha ideal para o mate, cujo plantio é intensificado ano após ano, já que o hábito de matear continua fazendo adeptos.


Como fazer o porongo virar cuia?


Após a colheita, corta-se o Porongo na parte de cima, separando-se a cuia da

parte de baixo do Porongo,

chamada de "Bunda do Porongo."
Já com a cuia extraí
da do Porongo, coloca-se a mesma em estaleiro e a sombra onde circula corrente de ar, para não rachar e perder seu cheiro característico. Após isso, em primeiro lugar fura-se o centro da cuia retirando do seu interior, o bagaço mole até chegar na parede dura da cuia, após, lixa-se a aba ou bocal e seu interior deixando-a bem lisinha.
A parte do acabamento fica por conta de uma boa cera de polir, em um motor de alta rotação para dar brilho uniforme. Temos então, uma cuia lisa e polida.

Escolhendo uma boa cuia

Para se escolher uma boa cuia, quer para chimarrão, quer para mate-doce, deve-se primeiramente levar em consideração o tipo de Porongo "Casco Grosso e Doce" que é de uma variedade mais apropriada ao mate. Se para matear sozinho, uma cuia pequena, para matear duas ou três pessoas, uma cuia média, para matear em rodas de chimarrão, usa-se uma cuia grande.


Como curar sua cuia de porongo


Quando se compra uma cuia, não pode sair usando. Antes é necessário curá-la.Para curar a cuia de Porongo, é necessário que a mesma seja cheia antes do seu uso, com água quente, não fervida, e cinza de lenha de fogão ou lareira, para eliminar fungos ou bactérias, evitando mofo e ainda, enrijecer o casco, deixando-se por aproximadamente 24 horas, completando-se a água sempre que absorvida pelo Porongo até o bocal da cuia. Após, a cuia deve ser lavada em água corrente deixando-se secar por 72 horas, na sombra e em local ventilado. Finalmente, colocam-se novamente, duas a três colheres de sopa de erva-mate nova de sua preferência e água quente (não fervida) para não trincar ou rachar a cuia, e para curtir a cuia parelha.
Após, novamente, deixa-se secar por mais 48 horas; o ideal é repetir o processo por duas ou três vezes.


Conservando sua cuia de porongo



Uma cuia bem curada é um processo que deve durar de 12 a 15 dias, exigindo-se muito cuidado e carinho, pois esta não pode cair no chão, não deve ficar exposta ao sol, e deve ser bem lavada e enxugada com um pano de algodão.
Para se conservar uma cuia de Porongo sempre boa, sem azedar ou alterar o gosto do mate, é necessário tomar alguns cuidados, tais como: Primeiramente, a
cuia não deve ser envernizada ou pintada externamente, deve ser polida com cera para dar brilho natural ao Porongo.
A cuia depois de curada, não pode ser usada diariamente, de forma contínua. O ideal, é que se use a cuia em um dia e outro não, deixando sempre secar em local arejado e na sombra, não podendo ficar com a boca para baixo, para não mofar.


Aprenda aqui como preparar um saboroso chimarrão!


(clicar em cima da imagem para abrir em tamanho maior)
1) Preencher a cuia (recipiente) com 2/3 de erva-mate para chimarrão.


2) Tapar a cuia e incliná-la ao ponto de encostar a erva-mate num lado. Pode-se utilizar um aparador, prato ou até mesmo as próprias mãos para tapar a cuia.


3) Na parte vaga você deve colocar a água morna (apenas para começar seu chimarrão). Colocando água morna você não queima a erva-mate e não deixa seu chimarrão amargo. Nas demais cuias a água correta é aquela que chia na chaleira ou 64ºC, sem deixá-la ferver.


4) Tape a boca da bomba com seu dedo polegar e coloque-a dentro da cuia descendo-a rente à sua parede, para que não fique ao meio da erva e não tranque seu chimarrão. Se a água descer após você retirar o dedo da bomba, seu chimarrão estará pronto.


5) Agora só falta saborear o delicioso chimarrão. Se preferir use um filtro para a bomba. O filtro impede o entupimento da bomba, desta forma você se concentra unicamente em apreciar o sabor do chimarrão.



Fonte:http://mix-cultura.blogspot.com/search/label/Chimarão


3 comentários:

EMERSON - SABRINA disse...

Olá... bom dia.. onde posso comprar uma cuia de chimarrão auqi no rudge ramos?..por favor é pra presente de natal.
obrigado
emersonmachado78@gmail.com

Tamara Otilia disse...

Nossa, ótima postagem, parabéns! Sou gaúcha e viciada por chimarrão e quero mostrar essa matéria pra uma amiga de Pernambuco, é exatamente o que eu procurava. Parabéns!

Marise von disse...

Tamara,

Fico muito feliz quando encontro uma gaúcha, pois tenho orgulhoso da nossa terra.
Também sou viciada em chimarrão, e não passo um dia sem o chimarrão.
No final do ano sempre levo chimarrão para meus alunos, uso na aula de Sociologia...
Eles ficam esperando o ano inteiro por este momento.
Um grande abraço,
Marise.

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