sábado, 21 de março de 2009

Eles dão o exemplo

As receitas dos quatro municípios gaúchos com melhor desempenho na Prova Brasil, onde aprender português e matemática é assunto sério, mas divertido

a proximidade dos conteúdos da sala de aula com o cotidiano que determina o bom desempenho escolar. Os municípios que se destacaram em português e matemática em levantamento do Movimento Todos pela Educação (www.todospelaeducacao.org.br) não tratam as duas disciplinas como um conjunto de regras e fórmulas.

No topo da lista estão cidades que se aproximaram da meta projetada para o país em 2022: até lá, espera-se que 70% dos estudantes atinjam pontuação considerada mínima para o aprendizado. No Estado, encabeçam a lista Roque Gonzales, Nova Bréscia, Camargo e Três Arroios. O levantamento tem como base os resultados da Prova Brasil e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicados pelo Ministério da Educação em 2007 em turmas de 4ª e 8ª séries.

Especialistas concordam que tanto o português quanto a matemática tendem a provocar a aversão dos alunos quando sua aplicação é abstrata. Professora de prática de ensino de português e coordenadora do Departamento de Estudos Linguísticos da Faculdade de Letras da PUCRS, Jocelyne Bocchese defende um ensino focado nas habilidades de leitura e escrita. Para ela, a gramática deveria ocupar no máximo 15% das aulas no Ensino Fundamental.

– O português que a gente aprende na escola deve servir para a vida. O professor pode criar um CD ou livro com as histórias da região, por exemplo. O estudante vai pesquisar as histórias, vai anotar, vai transformar a linguagem oral em escrita – ensina.

Presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, João Lucas Barbosa compartilha da opinião. Ele defende que o professor explore a fase da vida do estudante para ensinar. Problemas matemáticos podem ser elaborados usando comparações com compras na cantina ou troca de figurinhas.

– É a ciência mais aplicada do mundo. O exercício da cidadania pode ser feito com a matemática. Não é possível brigar pelo salário sem entender de juros, proporções, qual é a proposta do patrão – explica Barbosa.

Só que não é apenas o que ocorre dentro das salas que conduz à meta. Conforme Ruben Klein, especialista em avaliação da educação e integrante do comitê técnico do Movimento Todos pela Educação, o nível socioeconômico interfere no desempenho.

– A base familiar e o valor que as famílias dão ao aprendizado são importantes. Para muitas, o fato de o filho estar na escola é um avanço, só que elas não sabem o que é um aprendizado de qualidade – comenta Klein.

O especialista observa que a presença dos pais deve ser permanente e não ocorrer apenas quando os filhos têm problemas na escola.


silvana.castro@zerohora.com.br

SILVANA DE CASTRO

Fonte: Jornal Zero Hora - 22 de março de 2009 - nº 15915
O X da Educação

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