sábado, 7 de março de 2009

Filme: Entre os Muros da Escola

Guerra na sala de aula

Entre os Muros da Escola, que estreia no Brasil em 13 de março, é premiado no Independent Spirit Awards por melhor filme estrangeiro

Filme concorre ainda ao César 2009 em cinco categorias, incluindo melhor filme

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2008, Entre os Muros da Escola (Entre les Murs / The Class), de Laurent Cantet, acaba de receber o prêmio de melhor filme estrangeiro no Independent Spirit Awards (21 de fevereiro). Em janeiro deste ano, o longa conquistou o prêmio Lumière de melhor filme, concedido pela imprensa internacional em Paris.

No César 2009 (o Oscar francês), que acontece nesta sexta-feira, dia 27 de fevereiro, Entre os Muros da Escola concorre em cinco categorias: melhor filme, melhor diretor, melhor adaptação, melhor som e melhor montagem. O longa também foi indicado ao Oscar 2009 de melhor filme estrangeiro e recebeu duas indicações no European Film Awards, nas categorias de melhor filme e melhor diretor.

Entre os Muros da Escola continuará sua carreira em festivais internacionais: das premiações importantes, faltam ainda Globo de Ouro e Bafta, que ficarão para o próximo ano, já que exigem lançamentos nacionais (nos Estados Unidos e Inglaterra, respectivamente) antes das inscrições.

O lançamento no Brasil será em 13 de março, com a presença de Laurent Cantet no Rio de Janeiro e São Paulo na semana de estreia. As próximas cabines para a imprensa em São Paulo acontecerão em 03 e 10 de março, ambas às 10h30, na Reserva Cultural.

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA
(Entre Les Murs)
França, 2007, 129 minutos
De Laurent Cantet

assista o trailer legendado:


Uma criança marroquina chama de “macaco” outra de Mali. Uma jovem tunisiana recusa-se a ler um trecho de um livro porque não lhe apetece. Um filho de portugueses aparece com uma camisa da seleção de futebol e o cabelo espigado à Ronaldinho. Estas são algumas das situações que o professor de ENTRE LES MURS, de Laurent Cantet, tem que enfrentar todos os dias na aula de Francês que leciona num Liceu de Paris; mas não é por isso que o filme, terceiro e melhor do trio que a França apresentou na Seleção Oficial do Festival de Cannes, se resigna aos clichês sensacionais do subgênero “filme de escola problemática”.

Cantet disse numa entrevista que “todos produzem discursos ideológicos sobre a escola, mas muito poucos a conhecem e vão ver como funciona”. Por isso, pegou a idéia que tinha de fazer um filme de ficção sobre a vida num liceu “difícil” e propôs ao jornalista, escritor e professor Francois Bégaudeau a adaptação ao cinema do seu livro ENTRE LES MURS, baseado nas suas experiências de ensino. Mais: além de ter convidado Bégaudeau a co-escrever o argumento com ele e com Robin Campillo, Cantet propôs-lhe ainda que interpretasse o papel principal, o de um professor chamado… Francois.

Para transferir para a tela a autenticidade do livro, o diretor e o autor decidiram que os alunos seriam interpretados não por atores jovens recrutados em castings, mas pelos alunos de um liceu de Paris, que fizeram workshops dramáticos e foram encorajados a improvisar durante as filmagens, mantendo seus nomes originais na fita, tal como os professores.

O resultado é uma crônica de um ano letivo numa sala de aula que é um microcosmo de milhares de outras em escolas “duras”, não apenas na França, mas também em qualquer país da Europa aonde os filhos dos imigrantes africanos, asiáticos e também europeus vieram engrossar as fileiras escolares dos naturais. Onde dar aulas requer a um professor não apenas a normal preparação pedagógica, como ainda paciência de santo, muita criatividade e uma autoridade feita de parte firmeza, parte diplomacia, e o dia-a-dia é gasto a dar matéria e a tentar explicar aos alunos as regras básicas do respeito, da boa educação, do convívio social e do comportamento em público - especialmente numa sala de aula.

Colado ao máximo à realidade, Laurent Cantet descreve os confrontos diários intenso, exigentes e ingratos entre um adulto e um grupo de adolescentes em que se transformou o ensino em muitas das escolas das sociedades contemporâneas, sem desabar ou no discurso catastrófico do apocalipse escolar, nem nas piedades ingênuas das pedagogias redentoras, sem crucificar ou endeusar os professores ou transformar os alunos em estereótipos ou carne para canhão do politicamente correto. E sem esconder que ensinar pode por vezes parecer uma missão quase impossível, em face de quem não quer, não consegue ou resiste, com insolência e hostilidade, a ser ensinado. ENTRE LES MURS é um filme sobre cenas da luta na classe.

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