domingo, 5 de abril de 2009

Cotas para quê? Uma questão preocupante.


Confira no site da Revista Época:
Cotas para quê?
Reservar vagas para negros e índios ou estudantes pobres nas universidades públicas não resolve uma injustiça histórica – e cria ainda mais problemas
Leandro Loyola, Nelito Fernandes, Margarida Telles e Francine Lima

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI67068-15228,00-COTAS+PARA+QUE.html


E aproveite para assistir o documentário: "Olhos Azuis".

http://sociologialimite.blogspot.com/search?q=olhos+azuis



Cotas para quê? Uma questão preocupante.


A proposta de introdução de cotas por critério racial nas universidades públicas lembra-me de uma falsa lenda hindu que me foi narrada há muito tempo:

Um homem chegou em casa um certo dia e surpreendeu sua esposa no sofá com outro homem. Houve gritos,briga, recriminações e lágrimas. Por fim, o homem perdoou a esposa.

Passa algum tempo e , novamente, ao voltar para casa o mesmo homem surpreende novamente a esposa no sofá com outro homem. Nova cena, novas recriminações , ameaças briga, discussão etc. Por fim, mais uma vez o homem acabou perdoando a esposa. Mais algum tempo se passa e ... o homem mais uma vez pega a esposa em flagrante delito no sofá. Desta vez ele achou que era demais. Decidido a tomar uma atitude ele... vendeu o sofá.

Brincadeiras à parte, raciocinemos: o que é mais fácil para o Estado? Temos a opção A que consiste em promover uma educação de qualidade para qualquer um que freqüente a escola pública. Esta proposta implica em mais organização, melhor remuneração dos professores, é um investimento a médio ou longo prazo e é a única solução real. Como opção B temos a opção malandra para deixar as estatísticas bonitinhas: vender o sofá!!!

As cotas são injustas com todos . São injustas principalmente para os alunos das escolas públicas que ganhariam suas vagas na universidade não teriam condições de acompanhar o curso escolhido a menos que a universidade também abrisse mão de seus padrões acadêmicos (talvez seja este o próximo passo). As cotas são injustas para os professores universitários que teriam que arcar com a formação acadêmica de alunos despreparados. As cotas são injustas com outros alunos que muitas vezes, sem condições, pagaram com sacrifício um cursinho pré vestibular para entrar num local que deveria ser o domínio da meritocracia e não reduto de um paternalismo demagógico.


Marise Von Frühauf Hublard

5 comentários:

Taninha Nascimento. disse...

Muito bom artigo, Marise!

Muito prazer, sou Taninha do blog No Rastro da Educação...

Vi que você está acompanhando meu blog e vim visitar o seu.

Uau!! Excelente!!

Sobre a questão das cotas, não sei se vc chegou a ler um post meu sobre o assunto; "A Crise na Educação - Arnaldo Niskier". Eu coloquei o artigo tentando gerar algum debate sobre a questão.

Eu costumo fazer assim, ponho artigos de famosos , ou não, e comento...

Comentando tal artigo, coloquei o seguinte sobre o regime de cotas:

"Eu assisti a um debate na TV Senado com Juiz Federal William Douglas (branco) e o advogado José Roberto Militão (negro)
falando sobre as cotas nas Universidades Federais.

O advogado José Roberto Militão - Advogado integrante da OAB-SP - dizia que o regime de cotas reforça a questão da raça. Onde há uma raça superior e uma inferior [negros]. Enfatizava que o estado não deve reafirmar a questão racial e sim a questão humana.
Concordo com ele.

Pois, de fato, "tira-se a vaga de brancos e pobres para pretos e pobres. E o investimento do Estado?" Questionava o advogado.

O Juiz Federal, professor e escritor Willian Douglas, contra-argumentou que 50% da população é negra e 50% da população é branca. Dizia também, que o negro sempre tem um salário inferior.Esclarecia e e defendia que a cota racial é para compensar a discriminação que existe hoje, não a que havia no passado.

Bem... Eu acho que a questão é que se houvesse, de fato, investimento na Educação de qualidade, privilegiando não apenas as teorias, mas principalmente a prática, que é onde tudo acontece. Se na Educação não se poupassem esforços e nem dinheiro - para recursos humanos principalmente -, a situação seria bem outra.

Há pouco tempo ouvi um debate que focava a questão dos gastos com os presos.Para manter apenas um, gasta-se mais que o dobro do que se gasta com um aluno para mantê-lo na escola.Onde, resumindo:

o Fundamental não trabalha o fundamental; o Nível Médio se perde na mediação e as Universidades soltam profissionais altamente desqualificados com um diploma ou diplomas que não generalizando, claro, me remete a Brás Cubas quando diz:" A universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estou longe de trazer arraigada em meu cérebro."

É isso... Como já disse o Ministro da Educação, não há uma bala de prata para resolver tudo. Mas começando a investir DINHEIRO na Educação como prioridade, fico esperançosa e otimista."

Olha, Marise. Parabéns pelo blog, viu?!
Filosofar é preciso , mesmo!!

Grande abraço,
Taninha

Sérgio M. disse...

Olá. Obrigado pelo seu comentário.
Também sou professor de Filosofia e Psicologia. O meu blog tem pouco mais de um ano, mas qualquer material que precise esteja à vontade.

Marise von Frühauf Hublard disse...

Taninha,
Obrigada pela visita e pelo comentário.
Agradeço também por estar acompanhando meu blog.
Acredito que investimentos na educação não vão resolver o problema, apenas amenizar a situação. É necessário a presença ativa da família na escola.
A família colaborando com a escola, cobrando diáriamente o aluno, a escola e o professor. O adolescente precisa de limites para crescer, pois sem limites ele não sabe para onde ir e nem o que fazer?
É o que está acontecendo? O aluno não sabe o que quer? Nem o que fazer? Ele está perdido, sem limites, sem responsabilidade e sem disciplina.

Abraço,
Marise.

Marise von Frühauf Hublard disse...

Sérgio,

Obrigado pela visita e por estar acompanhando meu blog.
Podemos trocar materiais, será um prazer.

Abraço,
Marise.

Taninha Nascimento. disse...

Sim , Marise!!

Esse "detalhe" é tudo...

Mas o que ocorre atualmente , nas escolas públicas, é que o diretor por exemplo, fica de pés e mãos atadas em diversas circurstâncias do dia a dia.

Precisamos das famílias sim! e muito! Mas, quando chamamos os responsáveis, poucos comparecem às reuniões e, sobre os mais "levados ou desinteressados" - quando comparecem - dizem na presença destes: " Eu já larguei de mão... Não sei mais o que fazer com esse(a) menino(a)!"... Então, a questão é delicada.

Quando eu falo em gastar dinheiro com a Educação, falo também e principalmente, em colocar a disposição parcerias como: psicólogos, sociólogos, médicos. De forma prática, efetiva. Pessoas que saibam lidar com muitas e muitas situações semelhantes a que citei; que vêm de uma raiz muito profunda e complexa existente em nossa sociedade.

Abraços, apareça!
Taninha

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