segunda-feira, 27 de abril de 2009

Questões de valor

Como devemos agir? Como queremos viver? Você se faz essas perguntas no seu dia a dia de educador?

Terezinha Azerêdo Rios

Numa de minhas idas a uma livraria, levei alguns exemplares ao caixa e a moça me disse: “Vou calcular o valor”. Pensei em brincar com ela: “O valor desses livros é incalculável! O que você vai calcular é o preço”.

Conferir valor é algo que marca a intervenção dos seres humanos no mundo como criadores de cultura. A transformação que se opera por meio do trabalho se dá no aspecto material e também no plano simbólico de atribuição de significados. Os objetos e bens ganham valor pelo que representam para nós. Valorizar significa não ficar indiferente, implica manifestar-se em relação a algo.

O escritor uruguaio Eduardo Galeano afirma que “fomos ensinados que o que não tem preço não tem valor”. Assim, ele faz uma provocação para nós: as pessoas “são ensinadas” em todas as instituições, mas na escola o ensino se dá de maneira diferenciada. Somos desafiados a ref letir sobre os valores que difundimos.

Os valores presentes nas ações do cotidiano

Em todas as nossas ações e relações estão valores de diferentes naturezas: lógicos, estéticos, econômicos e morais. Esses últimos dizem respeito às atitudes dos indivíduos e, no cotidiano do trabalho dos diretores e dos coordenadores pedagógicos, eles aparecem na condução de uma reunião com a equipe, na resposta a uma reivindicação dos familiares, numa orientação aos alunos, no acompanhamento do trabalho dos funcionários. Existe sempre uma dimensão moral – e é preciso que haja também uma perspectiva ética. Moral e ética não são sinônimos. A primeira diz respeito ao ethos, ao jeito de viver de uma sociedade e ao conjunto de prescrições que orientam a vida coletiva. A segunda, a ciência do ethos, é a reflexão crítica sobre os fundamentos dos valores morais. Agimos moralmente e nem sempre realizamos uma ref lexão ética. E é isso que tem faltado em todas as instituições, incluindo as escolas. A pergunta da moral é: como devemos agir? A resposta está nos códigos, formalizados ou não, com as regras de cada sociedade. A pergunta da ética é: como queremos viver? Ela faz referência ao sentido do agir.

Como educadores, temos de fazer as duas perguntas. A da ética nos faz olhar para a significação do dever. Devemos ensinar conteúdos, avaliar e construir um projeto pedagógico, mas... por quê? Para quê? Nosso trabalho está colaborando para a construção da vida plena, nossa e dos alunos? Nas respostas e nas ações que delas derivam, empenhamos nossa liberdade e definimos nossa responsabilidade. É o nosso desafio cotidiano, um desafio que não tem preço!


TEREZINHA AZERÊDO RIOS é professora do programa de pós-graduação
da Universidade Nove de Julho.


Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/questoes-valor-448779.shtml

Um comentário:

Wolf Edler disse...

Como sou um extraterrestre, jamais dei importância ao valor monetário de qualquer coisa. Tanto que sou inteiramente despossuido (não tenho casa e nem carro) e empreguei a maior parte de todo o dinheiro que ganhei na vida (o equivalente a uns quatro apartamentos bons) para montar uma biblioteca para doar ao povo. Não deixo herança pecuniária nenhuma. Esses livros, discos, partituras, gravuras, fitas, filmes e tudo o mais, contudo têm um valor incalculável em termos de conhecimento, arte, ciência, filosofia, cultura e deleite, além das lições de vida que estão embutidas. Quanto ao significado da moral e da ética, sugiro a leitura de meu texto:
http://wolfedler.blogspot.com/2009/02/o-que-e-uma-vida-boa.html ;
http://wolfedler.blogspot.com/2008/07/tica-e-atesmo.html ;
http://www.ruckert.pro.br/blog/?p=3048 .

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