sexta-feira, 31 de julho de 2009

Rui Canário fala sobre como a escola deve transformar problemas em soluções

Para educador português, as dificuldades devem se transformar em ações educativas

Paula Nadal (gestao@atleitor.com.br)

Foto: Alvaro Isidoro/Cityfiles

RUI CANÁRIO "Os principais recursos da Educação
são as pessoas, os saberes e as experiências
mobilizadoras. Com isso, não há escolas pobres."
Foto: Alvaro Isidoro/Cityfiles


O fenômeno da globalização, tão conhecido no universo da Economia, também atinge a Educação. A velocidade das informações e dos transportes permite que os países troquem produtos, serviços e culturas. Contudo, nessa via aberta na qual tudo isso é intensamente compartilhado, também passam problemas e crises, como a do ensino, presente em vários países. "Independentemente das condições econômicas e sociais, a ineficiência da escola é geral no mundo todo e se traduz pelos altos níveis de analfabetismo funcional, pela proletarização do trabalho dos professores e pelo descaso crescente dos alunos em relação aos estudos e dos docentes quanto ao ensino", afirma Rui Canário, doutor em Ciências da Educação e professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, onde faz pesquisas nas áreas de Sociologia e de formação de jovens e adultos.

Não raro, as consequências da crise, como o desinteresse de alunos e professores e a falta de condições ideais de trabalho, são apontadas como barreiras intransponíveis para ter um ensino de qualidade. Muitos profissionais da Educação se deixam abater por elas. Outros, ao contrário, usam as dificuldades como fonte para a busca de soluções. "Todas as escolas têm a possibilidade de atingir bons resultados, mesmo partindo de pontos diferentes e adversos. Isso porque elas, como qualquer sistema social, podem se autorregular." A propriedade de gerir os recursos disponíveis para atingir os fins desejados teve origem no campo da Biologia, no estudo aprofundado dos sistemas vivos, e foi adaptada, nos anos 1960 e 70, para organizações sociais. Nesta entrevista a NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR, Canário explica como essa capacidade pode ser usada na Educação.

Como uma teoria criada na Biologia pode ajudar a Educação?


RUI CANÁRIO O biólogo austríaco Ludwig von Bertalanffy (1901-1972) percebeu que os sistemas vivos conseguem "aprender" a administrar os recursos disponíveis para atingir os resultados pretendidos. Alguns exemplos: se uma pessoa perde a visão, com o tempo ela adquire maior acuidade auditiva. Outra que perca os movimentos da mão direita passa a fazer tudo com a esquerda. Sabemos hoje que determinadas lesões no cérebro humano são superáveis por uma nova reconfiguração das diferentes áreas ou pela ativação de zonas menos utilizadas. À capacidade de se autorregular foi dada o nome de equifinalidade. Bertalanffy não parou por aí e percebeu que essa propriedade também está presente nos sistemas sociais - inclusive na escola. Ou seja, é possível que cada uma encontre o próprio caminho desde que as diversidades e os possíveis problemas ou crises sejam usados como estímulo para criar soluções inovadoras.

A ideia, então, é transformar problemas em ação e proposta educativas?


CANÁRIO
Com certeza. Quer um exemplo? Muitos afirmam que o descaso dos alunos impede a escola de ser eficiente. Em vez de se conformar, que tal incentivar a criação de projetos que possam ser desenvolvidos pelos educandos, tratando-os como capazes de produzir e não como aprendizes que só têm a receber? É difícil não haver engajamento quando as pessoas se tornam sujeitos e atribuem um sentido positivo ao trabalho que realizam. O que parecia um obstáculo - a falta de envolvimento - virou um caminho para atingir os objetivos.

Muitos educadores apontam também o descaso das famílias e do próprio corpo docente.


CANÁRIO Eu mesmo participei de algumas iniciativas de intervenção em turmas das primeiras séries e um dos entraves era justamente o distanciamento dos atores das metas almejadas. E isso acontecia com os alunos, os familiares - que estavam completamente fora do processo de Educação dos filhos - e os professores, que se diziam desmotivados. Os elementos para lidar positivamente com públicos pouco comprometidos foram sintetizados em três aspectos: a implantação de uma Pedagogia que incentivou o estudante a se tornar produtor de saber, a elaboração de planos para aproximar as famílias, a comunidade e outras instituições da vida escolar e a adoção do trabalho participativo e em equipe para os docentes, permitindo a construção de práticas sobre as quais há uma reflexão permanente.

E quando o que emperra as ações é a falta de recursos?
CANÁRIO Os principais recursos da Educação são as pessoas, os saberes e as experiências de mobilização. Com isso, não há escolas pobres. Citando o grande poeta da língua portuguesa Luís de Camões (1524-1580), "a necessidade aguça o engenho". Sem fazer nenhuma apologia da pobreza, é das situações de necessidade que frequentemente surgem, em zonas marginalizadas e periféricas do sistema educativo, as formas mais criativas de identificar e produzir recursos e de construir soluções inovadoras. Em Portugal, isso ficou muito claro com a Escola da Ponte e no projeto das escolas rurais.

Quais as soluções encontradas pela Escola da Ponte e pelas escolas rurais portuguesas para transformar as necessidades em incentivo?


CANÁRIO
No caso da Escola da Ponte, a organização democrática com a participação dos alunos permitiu que eles próprios fossem o recurso para superar os problemas de indisciplina. Já o projeto de intervenção nas pequenas escolas rurais começou para resolver um problema de isolamento dos professores. Rapidamente se percebeu que esse isolamento dizia respeito não apenas às escolas mas também às próprias comunidades. Assim as primeiras se transformaram em polos de animação comunitária, instituindo, por exemplo, processos de trabalho pedagógico que envolviam diretamente as crianças e os idosos dos povoados.

Então, para promover a escola e dar visibilidade a ela, o gestor precisa reconhecer a diversidade, ser inovador nas propostas e, ao mesmo tempo, otimizar a utilização de recursos?


CANÁRIO
As escolas não são governáveis por controle remoto. Cada uma vive uma realidade única, e isso em diversos aspectos, a começar pela localização, o que faz com que elas atendam a públicos diferenciados. Os espaços e os equipamentos disponíveis variam muito e, claro, as equipes pedagógicas têm distintos perfis. Portanto, para bem cumprir suas funções, as escolas precisam desenvolver e utilizar da melhor maneira possível o potencial criativo do diretor, do coordenador pedagógico, do corpo docente e dos alunos para definir metas, identificar problemas e mobilizar recursos. Se todos juntos traçarem uma estratégia, ficará mais fácil construir uma identidade única e alcançar melhores resultados.

É nesse sentido que se pode dizer que cada escola tem uma "cara"?
CANÁRIO
Na verdade, é esse processo que fundamenta a pertinência de cada estabelecimento de ensino em orientar-se para um projeto educativo próprio, em que os professores se formam na ação, por meio de um desempenho profissional que cada vez é mais claro e valorizado pela própria equipe. É o que eu chamo de formação de professores centrada na escola. Para que isso seja concretizado, é essencial haver lideranças fortes, apoiadas no trabalho docente colaborativo. Essas ações ajudam também a reverter o quadro de proletarização do trabalho dos professores, tornando-os protagonistas de todo o processo de ensino.

De que maneira o gestor deve conduzir a construção de um projeto educacional e pedagógico específico para a escola que dirige?


CANÁRIO Ele deve tirar o máximo partido da diversidade do sistema escolar. Do ponto de vista social, cultural e étnico, os públicos escolares são cada vez mais heterogêneos, e isso não é somente inevitável como também desejável. Jamais se deve encarar isso como um obstáculo para que a escola tenha um bom desempenho. É a diversidade que permite a contextualização de práticas educativas - ação imprescindível para que cada um dos envolvidos encontre um sentido positivo para o exercício do trabalho intelectual de aprender. O princípio da equifinalidade - a autorregulação que definimos anteriormente e trouxemos para o campo da Educação - encara as diferenças entre as instituições como uma riqueza e uma fonte de inspiração para a busca de novos caminhos.

Como promover uma formação centrada na escola?

CANÁRIO O ponto de partida é a realização de diagnósticos e a identificação de problemas para, com base nisso, tentar encontrar soluções, testá-las e avaliá-las. Parte-se do princípio de que a atividade dos professores tem uma dimensão coletiva, o que não é o mesmo que a soma das ações individuais. O oposto da formação centrada na escola é aquela basicamente teórica e desvinculada da sala de aula, em que o alvo é a capacitação individual de cada um com base nas lacunas que lhe são identificadas. Nessa perspectiva, a prática dos docentes e o funcionamento da instituição têm de ser modificados ao mesmo tempo. Quando o professor trabalha com projetos, ele promove mudanças em várias frentes, como na organização da turma e na maneira de ele próprio exercer sua função e na de os alunos participarem das aulas e das atividades.

Mas isso é possível quando existe um sistema educativo centralizado?

CANÁRIO A organização escolar deve funcionar como mediadora entre a administração pública e os professores, isso porque cada uma constitui um sistema de ação coletiva, com culturas e contextos que interferem na ação dos educadores. Por isso, tem de haver uma apropriação e uma reconfiguração própria das orientações recebidas do exterior. É nesse sentido que a escola funciona, em termos organizacionais, como um filtro que estabelece uma mediação entre as orientações gerais vindas de cima e as práticas efetivas em sala de aula.

A decisão sobre essas adaptações precisa ser feita coletivamente?

CANÁRIO Com certeza e, quanto mais participação existir, melhor. A gestão não tem de forçosamente ser assegurada por apenas uma pessoa. Ela pode ser feita de forma colegiada. Em Portugal, logo após a Revolução dos Cravos, em abril de 1974, os diretores dos estabelecimentos de ensino, até então nomeados pelo governo, foram substituídos por comissões eleitas pela comunidade dos educadores, instituindo assim um sistema participativo de autogestão. Para que a escola não funcione segundo uma lógica meramente bancária - expressão usada por Paulo Freire (1921-1997) -, é fundamental que ela seja permeada por princípios democráticos, em que os educandos aprendem sobre cidadania ao exercê-la. É a capacidade de mobilização que permite fazer de cada escola um projeto. E é isso que se espera de uma liderança.

Quais são as competências profissionais que precisam ser desenvolvidas pela equipe pedagógica e estimuladas pelos gestores?
CANÁRIO
A formação dos professores certamente corresponde a um processo de socialização que se verifica no próprio exercício da profissão. Os docentes aprendem como trabalhar nas escolas, com base na experiência que tiveram como alunos e por meio de um processo de socialização com os pares. É importante que nas rotinas escolares sejam criados espaços que permitam realizar, de forma consciente, esse processo de aprendizagem. A ação das lideranças é decisiva para que cada escola se transforme numa organização qualificante para os profissionais que lá trabalham.

Nesse contexto, é possível vislumbrar como poderia ser uma escola no futuro próximo?


CANÁRIO
O grande problema hoje não é só saber como será a escola do futuro, mas saber se há um futuro para a escola. O que vai acontecer não pode ser adivinhado, mas problematizado. Há várias perspectivas possíveis. A nossa capacidade de influenciar o que será daqui para diante depende do modo como agimos no presente. Muitas das críticas à escolarização, particularmente as que foram desenvolvidas pelo filósofo austríaco Ivan Illich (1926-2002), que defendia uma sociedade sem instituições oficiais de ensino, aparecem hoje como bastante realistas. Em muitos aspectos, a escola deixou de ser a solução para fazer parte do problema. Hoje, não é previsível haver um cenário de desescolarização, mas é possível verificar a crescente importância de outras modalidades educativas e de aprendizagem. A Educação transcende em muito as fronteiras da escola e o modelo ali desenvolvido só terá futuro se ele tornar-se poroso e deixar-se contaminar por diferentes formas educativas.


Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA


A Escola Tem Futuro? Das Promessas às Incertezas, Rui Canário, 160 págs., Ed. Artmed, www.artmed.com.br, tel. 0800-703-3444, 40 reais
O Que É a Escola? Um Olhar Sociológico, Rui Canário, 208 págs., Ed. Porto, www.portoeditora.pt,
tel. 00 (351) 2-4099-023, 20,70 euros


Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/use-crise-criar-482738.shtml

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Crime e castigo por Lya Luft

"Estamos levando na brincadeira a questão
do erro e do castigo, ou do crime e da punição.
Sem limites em casa e sem punição de crimes
fora dela, nada vai melhorar"

Tomo emprestado o título do romance do russo Dostoiévski, para comentar a multiplicação dos crimes nesta cultura torta, desde os pequenos "crimes" cotidianos – falta de respeito entre pais e filhos, maus-tratos a empregados, comportamento impensável de políticos e líderes, descuido com nossa saúde, segurança, educação – até os verdadeiros crimes: roubos, assaltos, assassinatos, tão incrivelmente banalizados nesta sociedade enferma. A crise de autoridade começa em casa, quando temos medo de dar ordens e limites ou mesmo castigos aos filhos, iludidos por uma série de psicologismos falsos que pululam como receitas de revista ou programa matinal de televisão e que também invadiram parte das escolas. Crianças e adolescentes saudáveis são tratados a mamadeira e cachorro-quente por pais desorientados e receosos de exercer qualquer comando. Jovens infratores são tratados como imbecis, embora espertos, e como inocentes, mesmo que perversos estupradores, frios assassinos, traficantes e ladrões comuns. São encaminhados para os chamados centros de ressocialização, onde nada aprendem de bom, mas muito de ruim, e logo voltam às ruas para continuar seus crimes.




Estamos levando na brincadeira a questão do erro e do castigo, ou do crime e da punição. A banalização da má-educação em casa e na escola, e do crime fora delas, é espantosa e tem consequências dramáticas que hoje não conseguimos mais avaliar. Sem limites em casa e sem punição de crimes fora dela, nada vai melhorar. Antes de mais nada, é dever mudar as leis – e não é possível que não se possa mudar uma lei, duas leis, muitas leis. Hoje, logo, agora! O ensino nas últimas décadas foi piorando, em parte pelo desinteresse dos governos e pelo péssimo incentivo aos professores, que ganham menos do que uma empregada doméstica, em parte como resultado de "diretrizes de ensino" que tornaram tudo confuso, experimental, com alunos servindo de cobaias, professores lotados de teorias (que também não funcionam). Além disso, aqui e ali grupos de ditos mestres passaram a se interessar mais por politicagem e ideologia do que pelo bem dos alunos e da própria classe. Não admira que em alguns lugares o respeito tenha sumido, os alunos considerem com desdém ou indignação a figura do antigo mestre e ainda por cima vivam, em muitas famílias, a dor da falta de pais: em lugar deles, como disse um jovem psicólogo, eles têm em casa um gatão e uma gatinha. Dispensam-se comentários.


Autoridade, onde existe, é considerada atrasada, antiquada e chata. Se nas famílias e escolas isso é um problema, na sociedade, com nossas leis falhas, sem rigor nem coerência, isso se torna uma tragédia. Não me falem em policiais corruptos, pois a maioria imensa deles é honrada, ganha vergonhosamente pouco, arrisca e perde a vida, e pouco ligamos para isso. Eu penso em leis ruins e em prisões lotadas de gente em condições animalescas. Nesta nossa cultura do absurdo, crimes pequenos levam seus autores a passar anos num desses lixões de gente chamados cadeias (muitas vezes sem sequer ter havido ainda julgamento e condenação), enquanto bandidos perigosos entram por uma porta de cadeia e saem pela outra, para voltar a cometer seus crimes, ou gozam na cadeia de um conforto que nem avaliamos.


Precisamos de punições justas, autoridade vigilante, uma reforma geral das leis para impedir perversidade ou leniência, jovens criminosos julgados como criminosos, não como crianças malcriadas. Ensino, educação e justiça tornaram-se tão ruins, tudo isso agravado pelo delírio das drogas fomentado por traficantes ou por irresponsáveis que as usam como diversão ou alívio momentâneo, que passamos a aceitar tudo como normal: "É assim mesmo". Muito crime, pouco castigo, castigo excessivo ou brando demais, leis antiquadas ou insuficientes, e chegamos aonde chegamos: os cidadãos reféns dentro de casa ou ratos assustados nas ruas, a bandidagem no controle; pais com medo dos filhos, professores insultados pela meninada sem educação. Seria de rir, se não fosse de chorar.


Lya Luft é escritora


Fonte: Revista veja - Edição 2123 - 29 de julho de 2009

Imagem:Ilustração Atômica Studio

terça-feira, 21 de julho de 2009

Frango A La Carte

Magnifica obra de Ferdinand Dimadura, agora traduzida para português.



Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=fqnhzNSWOlI

sábado, 18 de julho de 2009

GRIPE "A" DIDATICAMENTES - GRIPE SUÍNA: PERGUNTAS E RESPOSTAS


PERGUNTA
RESPOSTA
1.-
Quanto tempo dura vivo o vírus suíno numa maçaneta ou superfície lisa?
Até 10 horas.
2. -
Quão útil é o álcool em gel para limpar-se as mãos?
Torna o vírus inativo e o mata.
3.-
Qual é a forma de contágio mais eficiente deste vírus?
A via aérea não é a mais efetiva para a transmissão do vírus, o fator mais importante para que se instale o vírus é a umidade, (mucosa do nariz, boca e olhos) o vírus não voa e não alcança mais de um metro de distancia.
4.-
É fácil contagiar-se em aviões?
Não, é um meio pouco propício para ser contagiado.
5.-
Como posso evitar contagiar-me?
Não passar as mãos no rosto, olhos, nariz e boca. Não estar com gente doente. Lavar as mãos mais de 10 vezes por dia.
6.-
Qual é o período de incubação do vírus?
Em média de 5 a 7 dias e os sintomas aparecem quase imediatamente.
7.-
Quando se deve começar a tomar o remédio?
Dentro das 72 horas os prognósticos são muito bons, a melhora é de 100%
8.-
De que forma o vírus entra no corpo?
Por contato ao dar a mão ou beijar-se no rosto e pelo nariz, boca e olhos.
9.-
O vírus é mortal?
Não, o que ocasiona a morte é a complicação da doença causada pelo vírus, que é a pneumonia.
10.-
Que riscos têm os familiares de pessoas que faleceram?
Podem ser portadores e formar uma rede de transmissão.
11.-
A água de tanques ou caixas de água transmite o vírus?
Não porque contém químicos e está clorada
12.-
O que faz o vírus quando provoca a morte?
Uma série de reações como deficiência respiratória, a pneumonia severa é o que ocasiona a morte.
13.-
Quando se inicia o contagio, antes dos sintomas ou até que se apresentem?
Desde que se tem o vírus, antes dos sintomas.
14.-
Qual é a probabilidade de recair com a mesma doença?
De 0%, porque fica-se imune ao vírus suíno.
15.-
Onde encontra-se o vírus no ambiente?
Quando uma pessoa portadora espirra ou tosse, o virus pode ficar nas superfícies lisas como maçanetas, dinheiro, papel, documentos, sempre que houver umidade. Já que não será esterilizado o ambiente se recomenda extremar a higiene das mãos.
17.-
O vírus ataca mais às pessoas asmáticas?
Sim, são pacientes mais suscetíveis, mas ao tratar-se de um novo germe todos somos igualmente suscetíveis.
18.-
Qual é a população que está atacando este vírus?
De 20 a 50 anos de idade.
19.-
É útil a máscara para cobrir a boca?
Existem alguns de maior qualidade que outros, mas se você não está doente é pior, porque os vírus pelo seu tamanho o atravessam como se este não existisse e ao usar a máscara, cria-se na zona entre o nariz e a boca um microclima úmido próprio ao desenvolvimento viral: mas se você já está infectado use-o para não infectar aos demais, apesar de que é relativamente eficaz.
20.-
Posso fazer exercício ao ar livre?
Sim, o vírus não anda no ar nem tem asas.
21.-
Serve para algo tomar Vitamina C?
Não serve para nada para prevenir o contagio deste vírus, mas ajuda a resistir seu ataque.
22.-
Quem está a salvo desta doença ou quem é menos suscetível?
A salvo não esta ninguém, o que ajuda é a higiene dentro de lar, escritórios, utensílios e não ir a lugares públicos.
23.-
O virus se move?
Não, o vírus não tem nem patas nem asas, a pessoa é quem o coloca dentro do organismo.
24.-
Os mascotes contagiam o vírus?
Este vírus não, provavelmente contagiem outro tipo de vírus.
25.-
Se vou ao velório de alguém que morreu desse vírus posso me contagiar?
Não.
26.-
Qual é o risco das mulheres grávidas com este vírus?
As mulheres grávidas têm o mesmo risco mas por dois, podem tomar os antivirais mas em caso de de contagio e com estrito controle médico.
27.-
O feto pode ter lesões se uma mulher grávida se contagia com este vírus?
Não sabemos que estragos possa fazer no processo, já que é um vírus novo.
28.-
Posso tomar acido acetilsalicílico (aspirina)?
Não é recomendável, pode ocasionar outras doenças, a menos que você tenha prescrição por problemas coronários, nesse caso siga tomado.
29.-
Serve para algo tomar antivirales antes dos síntomas?
Não serve para nada.
30.-
As pessoas com AIDS, diabetes, câncer, etc., podem ter maiores complicações que uma pessoa sadia se contagiam com o vírus?
SIM.
31.-
Uma gripe convencional forte pode se converter em influenza?
NAO.
32.-
O que mata o vírus?
O sol, mais de 5 dias no meio ambiente, o sabão, os antivirais, álcool em gel.
33.-
O que fazem nos hospitais para evitar contágios a outros doentes que não têm o vírus?
O isolamento.
34.-
O álcool em gel é efetivo?
SIM, muito efetivo.
35.-
Se estou vacinado contra a influenza estacional sou inócuo a este vírus?
Não serve para nada, ainda não existe vacina para este vírus.
36.-
Este vírus está sob controle?
Não totalmente, mas estão tomando medidas agressivas de contenção.
37.-
O que significa passar de alerta 4 a alerta 5?
A fase 4 não faz as coisas diferentes da fase 5, significa que o vírus se propagou de Pessoa a Pessoa em mais de 2 países; e fase 6 é que se propagou em mais de 3 países.
38.-
Aquele que se infectou deste vírus e se curou, fica imune?
SIM.
39.-
As crianças com tosse e gripe têm influenza?
É pouco provável, pois as crianças são pouco afetadas.
40.-
Medidas que as pessoas que trabalham devam tomar?
Lavar-se as mãos muitas vezes ao dia.
41.-
Posso me contagiar ao ar livre?
Se há pessoas infectadas e que tosam e/ou espirre perto pode acontecer, mas a via aérea é um meio de pouco contágio.
42.-
Pode-se comer carne de porco?
SIM pode e não há nenhum risco de contágio.
43.-
Qual é o fator determinante para saber que o vírus já está controlado?
Ainda que se controle a epidemia agora, no inverno boreal (hemisfério norte) pode voltar e ainda não haverá uma vacina.

Fonte: Recebi por e-mail do meu amigo Professor: Mauro de Porto Alegre - RS.

Estou preocupada com a gripe "A", o meu destino é Passo Fundo - RS.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Comunicado

A mágica do tempo - por Ellen Dastry

O movimento do tempo faz com que a gente perceba que tudo é mutável. A moda, os costumes e até a linguagem vão se transformando, como se os sabores da vida tivessem de ser testados ao longo dos anos.


Nas décadas de 60, 70, os jovens lutavam para garantir a sua individualidade. ‘Ninguém vai saber da minha vida’, era o brado forte que se ouvia. Vai falar isso hoje? Foto, vídeo – tudo o que você faz pode ser documentado. Privacidade???? O que é isso, companheiro?


Outro fato que me chama a atenção nesses novos tempos é o contra-senso que se deu na diferença de idade, hoje em dia vivemos um estranho fenômeno: os velhos estão mais jovens, enquanto as crianças ficaram mais adultas.


O avanço da ciência fez aumentar a expectativa de vida, 50 anos pode ser considerado um jovem adulto, de 60 a 75, um adulto. A palavra idoso não combina mais. Idoso é quem tem idade, portanto eu poderia entender que após fazer um ano, todos são idosos, porque tem idade...


Lingüística à parte, as crianças também estão estranhas, tão adultas!... Cadê a ‘amarelinha’, ‘escravos de jó’? Que nada, elas estão nas páginas de conteúdo dos mais diversos sites (que medo...), sabem tudo, discutem de igual para igual... Você já reparou como as crianças de hoje parecem mais sérias? Estressadas? Cheias de compromissos e horários?


E lá está o mais velho, feliz, sem stress, sem pressa e com tempo para ver o caminho que a joaninha vai escolher no jardim. De repente ele se depara com a criança adulta e pode mostrar a ela essa mágica do tempo. E quando a criança comenta algo moderno que descobriu nas páginas da internet, o velho jovem surpreende mais uma vez, porque ele também domina a máquina, mas com mais experiência, entende melhor o significado de tudo.


Agora você deve se perguntar: mas cadê o pai dessas crianças? Eles estão tão ocupados!... Imagine você que há uma vaga para se almejar na empresa, um novo colega de trabalho que tenta tomar o lugar do outro, tem conta pra pagar, diarista para ajustar na casa, supermercado para fazer, um curso para melhorar o currículo...


São tantas as preocupações dos pais que acabam ficando no meio da criança adulta e do jovem velho, sem se dar conta do que acontece entre eles.


E o que tem acontecido pode ser a grande salvação da família: os mais velhos muito próximos dos mais novos. A troca de experiência e o tempo que eles têm faz com que a relação tenha um ambiente de afeto e responsabilidade muito maior. A obrigação de educar dá lugar a ação de amar. Afinal, é indiscutível que a maturidade faz com que se ame com maior qualidade, sinta a vida de forma mais leve e consiga transmitir a certeza de que podemos ultrapassar os problemas que surgem em nossos caminhos.


Minha vivência com a minha avó foi exatamente assim. Ela me emprestou sua experiência e eu emprestei a ela minha juventude. Juntas nós fizemos uma parceira de vida deliciosa. Para todas as minhas dúvidas, ela tinha uma história pra contar e depois o seu colo, e também o seu carinho. Foram tantos os momentos, tantas as histórias que acabo de escrever o livro “Histórias que podem mudar sua vida”, onde reúno, a cada capítulo, um momento de aprendizado que guardei no coração.


Especialmente hoje, mais do que em qualquer outro dia, lembro-me dela com saudade, afinal é no dia 26 de julho que se comemora o Dia dos Avós, uma homenagem da igreja católica à Santa Ana e São Joaquim, avós de Jesus. A data provoca uma lembrança, como gosto de saudade boa, do bolinho de chuva, do café novo e de muitas conversas.


E eu lhe convido a essa reflexão do tempo e da importância da família. Uma reflexão que não nasce no pensamento, mas no coração, nas lembranças da infância, do medo de crescer e da alegria a cada aprendizado. Eu lhe convido para viver um pouco mais as suas recordações e encontrar nelas e encontrar nelas o que há de especial na sua ancestralidade, na sua história.


Não importa em que ponta da vida você está, se mais novo, se mais velho... importante é tentar essa troca de experiências. Acredite, você vai se surpreender! Pega o telefone agora! Liga. Se você é o avô ou a avó da história, aproveite hoje para falar com seus netos. Se você está na posição de neto, ligue para os seus avós, melhor ainda, vá visitá-los, dê um beijo especial nessas figuras tão boas da nossa vida.


* Ellen Dastry é jornalista, radialista e pós graduada em comunicação e marketing, palestrante e autora do livro “Histórias que podem mudar sua vida”.

Fonte: http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo787.shtml

Para cantar....em inglês




Recebi por e-mail, é divertido.
Boas Férias!!!!

Selo

Agradeço o Selo que recebi do Blog Turma 4D
Aproveito aqui para agradecer a todos que visitam o Blog
e desejo a todos umas " Boas Férias".
E como sinal de agradecimento
ofereceço a todos, os que visitarem o blog
para levar esse selo.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Selinhos Maravilhosos

A Professora Elaine, do Blog Profe Elaine presenteou-me com esses selinhos maravilhosos. Fiquei muito feliz com os presentes recebidos.
Agradeço compartilhando com vocês os selos e o afeto:

O primeiro:




O regulamento é:

Listar 7 coisas que gosta e depois indicar 7 blogs para levar o selo:

As 7 coisas que eu gosto são:

- Ficar em casa com a família
- Viajar
- Estudar
- Dar aula
- Filosofar
- Comprar livros
- Internet


O outro selo é:















Tenho que escrever 5 coisas que são ROXIE:

-Sobre música: Clássica e toda música que leve a reflexão
-Sobre televisão e cinema: Filmes:"Escritores da Liberdade"(Freedom Writers, EUA, 2007), Efeito Borboleta 1, Mente Brilhante, Nem um a menos, O Mestre da Vida.
-Sobre países que gostaria de conhecer: Alemanha, Portugal, França, Suiça e Japão.
-Sobre cores favoritas: azul, preto, branco, roxo, amarelo e verde.
-Sobre hobbies: Ficar em casa, ler, refletir, cozinhar e navegar na internet.

Eu indico:

Ponderantes
Entre um Café e um Bate Papo... By Ana Lúcia Porto
Histórico-filosóficas
Bichocarpinteiro
Aprender Sem Escola
Valdemir Reis

11 conselhos para ensinar as crianças a pensar - Por Luis Olivera


Diante de tantos perigos que espreitam nossos filhos, no mundo real, na internet, na TV, e como não podemos deixá-los isolados em uma redoma de vidro, a única forma de protegê-los é educando-os na liberdade e na responsabilidade. Mais que ensinar a pensar, a função dos pais deve consistir em motivar os filhos para que eles queiram pensar por conta própria.



1. O primeiro é agir de acordo com a verdade das coisas.

Ensinar os filhos a não se enganarem, a serem sinceros, a agirem com coerência. "Podemos conhecer a química cerebral que explica o movimento de um dedo, mas isso não explica por que esse movimento é usado ora para tocar piano, ora para apertar o gatilho" (Marcus Jacobson). E também que "não podemos baratear a verdade" (F. Suárez), desmerecendo seu valor, como se fosse época de liquidação.

2. Um segundo conselho é saber que "o treinamento é uma exclusividade da inteligência humana"

É preciso enriquecer a linguagem, fomentar o diálogo, o exercício mental de raciocinar, de defender uma causa, de ter argumentos para as próprias decisões, não bastando fazer apenas o que fazem os demais, tal qual "maria-vai-com-as-outras". Aprender a pensar é descobrir todo o imenso poder que a moda exerce no mundo e saber sair da jaula mental em que ela pode nos aprisionar. O livre pensador, ou simplesmente, o pensador, não deve sacrificar sua liberdade de pensamento no altar da moda. Sacrificar a verdade no altar da moda é uma das perversões mais nocivas do pensador. Entretanto, com demasiada freqüência encarceramos a razão na jaula da moda. Treinamento e cultivo, dado que "a terra que não é lavrada manterá dará abrolhos e espinhos, ainda que seja fértil. Assim acontece com o entendimento do homem" (Sta. Teresa de Jesus).

3. Já que é impossível nunca cometer erros, pelo menos, por utilidade e por dever, precisamos aprender com nossos erros.

Se queremos aprender a pensar, deveremos descobrir o mundo tão humano do erro. "Errar é humano", descobriram os antigos. O erro é o preço que o animal racional deve pagar.

4. Deliberar é a segunda etapa da vontade.

Seremos tanto mais inteligentes e livres quanto mais conhecermos a realidade, soubermos avaliá-la melhor e nos tornemos capazes de abrir mais caminhos. Seria um erro pensar, observa Leonardo Polo, que o homem inventou a flecha porque tinha necessidade de comer pássaros. Também o gato tem essa mesma necessidade e nem por isso inventou nada. O homem inventou a flecha porque sua inteligência descobriu a oportunidade que lhe oferecia um galho de árvore.

5. Manter aberta a nossa capacidade de dirigir a nossa conduta por valores pensados.

Temos que passar do regime do impulso irracional para o regime da inteligência. Mais que ensinar a pensar, a função dos pais deve consistir em motivar os filhos para que eles queiram pensar por conta própria. Com atitudes positivas, as meninas são capazes de devorar o mundo; com atitudes negativas, pensar parece algo cansativo; o agir, algo medíocre.

6. Ensinar a tomar decisões. A inteligência é a capacidade de resolver problemas vitais.

Não é muito inteligente quem não é capaz de decidir, mesmo que dentro de seu refúgio consiga resolver com desembaraço problemas de trigonometria. Se concordamos que educar é essencialmente crescer em liberdade e em responsabilidade, aprender a decidir com acerto resulta num dos aspectos-chave desta tarefa: quanto maior for a capacidade de decisão, mais liberdade se obterá.

7. Devemos recuperar e estimular, nas crianças, a sadia estratégia de perguntar continuamente.

As três perguntas fundamentais são: Que é isto? Por que é assim? Como você sabe disso? Aristóteles definia a ciência como "o conhecimento certo pelas causas". Então, habituar-se a formular por quês. Os pais devem estimular, motivar, comentar e promover o clima adequado para favorecer os hábitos intelectuais de seus filhos.

8. A inteligência que plantamos deve saber aprender, e, mais que isso, tem de frutificar aprendendo.

Formular perguntas que ajudem os filhos a ser mais reflexivos, a interrogar-se sobre o pensamento: Por que o homem pensa? Você já pensou por que se recorda das coisas? Pensamos enquanto dormimos? O que é que mais te faz pensar? Você consegue pensar em duas coisas diferentes ao mesmo tempo? Leonardo Polo define o homem como um ser que não somente soluciona problemas, mas que também os propõe. De fato, o ser humano progride propondo novos problemas e procurando solucioná-los.

9. A inteligência deve ser eficazmente lingüística.

Graças à linguagem, nós nos comunicamos tanto com os outros quanto com nós mesmos. A inteligência não se assemelha a uma coleção de fotografias, mas a um rio. Rio e inteligência "fluem". Nossa linguagem natural, a língua materna, é como um rio para o qual confluem milhares de afluentes. "A pena e a palavra são as armas do pensador" (JA Jauregui): aprender a pensar é aprender a manejar dois instrumentos do pensamento: a pena e a palavra (N.E.: o autor alude ao antigo uso de uma pena como instrumento de escrita).

10. Estimular a leitura e controlar o uso da TV.

Já que falamos do vôo da inteligência: trata-se de "ser mais inteligente que a TV" (Jiménez). Os livros "têm que ser obras que alimentem a inteligência sem deixar ressequido o coração. Ou seja, devem iluminar a mente com a verdade, e não submergi-la nas névoas da dúvida ou na obscuridade do erro" (F. Suárez).

11. Urge encontrar tempo para refletir, para pensar, o que é menos trabalhoso e mais barato do que outras necessidades que criamos para nós.

Sobre o sentido último da vida, das coisas, do ser humano, de Deus. Quando Unamuno disse que costumava ir passear com pastores de ovelhas para aprender a pensar, para desfazer-se de preconceitos e dogmas escolares, todos estranharam. Entretanto, Unamuno estava sendo sincero. Um pastor de ovelhas dispõe de tempo para pensar, para dar rédea solta à sua imaginação e, assim, desvelar novos horizontes filosóficos que não será visto nunca por nenhum outro filósofo.

Fernando Corominas dizia que é preciso "assentar" na mente e no coração dos filhos as coisas boas, antes que se instalem as más. É chegar antes, educar para o futuro. Sempre que nos abandonamos, retornamos à selva. E a selva de que falo metaforicamente é sem dúvida uma renúncia da inteligência.



Fonte: http://www.aciprensa.com/Familia/consejoshijos.htm

Tradução: m.c. ferreira


Publicado no Portal da Família em 07/07/2009

http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo784.shtml

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mundo Corporativo


“Todos os dias, uma formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. A formiga era produtiva e feliz.

O gerente marimbondo estranhou a formiga trabalhar sem supervisão.
Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada.

E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.

A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de
entrada e saída da formiga.

Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os
relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos
e controlar as ligações telefônicas.

O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu
também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora colorida. Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!

O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor
para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava.

O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial. A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada.

A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo, que era preciso
fazer um estudo de clima. Mas, o marimbondo, ao rever as cifras, se
deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia
como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação. A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía : Há muita gente nesta empresa! E adivinha quem o marimbondo mandou demitir?

A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida."

(autor desconhecido)

Fonte: Recebi por e-mail do Prof. Paulo.
Imagem: http://images.google.com.br/imgres

terça-feira, 7 de julho de 2009

Muito além da piada

Professora de Uberlândia transforma caricaturas e charges em material didático para analisar fatos históricos em aulas de 8ª série

Paulo Araújo

Luciana projeta para a turma a montagem em que Bush usa bigode de Hitler e a charge animada: humor e imperialismo. Foto: Valter de Paula

Luciana projeta para a turma a montagem em que Bush usa bigode de Hitler e a charge animada: humor e imperialismo. Foto: Valter de Paula

Em setembro do ano passado, o jornal dinamarquês Jyllands-Posten estampou em suas páginas 12 charges que mostravam o profeta Maomé em situações pouco ortodoxas. Numa delas, o fundador do islamismo pedia desculpas a um mártir na porta do paraíso porque as virgens estavam em falta no local. A publicação do material indignou o mundo árabe de tal modo que, entre outros incidentes, uma multidão ensandecida incendiou a embaixada da Dinamarca em Beirute. "Meu sonho é que alguém queira me matar por causa de uma charge", brincou o cartunista carioca Jaguar que nos anos 1970 desenhou Jesus Cristo na cruz dizendo a uma lasciva Maria Madalena: "Hoje não, estou pregado".

A charge, como se vê, é uma forma de manifestação artística extremamente sarcástica e ao mesmo tempo carregada de ideologia. Na imprensa nacional, é tradição comentar temas diversos por meio do humor gráfico. Durante a Segunda Guerra, por exemplo, o paulista Belmonte, pseudônimo de Benedito Bastos Barreto (1896-1947), teve seus desenhos atacados por Joseph Goebbels, o então poderoso ministro da propaganda de Adolf Hitler. Furioso, Goebbels afirmou que o brasileiro, colaborador da extinta Folha da Noite, era pago por ingleses e americanos para espicaçar o nazismo.

"Quando ainda não havia fotos, as revistas recorriam exclusivamente à ilustração bem-humorada", conta Eduardo Pinto, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. "É um tipo de texto que quase todo mundo consegue ler, independentemente do idioma." A charge (do verbo francês charger, que significa carregar, exagerar) é uma crítica imediata a um acontecimento específico, em geral de natureza política. Por causa desse caráter temporal, sua compreensão muitas vezes exige do leitor conhecimento prévio do contexto a que ela se refere. Já a caricatura, comumente confundida com a charge, é a representação humana obtida com traços cômicos e grotescos.

Com freqüência crescente, o humor gráfico vem se transformando em material didático precioso, pois facilita a análise de fatos históricos, além de despertar na garotada o interesse pela relação entre arte e ironia. "A internet é a grande responsável por essa revolução", observa Maurício Ricardo Quirino, criador do Charges.com, um dos mais populares sites de piadas animadas do país. "Como em muitas cidades não circulam jornais, quase todo dia eu recebo pedidos de autorização para o uso do meu trabalho em sala de aula", informa.

No Colégio Federal, em Uberlândia (MG), a professora de História Luciana Christina de Oliveira volta e meia explora essas intervenções eletrônicas. "Percebi que era mais fácil chamar a atenção da turma para determinados temas se pudesse relacioná-los a um desenho bem-feito", explica. No fim do bimestre passado, ela precisava ensinar às classes de 8ª série as várias fases do imperialismo, desde as revoluções industriais ocorridas na Europa nos séculos 18 e 19 até o atual expansionismo mercantil americano.

Numa pesquisa rápida na internet, Luciana encontrou uma montagem fotográfica em que o presidente George W. Bush ganha um bigodinho à Hitler. Na legenda, a frase "Abaixo o imperialismo". A imagem foi usada por ela numa apresentação que incluiu ainda uma charge animada de Maurício Ricardo sobre a evolução humana. Dados e mapas históricos adensaram o tema. Luciana explicou que, ao longo da história, alguns fatos são quase cíclicos. No caso do imperialismo, a garotada foi levada a refletir sobre como a Alemanha se valeu da truculência para invadir diversos países europeus nos anos 1930 e 1940. Já os Estados Unidos vêm exercendo sua dominação, nas últimas décadas, predominantemente nos campos econômico e cultural. "Após as risadas iniciais dos alunos, surgiram comentários espontâneos sobre a relação entre Segunda Guerra, nazismo, poderio bélico americano e o conflito atual no Iraque", afirma a professora. "O conteúdo fluiu melhor do que se eu tivesse recorrido só ao livro didático."

Arte
Humor com status de arte

Um jeito eficaz de apresentar charges e caricaturas aos alunos é visitar com eles um salão de humor. No Recife, as professoras Maria das Dores Souza e Ana Claúdia Lima, da EM João Batista Lippo Neto, adotaram a estratégia em junho para as turmas de 2a e 3a séries. Depois de participar de uma oficina de histórias em quadrinhos, elas decidiram trabalhar com os pequenos os conceitos aprendidos. "Com a chegada da Copa do Mundo e da campanha eleitoral, as crianças começaram a caricaturar jogadores e políticos nas aulas de Artes", explica Maria das Dores. No mesmo período, estava rolando na cidade o Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco. De olho na programação, que incluiu palestras e cursos, as educadoras levaram os pupilos à mostra. "Além de rir muito, eles aprenderam que as obras ali exibidas têm status de arte e podem ser feitas com vários materiais", diz Cláudia Lima. Numa parede reservada para a garotada, ficou registrado o passeio (na forma de charges).

O Salão de Humor de Piracicaba é um dos mais importantes do mundo. Realizado há 33 anos no interior paulista (em 2006, a vice-presidente da Fundação Victor Civita, Claudia Costin, será a presidente do júri), vem abrindo espaço para a produção infantil por meio do Salãozinho: trabalhos feitos por crianças com a ajuda de cartunistas. Em todo o país há exposições abertas à visitação pública. Além do Festival de Humor e Quadrinhos de Pernambuco, encerrado em julho, os mais tradicionais são o Salão de Humor do Piauí (outubro) e o Salão Carioca de Humor, no Rio, cuja próxima edição será realizada em março.

Conhecer charge e caricatura...

Desenvolve o senso crítico.

Incentiva a veia artística.

Contextualiza temas históricos de forma lúdica.

Quer saber mais?

CONTATOS
Colégio Federal, R. Vigário Dantas, 291, 38400-202, Uberlândia, MG, tel. (34) 3210-9613

EM João Batista Lippo Neto, R. Afonso Ferreira Maia, s/nº, 50960-550, Recife, PE, tel. (81) 3232-4801

BIBLIOGRAFIA
Raízes do Riso, Elias Thomé Saliba, 366 págs., Ed. Cia. das Letras, tel. (11) 3846-0801, 54 reais

INTERNET
Os destaques do Salão de Humor de Piracicaba estão em www.salaodehumordepiracicaba.com.br


Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/historia/fundamentos/muito-alem-piada-423200.shtml

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