domingo, 2 de agosto de 2009

Bullying: estudo revela que o preconceito é alto entre adultos e crianças

O que você sabe sobre bullying? O que você pode fazer? Ficar indiferente à situação nunca é o melhor caminho


Por Ana Paula Pontes


Ilustrações: Nik

Bullying não envolve apenas a criança que agride ou é agredida. Quem apenas observa também está de alguma maneira fazendo parte da situação. E não há aquele que não esteve em um dos três lados alguma vez na vida. Tudo nasce a partir de um preconceito e, segundo pesquisa recente, ninguém está livre de senti-lo.

O estudo realizado pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA) com estudantes do ensino fundamental e médio, pais, professores, diretores e profissionais de educação revelou que 99% deles tinha algum tipo de preconceito.
A pesquisa, com 18.599 entrevistados de 501 escolas públicas do país, foi realizada a pedido do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)e mostrou que a discriminação é maior quando se trata de negros (19%).

O bullying nada mais é que resultado de preconceito e discriminação. E se esse comportamento aparece tão forte num grupo que não inclui apenas crianças, fica evidente que tudo começa fora do ambiente escolar. “Preconceito e discriminação são um traço cultural do que a criança tem em casa e, quando vai para a escola, leva isso com ela”, diz José Afonso Mazzon, professor da FEA e responsável pela pesquisa.

E como transformar esse tipo de comportamento? Para Mazzon, mudar valores pode levar gerações para acontecer. Por isso, é tão importante que os pais atentem à maneira como eles mesmos lidam com o outro. É o velho exemplo de que não adianta ter um discurso contra o preconceito para a criança e tratar mal a empregada ou o porteiro da escola. Ouvir o que a criança tem a dizer e acompanhar o dia a dia dela na escola é o primeiro passo para evitar que ela se envolva de alguma forma com o bullying. “É fundamental a criança conviver com a diversidade. Nas escolas, por exemplo, seria importante que os grupos de trabalhos não fossem fixos, e que existissem ações que unissem a escola e a família com o problema”, diz Mazzon.

Isso não quer dizer que você deva criar situações para que o seu filho esteja com uma criança do outro sexo, raça, religião. Sabe aquele dia que seu filho chegou da escola contando da risada que ele e os amigos deram do colega gordinho que caiu na aula de educação física? É exatamente nesse momento que você deve intervir para que essa atitude não se repita mais.


Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/1,,EMI78242-15151,00.html

Revista Crescer - Editora Globo - Autora do Artigo: Ana Paula Pontes

3 comentários:

Valdeir Almeida disse...

Marise,

De fato, devem começar dos pais a formação dos valores das crianças. O bullying é o resultado de famílias que têm atitudes preconceituosas contra qualquer tipo e falam que isso é simples brincadeira.

Quem sofre de bullying tem a vida marcada para sempre.

Marise, tenha ótima semana.

Beijos.

Breno Bastos disse...

Perdoem-me por usar a caixa de comentários para isso, mas não há qualquer mecanismo de FALE CONOSCO para que eu o utilizasse.

Trabalho com filosofia e gostei do trabalho que vocês desenvolve. Possuo também um espaço virtual, onde busco trabalhar filosofia de modo acadêmico, apresentando artigos e afins.

Vou linkar vocês lá.

Visitem-nos também. Talvez possamos trabalhar juntos.


Breno Bastos
Gerente do Portal Veritas

Rodrigo disse...

E como fazer para que os pais ou 'responsáveis' possam estar sempre presentes, literalmente no meio, literamente entre cada relacionamento do filho na escola, para evitar o Bullying, pois evidentemente os pais amam seus filhos o suficiente para fazer isso, mas tem sua própria vida e afazeres e não podem e nem querem ter que frequentar as aulas grudados no filho, o que tornaria estes filhos-alunos excessivamente dependentes de proteção. É ainda é pior quando o filho já está crescido e ainda é vitimado pelo Bullying, sendo vergonhoso depender tanto dos pais ou responsáveis para poder se manter aberto satisfatoriamente aos relacionamentos com os ditos 'colegas' na escola. Quanto ao Bullying ser um tipo de preconceito, eu acho que muitas vezes ele não tem mesmo nenhum fundamento [se é que algum dia já teve], pois o aluno pode, por exemplo, não ser gay e mesmo assim cismarem com ele e o aluno passar a ser chamado desta forma, ou de outros nomes, ou insinuarem, [em bandos] e obviamente de forma puramente preconceituosa, por algo que nem ao menos existe de fato. Preconceito não existe só nas escolas. Infelizmente existe também no ambiente familiar e também é amplamente e subjetivamente veículado na sociedade pela grande mídia - basta assistir às 'vídeo-cassetadas' do Faustão - um prato cheio para o Bullying. Uma coisa é rir de forma inocente de algo que simplesmente aconteceu e até se oferecer para ajudar depois. Outra coisa é ser implicante e ficar cismando com alguém de forma totalmente pessoal e maldosa só por ele ser menos esperto, menos malicioso, etc... e ficar sempre contra esse indivíduo, sem motivos reais e plausíveis, só porque não foi com a cara, mesmo que essa pessoa nunca tenha feito nada para justificar o outro praticar o Bullying contra ele contiuamente. Bullying é viral, é preconceito, é falta de respeito, é causado e disseminado até mesmo, e surpreendentemente, por professores, coordenadores e diretores de escolas de renome. E, no final, cabe ao próprio aluno aprender a se virar ou então terá que conviver com isso [com o Bullying, com o desrespeito, com os preconceitos sem nenhum sentido]. Na escola a única coisa que se aprende é que é só cada um olhando para si mesmo e os outros que se virem. Ou seja, nesse ambiente [escolar] os mais humanos não podem contar com o respeito, com a compreensão e com o amor e aceitação do próximo, ou seja, com amizades e amores verdadeiros. É apenas pura competição e tudo se resume a isso. É quando o preconceito insidioso e sorrateiro do Bullying vem e se impõe até conseguir se estabelecer através da força e da violência incompreensível, principalmente através da violência MORAL - não se resume apenas à uma briga física passageira e não se trata apenas de brincadeiras [o que justificaria que podem ser ignoradas]. Brincadeira é onde todos se divertem, e não onde um aluno surge do nada, bate enquanto o outro apanha e é humilhado sem ter nenhum limite.

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