quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O otimismo na educação - Postando o comentário da amiga Em@ de Portugal




“(…) Hoje quero escrever uma nota sobre o optimismo na educação. Apesar da crise e de ter a certeza de que as dificuldades financeiras tornam mais difícil educar, é preciso dizer aos pais que o ralhar sistemático, os castigos frios e rancorosos e as punições prolongadas não são o caminho. Quando se estuda a depressão, sabe-se que muitos doentes têm o chamado “desespero aprendido”: o indivíduo em causa não consegue encontrar nenhum modo de influenciar o meio ambiente, quer no sentido de obter sucesso, quer na maneira de escapar à dor psíquica. Ora o que pretendo agora afirmar é que o optimismo também pode ser “aprendido”.
Pode existir ou não talento-base à partida: todos sabemos da influência genética e aí as intervenções sociais pouco podem fazer, mas depois existe um grande campo para intervir. Por exemplo, os pais e professores podem estimular a curiosidade, a empatia, o reconhecimento das necessidades dos outros, a modéstia, a esperança e a coragem, tudo factores que fornece uma boa base para o optimismo. E, sobretudo, os educadores têm de ser os escultores precoces da inteligência sócio-emocional, a base de uma atitude construtiva face à vida.
Este tipo de inteligência pode ou não ser estimulada pela educação, mas a atitude dos adultos significativos é sempre determinante. O conceito compreende várias dimensões: em primeiro lugar, a percepção das próprias emoções e a monitorização da sua evolução em diversos contextos; depois, o controlo sobre a expressão emocional e a possibilidade de estimular esse controlo nos outros; finalmente a capacidade de centrar as emoções na realização de objectivos, através da negociação interpessoal em momentos de divergência.
Alguns leitores considerarão que este tema é de difícil compreensão para uma criança, mas por certo me farão a justiça de que não pretendo sermões a propósito. A educação emocional faz-se no dia-a-dia das famílias e não através de conversas intelectuais. Deve-se saber, por exemplo, que a raiva da birra infantil é uma emoção secundária, porque derivada de um sentimento anterior de humilhação ou de frustração: o gesto educativo correcto deve ser o de ajudar os mais novos a compreender a emoção-base em vez de a resposta ser o braço-de-ferro do adulto também raivoso.
O optimismo na educação parte do conhecimento das emoções e da capacidade de responder aos dilemas da vida de uma forma consistente, porque livre do domínio de torrentes emocionais. Baseia-se na ideia de que o estímulo e o reforço da auto-estima são os ingredientes essenciais para a saúde mental dos mais novos. E quem acredita na autenticidade e na autonomia do pensamento infantil está, à partida, em melhores condições para educar. Com optimismo e perseverança.


Daniel Sampaio

In Publica (8/11/09)

Daniel Sampaio escreve há muitos anos sobre as relações pais-filhos, professores-alunos, jovens, escola ( e todos o seu universo relacional), avós, etc


Ema, estou publicando o seu comentário aqui no blog, como um agradecimento a sua amizade, visitas e comentários.
Façam uma visita ao Blog da Em@

4 comentários:

Em@ disse...

Beijinho e obrigada Marise.
:))

Miguel Loureiro disse...

Para quem não sabe, Daniel Sampaio é psiquiatra, autor do Projecto para a Educação Sexual e irmão dos ex-Presidente da República, Jorge Sampaio.

Marise von disse...

Miguel e Em@,

Estou aprendendo muito com vocês.
Obrigado por todas as contribuições.
Abraços,
Marise.

Em@ disse...

Ai Marise e o que nós aprendemos com você/tigo?

Abraço

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin