segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O fim dos Professores...



O ano é 2.209 D.C. - ou seja, daqui a duzentos anos - e uma conversa entre avô e neto tem início a partir da seguinte interpelação:

– Vovô, por que o mundo está acabando?

A calma da pergunta revela a inocência da alma infante. E no mesmo tom vem a resposta:

– Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.

– Professores? Mas o que é isso? O que fazia um professor?

O velho responde, então, que professores eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.

– Eles ensinavam tudo isso? Mas eles eram sábios?

– Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.

– E como foi que eles desapareceram, vovô?

– Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da sociedade. O vovô não se lembra direito do que veio primeiro, mas sem dúvida, os políticos ajudaram muito. Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação. Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa.

Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados de seus filhos. Estes foram ensinados a dizer “eu estou pagando e você tem que me ensinar”, ou “para que estudar se meu pai não estudou e ganha muito mais do que você” ou ainda “meu pai me dá mais de mesada do que você ganha”. Isso quando não iam os próprios pais gritar com os professores nas escolas. Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”. O professores eram vítimas da violência – física, verbal e moral – que lhes era destinada por pobres e ricos. Viraram saco de pancadas de todo mundo.

Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovador sempre esbarrava na obsessão dos pais com a aprovação do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse. “Ah, eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular”, diziam os pais nas reuniões com as escolas. E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem no vestibular. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de idéias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas. Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca mais ninguém precisou ir à escola para estudar a sério.

Em seguida, os professores foram desmoralizados. Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor. As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas “bem sucedidas” eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas da televisão, sindicalistas – enfim, pessoas sem nenhuma formação ou contribuição real para a sociedade.

Ah, mas teve um fator chave nessa história toda. Teve uma época longa chamada ditadura, quando os milicos colocaram os professores na alça de mira e quase acabaram com eles, que foram perseguidos, aposentados, expulsos do país, em nome do combate aos subversivos e à instalação de uma república sindical no país. Eles fracassaram, porque a tal da república sindical se instalou, os tais subversivos tomaram o poder, implantaram uma tal de “educação libertadora” que ninguém nunca soube o que é, fizeram a aprovação automática dos alunos com apoio dos políticos... Foi o tiro de misericórdia nos professores. Não sei o que foi pior – os milicos ou os tais dos subversivos.

– Não conheço essa palavra. O que é um milico, vovô?

– Era, meu filho, era, não é. Também não existem mais...

Autoria Desconhecida

*** Recebi por e-mail do Prof. Paulo, obrigada pela contribuição.

6 comentários:

LÉA PARAENSE SERRA disse...

Marise,

Recebi por e-mail essa mensagem. Quantas verdades, hein...

Abraço!

Fátima Campilho disse...

Olá,
Também recebi este texto por e-mail e procurei por um blog que tivesse postado. Encontrei o seu e gostei!
Passei adiante, via Twitter.
Abraços

Suzana Gutierrez disse...

Oi Marise

Eu achei o texto reacionário, muito confuso teórica e historicamente. Não creio que os professores precisem de respaldo vindo de quem apoia e lembra com saudade da ditadura militar.

Se os sindicatos tivessem o poder que o autor anônimo atribui, possivelmente estaríamos melhor profissionalmente.

Textos anônimos são sempre complicados.

abraço!

Fátima Campilho disse...

"Tuite", Marise!
Gostei de seu blog porque você publica textos diversos que incitam o debate sem expor, no entanto, sua opinião.
Quanto ao texto, concordo com Suzana quando diz que é confuso. Não há uma sequência lógica nos fatos apresentados, embora muitos deles correspondam à realidade como a violência, a desvalorização, os "cursinhos", aprovação automática.
Não acredito que o acesso à Internet substitua o professor, nem concordo com a ideologia do autor.
O que a "educação libertadora" tem a ver com a aprovação automática, por exemplo. O 'autor anônimo' não teve a coragem de expor seu nome e divulgou na Internet sua aversão aos "tais sindicalistas". Sua posição parece obscura quando escreve "não sei o que foi pior – os milicos ou os tais dos subversivos". No entanto, mostra sua intenção quando desaparecem as duas "profissões" que ele valoriza.
Pronto, abrimos o debate.
Abraços

Marise von disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marise von disse...

Fátima,

Li e agradeço os seus comentários... Não respondi antes, por falta de tempo, pois estou dedicando o meu tempo aos estudos...tenho algumas provas pela frente.
Talvez o autor não quis se identificar, justamente por ser um assunto polemico. Procuro postar artigos que possam interessar e levar a uma reflexão mais profunda, onde o filosofar se torna necessário.
No texto tem muitas verdades...
Também acredito que a Internet não vá substituir o professor, aquele professor, que realmente faz jus ao nome de “professor”.
Penso que não estávamos e nem estamos preparados para uma “educação libertadora”.
Somos um povo, onde a grande maioria costuma confundir liberdade com libertinagem...
E a aprovação automática acabou...com a educação, com o respeito,com o professor e até mesmo com o próprio aluno. Penso eu, o será do nosso aluno? Ele não dá a mínima para o professor, para aprendizagem. Para que aprende? Passando de ano do mesmo jeito...
Eu nasci no começo da ditadura, naquela época nós veneramos os professores, aliás todos queriam ser professor... Ser professor era o “professor”, respeitado por todos.
E hoje, vejo o professor e o aluno, ambos indiferentes....Isto dói demais, porque eu vim debaixo, sofri para estudar, não consegui realizar meus sonhos no tempo certo (aquele previsto), mas hoje (47 anos) tenho a oportunidade de estudar e fazer tudo que sonhei um dia e muito mais.
Mas, tenho medo...que o nosso mundo acabe como este texto.
Quem sabe uma novoa idade média????

Abraços,
Marise

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin