sábado, 28 de fevereiro de 2009

Nota Zero - J.R. Guzzo

"Como 1 500 professores que erram todas as

perguntas feitas num exame para avaliar sua
capacidade são autorizados a dar aulas na
escola pública? Vão ensinar o quê?"

Num artigo que escreveu para VEJA algum tempo atrás, o professor Claudio de Moura Castro, um dos peritos mais competentes do Brasil em questões de educação, relatou um fato espantoso. Numa palestra que fez para 800 professores, ele perguntou quantos, entre os presentes ali no auditório, tinham aprendido a ensinar a regra de três nas faculdades de educação que haviam frequentado. Resposta: ninguém. Nem um, pelo menos, entre os 800? Nem um. Não é preciso ser um especialista em pedagogia para ver o tamanho da encrenca em que estão metidos os alunos desses professores todos. O problema não é com "o Brasil", "a sociedade" ou a "educação nacional" – é com os alunos mesmo, em carne e osso. Se os seus professores não sabem ensinar a regra de três, os alunos não vão aprender; e, se não sabem ensinar a regra de três, é provável que não saibam ensinar uma porção de outras coisas. Para os alunos, a situação está ruim hoje e vai ficar pior amanhã. Pois, enquanto não aprendem, com certeza outros, em outras escolas e com outros professores, estão aprendendo – e são esses que, lá adiante, vão disputar com eles um lugar melhor na vida. Quem terá mais chances, então? Se já é difícil para quem sabe, imagine-se para os que não sabem. Vão ter de contar com o acaso – coisa notoriamente arriscada, pois, como se sabe, há vidas sem acaso.

O Brasil seria um país de sorte se o episódio narrado pelo professor Moura Castro fosse uma exceção. Mas não é. Para qualquer lado da educação que se olhe, a qualquer momento, o que se vê é mais do mesmo – e nada poderia comprovar isso tão bem quanto a extraordinária disputa que acaba de dividir, em São Paulo, a secretaria estadual da educação e professores temporários da rede pública. Como foi noticiado, a secretaria realizou em dezembro último uma prova de avaliação, anunciada desde maio, para medir a competência desses professores e selecionar os melhores. Aconteceu que 1 500 deles tiraram nota zero no teste; conseguiram não acertar nenhuma das 25 questões a que tinham de responder. Até aí, realmente, nada capaz de causar grande surpresa, quando se leva em conta a história da regra de três já descrita. Mas conseguiu-se, no caso, um prodígio: os 1 500 professores que tiraram nota zero vão, sim, dar aulas neste ano letivo de 2009 no ensino público paulista. O sindicato da categoria alegou que se tratava de uma "provinha", recorreu à Justiça e convenceu uma juíza da Fazenda Pública a suspender, através de liminar, a aplicação dos resultados do teste. Para não tumultuar o início das aulas, a secretaria desistiu de contestar a decisão; fica assim mesmo, e depois se vê.

Os detalhes técnicos da disputa, é claro, continuarão a ser discutidos, mas fica de pé uma questão impossível de evitar: como, pela lógica mais rudimentar, poderá dar certo uma situação na qual 1.500 professores que erram todas as perguntas feitas num exame para avaliar sua capacidade são autorizados a dar aulas na escola pública? Vão ensinar o quê? A juíza e o sindicato acham justo preservar o emprego dos "nota zero". Talvez não achassem a mesma coisa se cidadãos reprovados nos testes para obter um brevê de piloto, por exemplo, recebessem licença para dirigir aviões de carreira. Mas os prejudicados no caso são apenas alunos; quem se importa? Se vão ter aulas com professores que não sabem nada, problema deles. O resultado desse tipo de atitude já está mais do que definido. Garante-se hoje, com 100% de certeza, a produção de desigualdade para amanhã.

Isso, sim, deveria espantar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – ele, que quase caiu da cadeira, outro dia, ao citar um dado grosseiramente falso sobre o analfabetismo em São Paulo. Mas o seu interesse real, no caso, era falar mal do governo paulista, só isso; tendo conseguido o que queria, mudou de assunto e seguiu em frente. A educação brasileira, antes e depois, continuou exatamente na mesma: um mundo onde o que realmente importa são verbas, salários de professores, direitos de funcionários, partilha de cargos e só no fim, bem no fim, a função de ensinar. O governo vive dizendo que o Brasil tem, com o Bolsa Família, o "maior programa de inclusão social" do mundo. Tem também, com o conjunto do sistema público de ensino, o maior programa de exclusão social que um país seria capaz de organizar. O encontro de uma coisa com a outra, infelizmente, não acaba em zero a zero. A primeira é propaganda política; em matéria de inclusão, só faz manter os pobres incluídos na pobreza. A segunda, ao contrário, não tem nada de fantasia.

J.R. Guzzo

Fonte: Revista Veja - Edição 2102 - 4 de março de 2009

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O que é ética hoje? - Márcia Tiburi


O que é ética hoje ? *
Sem uma discussão lúcida sobre a ética não é possível agir com ética
Marcia Tiburi

A palavra ética aparece em muitos contextos de nossas vidas. Falamos sobre ética em tom de clamor por salvação. Cheios de esperança, alguns com certa empáfia, exigimos ou reclamamos da falta de ética, mas não sabemos exatamente o que queremos dizer com isso. Há um desejo de ética, mas mesmo em relação a ele não conseguimos avançar com ética. Este é nosso primeiro grande problema.

O que falta na abordagem sobre ética é justamente o que nos levaria a sermos éticos. Falta reflexão, falta pensamento crítico, falta entender “o que é” agir e “como” se deve agir. Com tais perguntas é que a ética inicia. Para que ela inicie é preciso sair da mera indignação moral baseada em emoções passageiras, que tantos acham magnífico expor, e chegar à reflexão ética. Aqueles que expõem suas emoções se mostram como pessoas sensíveis, bondosas, crêem-se como antecipadamente éticos porque emotivos. Porém, não basta. As emoções em relação à política, à miséria ou à violência, passam e tudo continua como antes. A passagem das emoções indignadas para a elaboração de uma sensibilidade elaborada que possa sustentar a ação boa e justa - o foco de qualquer ética desde sempre - é o que está em jogo.

Falta, para isso, entendimento. Ou seja, compreensão de um sentido comum na nossa reivindicação pela ética. Falta para se chegar a isso, que haja diálogo, ou seja, capacidade de expor e de ouvir o que a ética pode ser. Clamamos pela ética, mas não sabemos conversar. E para que haja ética é preciso diálogo. E por isso, permanecemos num círculo vicioso em que só a inação e a ignorância triunfam.

Na inanição intelectual em voga, esperamos que os cultos, os intelectuais, os professores, os jornalistas, todos os que constroem a opinião pública, tragam respostas. Nem estes podem ajudar muito, pois desconhecem ou evitam a profundidade da questão. Há, neste contexto, quem pense que ser corrupto não exclui a ética. E isso não é opinião de ignorantes que não freqüentaram escola alguma, mas de muitos ditos “cultos” e “inteligentes”. Quem hoje se preocupa em entender do que se trata? Quem se preocupa em não cair na contradição entre teoria e prática? Em discutir ética para além dos códigos de ética das profissões pensando-a como princípio que deve reger nossas relações?

Exatamente pela falta de compreensão do seu fundamento, do que significa a ética como elemento estrutural para cada um como pessoa e para a sociedade como um todo, é que perdemos de vista a possibilidade de uma realização da ética. A ética não entra em nossas vidas porque nem bem sabemos o que deveria entrar. Nem sabemos como. Mas quando perguntamos pela ética, em geral, é pelo “como fazemos para sermos éticos”, que tudo começa. Aí começa também o erro em relação à ética. Pois ético é o que ultrapassa o mero uso que podemos fazer da própria ética quando se trata de sobreviver. Ética é o que diz respeito ao modo de nos comportamos e decidirmos nosso convívio e o modo como partilhamos valores e a própria liberdade. Ela é o sentido da convivência, mais do que o já tão importante respeito do limite próprio e alheio. Portanto, desde que ela diz respeito à relação entre um “eu” e um “tu”, ela envolve pensar o outro, o seu lugar, sua vida, sua potencialidade, seus direitos, como eu o vejo e como posso defendê-lo.

A Ética permanece, porém, sendo uma palavra vã, que usamos a esmo, sem pensar no conteúdo que ela carrega. Ninguém é ético só porque quer parecer ético. Ninguém é ético porque discorda do que se faz contra a ética. Só é ético aquele que enfrenta o limite da própria ação, da racionalidade que a sustenta e luta pela construção de uma sensibilidade que possa dar sentido à felicidade. Mas esta é mais do que satisfação na vida privada. A felicidade de que se trata é a “felicidade política”, ou seja, a vida justa e boa no universo público. A ética quando surgiu na antiguidade tinha este ideal. A felicidade na vida privada – que hoje também se tornou debate em torno do qual cresce a ignorância - depende disso.

Por isso, antes de mais nada, a urgência que se tornou essencial hoje – e que por isso mesmo, por ser essencial, muitos não percebem – é tratar a ética como um trabalho da lucidez quanto ao que estamos fazendo com nosso presente, mas sobretudo, com o que nele se planta e define o rumo futuro. Para isso é preciso renovar nossa capacidade de diálogo e propor um novo projeto de sociedade no qual o bem de todos esteja realmente em vista.

* Publicado no Jornal O Estado de Minas, Domingo, 22 de abril de 2007

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Millôr Fernandes, o gênio do caos - Diogo Salles

Gênio... Como se define um gênio? Quem tem o poder de elevar um ser humano a esse status? Num mundo onde cada um exalta os seus próprios gênios ― que, muitas vezes, se confundem com ídolos ou heróis ―, as discussões parecem sempre cair na vala do relativismo. Claro que existem gênios incontestáveis. Na música, nas artes, na literatura... Mas não é minha intenção aqui suscitar falsas polêmicas, empurrando conceitos de genialidade, nem ficar apontando quem é e quem não é gênio. Como um cartunista metido a escrevinhador que sou, não apenas descrevo minha visão pessoal de quando vi a genialidade se materializar na minha frente, mas também como dela pude usufruir em meu trabalho. Sei que me coloco em situação algo suspeita, ainda mais pela redundância de se sublimar a genialidade de Millôr Fernandes. O que me move aqui é o fato de que as exaltações a gênios sempre são guardadas para a posteridade, quando o tal gênio já não está mais entre nós. Aí, sim, pululam ensaios, artigos, estudos, perfis, biografias, coletâneas e homenagens póstumas, onde viúvas e órfãos jogam flores nos túmulos dos imortais. Mais estranho ainda é quando resolvem celebrar o "aniversário da morte" do sujeito ― como fizeram com Machado de Assis no ano passado. Penso que já passou da hora de romper com essa mórbida tradição.

Quando abrimos um livro de um autor do qual gostamos e admiramos, tal leitura poderá nos causar reações e reflexões das mais variadas. Nelson Rodrigues, por exemplo. Quando o leio, sinto encontrar verdades diferentes das minhas. Sempre que preciso confrontá-las, recorro ao Nelson, que parece chamar a minha atenção o tempo todo. É como se eu estivesse ninando uma úlcera imaginária com um copo de leite, ao mesmo tempo em que assisto, inerte, a uma guerra ideológica babada em pileques no Antonio's. Com George Orwell é diferente, pois entre seus ensaios e metáforas consigo traçar diversos paralelos com minhas visões políticas. Existem vários outros autores, mas, de alguma forma, eu precisava sempre me transportar para uma outra maneira de ver o mundo. Faltava encontrar a leitura onde não seria necessário buscar tais paralelos, a leitura definitiva.

Millôr era um autor que sempre rondava minhas lembranças mais remotas. Primeiro pelo desenho, que eu considerava muito estranho. Achava que parecia rascunho, achava que os personagens pareciam ogros (santa ingenuidade!). Seus textos eu lia timidamente ― e eram sempre aqueles que vinham atrelados aos desenhos, funcionando como legendas. O formato texto/imagem já me atraía e me intrigava a maneira caótica como ele "diagramava" as duas coisas. Gostava das ironias, das brincadeiras com as palavras, mas talvez eu ainda não estivesse preparado para aquilo.

Só anos depois, quando meu cinismo já parecia ter encontrado um caminho sem volta, resolvi mergulhar de cabeça em todos seus escritos. E minha vida nunca mais seria a mesma. "Sim, é isso!", eu repetia a cada frase lida. Os pensamentos, as metáforas, as ironias que sempre idealizei. Estavam todas ali. De repente, tudo fazia sentido. O que não quer dizer que encontrei respostas às minhas inquietações ― muito pelo contrário, mas voltemos a este assunto mais para frente, pois a demora dessa descoberta, afinal, se mostraria boa. Para entender Millôr em toda a sua complexidade, precisamos estar com o ceticismo e o sarcasmo em dia. A qualquer descuido, perde-se a piada. Se estiver escondida, disfarçada ou cifrada ― e o leitor não se der conta disso ―, a piada perde a cor, perde o viço (isso se não escapar completamente). Descobri também de onde vinha aquele traço, que eu já não achava tão estranho assim: Saul Steinberg (sim, ele também tem suas referências!). Ah, e a razão de seus personagens parecerem ogros era mais simples do que eu pensava: eles eram ogros.

Ler Millôr aguça qualquer senso de humor (ou a falta de). No meu caso, foi a transfusão de sangue definitiva na minha veia cômica. Uma mistura de sensações e sentidos que jamais sonhei experimentar. É realmente difícil mensurar o tamanho do impacto que sua obra teve sobre mim. Talvez eu só consiga dimensionar isso daqui a décadas. Eu poderia ficar divagando aqui e deixá-lo no escuro, mas meu repertório não é tão vasto quanto eu imaginava. Sendo assim, o melhor que posso fazer neste momento é falar sobre algumas das leituras mais marcantes, deixando minhas impressões, sensações e reflexões (não muito profundas) a respeito.

Para traçar a rota inicial dos primeiros anos de sua carreira (iniciada em 1943), Trinta anos de mim mesmo é o mapa que te levará ao destino. Entre textos e desenhos produzidos para publicações como O Cruzeiro, Pif-Paf e, mais tarde, para O Pasquim e Veja, ele já desafiava as leis fonéticas e semânticas e questionava tudo: a sociedade, a imprensa, os comunistas, as feministas e todo aquele pessoalzinho "prafrentex". É certo afirmar que ninguém, até hoje, conseguiu cutucar tantas minorias num único título de texto: "Negros homossexuais mutilados contra índias lésbicas sexagenárias". Em tempos tão politicamente corretos como os de hoje, isso é nitroglicerina pura.

E por falar em Pif-Paf, há também uma edição "remasterizada" das primeiras (e únicas) oito edições da revista. O que começou como uma seção semanal de Emanuel Vão Gogo na revista O Cruzeiro ― e foi interrompida por causa de A verdadeira história do paraíso ―, resultou na publicação de humor mais anárquica, inteligente e independente da imprensa brasileira. Fechada pelos brucutus da ditadura, Pif-Paf não foi apenas a precursora de O Pasquim. Era Millôr no melhor de sua forma, redesenhando a história do humor brasileiro, produzindo impetuosamente e ainda fazendo as vezes de editor.

Que país é este?, originalmente lançado em 1978, ele aproveitava a ditadura militar em frangalhos para fazer um inventário do nosso fracasso através de crônicas e pequenas definições de grandes proporções, como "Brasil, um filme pornô com trilha de bossa nova". Desde as grotescas inversões de valores a todos os absurdos que definiam o Brasil ― e continuam definindo, por isso o livro ainda é tão atual ―, ele recolhia os cacos da política tupiniquim e tirava toda a sujeira que havia sido (e continua a ser) varrida para debaixo do tapete.

Em O livro vermelho dos pensamentos de Millôr a premissa é uma só: demolir todos os conceitos, crenças e verdades consumadas pelo establishment, reexaminando o pensamento ocidental (e oriental), num irresistível convite ao niilismo. É a prova cabal de que as certezas absolutas são apenas para alienados e idiotas. Mas atenção: leitura não recomendada aos adeptos das cartilhas, da obediência, da subserviência e do pensamento de manada.

Uma leitura rápida (e engraçadíssima) é Crítica da razão impura ou O primado da ignorância, onde Millôr reduz a pó as obras mais famosas de dois ex-presidentes brasileiros: Dependência e desenvolvimento da América Latina, de Fernando Henrique Cardoso e Brejal dos guajás, de José Sarney. Derrubar o tesão (grande tese, segundo ele) de FhC ("superlativo de PhD") era quase uma necessidade, diante da linguagem empolada, pretensiosa e pseudointelequitual do nosso ociólogo-mor. Já sobre Brejal dos guajás, ícone máximo do embuste literário, pude finalmente entender porque Sir Ney é a antimatéria da literatura nacional. Sempre o desprezei como político, mas depois de ler essa "crítica" (um eufemismo) de sua "obra-prima" (uma hipérbole), confesso que deu até pena do pobre Ribamar... Depois recobrei os sentidos e o desprezo voltou.

Há também obras menores ― talvez em tamanho, mas não em importância ―, onde se encontra um Millôr em facetas diversas. O teatrólogo que enfrentou a censura em Um elefante no caos, o despretensioso de Hai-Kais, o minimalista de O livro branco do humor, o contista de Novas fábulas & Contos fabulosos e o autoindulgente, que passeia em cores e aventuras gráficas de Um nome a zelar. Tem para todos os gostos.

Aos que olharem para o conjunto da obra e não souberem por onde começar, aqui vai a minha sugestão: comece pela Bíblia. Não aquela, que muitos chamam de "sagrada". Refiro-me à Bíblia do caos ― Millôr definitivo (L&PM, 2002, 624 págs.), um compêndio de tudo o que melhor define o pensamento millôriano em forma de aforismos. Garanto que, para ler esta Bíblia, você não precisará ajoelhar no milho. Para onde vou, carrego a minha junto comigo. É o meu oráculo. Frases como "A proximidade é conivente. A distância é crítica." me guiam sempre que vou fazer uma charge. Assim, posso olhar para todos os políticos, caciques, partidos, minorias, bandeiras, facções e ideologias com a mesma distância e desconfiança. Da extrema esquerda à extrema direita (passando pelo extremo centro), vejo-os todos lá, equidistantes. Millôr é tão genial que pode nos fazer enxergar a política em forma de mosaico. Penso que é assim que ele vê as coisas: como um enorme mosaico (está lá, em Trinta anos de mim mesmo). Não, não é apenas o "Guru do Méier", como muitos o chamam. É gênio. Gênio do humor, gênio da contestação, gênio do livre pensamento... Gênio do caos.

Ao contrário do que você possa pensar, toda essa bem humorada jornada literária não te faz encontrar respostas às suas perguntas. Ler Millôr te faz perguntar respostas ― como sugere Ministério das perguntas cretinas. Com isso, pude dizer adeus às verdades absolutas e aos cômodos deslumbramentos da vida. No aconchegante castelo das certezas, aquele espaço era alugado ― e eu não podia pagar por ele. Aqui, no desconfortável cafofo da contestação e dos questionamentos, o espaço é pouco, sim ― mas é meu.

Bom, agora deixe-me voltar ao cafofo. Está na hora de procurar perguntas para as respostas do dia.

Para ir além

Diogo Salles
São Paulo, 17/2/2009
Fonte: http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2736


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Crítica Construtiva

A crítica pode ser entendida como toda a observação específica referente a um determinado comportamento, que encoraja uma pessoa a melhorá-lo, reforçá-lo ou desenvolvê-lo

A crítica pode ser positiva ou negativa. A positiva reforça o comportamento; a negativa visa corrigir ou melhorar o comportamento ou desempenho de baixa qualidade ou insatisfatório. Ambas devem ser construtivas.

Assim sendo, deve-se evitar:

a) a inexistência de crítica positiva, ou seja, o não reconhecimento do desempenho;

b) que a crítica negativa torne-se destrutiva.

10 LEMBRETES SOBRE A CRÍTICA CONSTRUTIVA

1) Analisar a situação

Ter bem claro o quê, no comportamento e desempenho, precisa ser mudado, e por quê.

2) Determinar o objetivo e o seu efeito

Ordenar sempre de forma positiva. Ex.: estabelecer uma data específica para a entrega de um trabalho é mais eficaz do que dizer para a pessoa não se "atrasar".

3) Ajustar-se à receptividade

A tolerância com relação à crítica pode ser expressa da seguinte maneira: "baldes", "copos", "cálices". Os baldes estão totalmente abertos à crítica; os copos nem tanto; os cálices menos ainda. Para cada tipo de pessoa uma postura diferente.

4) Criar ambiente propício

Saber o momento oportuno de fazer uma observação. Se a situação estiver conturbada, perder-se-á tempo e trabalho.

5) Comunicar-se efetivamente

Na captação de uma mensagem, (7%) refere-se às palavras, (38%) refere-se à voz e ao seu volume e (55%) refere-se à linguagem corporal, que são os gestos e expressão do rosto.

6) Descrever o comportamento que deseja mudar

É essencial que a pessoa, primeiro, compreenda qual é o ponto. Depois, que ela aceite que haja um problema. E, finalmente, que ela aceite que haja necessidade de mudar.

O importante é concentrar no que deve ser mudado. Evitar comentário sobre a personalidade, tais como "você deve relaxar mais, não levar as coisas tão a sério".

7) Descrever o comportamento desejado

É muito importante deixar claro o comportamento ou desempenho que deseja que a pessoa apresente no futuro. Por exemplo, diga "eu quero que você responda ao telefonema do cliente em 24 horas".

8) Procurar soluções conjuntamente

Num excesso de serviço. Por que não subdivide as tarefas? O que você poderia fazer diferente? E ajudar a explorar essa área do problema.

9) Concentrar-se naquilo que acha bom

O que importa é o crescimento do grupo e da sociedade.

10) Chegar a um acordo

Não forçar uma pessoa a mudar seu comportamento; pode-se ajudá-la e encorajá-la, mas apenas a pessoa pode efetivamente executar a mudança.

Fonte: BEE, Roland e BEE, Frances. Feedback. Tradução de Maria Cristina Fioratti Florez. São Paulo: Nobel, 2000.

(Org. por Sérgio Biagi Gregório)

Frase do dia


"O caminho no qual me perdi levou-me a outro com qual nunca sonhei."
anônimo

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Vale a pena ler e refletir...

O novo, a educação e a filosofia

O medo do novo parece não combinar com a educação e com a filosofia. Segundo Hannah Arendt, que escreveu sobre a crise na educação no livro Entre o passado e o futuro (São Paulo: Perspectiva, 2001), “a essência da educação é a natalidade”, razão pela qual o que dá sentido ao empreendimento educativo é “o fato de que seres nascem para o mundo”. Desassociadas do novo, a educação e a filosofia parecem carecer de um porquê. Por isso, aqueles que tem medo do novo não são os mais indicados à lida com as coisas da educação, muito menos com as da filosofia.
A razão é simples: toda educabilidade filosófica possível se liga aos começos que o novo apresenta às instituições de ensino, aos educadores e aos próprios educandos. E isso não é de agora. Desde a Antiguidade o homem manifesta entendimentos nessa perspectiva. Para Arendt, “O papel desempenhado pela educação em todas as utopias políticas, a partir dos tempos antigos, mostra o quanto parece natural iniciar um mundo novo com aqueles que são novos por nascimento e por natureza.”
Às vezes, contudo, a perspectiva do novo e a metáfora dos começos em educação são relegadas a algo de somenos em nosso sistema de ensino, indo afetar a filosofia. Outras vezes elas são completamente esquecidas, até impedidas de adentrar nossas instituições educativas, de todos os níveis, ou rechaçadas daqueles espaços legitimados às práticas do ensinar e do aprender. Aliás, é a filosofia que ilustra sobejamente essa ocorrência. Historicamente, no Brasil, a filosofia sempre teve dificuldade para se firmar nos currículos escolares como um saber que se preste a desempenhar um papel educativo e formativo. Vai ver é porque a filosofia, talvez mais fortemente do que os outros saberes escolares, apega-se aos começos e investe no novo como suas condições de possibilidade. Quando a filosofia não é descartada e renegada, então ela é tratada como um saber pronto e acabado, cristalizado no que se chama de história da filosofia.
Nietzsche, no Schopenhauer educador (São Paulo: Abril Cultural, 1983) foi severo em sua crítica aos que se aferram ao “já feito” no campo filosófico como se isso pudesse ser toda a filosofia possível, e não como parte do empreendimento filosófico-educativo. Disse Nietzsche: “a história erudita do passado nunca foi a ocupação de um filósofo verdadeiro, nem na Índia nem na Grécia”. É que se o professor que se ocupa com o ensino da filosofia e com o filosofar se prender à “história erudita do passado”, com o “pré-determinado”, no máximo esse profissional poderá atuar como um “repensador e pós-pensador, e antes de tudo um conhecedor erudito de todos os pensadores anteriores; dos quais sempre poderá contar algo a seus alunos” Ademais, em agindo assim, esse professor, na perspectiva nietzscheana, não irá além de um “competente filólogo, antiquário, conhecedor de línguas, historiador – mas nunca é um filósofo”. Os começos trazidos pelo novo parecerem ser especificidade do filósofo e do filosofar que educam.
É nessa medida que o novo, a educação e a filosofia se encontram. Se a tradição e a história já nos legam uma riqueza incomensurável, o novo e os começos postos à educação também se estendem à filosofia, esse saber formativo por excelência. Aí a educabilidade liga-se à novidade, àquilo que podemos, criativa e criadoramente, construir no campo da educação. Tomara que nos lembremos que nossa meta, ainda que haja uma história feita, ainda são o homem e a mulher que hão de vir.

Wilson Correia



Wilson Correia é filósofo, doutor em Educação pela Unicamp, professor na Universidade Federal do Tocantins, Campo Universitário de Arraias, e autor do livro Saber Ensinar (São Paulo: EPU, 2006)
(wilsoncorreia@uft.edu.br)


Fonte: http://www.dm.com.br/impresso/7778/opiniao/64959,o_novo_a_educacao_e_a_filosofia

DM Diário da Manhã - On line - Goiânia - Brasil - 24/02/2009


Frase do dia

"Não é a saída do porto mas a chegada que determina o sucesso de uma viagem"
Henry Ward Beeacher - Filósofo

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Renato Janine Ribeiro - Programas de Ética

Agora é possível assistir e baixar os programas de Ética concebidos e apresentados por Renato Janine Ribeiro, com direção de Carol Sá, no TV Futura. A primeira temporada foi ao ar em 2006 e a segunda, em 2008, na TV Futura, sendo que a primeira foi reapresentada na rede Globo nos primeiros meses deste ano. Os arquivos podem ser acessados no endereço:

http://www.futuratec.org.br

A partir do qual é possível localizar – e assistir ou gravar – os seguintes programas:

1) Primeira temporada de Ética: Dilemas éticos
1.1.Ética
1.2.Ética e Corrupção
1.3.Justiça vs. Vingança
1.4.Ética e lei
1.5.Ética e religião
1.6.A ética no sucesso e no fracasso

2) Segunda temporada de Ética:
2.1. A liberdade de expressão
2.2. Liberdade sexual
2.3. Liberdade no amor e na amizade
2.4. Liberdade no ambiente de trabalho
2.5. A liberdade de organização
2.6. O futuro da liberdade.

Cada programa tem 24 minutos de duração, num total de três blocos, e pesa em torno de 300 megas. O Futuratec é um serviço pioneiro criado pelo Futura para distribuir nossos programas através da internet. Pessoas cadastradas com um mínimo de formalidades (ligadas a alguma instituição que pretenda fazer uso educativo dos conteúdos) podem baixar arquivos que, gravados em um CD, podem ser executados em aparelhos de DVD.

Dicas de Blogs

Idéias de Jeca-tatu

Roteiros de quadrinhos

Não se é professor por acaso!



O que temos de mais sagrado em nossas vidas?
Nossa família, nosso berço.
Infeliz daquele que dispensou, por motivos outros e fúteis,
a alavanca e o alicerce que o regaço familiar nos oferece,
sem nada cobrar, somente nos fornecendo bases sólidas
para enfrentar o mundo.
E esta, que é a maior e a mais importante célula da sociedade,
somente conta com um profissional que tem a legitimidade e a
dignidade suficientes para complementar e enriquecer a
tarefa árdua de educar: o professor.

Dá pra imaginar o tamanho desta responsabilidade?
Este professor tem que se misturar à educação fornecida
pelos pais e por toda a família de seu aluno, que possuem
uma história de gerações passadas, com características
individuais e diversas.

Esta responsabilidade não é esforço a mais para ele porque
ele exerce sua profissão com entrega total, e os pesos se
tornam diminutos diante da vocação.

Saibamos todos, principalmente os professores iniciantes,
que se o trabalho em qualquer área se tornar um fardo,
urgirá a revisão de nossa vida, para que diretrizes
sejam repensadas.

Muito mais isto é válido para um professor.

O professor, se não estiver encharcado da vontade de
ensinar, de educar, de se doar, não conseguirá o respeito
de seus alunos, de seus pares, muito menos de
toda a sociedade.

Não se é professor por acaso!

Quando meio que corajosamente, este cronista lançou
seus dois livros, além de seus familiares e alguns amigos
mais profundos, quem mais se orgulhou deste fato?
Seus ex- professores; todos que ficaram sabendo se
revelaram recompensados e orgulhosos de um de seus
alunos ter lançado dois livros.
Aí está a grande obra de um professor.
Acolher seu aluno dentro de seu coração com total paixão,
fazendo dele parte de sua própria existência.
Isto é para poucos e bons!

Se condoer com as desgraças alheias é fácil.
A lágrima é gratuita.
Eu quero ver é rir e se alegrar com as conquistas alheias.

Como já escrevi: a alegria é esterilizada, a dor contamina.
No caso dos nossos mestres, a nossa vitória se transforma
na alegria deles também, porque vocês, professores,
nos amam de verdade.

Aos professores que já exercem esta profissão há um
médio tempo, é hora de se fazer um balanço das atitudes
tomadas até agora.
Há de se fazer dos acertos, missões, e dos erros, lições.

Triste é a nação que não privilegia o ensino.
O grande exemplo são os E.U.A.
A página negra do destrato com os professores está
sendo virada.
Então, você, professor que já lecionou por alguns anos,
tenha certeza que sua luta valeu e valerá a pena.
A visão histórica jamais poderá ser esquecida por causa
de motivos imediatistas, principalmente por um professor.
É líquido e certo que as reivindicações, os protestos,
as greves, não foram em vão e, sim, servirão para a grande
arrancada que o Brasil sofrerá a partir da valorização
da educação e do educador.

Você, professor mais antigo, que já viveu dias melhores,
é justo o desânimo, mas não o suficiente para derrubá-lo.
Apesar de tudo, eu tenho a certeza que Piaget e Freire
sempre foram os seus guias.
Mas talvez a maior homenagem que um professor possa
receber esteja num fato corriqueiro que acontece no nosso
dia a dia e que ilustra bem o significado desta profissão.

Quando queremos elogiar alguém de maneira superlativa,
grandiosa, mesmo que esta pessoa não seja formada, como
é que nós a chamamos: "ei mestre", ou então, "ei professor!"
É o maior elogio que se faz a alguém.


Marcondes Serotini Filho

Quem defende a educação para pensar?

A educação serve para preparar as crianças para a vida, e a grande companheira da educação chama-se “filosofia”.

A filosofia contribui para que tenhamos uma criança que entenda o” mundo”, a realidade que vivemos, da qual faz parte e com a qual se relaciona. Ela pergunta, ela questiona, quer respostas, quer viver e participar do mundo e não ser um simples “marionete”. Muitas vezes nem percebemos e apagamos esta “vontade”, porque não sabemos lidar com esta energia vibrante e contagiante. A criança tem tudo que o adulto queria ter. E a criança queria ser “gente grande”para ter vez de se manifestar.

Se a crianças tiver acesso a Educar para Pensar: teremos um “aluno que será capaz de raciocinar sobre questões das quais ele jamais ouviu falar”. Vai saber emitir opinião, se posicionar frente ao mundo. Teremos uma criança, um jovem e mais tarde um adulto consciente, refletivo, critico e autônomo.

Infelizmente nosso jovens e alguns (a grande maioria) professores não sente prazer em pensar. Estamos passando por uma época em que “Pensar não está na moda”, somente consumir, somos descartáveis. Mas ainda é tempo de mudar, se conscientizar , e temos que começar pelas crianças para reverter este quadro.Não será fácil, será uma caminhada lenta como “a corrida do coelho e a tartaruga”. Devagar e sempre chegaremos lá. Mas para isto é necessário nós professores sairmos da sombras da caverna em que nós nos encontramos.

Para que isto possa acontecer, nós professores precisamos repensar toda uma vida, e recomeçar todos os dias. Morrer todos os dias, para nascer outra vez. Aprender com as crianças e estar aberto ao diálogo e ao conhecimento.

É necessário“Ser” um eterno aprendente e defensor assíduo do Educar para Pensar.


Marise Von Frühauf Hublard

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O que nós queremos para os nossos filhos

Num sistema educativo em completa transformação, em mudanças profundas, onde a instabilidade e a agitação deambulam pelas salas e corredores das escolas, os pais, os professores, os órgãos de gestão, as várias instituições e o governo devem procurar a causa principal, os objectivos fundamentais, que nos devem unir: os nossos filhos!

E há mensagens que todos devemos ler, ver, ouvir, pensar e debater.

Neste vídeo, intitulado ‘Creating Great Schools — Together’ (Criar escolas maravilhosas - Juntos), uma mãe, Heidi Hass Gable, com palavras simples e com imensa empatia, chama-nos a atenção para as coisas mais importantes da vida, e deixa-nos uma questão no ar: "O que é que TU farás hoje?"

E é nesta altura que professores, pais, órgãos de gestão e instituições educativas devem envidar todos os esforços, porque "Os nossos filhos merecem-no! Não merecem menos do que isso!"

Fonte: http://comunicacaonaoviolenta.blogspot.com/


Em Florianópolis está localizado o Centro de Filosofia de Educação para Pensar, que desenvolve um projeto de Educação para Pensar em todo o Brasil. Com cursos EaD, projetos, congressos,etc..

Roteiros Pedagógicos 2009 de Filosofia do Portal do SER

Portal do Sistema de Ensino Reflexivo

sábado, 21 de fevereiro de 2009

A sala de aula ainda está no século 19


O artigo “ A pedagogia vê o professor como única fonte de saber e despreza novas tecnologias” de Juan Carlos Rodríguez Ibarra , vem confirmar a triste realidade, pela qual passam as nossa escolas públicas .

Com objetivo de compartilhar conhecimentos e novas descobertas entre alunos e professor , criei um blog para aula de Filosofia “Filosofia é o limite” e para as aulas de Sociologia “Sociologia é o limite”. Mas como muitos alunos não tem acesso a tecnologia e a escola “está esperando a reformar para sala informática”, não há como usar os computadores disponíveis . Portanto, o blog será apenas para uso de alguns alunos interessados que possuem acesso a internet.



A pedagogia vê o professor como única fonte de saber e despreza novas tecnologias


Desde 1995, ano em que a internet se socializa e se põe à disposição de todo o mundo, as coisas começaram a mudar na sociedade do final do século 20. Essas mudanças seguem afetando substancialmente os conceitos tradicionais dos quais nos valíamos desde o final do século 19. Com à internet ao alcance de todos e a novas tecnologias ao alcance de quase todos, os conceitos tradicionais mudaram, ainda que exista gente que se aferre ao antigo sem perceber que o passado não é capaz de fazer frente aos desafios que temos diante de nós.

Qualquer conceito que examinemos oferece uma nova imagem, radicalmente diferente da que havíamos formado no imaginário coletivo durante séculos. A educação é um exemplo. Fala-se e teoriza-se muito sobre o chamado fracasso escolar, apoiando-se em relatórios para analisar o tal fracasso utilizando parâmetros da sociedade industrial, desconhecendo que com a internet entramos numa nova sociedade. Os relatórios analisam resultados, mas evitam entrar nos conteúdos, instrumentos e atitudes dos sistemas educativos.

Todos sabem que, quando ocorre um acidente de avião, a primeira providência é buscar e analisar a famosa caixa-preta, onde estão todas as informações sobre o que aconteceu no momento do desastre. A análise do sistema educativo deveria buscar e analisar a caixa-preta da educação, a sala de aula.

O que nos diz essa caixa-preta? Primeiro que a informação já não é fonte do poder e autoridade do professor. Durante séculos o professor era o depositário da informação que ia transmitindo, ano após ano, aos alunos, sem outro auxílio que não livros de texto, lousa, giz e alguns poucos meios didáticos que o estudante só podia usar em sala de aula. O professor era o xamã da tribo, sabia o que tinha de saber e transmitia isso da forma que podia transmitir. Na aula se segue a mesma metodologia, depreciando a evidência de que a informação já não é patrimônio do docente mas que, em grau superlativo, está à disposição do aluno num aparelho que permite buscar em segundos tudo o que é necessário saber. A internet é um magnífico instrumento. Libera informação em tal quantidade que o professor que a menospreze ou pretenda competir com ela está deixando de exercer seu novo papel, o de se converter em agente organizador capaz de fazer com que o aluno saiba utilizar a rede para pescar o que precisa e para que a informação chegue ao estudante em forma de conhecimento.

Enquanto nos empenharmos em evitar a nova realidade estaremos incidindo nos mesmos erros que se cometeram historicamente, quando alguns sistemas educativos se empenhavam, por exemplo, em amarrar a mão esquerda às costas dos alunos, obrigados a escrever com a mão direita porque assim ditava a norma, mesmo que fossem canhotos. O sistema demorou a aceitar que o cérebro se organiza de forma diferente para destros e canhotos e que era um atentado contra a natureza pretender que todos fossem destros.

Os alunos nascidos depois de 1995 são digitais, e só digitais. Nasceram com as novas tecnologias e seu mundo não é analógico, por mais que o sistema educativo se empenhe em vê-los como tais e anular a digitalização durante a jornada escolar. É de novo a mão presa às costas para que sigam analógicos. Um adolescente de 12 ou 13 anos é digital quando se encontra fora da aula e analógico quando se senta em sua carteira. Essa contradição se choca com os interesses do aluno, impedindo que desenvolva suas potencialidades, se aborrecendo diante de um sistema pedagógico inadequado às regras e normas que tem em sua casa ou na rua.

Alunos que fora do período escolar têm a oportunidade de usar um computador para conectar-se ao resto do planeta na escola se deparam com a limitação de uma parede adornada com uma lousa que mata sua imaginação e sua capacidade de unir-se ao mundo. Ninguém pode achar estranho que o sistema fracasse. O argumento de muitos de que a educação sempre foi assim é uma falácia que evita a responsabilidade de envolver-se com o treinamento e uso de tecnologias que o aluno usa com naturalidade na rua e das quais se vê privado nas aulas.

Nenhum cidadão aceitaria que seu diagnóstico fosse elaborado com o uso de antigos recursos da medicina quando a ciência já oferece novas tecnologias que evitam erros de avaliação subjetiva. Não existe médico que dispense o uso de novas tecnologias em sua profissão. O médico se sente responsável pela sorte de seu paciente e, em conseqüência, tudo que o ajude a fazer um melhor diagnóstico será usado, independentemente de que os métodos fossem diferentes ou de que em seus tempos de estudo tais tecnologias não existissem. Ao contrário, estamos dispostos a seguir aceitando a velha pedagogia que rejeita o novo, com o argumento de que sempre foi assim e assim é que deve ser.


Juan Carlos Rodríguez Ibarra, El País (Fonte: Revista da Semana 27/07/2008)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A relação professor x aluno



"Se o Mestre for verdadeiramente sábio, não convidará o aluno a entrar na mansão de seu saber, e sim, estimulará o aluno a encontrar o limiar da própria mente".


Com estas palavras Khalil Gibran define a postura mais adequada do professor para com seus alunos. Será que as escolas dão a devida atenção para desenvolver nas crianças as potencialidades interiores que possuem latentes em seu interior? Parece-me que estão mais preocupadas com a preparação de profissionais habilitados para o mercado de trabalho cada vez mais competitivo e incerto. É necessária uma consciência maior dos professores e escolas, no sentido de estarem preparando o novo homem do milênio que inicia. Este homem deverá estar desatrelado de saberes dependentes de par. Cada vez mais capaz de realizar seus sonhos, ser mais feliz e em harmonia com os demais seres com os quais convive.

Todo ser humano, independente de possíveis imperfeições físicas, emocionais e mentais, possui dentro de si uma energia, capaz de mobilizar forças inimagináveis que o auxiliam a superar os obstáculos na vida. Descobrir e desenvolver esta força não são tarefas fáceis no adulto. Para a criança, na fase dos 3 a 6 anos, quando esta se iniciando a formação do caráter, fica muito mais fácil mostrar que este poder existe e que ela pode fazer uso dele sempre que for necessário.

É a facilidade de acesso a este poder que determinados seres humanos têm e que outros não tiveram a chance de desenvolver que nos faz diferentes. Estamos acostumados a receber saberes dependentes de par, pois nossos pais e professores nos ensinaram as leis que regem o mundo segundo sua ótica esquecendo-se de que cada ser humano pode ter uma visão diferente sobre os mesmos assuntos. Todos os sistemas sociais, políticos e econômicos estão fundamentados em experiências de alguém. Ter a capacidade de observar, saber ouvir, analisar cada acontecimento sob sua própria ótica e chegar a conclusões que outros ainda não tiveram são poucos os que estão preparados. Ainda que assim estejam preparados, precisam saber falar, diversificar as formas de expressão, argumentar sem competir e desafiar a si mesmos, buscando fazer cada vez melhor, ao invés de competir com os outros. Que escolas estão conscientes deste papel para o ser humano?


"... apresentar à criança as leis do universo reveladas nas obras da natureza em suas formas mais simples, embasar o caminho rumo a uma compreensão da verdade existente em todas as coisas, através do amor, da harmonia, da justiça, da caridade, e da Lei e da ordem".

H. Spencer Lewis


Fonte: http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2219652703801666939&postID=3093862706566814385

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O que é a realidade?



A BBC apresenta-nos neste documentário, uma fascinante viagem pela cosmologia contemporânea. Uma abordagem poética mas cientificamente rigorosa, que dá muito que pensar.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pensar e Viver


Aprender a pensar bem é preciso. Aprender a ser um pensador responsável, cuja característica essencial é a capacidade de formular bons juízos, é imprescindível para se poder orientar a vida de uma forma mais criteriosa. Mas isso é possível? Como fazer para aprender e ensinar a pensar bem? Essa deveria ser uma das principais preocupações de todo educador e, enquanto professora de Filosofia, sempre foi o meu maior desafio. O caminho mais promissor que encontrei para enfrentar tal problema é o desenvolvimento do projeto educacional que podemos entrever no Programa de Filosofia para Crianças de Matthew Lipman. Por quê? Bem, porque esse é um programa que tem como um dos objetivos norteadores justamente o exercício do pensar, visando sua competência e autonomia, ou seja, a sua excelência.
O conjunto da teoria de Lipman a respeito da educação repousa sobre os seguintes pressupostos:

1) os objetivos da escola devem estar voltados para o desenvolvimento do pensamento;
2) o pensar é passível de ser desenvolvido em direção a sua excelência, quando submetido à investigação filosófica e exercitado na prática dessa investigação em comunidade;
pensar bem é não só uma característica da prática filosófica como também um resultado dela. A partir desses pressupostos, Lipman elaborou uma proposta educacional que permite envolver alunos e professores em diálogos investigativos de caráter filosófico.

Leia mais...

http://educarcultivarlibertar.blogspot.com/2006/10/pensar-e-viver.html


Fonte: http://educarcultivarlibertar.blogspot.com/2006/10/pensar-e-viver.html
Blog: Educar Cultivar Libertar - Ruben D.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Aprendendo a Pensar - Stephen Kanitz



"Aprendi nas aulas poucas coisas que
uso até hoje. Teriam sido mais úteis
aulas de culinária, nutrição e primeiros
socorros do que latim, trigonometria
e teoria dos conjuntos" .


A maioria das aulas que tive foi expositiva. Um professor, normalmente mal pago e por isso mal-humorado, falava horas a fio, andando para lá e para cá. Parecia mais preocupado em lembrar a ordem exata de suas idéias do que em observar se estávamos entendendo o assunto ou não.

Ensinavam as capitais do mundo, o nome dos ossos, dos elementos químicos, como calcular o ângulo de um triângulo e muitas outras informações que nunca usei na vida. Nossa obrigação era anotar o que o professor dizia e na prova final tínhamos de repetir o que havia sido dito.

A prova final de uma escola brasileira perguntava recentemente se o país ao norte do Uzbequistão era o Cazaquistão ou o Tadjiquistão. Perguntava também o número de prótons do ferro. E ai de quem não soubesse todos os afluentes do Amazonas. Aprendi poucas coisas que uso até hoje. Teriam sido mais úteis aulas de culinária, nutrição e primeiros socorros do que latim, trigonometria e teoria dos conjuntos.

Curiosamente não ensinamos nossos jovens a pensar. Gastamos horas e horas ensinando como os outros pensam ou como os outros solucionaram os problemas de sua época, mas não ensinamos nossos filhos a resolver os próprios problemas.

Ensinamos como Keynes, Kaldor e Kalecki, economistas já falecidos, acharam soluções para um mundo sem computador nem internet. De tanto ensinar como os outros pensavam, quando aparece um problema novo no Brasil buscamos respostas antigas criadas no exterior. Nossos economistas implantaram no Brasil uma teoria americana de "inflation targeting", como se os americanos fossem os grandes especialistas em inflação, e não nós, com os quarenta anos de experiência que temos. Deu no que está aí.

De tanto estudar o que intelectuais estrangeiros pensam, não aprendemos a pensar. Pior, não acreditamos nos poucos brasileiros que pensam e pesquisam a realidade brasileira nem os ouvimos. Especialmente se eles ainda estiverem vivos. É sandice acreditar que intelectuais já mortos, que pensaram e resolveram os problemas de sua época, solucionarão problemas de hoje, que nem sequer imaginaram. Raramente ensinamos os nossos filhos a resolver problemas, a não ser algumas questões de matemática, que normalmente devem ser respondidas exatamente da forma e na seqüência que o professor quer.

Matemática, estatística, exposição de idéias e português obviamente são conhecimentos necessários, mas eu classificaria essas matérias como ferramentas para a solução de problemas, ferramentas que ajudam a pensar. Ou seja, elas são um meio, e não o objetivo do ensino. Considerar que o aluno está formado, simplesmente por ele ter sido capaz de repetir os feitos intelectuais das velhas gerações, é fugir da realidade.

Num mundo em que se fala de "mudanças constantes", em que "nada será o mesmo", em que o volume de informações "dobra a cada dezoito meses", fica óbvio que ensinar fatos e teorias do passado se torna inútil e até contraproducente. No dia em que os alunos se formarem, mais de dois terços do que aprenderam estarão obsoletos. Sempre teremos problemas novos pela frente. Como iremos enfrentá-los depois de formados? Isso ninguém ensina.

Existem dezenas de cursos revolucionários que ensinam a pensar, mas que poucas escolas estão utilizando. São cursos que analisam problemas, incentivam a observação de dados originais e a discussão de alternativas, mas são poucas as escolas ou os professores no Brasil treinados nesse método do estudo de caso.

Talvez por isso o Brasil não resolva seus inúmeros problemas. Talvez por isso estejamos acumulando problema após problema sem conseguir achar uma solução.

Na próxima vez em que seu professor começar a andar de um lado para o outro, pense no que você está perdendo. Poderia estar aprendendo a pensar.

Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)

Edição 1 763 - 7 de agosto de 2002- Revista Veja


domingo, 15 de fevereiro de 2009

Uma estorinha de ¨mudança"

Por Professor Simão Pedro Marinho

Um diretor de uma escola brasileira - só pode ser particular, já que na rede pública o professor é "imexível" - demitiu um professor extremamente tradicional, que ali lecionava há 30 anos. Não porque não gostasse dele. Era boa gente, atencioso, frequente, pontual.

Mas o diretor queria mudar o formato do ensino na escola e, por isso, contratou um recém- egresso da universidade.

Era jovem, deveria ter uma formação mais moderna, mais de acordo com o que deve ser preciso em uma escola do Século XXI.

Seguramente o novato aprendera coisas sobre didática, psicologia, tecnologia educacional que o antigo professor sequer ouvira quando estava na universidade.

O desejo do diretor de oferecer um ensino inovador era mesmo enorme e naquele professor recém-formado estava essa chance.

E o diretor, sedento por ver a rápida mudança acontecer, decidiu acompanhar o novo professor em seu trabalho. Ele seria o modelo para a mudança dos demais.

Percebeu que a arrumação da sala se mantinha como antes. As carteiras continuavam enfileiradas, cada aluno assentado atrás de outro.

Contudo, pensou, isso é o de menos. Mais importante que alterar o aspecto das salas, o essencial seria modificar as aulas.

Uma nova didática, novo ensino, uma educação moderna, ainda que as carteiras estivessem enfileiradas.

Acompanhou então uma primeira aula do professor novato.

Ele usava o computador e o projetor multimídia. Enquanto falava, mostrava aos alunos uma série quase infindável de slides.

Eram tantos que as luzes só se acenderam no final da aula. E o professor prometeu aos alunos, jovens que sem dúvida gostam de usar o computador, que enviaria a apresentação por e-mail.

Isso era a modernidade, pensou o diretor.

Mas, depois de algumas aulas, viu que eram todas iguais. A dinâmica em todas era a mesma. Aulas expositivas, alunos silentes, slides projetados em uma tela.

O diretor constatou, com enorme tristeza, que afinal era a mesma forma de abordar o conteúdo adotada pelo professor que demitira. Não fosse pelo computador, era a mesma aula.

As provas, verificou depois, permaneciam do mesmo jeito, cobrando aos alunos a matéria que deviam decorar.

O diretor, incomodado, resolveu abordar o professor recém-chegado.

Questionou-o sobre as aulas, sobre o ensino. Afinal, tudo permanecia na mesma.

O professor, recém-formado, repetia o que o demitido fizera por anos e anos na escola, três décadas para sermos exatos.

"Por que nada mudou?", perguntou então o diretor, em uma conversa reservada com o professor novato

Do novato ouviu uma resposta: “Desculpe-me, mas a minha educação básica foi feita assim, em todas as escolas que frequentei, ao longo de onze anos. Depois foram mais quatro anos na universidade. Tudo era dessa mesma maneira."

E, encerrou o professor novato, desculpando-se: "Não sei como fazer isso diferente”.

Foi demitido na hora, apesar de toda a honestidade que foi imediatamente reconhecida pelo diretor.

Logo depois aquele novo desempregado foi chamado para ser professor em uma universidade. Agora podia realizar o que era seu grande sonho: formar novos professores.

Fonte: http://tdeduc.zip.net/arch2009-02-08_2009-02-14.html
http://nteitaperuna.blogspot.com/

Essa é a mais pura das verdades...
Não podemos ficar esperando fórmulas e modelos prontos,
a mudança depende de cada um de nós.
É necessário procurar novos caminhos.
Compartilhar... talvez essa seja palavra mais difícil para colocar em prática.
Vivemos num momento onde todos falam em compartilhar conhecimento, informação...
Mas, a prática é bem diferente.
Marise.


sábado, 14 de fevereiro de 2009

Faça o que tu queres... a de ser tudo da lei

Conta a história que um casal tomava café da manhã no dia de suas bodas de prata.
A mulher passou a manteiga na casca do pão e o entregou para o marido, ficando com o miolo.
Ela pensou: "Sempre quis comer a melhor parte do pão, mas amo demais o meu marido e, por vinte e cinco anos, sempre lhe dei o miolo. Mas hoje quis satisfazer meu desejo. Acho justo que eu coma o miolo pelo menos uma vez na vida".
Para sua surpresa, o rosto do marido abriu-se num sorriso sem fim e ele lhe disse:- Muito obrigado por este presente, meu amor.
Durante vinte e cinco anos, sempre desejei comer a casca do pão, mas como você sempre gostou tanto dela, jamais ousei pedir!
Moral da história:- Você precisa dizer claramente o que deseja, não espere que o outro adivinhe...
Você pode pensar que está fazendo o melhor para o outro, mas o outro pode estar esperando outra coisa de você...
Deixe-o falar e quando você não entender, não queira traduzir da sua maneira, peça que ele explique melhor.
Essa história pode ser aplicada não só para casais, mas também para pais e filhos, amigos e até mesmo no trabalho.


Fonte: http://messiasindeciso.blogspot.com/


Nós professor precisamos saber claramente o que nos realmente queremos, primeiro conosco mesmo, com outro, digamos, alunos, a escola e a comunidade também. O problema está no seguinte: “Ninguém mais é claro nos dias de hoje, tudo subentende-se..”

É necessário adivinhar as intenções do outro, mas não somos mágicos.

E esse é um dos motivos que a nossa educação anda para trás, falta de clareza ...

Quando comecei a dar aula, a diretora da escola dizia: “lá vem a perguntadora?”.

E em outra escola os professores me aconselharam a não fazer perguntas, “aquilo que você não sabe, não pergunte”. Porque se você fizer uma pergunta “ridícula “, vão pegar no seu pé o ano todo, “você tem que fazer de conta que sabe tudo”.

Outro problema é o “faz de conta”, todo mundo faz de conta que entendeu, que sabe...e vai se levando. O tempo passa e todos nós ficamos vivendo no faz de conta.

Eu não consigo me conformar, eu sou uma eterna revoltada comigo mesma. E aprendi dando aula, a ser sincera comigo e com meus alunos. Os alunos acham “engraçado”, falam “ professora como você é engraçada”.

Eu gosto muito de observar, meus alunos ,colegas e principalmente as pessoas no coletivo urbano. Fiz um trabalho de observação na escola. Pedi para que meus alunos observassem as pessoa no coletivo urbano, a aprendizagem através da observação é fantástica e o sentimento que a mesma causa.


Marise von Frühauf Hublard


LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin