terça-feira, 29 de setembro de 2009

Carta Aberta à Filosofia - Prof. Sérgio Morais



Essa história de "uma carta para mim", mexeu comigo e lembrei desta carta muito especial do Prof. Sérgio Morais - Blog Histórico-Filosóficas.

Uma carta especial que todos estudante deveria receber.

Confira...

Carta Aberta à Filosofia


"Que raio de saber és tu, Filosofia, que me estás sempre a mostrar que nada sei? Quem julgas tu que és para me estares sempre a molestar com perguntas que parecem não ter fim. Dizem que te chamas Sofia e que Sofia é o nome de sabedoria, dizem que és amiga, mas eu duvido que o sejas, porque às vezes, quando te faço perguntas, tu respondes-me com mais perguntas. Que diabo! Endoideceste? Porque me obrigas sempre a ir buscar respostas complexas e não respostas simples? Tanto trabalho, tanto trabalho e tão poucos louros! Se eu pudesse matava-te, Filosofia, mas nem isso me deixas fazer, porque se te mato, mato-me a mim próprio, porque não encontro o sentido da minha existência. Dizem que és radical, mas eu nunca te vi a andar de skate, ou de patins em linha; em vez disso dás-me mais trabalho! Nem sei porque te escrevo, nem sei porque ainda te falo, tão pouco porque não posso fugir de ti! Será que em vez de ódio, é amor que sinto por ti? Vá, responde-me, Filosofia? Vamos, responde-me!"

Sérgio Morais

*** É um artigo/ texto/ "carta aberta" de autoria do Professor Sérgio Morais de Portugal.

Imagens: Google.

sábado, 26 de setembro de 2009

Um retrato da sala de aula

Lailson Santos
Uma visão prática
Carnoy: "Os professores devem ser treinados para ensinar – e não para difundir teorias genéricas"


Poucos especialistas observaram tão de perto o dia a dia em escolas brasileiras quanto o americano Martin Carnoy, 71 anos, doutor em economia pela Universidade de Chicago e professor na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, onde atualmente também comanda um centro voltado para pesquisas sobre educação. Em 2008, Carnoy veio ao Brasil, país que ele já perdeu as contas de quantas vezes visitou, para coordenar um estudo cujo propósito era entender, sob o ponto de vista do que se passa nas salas de aula, algumas das razões para o mau ensino brasileiro. Ele assistiu a aulas em dez escolas públicas no país, sistematicamente – e chegou até a filmá-las –, além de falar com professores, diretores e governantes. Em entrevista à editora Monica Weinberg, Martin Carnoy traçou um apurado cenário da educação no Brasil.

COMO NO SÉCULO XIX


Está claro que as escolas brasileiras – públicas e particulares – não oferecem grandes desafios intelectuais aos estudantes. No lugar disso, não é raro que eles passem até uma hora copiando uma lição da lousa, à moda antiga, como se estivessem num colégio do século XIX. Ao fazer medições sobre como o tempo de aula é administrado nos colégios que visitei, chamaram-me a atenção ainda a predominância do improviso por parte dos professores, os minutos preciosos que se esvaem com a indisciplina e a absurda quantidade de trabalhos em grupo. Eles consomem algo como 30% das aulas e simplesmente não funcionam. A razão é fácil de entender: só mesmo um professor muito bem qualificado é capaz de conferir eficiência ao trabalho em equipe ou a qualquer outra atividade que envolva o intelecto. E o Brasil não conta com esse time de professores de alto padrão. Ao contrário. O nível geral é muito baixo.

MENOS TEORIA E MAIS PRÁTICA


Falta ao Brasil entender o básico. Os professores devem ser bem treinados para ensinar – e não para difundir teorias pedagógicas genéricas. As faculdades precisam estar atentas a isso. Um bom professor de matemática ou de línguas é aquele que domina o conteúdo de sua matéria e consegue passá-lo adiante de maneira atraente aos alunos. Simples assim. O que vejo no cenário brasileiro, no entanto, é a difusão de um valor diferente: o de que todo professor deve ser um bom teórico. O pior é que eles se tornam defensores de teorias sem saber sequer se funcionam na vida real. Também simplificam demais linhas de pensamento de natureza complexa. Nas escolas, elas costumam se transformar apenas numa caricatura do que realmente são.


QUE CONSTRUTIVISMO É ESSE?


O construtivismo que é hoje aplicado em escolas brasileiras está tão distante do conceito original, aquele de Jean Piaget (psicólogo suíço, 1896-1980), que não dá nem mesmo para dizer que se está diante dessa teoria. Falta um olhar mais científico e apurado sobre o que diz respeito à sala de aula. É bem verdade que esse não é um problema exclusivamente brasileiro. Especialistas no mundo todo têm o hábito de martelar seus ideários sem se preocupar em saber que benefícios eles trarão ao ensino. Há um excesso de ideologia na educação. No Brasil, a situação se agrava porque, acima de tudo, falta o básico: bons professores.

Oscar Cabral
Tempo mal gasto
Ensino brasileiro: ausência de desafios intelectuais e excesso de improviso


À CAÇA DE MESTRES BRILHANTES


A chave para um bom ensino é conseguir atrair para a carreira de professor os melhores estudantes. Basta copiar o que já deu certo em países como Taiwan, que reuniu em seu quadro de docentes algumas das melhores cabeças do país. Ali, um professor ganha tanto quanto um engenheiro – o que, por si só, já atrai os alunos mais talentosos para a docência. Mas não é só isso. Está provado que, para despertar o interesse dos mais brilhantes pela sala de aula, é preciso, sobretudo, dar-lhes uma perspectiva de carreira e de reconhecimento pelo talento que os distingue. No Brasil, o pior problema não está propriamente na remuneração dos professores, até razoável diante das médias salariais do país – mas justamente na ausência de um bom horizonte profissional.

VIGILÂNCIA SOBRE OS PROFESSORES


Os professores brasileiros precisam, de uma vez por todas, ser inspecionados e prestar contas de seu trabalho, como já ocorre em tantos países. A verdade é que, salvo raras exceções, no Brasil ninguém sabe o que eles estão ensinando em sala de aula. É o que me faz comparar as escolas públicas brasileiras às empresas pré-modernas. Elas não contam com mecanismos eficazes para cobrar e incentivar a produtividade. Contratam profissionais que ninguém mais no mercado quer, treinam-nos mal e, além disso, não exercem nenhum tipo de controle sobre eles. Hoje, os professores brasileiros estão, basicamente, livres para escolher o que vão ensinar do currículo. Não há padrão nenhum – tampouco há excelência acadêmica.


NA LINHA DA MEDIOCRIDADE


É boa notícia que os brasileiros comecem a colocar a educação entre suas prioridades, mesmo que isso ocorra com tanto atraso em relação aos países mais desenvolvidos. Percebo no Brasil, no entanto, uma visão ainda bastante distorcida da realidade – típica de países onde as notas dos estudantes são, em geral, muito baixas. A experiência indica que, num cenário como esse, até mesmo os ótimos alunos tendem a se nivelar por baixo. Com um resultado superior à média, eles já se dão por satisfeitos, assim como seus pais e escolas. Na verdade, estão todos mirando a linha da mediocridade. E é lá que estão mesmo. Os exames internacionais da OCDE (organização que reúne os países mais ricos) mostram isso com clareza. Os alunos brasileiros que aparecem entre os 10% melhores são, afinal, menos preparados do que alguns dos piores estudantes da Finlândia. Os finlandeses, por sua vez, definem suas metas com base num altíssimo padrão de excelência acadêmica. É esse ciclo virtuoso que o Brasil deve perseguir – em todos os níveis.


CHEGA DE UNIVERSIDADE GRATUITA


Se quiser mesmo se firmar como uma potência no cenário mundial, o Brasil precisa investir mais na universidade. É verdade que os custos para manter um estudante brasileiro numa faculdade pública já figuram entre os mais altos do planeta. Por isso, é necessário encarar uma questão espinhosa: a cobrança de mensalidades de quem pode pagar por elas, como funciona em tantos países de bom ensino superior. Sempre me pergunto por que a esquerda brasileira quer subsidiar os mais ricos na universidade. É um contrassenso. Olhe o que aconteceria caso os estudantes de renda mais alta pagassem algo como 1 000 dólares por ano às instituições públicas em que estudam. Logo de saída, o orçamento delas aumentaria na casa dos 15%. Com esse dinheiro, daria para atrair professores do mais alto nível. Quem sabe até um prêmio Nobel. O Brasil precisa, afinal, começar a se nivelar por cima.




Fonte: Revista Veja - Edição 2132 - 30 de setembro de 2009

Blogagem Coletiva - Como você escolhe seus amigos


Essa postagem faz parte da blogagem coletiva do blog Idéias de Milene, sobre como você escolhe seus amigos.


Amigos com certeza não escolhemos, não existe uma fórmula para fazer ou conquistar amigos.

Temos muitos amigos por afinidade, mas infelizmente vivemos num mundo individualista e acima de tudo materialista.

Temos amigos por toda parte, no trabalho, nas escola, nos sites de relacionamentos etc...

Mas, aquele amigo de verdade, aquele que anda junto, sabe tudo sobre você mesmo que distante, não é superficial, diz o que pensa, ouve você, fala sem receio....e que ainda você não precisa chamar de amigo.


Ele é raro...”é a jóia do Nilo”.


Encontrei um texto que fala por si no site: http://textos_legais.sites.uol.com.br/index.htm


A ÁRVORE DOS MEUS AMIGOS


Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho. Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro. A todas elas chamamos de amigo. Há muitos tipos de amigos.

Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles.

O primeiro que nasce do broto é o amigo pai e o amigo mãe. Mostram o que é ter vida.

Depois vem o amigo irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós.

Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e desejamos o bem.

Mas o destino nos apresenta outros amigos, os quais não sabíamos que iam cruzar o nosso caminho. Muitos desses denominados amigos do peito, do coração. São sinceros, são verdadeiros. Sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz...

Às vezes, um desses amigos do peito estala o nosso coração e então e chamado de amigo namorado. Esse dá brilho aos nossos olhos, música aos nossos lábios, pulos aos nossos pés.

Mas também há aqueles amigos por um tempo, talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora. Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face, durante o tempo que estamos por perto.

Falando em perto, não podemos esquecer dos amigos distantes. Aqueles que ficam nas pontas dos galhos, mas que quando o vento sopra, sempre aparecem novamente entre uma folha e outra.

O tempo passa, o verão se vai, o outono se aproxima, e perdemos algumas de nossas folhas.

Algumas nascem num outro verão e outras permanecem por muitas estações.

Mas o que nos deixa mais feliz é que as que caíram continuam por perto, continuam alimentando a nossa raiz com alegria. Lembranças de momentos maravilhosos enquanto cruzavam com o nosso caminho.

Desejo a você, folha da minha árvore, Paz, Amor, Saúde, Sucesso, Prosperidade...

Hoje e Sempre... simplesmente porque: "Cada pessoa que passa em nossa vida é única. Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Há os que levaram muito, mas não há os que não deixaram nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso".

Autor Desconhecido.


Marise.


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Primavera - Cecília Meireles




A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.


Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

Saiba tudo sobre a vida e a obra de
Cecília Meireles visitando "Biografias".


Imagens: Flores do meu quintal - em 22/09/2009.

Trem da vida

A blogagem coletiva "Uma carta para mim" do Blog Um pouco de mim da Elaine Gaspareto vai deixar saudades.
Parabéns Elaine!
Estivemos no mesmo trem no fim de semana, e aprendemos muito uns com os outros.
Compartilhamos a nossa vida ....

Analogia entre uma viagem de trem e a vida.




Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=JhHe5AJwuWY

domingo, 20 de setembro de 2009

Uma carta para mim


Mogi das cruzes, 20 de Setembro de 2009


Querida amiga Marise:


Como já faz muito tempo que nós nos conhecemos, tomo a liberdade de escrever-te algumas linhas. Sei que andas muito ocupada e não tens tempo para pensar em você. Mas existem momentos que precisamos parar para refletir e pensarmos juntas você e eu ( que sou você), precisamos dialogar.

Por falar em diálogo: Você sabe que dia é hoje? Que saudades... Revolução Farroupilha, muita festa no Rio Grande do Sul, e estou longe do Sul. Nas aulas de Sociologia ou Filosofia costumo falar da importância de cultivarmos as nossas tradições ( não interessa qual é o seu Estado ou País), temos que valorizar o que é nosso ( levo meu chimarrão nas aulas,como exemplo). Não podemos esquecer quem nós somos e nem de onde viemos. Posso dizer que não esqueço que nasci no interior do Rio Grande do Sul ( na zona rural de Victor Graeff). Passamos por muitas dificuldades e ao mesmo tempo fui muito feliz, e que se tivesse que passar por tudo isto outra vez, passaria... eu não quero ser outra pessoa . Eu quero ser eu, pois se eu fosse outra pessoa, não seria eu. Neste momento eu não poderia estar te escrevendo e nem você receberia a minha carta.

Temos que estar atentos nas nossas atitudes, pois tudo que fazemos interfere na vida das pessoas que convivem conosco. Fico feliz que você está sempre questionando as suas atitudes, sempre procurando melhorar e que és uma pessoa questionadora, cheias de perguntas a procura de resposta.

E agora, vais me perguntar por que estou te escrevendo esta carta?

Para matar a saudades e prestigiar a uma amiga virtual Elaine Gaspareto nessa blogagem coletiva.

E espero que esta seja a primeira de muitas carta que te escrevo.


Com carinho da amiga de todas horas:

Eu mesma, por mim mesma, Marise

sábado, 19 de setembro de 2009

Semana Farropilha

Chimarrão

Ricardo Chaves

Aprenda a preparar quatro tipos da bebida

Além do tradicional, conheça o
invertido, o formigueiro e o buraco alto.


Acesse o site da  Semana Farroupilha da Zero Hora.

Fonte: Jornal Zero Hora

Educação e autoridade por Lya Luft

"Um não na hora certa é necessário, e mais que isso: é saudável e prepara bem mais
para a realidade da vida".

Antes de uma palestra sobre Educação para algumas centenas de professores, um jornalista me indagou qual o tema que eu havia escolhido. Quando eu disse: Educação e Autoridade, ele piscou, parecendo curioso: "Autoridade mesmo, tipo isso aqui pode, aquilo não pode?". Achei graça, entendendo sua perplexidade. Pois o tema autoridade começa a ser um verdadeiro tabu entre nós, fruto menos brilhante do período do "É proibido proibir", que resultou em algumas coisas positivas e em alguns desastres – como a atual crise de autoridade na família e na escola. Coloco nessa ordem, pois, clichê simplório porém realista, tudo começa em casa.

Na década de 60 chegaram ao Brasil algumas teorias nem sempre bem entendidas e bem aplicadas. O "é proibido proibir", junto com uma espécie de vale-tudo. Alguns psicólogos e educadores nos disseram que não devíamos censurar nem limitar nossas crianças: elas ficariam traumatizadas. Tudo passava a ser permitido, achávamos graça das piores más-criações como se fossem sinal de inteligência ou personalidade. "Meu filho tem uma personalidade forte" queria dizer: "É mal-educado, grosseiro, não consigo lidar com ele". Resultado, crianças e adolescentes insuportáveis, pais confusos e professores atônitos: como controlar a má-criação dos que chegam às escolas, se uma censura séria por uma atitude grave pode provocar indignação e até processo de parte dos pais? Quem agora acharia graça seria eu, mas não é de rir.


Gente de bom senso advertiu, muitos ignoraram, mas os pais que não entraram nessa mantiveram famílias em que reina um convívio afetuoso com respeito, civilidade e bom humor. Negar a necessidade de ordem e disciplina promove hostilidade, grosseria e angústia. Os pais, por mais moderninhos que sejam, no fundo sabem que algo vai mal. Quem dá forma ao mundo ainda informe de uma criança e um pré-adolescente são os adultos. Se eles se guiarem por receitas negativas de como educar – possivelmente não educando –, a agres-sividade e a inquietação dos filhos crescerão mais e mais, na medida em que eles se sentirem desprotegidos e desamados, porque ninguém se importa em lhes dar limites. Falta de limites, acreditem, é sentida e funciona como desinteresse.


Um não é necessário na hora certa, e mais que isso: é saudável e prepara bem mais para a realidade da vida (que não é sempre gentil, mas dá muita porrada) do que a negligência de uma educação liberal demais, que é deseducação. Quem ama cuida, repito interminavelmente, porque acredito nisso. Cuidar dá trabalho, é responsabilidade, e nem sempre é agradável ou divertido. Pobres pais atormentados, pobres professores insultados, e colegas maltratados. Mas, sobretudo, pobres crianças e jovenzinhos malcriados, que vão demorar bem mais para encontrar seu lugar no grupo, na comunidade, na sociedade maior, e no vasto mundo.


Não acho graça nesse assunto. Meus anos de vida e vivência mostraram que a meninada, que faz na escola ou nas ruas e festas uma baderna que ultrapassa o divertimento natural ao seu desenvolvimento mental e emocional, geralmente vem de casas onde tudo vale. Onde os filhos mandam e os pais se encolhem, ou estão mais preocupados em ser jovenzinhos, fortões, divertidos ou gostosas do que em ser para os filhos de qualquer idade algo mais do que caras legais: aquela figura à qual, na hora do problema mais sério, os filhos podem recorrer porque nela vão encontrar segurança, proteção, ombro, colo, uma boa escuta e uma boa palavra.


Não precisamos muito mais do que isso para vir a ser jovens adultos produtivos, razoavelmente bem inseridos em nosso meio, com capacidade de trabalho, crescimento, convívio saudável e companheirismo e, mais que tudo, isso que vem faltando em famílias, escolas e salas de aula: uma visão esperançosa das coisas. Nesta época da correria, do barulho, da altíssima competitividade, da perplexidade com novos padrões – às vezes confusos depois de se terem quebrado os antigos, que em geral já não serviam –, temos muita agitação, mas precisamos de mais alegria.


Lya Luft é escritora


Fonte: Revista Veja - Edição 2131 - 23 de setembro de 2009.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Revolução na escola

Como o novo Enem vai mudar a forma de transmitir e avaliar o conhecimento nas instituições de ensino. E essas transformações começam na alfabetização

Por Francisco Alves Filho e Suzane G. Frutuoso

FOTOS: JULIA MORAES, FREDERIC JEAN - AG. ISTOÉ. AR

Uma nova educação está batendo às portas das escolas brasileiras. Com atraso, é verdade. Durante décadas nosso aprendizado permaneceu focado em ler, escrever e calcular. Educadores e governo esqueceram que o ser humano precisa de compreensão ampla sobre o cotidiano e o mundo para interagir de maneira saudável com a vida. Agora, o pensar será privilegiado no lugar do simples memorizar.
O novo conceito do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a ser testado nos dias 3 e 4 de outubro, será o passo decisivo de uma revolução na educação do País. Para os alunos se saírem cada vez melhor nele e terem a oportunidade de ingressar em universidades de qualidade, as escolas já estão repensando o jeito de ensinar, desde a educação infantil.



Confiança no conteúdo
Felipe e Andressa: bem preparados com o ensino do Vértice, em São Paulo

Em maio foi divulgada a reformulação da prova, criada em 1998. As alterações serão decisivas para boa parte dos cerca de 1,5 milhão de estudantes que ingressarão na universidade no ano que vem. Se antes as 63 questões cobravam organização de informações, interpretação de textos e gráficos, mas num apanhado de testes engessados por disciplinas sem diálogo entre si, na atual versão haverá uma divisão por áreas (leia quadro à pág. 84).
Isso exige raciocínio lógico, compreensão do conteúdo estudado no ensino médio e o uso do conhecimento de disciplinas distintas em uma mesma solução. A prova será mais trabalhosa, com 180 questões de múltipla escolha (além da redação), e em dois dias de testes.
O modelo é parecido com o SAT, elaborado em 1926, nos Estados Unidos, para o ingresso nas universidades americanas. Como o método prima pela excelência, a famosa decoreba não tem vez. Será assim também com o novo Enem. E é justamente o que obrigará as escolas a se adaptar.




"O saber é mutável e, hoje, atualizado com rapidez", diz Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Em curto prazo, memorizar é irrelevante. Iniciativa e entendimento devem ser estimulados."
Para isso, as instituições de ensino terão de oferecer aos estudantes a oportunidade de debater um mesmo assunto em várias matérias do currículo escolar, de maneira integrada. No Colégio Rio Branco, em São Paulo, temas da atualidade, como a gripe suína, são enfocados do ponto de vista da geografia, da matemática, da história, da sociologia.
"O excesso de fragmentação das disciplinas, transmitidas de modo isolado ao jovem, impede o aproveitamento significativo do aprendizado na vida dele", diz a diretora Esther Carvalho. Essa proposta de educação não é nova. A determinação existe há 11 anos, quando foram instituídas pelo Ministério da Educação (MEC) as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio.
Fora os colégios de elite das grandes metrópoles, que têm recursos para investimentos em pessoal e infraestrutura, a maior parte do sistema educacional não adotou os parâmetros. Com o Enem, as escolas foram forçadas a isso. "O exame se tornou uma cobrança oficial", afirma Heliton Ribeiro Tavares, diretor de Avaliação da Educação Básica do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Os professores também serão obrigados a se atualizar. Quem não voltar a estudar e valorizar a transmissão de um ensino inteligente, está fadado a ficar para trás. O aluno está antenado 24 horas por dia, por todos os meios possíveis, graças ao acesso à tecnologia.
Precisa, porém, aprender a organizar tanta informação. "Ele traz o novo ao professor", diz Gracia Klein, diretora pedagógica do Colégio Pentágono, em São Paulo. Esses profissionais não podem mais negar que os alunos pensam junto com o mestre.
Por exemplo, o professor que ignora a capacidade de quem alcança o resultado de uma equação por um caminho diferente da fórmula predeterminada não está aberto para a interação e o questionamento. E a figura autoritária não é respeitada pelo estudante do século XXI. Não é surpresa perceber que as escolas mais bem colocadas no ranking do Enem são justamente as que oferecem um ensino baseado na interdisciplinaridade e investem na formação da equipe.
Em São Paulo, professores de colégios badalados ganham em média R$ 7 mil, por 40 horas de aula semanais. Eles são titulados e recebem toda a estrutura necessária dos empregadores para aperfeiçoamento. "Depois da publicação dos resultados do Enem, escolas de outros Estados vêm nos visitar para conhecer a metodologia que aplicamos", diz Adilson Garcia, diretor do Colégio Vértice, o primeiro no ranking da capital paulista.
Em cinco anos, a escola passou de 600 alunos para 900, tamanha a procura. Para cada uma das 100 vagas oferecidas anualmente, há cerca de oito famílias interessadas. No Colégio São Bento, no Rio de Janeiro, primeiro colocado no ranking nacional do Enem, a constância do modelo de ensino é o que o leva ao sucesso. "Não preparamos o aluno para este ou aquele tipo de vestibular", diz Pedro Araújo, coordenador de ensino médio. "Procuramos dar uma preparação sólida."


Pensando no futuro
No primeiro ano do ensino médio, Caio já estuda com foco no processo de seleção para a universidade
Estudar numa escola com mestres motivados, bem estruturada e incentivadora do raciocínio traz confiança aos candidatos a uma futura vaga nas melhores universidades. "Estou sendo preparado desde já", diz Caio Becker, 16 anos, estudante do primeiro ano do ensino médio do Centro Educacional da Lagoa, no Rio de Janeiro.
Felipe Cabral, 17 anos, aluno do terceiro ano do Vértice, diz sentir segurança com o que aprendeu na escola para disputar uma das vagas de engenharia da computação em instituições de calibre. "Nenhum cursinho me prepararia melhor", afirma. Sua colega Andressa Mendonça, 17 anos, é da mesma opinião.
"Tive contato com pessoas de outras escolas e percebi que estou mais bem preparada", fala a jovem, que sonha com a carreira de arquiteta. O Enem se tornou um indicador de qualidade tão importante que pais de crianças já escolhem a escola dos filhos usando o ranking como critério.
Com dois filhos ainda no ensino fundamental, a arquiteta Carla Pimentel resolveu que eles deveriam ingressar numa escola que rendesse bons resultados no exame nacional. No ano passado, transferiu Maria Inês, 12 anos, e João Vitor, 14, para o Liceu Franco- Brasileiro, no Rio de Janeiro. "Escolhi o colégio porque está bem colocado no ranking", afirma. "Isso me dá a certeza de que há chances maiores de acesso a boas universidades e também no mercado de trabalho."
A preocupação é válida, mas precipitada. Primeiro por não existirem garantias - apesar de ser a hipótese mais provável - de que as escolas campeãs no Enem hoje continuem assim com o passar do tempo. Segundo, porque vale mais optar por uma instituição na qual os valores são semelhantes aos da família da criança.
"Não adianta colocar no colégio rígido por ser o melhor, se em casa a educação é mais liberal", diz Osmar Ferraz, coordenador de vestibular do Colégio Bandeirantes, em São Paulo. Por fim, deixar a criança numa escola em que ela não consegue acompanhar o ritmo puxado pode ser um massacre, que gera traumas e interfere na boa formação



Mobilidade estudantil
Para Miguel Jorge, concorrer em mais de uma universidade é vantagem da prova
"Com o novo Enem haverá uma democratização do acesso ao ensino superior. É um avanço"

Miguel Roberto Jorge, pró-reitor de graduação da Unifesp
Pais que desejam garantir uma educação de qualidade devem ficar atentos se a escola escolhida está adaptada às atuais regras do ensino fundamental. Antes, era obrigatório dos 7 aos 14 anos (da 1ª a 8ª série). A nova faixa etária vai dos 6 aos 14 anos (do 1° ao 9° ano). Além de um ano a mais de estudo, as diretrizes pedem espaço ao conceito de letramento, que significa ensinar as crianças a ler e escrever compreendendo a essência dos exercícios.
O raciocínio lógico também passa a ser valorizado desde cedo. É nessa linha que segue o Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Alunos), promovido a cada três anos pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que mede o conhecimento entre jovens de 14 e 15 anos de diversas nações. E o Brasil vai mal. No último resultado, de 2007, os alunos brasileiros obtiveram médias que os colocam, entre 57 países, na 53ª posição em matemática, na 48ª em leitura e na 52ª em ciências.
Outra característica inovadora do Enem é a possibilidade de o candidato concorrer com a mesma prova em até cinco universidades federais. Um avanço que aumenta as chances de ingresso em instituições qualificadas e diminui o gasto com inscrições de vestibular e em deslocamento para realizar o exame.
"Democratiza o acesso ao ensino superior", diz Miguel Roberto Jorge, pró-reitor de graduação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que utilizará a avaliação como forma de ingresso único em 19 dos 26 cursos. A mineira Diana Salma, 31 anos, entrou na faculdade de medicina da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) em 2008 apenas com os resultados do Enem. "Por esse critério, fiquei em 14º lugar", comemora. Malvina Tuttman, reitora da UNIRIO, vê mais uma vantagem. "O exame incentivará a mobilidade estudantil pelo território nacional."




Mas nem todos os educadores estão otimistas com as mudanças. Os críticos dizem que estudantes do Sudeste que não alcançarem pontuação para estudar nas faculdades de seus Estados terão nota suficiente para cursar as instituições do Norte e Nordeste, tomando o lugar dos candidatos dessas regiões.
"Vamos provocar justiça social, ao permitir acesso a candidatos de várias partes do País, ou injustiça social, ao permitir que alunos locais sejam excluídos por pessoas que se preparam em colégios caros?", questiona Roberto Salles, reitor da Universidade Federal Fluminense.
A discussão retorna à necessidade de um investimento de impacto no ensino público para que a desigualdade social, ao invés de aumentar, ganhe menores proporções. O programa Ensino Médio Inovador é um caminho.
O projeto pretende mudar a organização curricular das escolas das redes estaduais. As 100 instituições que apresentarem até 24 de setembro propostas de inovação receberão financiamento do MEC. A intenção é estimular a diversificação de atividades integradoras, com ênfase na formação cultural do aluno.
Em três anos, o MEC espera que o Enem seja o principal processo de seleção de universidades públicas e privadas. "Todas as instituições vão perceber que esse é o melhor método", garante Maria Paula Dalari, secretária de Ensino Superior. Por enquanto, muitas acreditam que seu vestibular tradicional é eficiente.
"Consideramos o nosso sistema consolidado", diz Márcia Abrahão, decana de graduação da Universidade de Brasília (UnB), que usa o Programa de Avaliação Seriada, no qual, por meio de convênios com as escolas locais, acompanha o desempenho dos alunos a cada série do ensino médio desde 1995. "Nosso vestibular já privilegia argumentação, competências e habilidades", diz André Sarmantini, vice-coordenador de graduação da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas.
"Mas, se o exame evoluir, podemos incorporá-lo." E a avaliação pode melhorar ainda mais. A ideia é que em 2010 a prova seja realizada em duas etapas, tomando novamente como exemplo o SAT americano, que acontece em sete fases. Não demandaria um imenso teste e os alunos se preparariam mais.
Caso a evolução do Enem se concretize, juntamente com as mudanças positivas prometidas para os ensinos fundamental e médio, a esperança é que em dez anos, cálculo dos especialistas ouvidos pela reportagem de ISTOÉ, a educação brasileira forme pessoas mais preparadas para a vida - e resulte em uma nação cada vez melhor.


"O ENEM VAI REORIENTAR O ENSINO"



O ministro da Educação, Fernando Haddad, falou à ISTOÉ sobre os reflexos do exame nas escolas.


ISTOÉ - Por que só agora, 11 anos após sua criação, o Enem chegou a esse novo formato?

Fernando Haddad -
O Enem, no seu formato original, falhou no seu principal propósito, que era acabar com o vestibular tradicional. As principais universidades não viam o Enem como um instrumento adequado para seus processos seletivos nem os secretários estaduais viam no exame o formato adequado para orientar o currículo do ensino médio. Daí a mudança foi necessária e, em minha opinião, recebeu apoio em função de ter sido um formato negociado, tanto com os secretários estaduais quanto com os reitores.

ISTOÉ - Algumas universidades, como o ITA, dizem que não vão aderir porque sua seleção dá certo. Em quanto tempo acredita que todas participarão?

Haddad
- Estamos prevendo para as universidades federais um processo de transição de três anos. Nesse primeiro ano, 50 instituições vão utilizar o Enem como fase única e 26 universidades públicas vão usá-lo como componente da nota. Compreendo que algumas instituições, por adotarem um processo seletivo adequado aos seus propósitos, não tenham a intenção, nesse momento, de fazer do Enem a base de seu processo seletivo.
"Hoje, em virtude do conteúdo excessivo, os professores têm pouca condição de aprofundar as disciplinas"

ISTOÉ - O sr. acredita que o conceito do novo Enem vai mudar o jeito de as escolas ensinarem?

Haddad -
Não tenho dúvida de que vai reorientar o ensino médio, fazendo com que diminua o conteúdo e permita o aprofundamento dos temas pertinentes a essa etapa de ensino. Hoje, em virtude do conteúdo excessivo, os professores têm pouca condição de aprofundar as disciplinas porque o currículo do ensino médio acabou se tornando uma espécie de sobreposição de programas de vestibular. É praticamente impossível não lançar mão de decorebas, fórmulas, etc., para dar conta da abrangência dos conteúdos que são cobrados nos milhares de vestibulares que ocorrem no País.

ISTOÉ - Quanto tempo a educação brasileira levará para mudar para melhor, graças ao novo conceito?

Haddad -
Minha expectativa é que o início da mudança ocorra a partir da adesão das universidades. Dependemos dessa adesão, para que o ensino médio consiga respirar aliviado, para cobrir um conteúdo mais inteligente, mais instigante. A velocidade da transição vai determinar a da mudança.
"Desde que as notas médias do Enem por escola foram divulgadas começou um movimento de adaptação".

ISTOÉ - Muitas escolas de elite que não se saíram bem na avaliação de 2007 subiram dezenas de posições em 2009. Como isso foi possível?

Haddad -
Na interlocução com diretores de escolas particulares e públicas, percebemos que, desde que as notas médias do Enem por escola foram divulgadas pela primeira vez, em 2006, começou um movimento de adaptação das instituições de ensino.

ISTOÉ - Os alunos de escolas públicas não continuam em desvantagem, já que o problema é a qualidade do ensino nessas instituições?

Haddad
- Em primeiro lugar, as escolas públicas têm um investimento por aluno equivalente a 10% do que se investe em média no estudante de escola privada. E recebem o aluno em condições socioeconômicas muito mais desfavoráveis. A família é um determinante da educação dos filhos. A distância existe, mas entendo que é superável. Fixamos metas até 2022 para que a escola pública se equipare em qualidade à escola particular - que atende apenas 12% da população.


Hugo Marques





Fonte: Revista Isto É

Selo: Seu blog é mágico



Recebi um selo! E ainda mais é mágico ;
do meu amigo Prof. Sérgio do Blog
Histórico- Filosóficas.
Obrigado Sérgio!


Para receber o selo, não basta colá-lo aí à esquerda. É preciso responder às 4 perguntas mágicas e indicar 5 blogs mágicos:


Uma música mágica: 500 miles – Peter Paul & Mary


Um filme mágico: "Escritores da Liberdade". (Freedom Writers, EUA, 2007).


Uma viagem mágica: Cruzeiro pelo Caribe.


Maquiagem mágica: sem maquiagem, eu mesma.


Resta-me espalhar a magia para 5 blog Mágicos:


Bichocarpinteiro

Ponderantes

Profe Elaine


Uma "Magia especial" para dois blogueiros muito jovens:


Blog da Lou da minha filha Louise.

Blog do Tomate do filho da Prof. Suely.


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Como estudar para o novo Enem?

Saiba como se preparar para o novo exame do MEC, que acontece nos dias 3 e 4 de outubro.

Foto: Stock
Garota estudando

Texto de Camilo Gomide

O Enem mudou. Mas nem tanto. Embora a estrutura da prova tenha sofrido transformações consideráveis - serão 180 questões, antes eram 63, mais a redação - seu objetivo de avaliar as competências e habilidades dos candidatos permanece. E isso é bom.

A intenção do MEC é fazer uma prova que privilegie o raciocínio e deixe de lado a decoreba. Se assim for, o aluno só tem a ganhar. Para tanto, a prova será dividida em 4 áreas do conhecimento: linguagens, códigos e suas tecnologias (incluindo redação); ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias e matemáticas e suas tecnologias, com 45 questões cada.

O simulado do Inep indica que o exame terá várias questões interdisciplinares, com bastante texto e interpretação. "O Enem sempre deu mais importância à leitura e ao raciocínio, nesse aspecto não mudou, mas agora vai cobrar o conteúdo visto em sala de aula", diz Adilson Garcia, diretor do Colégio Vértice, 10º colocado no último Enem. Para ele, o aluno não precisa ter "neuras" com a prova. Mesmo assim, mudanças sempre trazem incertezas e ansiedade. Quando se trata de provas de vestibular então, é pior ainda.

Faltando menos de dois meses para o Enem, a ansiedade começa a bater nos candidatos. Normal. O tempo é curto, mas ainda dá tempo de se preparar para o exame. O Educar para Crescer consultou coordenadores dos mais renomados cursinhos do país e levantou algumas dicas que podem ajudá-lo a ter um bom desempenho na prova.

Leia Também:
O Novo Enem
Para que serve o Enem?


Para ler, clique nos itens abaixo:
Faça simulados
Pensando no Enem, alguns cursinhos estão preparando provas nos mesmos moldes do exame: 180 questões mais redação, divididas em dois dias de prova, com 4 horas e meia de duração no primeiro dia e cinco horas e meia no segundo (dia da redação). Alguns desses cursinhos, como Anglo, Objetivo e Etapa, permitem que alunos de outras instituições também participem de seus simulados. Veja no site das instituições: Anglo, Objetivo, Etapa
Resolva provas de exames anteriores
As questões de referência divulgadas no simulado do Inep deram algumas pistas sobre como deve ser o novo exame. “Algumas perguntas têm um pouco mais de complexidade que as do Enem tradicional. Mas a preferência por alguns temas, como química ambiental, geometria e predominância da interpretação de textos na prova de português, continua. As habilidades que o Enem pretende avaliar ainda são as mesmas”, diz o coordenador geral do Etapa, Edmilson Motta. Portanto, estudar as provas de edições antigas do Enem ainda é uma boa maneira de se preparar. “É muito importante que os alunos façam as provas passadas. Isso deve acontecer durante todo o ensino médio”, afirma Adilson Garcia, diretor do Colégio Vértice. “Aqui, os alunos já fizeram todas as provas anteriores do Enem”.
Corra atrás do conteúdo
A prova do Enem acontecerá no mês de outubro, nos dias 3 e 4, um mês antes do término oficial das aulas da maioria dos colégios do país. Por conta disso, grande parte das escolas teve que antecipar o conteúdo dos alunos de terceiro ano. Para dar conta do recado, muitas fizeram aulas extras aos sábados ou em outros períodos. O sistema Anglo de ensino, por sua vez, desenvolveu vídeo aulas especialmente para o Enem. O conteúdo é aberto a todos na TV Web do portal. Todo esse esforço dos colégios, no entanto, só terá resultado se os alunos souberem aproveitar o material. “Por meio desses vídeos, os alunos podem estudar fora da aula. O estudo precisa ser complementado em casa. O ideal é dedicar o mesmo número de horas na escola para o estudo em casa”, alerta Nicolau Marmo, coordenador geral do sistema Anglo de ensino. Se estiver bem preparado, o aluno não tem o que temer. “O Enem é uma prova como qualquer outra, é até um pouco mais fácil”, tranqüiliza Marmo.
Desenvolva a capacidade de interpretar diferentes informações
O novo Enem será mais complexo que o anterior, pois abordará mais tópicos do conteúdo do ensino médio. Mesmo assim, a interpretação de textos, dados e figuras ainda é muito importante para a resolução da prova. “O aluno que presta o Enem tem que saber interpretar bem textos, gráficos, imagens, tabelas, tirinhas, etc. Essa deve ser a primeira preocupação. Para isso tem de treinar bastante, ler muito e fazer provas desse tipo”, explica a professora Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora geral do Objetivo.
Controle a ansiedade

domingo, 13 de setembro de 2009

Os grandes pensadores da Educação

Tão antigo quanto a Filosofia, o pensamento educacional se desdobra em várias correntes, mas suas raízes estão fincadas na Grécia Antiga.

Texto
Gabriel Grossi

Foto: Divulgação

Foto: O 'Homem Vitruviano', de Leonardo da Vinci, tornou-se o ícone da cultura renascentista
O ' Homem Vitruviano', de Leonardo da Vinci, tornou-se o ícone da cultura renascentista.

Por trás do trabalho de cada professor, em qualquer sala de aula do mundo, estão séculos de reflexões sobre o ofício de educar. Mesmo os profissionais de ensino que não conhecem a obra de Aristóteles (384-322 a.C.), Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) ou Émile Durkheim (1858-1917) trabalham sob a influência desses pensadores, na forma como suas idéias foram incorporadas à prática pedagógica, à organização do sistema escolar, ao conteúdo dos livros didáticos e ao currículo docente.

Antes mesmo de existirem escolas, a educação já era assunto de pensadores. Um dos primeiros foi o grego Sócrates (469-399 a.C.), para quem os jovens deveriam ser ensinados a conhecer o mundo e a si mesmos. Para seu discípulo Platão (427-347 a.C.), o conhecimento só poderia ser alcançado num plano ideal e nem todos estariam preparados para esse esforço. Aristóteles, discípulo de Platão, inverteu as prioridades e defendeu o estudo das coisas reais como um meio de adquirir sabedoria e virtude. O sistema de ensino que ele preconizou era acessível a um número maior de pessoas.

Abaixo estão listadas as 45 personalidades que mudaram o jeito de pensar e fazer educação:

Alexander S. Neill
Anísio Teixeira
Anton Makarenko
Antonio Gramsci
Aristóteles
Auguste Comte
B. F. Skinner
Carl Rogers
Célestin Freinet
Comênio
Condorcet
Donald Winnicott
Edgar Morin
Édouard Claparède
Émile Durkheim
Emilia Ferreiro
Erasmo de Roterdã
Florestan Fernandes
Friedrich Froebel
Friedrich Nietzsche
Hannah Arendt
Henri Wallon
Herbert Spencer
Howard Gardner
Jean Piaget
Jean-Jacques Rousseau
Johann Friedrich Herbart
Johann Heinrich Pestalozzi
John Dewey
John Locke
Karl Marx
Lawrence Stenhouse
Lev Vygotsky
Maria Montessori
Martinho Lutero
Michel de Montaigne
Michel Foucault
Ovide Decroly
Paulo Freire
Pierre Bourdieu
Platão
Roger Chartier
Santo Agostinho
Sócrates
Tomás de Aquino

Leia também: Na vanduarda da Educação

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A culpa é do(a) professor(a)?


Entrevista publicada na edição nº 401 do Mundo Jovem, outubro de 2009.
Sérgio Haddad
Na mídia, notícias sobre educação são publicadas não mais apenas em cadernos de ensino, mas também nas páginas policiais, desvelando agressões e agredidos. A luta a favor de melhores condições de trabalho coloca frente a frente o professorado e os governos. Entre tantas situações contemporâneas, pensar a atuação docente é um grande desafio, o qual deve mobilizar a todos nós.
O professor Sérgio Haddad, revela os desafios dessa importante profissão e nos convida a “transver” o mundo sob o olhar atento à recriação do papel dos(as) professores(as).


Sérgio Haddad,
professor, coordenador-geral da ONG Ação Educativa.
Endereço eletrônico: sergiohaddad@terra.com.br


Mundo Jovem: É possível afirmar que hoje há uma certa desvalorização do(a) professor(a)?

Sérgio Haddad: O processo de desvalorização vem junto com a universalização da escola, principalmente no Ensino Fundamental. Na medida em que houve uma abertura de vagas muito grande, e esta abertura foi feita com um volume de recursos que não acompanhou as necessidades. Simplesmente aumentaram o número de alunos na sala de aula, aumentaram as turmas, aumentaram as classes, enfim, um aumento de despesas não correspondentes. E o professor sofreu muito com isso e pagou com sua desvalorização.


Mas por que se culpa o(a) professor(a)?

Sérgio Haddad: Eu acho inclusive que, hoje, o(a) professor(a) passou a ser criminalizado. Antigamente você dizia o seguinte: com a universalização, a escola pública ficou pior, porque os pobres entraram na escola, a criança não tem experiência escolar, os pais não têm experiência escolar, então você empobreceu a escola pública. Naquela época culpabilizavam os alunos. Agora, o processo é outro.

Qualquer questão é um problema do(a) professor(a), com suas disponibilidades, com suas dificuldades. Ele(a) é o(a) grande responsável por todos os problemas que acontecem na escola. E não é bem assim, afinal existe uma quantidade de fatores que impactam a qualidade da escola pública, e nós não podemos deixar na mão do(a) professor(a) a única responsabilidade disso.

É comum ver nas páginas dos jornais e nos discursos dos governantes a responsabilização do professorado pela insuficiência da qualidade do ensino, alegando formação deficiente, absenteísmo e falta de compromisso pessoal com a carreira. A consequência imediata é a ausência d participação dos docentes nos debates públicos e na formulação das políticas, ficando na mão dos órgãos centralizados e dos especialistas o papel de conceber e formular ações pedagógicas, relegando ao professorado o papel mecânico de aplicar tais ações.


Isso não compromete o papel de educador(a)?

Sérgio Haddad: No novo cenário, eles(as) passam a ser o principal “bode expiatório” dos insucessos dos sistemas de ensino, recebendo a pecha de incompetentes e/ou descomprometidos, em grande parte do discurso de gestores e da imprensa. Parece evidente que tal deslocamento tem a ver com a mudança no perfil socioeconômico do professorado, decorrente da massificação da escola. Ele passa a ser composto por uma parcela cada vez maior de mulheres oriundas das classes populares, com participação crescente de afrodescendentes.

Diante desse cenário, impõe-se o desafio de compreender e denunciar os significados políticos e consequências pedagógicas desse processo de culpabilização dos(as) professores(as) e, principalmente, de fazer frente a ele, produzindo uma contraideologia nos marcos dos direitos humanos, da democracia e da justiça social. É fundamental desenvolver estudos, implantar políticas e apoiar iniciativas dos próprios professores e professoras que contribuam para a recriação de seu papel como educadores e servidores públi cos, intelectuais, ao mesmo tempo autônomos e comprometidos com um projeto republicano de educação pública de qualidade para todos.


O que tem a ver a classe social e a etnia das professoras?

Sérgio Haddad: O trabalho do professor foi feminilizando mais do que era. E mais do que isso, ele tem incorporado cada vez mais pessoas negras e pardas. São essas pessoas que estão dando conta e estão trabalhando nas escolas públicas. Por isso temos que tomar cuidado, porque nós podemos estar próximos de uma criminalização do professor que tem por trás toda uma visão machista, preconceituosa, racista, que a sociedade tem em relação ao professor.


E os casos de violência na escola, especialmente contra o(a) professor(a)?

Sérgio Haddad: As brigas na escola sempre aconteceram. Mas hoje tem a televisão que está dando uma dimensão muito grande a esses fatos. E temos que ter um pouco de cuidado com isso.

Eu diria que a violência não é uma característica da escola, e sim de toda a sociedade. Os casos de violência na sociedade, de maneira geral, cresceram: os muros subiram, as grades subiram, o número de vigilância privada cresceu... E a escola não é imune a esse comportamento da sociedade. Cresceu a falta de respeito entre pais e filhos, mudou o tipo de relação e isso também mudou na sala de aula. Daí muda também a característica da relação de respeito com o professor. A unidade escolar é um laboratório do que está na sociedade. O aluno não está isento e isso é que a gente vê refletido na escola.


Você identifica um processo de mercantilização da educação?

Sérgio Haddad: Eu acho que na medida em que os interesses privados entram na escola, você começa a ter algo que diz respeito menos ao sentido público dessa escola e mais ao que é diretamente ligado à questão privada. Um exemplo: hoje cada vez mais você vê sistemas educacionais entrarem nas redes públicas, subsídios privados, que botam apostilas, vendem aulas públicas que acompanham pelos telões, acompanhamento pela internet... E tudo isso vai criando uma visão muito própria e tirando do(a) professor(a) a capacidade de produção, de criação. É uma coisa dada, não é a experiência do(a) professor(a). Quando você tira isso da mão dele(a) e entrega para pessoas que produzem, você acaba privatizando de alguma forma o processo educacional. Você tira a ação pública desse(a) professor(a) para interesses privados de alguns deles, sob o ponto de vista da sua perspectiva pedagógica, da sua autonomia como profissional..


Há pesquisas que constatam que um grande número de professores sofre com problemas de saúde. A que se pode atribuir isso?

Sérgio Haddad: É um reflexo das condições de trabalho, dessa violência etc. Talvez em nenhuma outra profissão ou em poucas profissões você tenha que ficar frente a frente com um conjunto de 30, 40 pessoas, num confronto, dando conta de algo que é de difícil realização, pressionado de fora para dentro, culpabilizado pelo seu trabalho. É natural que isso afete a pessoa. E imagino que os alunos também se sintam “pesados” com essa situação.


A partir das mudanças do mundo, há uma exigência que o(a) professor(a) também mude?

Sérgio Haddad: Todo professor tem que se atualizar. Todo o processo de mudança social ou tecnológica tem que ser incorporado e o(a) professor(a) tem que ter condições de fazer isso. Se ele(a) estiver ocupado o tempo todo em dar aulas porque precisa sobreviver, vai ter dificuldade para se atualizar. Então é preciso que se deem as condições e se crie a disponibilidade para isso.


A valorização também passa pela remuneração. É importante estabelecer um piso salarial para o magistério?

Sérgio Haddad: É extremamente necessário. Mesmo assim, 950 reais para o ano que vem e para 2011 representam muito pouco. E ainda assim há governantes que entram na justiça para não pagar esse piso. É de chorar...


A luta do professor tem sido uma luta de classe. A sociedade civil, os pais, os alunos não deveriam se engajar mais na defesa da educação e dos educadores?

Sérgio Haddad: Essa talvez seja a grande questão: por que a luta da educação é uma luta somente do professor e do sindicato? Por que os pais não se mobilizam para isso? Pesquisas nacionais dizem que os pais estão satisfeitos com a educação. Talvez porque não tenham experiência. Hoje, de fato, as pessoas têm mais escolaridade do que antigamente. As novas gerações têm mais escolaridade do que a geração anterior, e isso já é um ganho. Talvez essa possa ser uma explicação. E acho que se a escola se abrir mais para os pais, se os pais puderem estar mais dentro dela, poderá haver maior engajamento. O próprio sindicato se fecha, não há diálogo com os pais. Teria que se estabelecer uma grande parceria com os pais.


Com tantas cobranças e tantas dificuldades, ser professor(a) é uma atitude heroica?

Sérgio Haddad: Eu diria que hoje, apesar dessas condições, ser um profissional nessa área já é uma grande vitória. Quem se submete a trabalhar nessas condições que estão colocadas para o(a) educador(a)? Precisa realmente ter muita vontade de perseverar e tentar realizar o seu trabalho. E acho que grande parte dos(as) professores(as) tem essa característica.


Que importância teve
o(a) professor(a) para você?

Eu não seria leitor, escritor ou cronista se não fossem algumas professoras que marcaram minha vida e me mostraram o prazer da leitura. Eram professoras incríveis, porque tinham um olhar para dentro do aluno, e isso que eu gostaria que os professores tivessem. É muito complicado, eu sei que hoje é difícil, mas olhem para cada um, mesmo aquele mais rebelde, o mais chato, o mais quieto... Alguma coisa nele tem que o leva a ser daquele jeito. Se o professor não tiver paixão pelo que faz, se não for entusiasmado, se não gostar da escola, mesmo com todas as dificuldades... Mas o que não é difícil? Tudo é difícil. Mas aquela é sua missão, aquele é seu ofício, então se jogue dentro dele, procurando transformar.


Ignácio de Loyola Brandão,
escritor.

Não é tarefa difícil escrever sobre a importância que os professores tiveram em minha vida. Na verdade há que falar sobre a importância que ainda têm, pois continuo como aluna, numa pós-graduação sobre neuropsicologia. Além de nos encantar com o conhecimento que possuem, professores nos estimulam a construí-los. Além de nos assombrar com o muito que há para aprender, professores nos fazem pensar e desejar. Ao pensar, fazemos uma releitura de mundo e ao desejar nos humanizamos, valorizando nossas emoções e as energias que nos impulsionam. Todas as homenagens seriam poucas, pois como educadores que são, os professores nos ensinam a estabelecer relações com o saber. E tais relações são sempre positivas e oportunas.

Rosita Edler Carvalho,
doutora em Educação pela UFRJ e escritora.


Fonte: Jornal Mundo Jovem - edição nº 401 - outubro de 2009

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