quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo!!!




A vida é o dever que nós trouxemos 
para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor 
da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, 
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, 
pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo:

 Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo, pois a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais"

Mário Quintana

Feliz Ano Novo!!!
2011... e todos os dias da sua vida.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Nova Escola Especial - Grandes Pensadores (link)




Pensar a escola, uma aventura de 2 500 anos 


O mestre em busca da verdade


O primeiro pedagogo 


O defensor da instrução para a virtude


O idealizador da revelação divina 


O pregador da razão e da prudência 


O porta-voz do humanismo


O autor do conceito de educação útil


O investigador de si mesmo 


O pai da didática moderna 


Um explorador do entendimento humano 


O filósofo da liberdade como valor supremo 


O teórico que incorporou o afeto à sala de aula 


O organizador da pedagogia como ciência

  

O formador das crianças pequenas


O homem que quis dar ordem ao mundo


O filósofo da revolução


O ideólogo da luta pela vida


O criador da sociologia da educação 


O pensador que pôs a prática em foco


A médica que valorizou o aluno


O primeiro a tratar o saber de forma única


Um pioneiro da psicologia infantil 


O educador integral 


O promotor da felicidade na sala de aula 


O professor do coletivo 


Um apóstolo da emancipação das massas


O mestre do trabalho e do bom senso


O biólogo que pôs a aprendizagem no microscópio


O teórico do ensino como processo social


O inventor da escola pública no Brasil 


Um psicólogo a serviço do estudante


O cientista do comportamento e do aprendizado


A voz de apoio à autoridade do professor 


Um militante do ensino democrático


O mentor da educação para a consciência


O arquiteto da complexidade


Um crítico da instituição escolar


O defensor da pesquisa no dia-a-dia


O investigador da desigualdade


A estudiosa que revolucionou a alfabetização


O cientista das inteligências múltiplas

 Fonte: Revista Nova Escola - Julho 2008

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal a todos!!!

video

  
Para não ser Triste

Quero ver você não chorar,
Não olhar para trás,
Nem se arrepender do que faz.
Quero ver o amor vencer
E se a dor nascer,
Você resistir e sorrir.
Se você pode ser assim,
Tão enorme assim eu vou crer
Que o Natal existe
E ninguém é triste
Que no mundo há sempre amor.
Bom Natal, um feliz Natal,
muito amor e paz pra você,
pra você.


Canção da América - Milton Nascimento

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Dr. Içami Tiba destaca vinte e seis importantes tópicos para Pais e Mães


Dr. Içami Tiba, Médico Psiquiatra, palestrante, membro eleito do Board of Directors of the International Association of Group Psychotherapy. Conselheiro do Instituto Nacional de Capacitação e Educação para o Trabalho "Via de Acesso". Professor de cursos e workshops no Brasil e no Exterior.
Em pesquisa realizada em março de 2004, pelo IBOPE, entre os psicólogos do Conselho Federal de Psicologia, os entrevistados colocaram o Dr. Içami Tiba como terceiro autor de referência e admiração - o primeiro nacional.

1º- lugar: Sigmund Freud;
2º- lugar: Gustav Jung;
3º- lugar: Içami Tiba.

1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é para sempre.

2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar com internet, som, tv, etc...

3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.

4. É preciso confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.

5. Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem. Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento da prevenção que a camisinha proporciona.

6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai determinar que não haverá um passeio, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinqüente.

7. Em casa que tem comida, criança não morre de fome. Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto quem tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e o que comer.

8. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.

9. É preciso transmitir aos filhos a idéia de que temos de produzir o máximo que podemos. Isto porque na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio: não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0.

10. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente.

11. A gravidez é um sucesso biológico e um fracasso sob o ponto de vista sexual.

12. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para fazer uso da droga. A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve 'abandoná-lo'.

13. A mãe é incompetente para 'abandonar' o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.

14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.

15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.

16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se for mal na faculdade.

17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.

18. Muitas mães são desequilibradas ou mesmo loucas. Devem ser tratadas. (palavras dele).

19. Se a mãe engolir sapos do filho, ele pensará que a sociedade terá que engolir também.

20. Videogames são um perigo: os pais têm que explicar como é a realidade, mostrar que na vida real não existem 'vidas', e sim uma única vida. Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.

21. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.

22. Pais e mães não pode se valer do filho por uma inabilidade que eles tenham. 'Filho, digite isso aqui para mim porque não sei lidar com o computador'. Pais têm que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível pagarem para falar com o filho que mora longe.

23. O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que o deixar, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.

24. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.

25. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que mostrar qual é o consumo (KWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem de dizer quanto isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.

26. Dinheiro 'a rodo' para o filho é prejudicial. Mesmo que os pais o tenham, precisam controlar e ensinar a gastar. 

domingo, 19 de dezembro de 2010

Modelo de planilha para organizar os dados dos alunos

Baixe o arquivo de uma planilha para preencher com os dados dos alunos da sua escola e visualizar informações em gráficos

Primeiro passo: download do arquivo
 

Clique aqui para baixar o arquivo da planilha pré-formatada e salvá-lo em seu computador. Em seguida, abra o arquivo em um editor de planilhas (Excel, Spreadsheet ou Calc, por exemplo).

Segundo passo: preenchimento dos dados

O arquivo possui quatro planilhas. A primeira se chama "Dados dos alunos" e deverá ser alimentada com as informações da ficha de matrícula, preenchida pelos pais ou responsáveis (confira um modelo de ficha de matrícula). Nas outras três você encontrará essas mesmas informações organizadas em gráficos.

Para passar de uma planilha para outra, basta clicar nas abas que ficam na parte inferior do arquivo, como mostra a figura:


Terceiro passo: visualização dos dados
 

Confira nas planilhas "GRÁFICOS - DADOS DOS ALUNOS", "ESCOLARIDADE DOS ALUNOS" e "DADOS DA FAMÍLIA" os gráficos que revelam o perfil dos alunos  da sua escola. Eles vão facilitar análises quantitativas e qualitativas, subsidiando as decisões que você e toda a equipe deverão tomar ao longo do ano letivo.



Mais sobre ficha de matrícula

Reportagens

As informações preciosas das fichas de matrícula dos alunos
Como usar as informações das fichas de matrícula
Esses dados valem ouro
Documentos úteis para o gestor escolar

Fonte: Gestão Escolar

sábado, 18 de dezembro de 2010

Papai Noel versus Menino Jesus, por Ari Riboldi*



Em pesquisa entre crianças e jovens sobre o motivo do Natal, chega-se a uma unanimidade: Papai Noel. Raros vinculam a data ao nascimento de Jesus. Na verdade, hoje é uma surra acachapante do velhinho sobre o Deus menino. Vamos à história. Natal, do latim “natalis dies”, é o dia do nascimento de Jesus. Entre os pagãos, era uma festa ao sol, no hemisfério Norte, de 21 a 23 de dezembro, quando o sol atinge o maior grau de distanciamento do Equador (solstício). Mais tarde, foi substituída pelas comemorações cristãs do nascimento de Jesus. A fixação em 25 de dezembro ocorreu, no século IV, com o Papa Júlio I. A tradição do Papai Noel está ligada a São Nicolau, bispo na Turquia entre os anos 280 e 345. Sua vida é cercada de lendas que o retratam como pessoa bondosa, que dava muitos presentes. Após sua morte, começou a ser cultuado por toda a Europa. É o padroeiro da Rússia, onde tem o nome de Nicolas. Os reformadores nórdicos do século XVI, contrários à devoção aos santos, substituíram São Nicolau pela figura do Papai Noel. Segundo a tradição, ele parte do Polo Norte, coberto de neve, em cima de um trenó cheio de presentes e puxado por renas, na velocidade do pensamento, passa de casa em casa para entregar presentes às crianças que durante o ano foram obedientes. 

Atualmente, o Papai Noel é soberano. Graças ao marketing do consumismo e o milagre dos ambientes climatizados do shopping, sua figura conquistou a todos, mesmo num país tropical, sem frio e neve. É sinônimo de Natal, presentes e motor do consumo. Satisfaz a voracidade de crianças e adultos. E saber que, há menos de 50 anos, na infância de tantas pessoas, no meio rural, quem trazia os presentes era o Menino Jesus. Passava de casa em casa, com seu burrinho. Ao lado do rústico presépio, cada um colocava o seu chapéu, e dentro dele grãos de milho. Era o alimento para o burrinho ter forças e seguir viagem. No dia seguinte, o milho desaparecera e lá estavam os singelos presentes. Sei que o Menino Jesus não é um bom garoto propaganda nem combina com shopping, templo do consumo. Não prego que se desbanque o Papai Noel. Não há como se insurgir contra o consumismo. É inevitável e move o mundo. Longe de mim também fazer prevalecer aspectos religiosos. Isso fica para cada um. Quero apenas lembrar que o Natal celebra o nascimento de Jesus. E, paralela aos presentes, pode nascer uma onda de fraternidade entre os homens, capaz de levar solidariedade e vida mais digna aos que apenas sonham com o Noel e nunca tiveram a ventura de sua visita.

* Ari Riboldi  - Professor e escritor.
Artigo publicado no Jornal do Comércio de 17/12/2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sobre emoção e compromisso, por Luis Carlos de Menezes

Ensinar bem requer, além de conhecimento e competência, doses de responsabilidade e envolvimento emocional.

Luis Carlos de Menezes (novaescola@atleitor.com.br)

"Quando as dificuldades e as conquistas
são compreendidas como sendo da equipe
escolar, surge a paixão pelo bom trabalho."

Profissionais que lidam diretamente com a condição humana, como pediatras e psicólogos, sempre precisaram de compromisso pessoal tanto quanto de capacidade diagnóstica e terapêutica. Outros, como cozinheiros ou músicos, além de domínio técnico e instrumental, dependem de emoção e sensibilidade para sua criação cultural. Já os profissionais de Educação, ao lado de conhecimentos e técnicas pedagógicas, precisam de ambas as demais condições, ou seja, tanto de compromisso pessoal como de envolvimento emocional para promover o desenvolvimento cultural e socioafetivo dos estudantes para os quais lecionam.

Aliás, a expectativa de que professores reúnam qualidades esperadas dos dois grupos de profissionais citados acima é cada vez maior. Afinal, hoje educadores precisam de um engajamento profissional e pessoal diferente daquele que bastava no tempo em que alunos aguardavam atentos e perfilados para receber os mestres. Conduzir atividades coletivas com turmas não habituadas ao convívio respeitoso, ensinar com textos crianças que vivem em ambientes onde pouco se lê ou comunicar-se com jovens, competindo em desvantagem com os celulares e a web, são exemplos de tarefas que exigem as condições já mencionadas.

Essas condições difíceis e tão frequentes resultam em perplexidade e queixas se forem consideradas alheias à responsabilidade pedagógica. Se vistas como contingências do trabalho, entretanto, servem para contextualizar o aprendizado, suprir carências identificadas e produzir desafios estimulantes, que conduzam a uma disciplina de participação ativa, e não de atenção passiva. O mesmo vale para tratar casos de defasagem ou indisciplina que, em lugar de serem vistos como uma responsabilidade exclusiva dos alunos, possíveis candidatos à repetência ou à exclusão, devem ser enfrentados como um problema da escola por professores realmente comprometidos em garantir a todos o direito de aprender.

É compreensível que isso seja visto como uma situação idealizada por professores que encarem esses desafios em seu dia a dia, mas trabalham em condições que não permitem adotar o comportamento esperado. Sabendo disso, podemos nos questionar o que é preciso para que todos assumam o pleno compromisso de adotar um real envolvimento pessoal com seu trabalho. A chave para tratar essa questão está no "com" da palavra compromisso, que indica reciprocidade e intenção firmada em conjunto - no caso, para cumprir uma responsabilidade social, realizando uma tarefa complexa que demanda envolvimento humano.

Diferentemente da relação entre psicólogo e paciente, não é só com o aluno que o professor se compromete, mas com seu coletivo de trabalho na instituição escolar. E, mais do que na relação do artista com a obra, a sensibilidade e a emoção também se expressam nas relações de uma comunidade de educadores e educandos, não como manifestação individual. Se faltar a responsabilidade assumida em conjunto, com respeito e condições de trabalho, a coletividade perde sintonia ou nem se concretiza, a condução do ensino se torna burocrática e descompromissada, e a sensação dominante passa a ser de apatia, quando não de frustração - tanto dos professores como de seus alunos.

Mas, quando a ação educativa se dá em uma comunidade escolar solidária em suas responsabilidades e na qual dificuldades e conquistas são compreendidas como sendo de toda a equipe, surge a paixão pelo bom trabalho e isso também envolve os alunos. Essa é a condição primeira para a existência de uma verdadeira escola, o que não resolve todos os seus problemas nem elimina tropeços e dramas inevitáveis em qualquer atividade humana, mas cria as condições para que o educar seja realizado como deve - com compromisso e emoção.

 É físico e educador da Universidade de São Paulo (USP).

Fonte: Revista Nova Escola

sábado, 11 de dezembro de 2010

Enem: avaliando o avaliador, por Esther de Almeida P. M. Carvalho

Com relação ao Enem, em especial suas versões 2009 e 2010, uma sequência de descompassos tem abalado a credibilidade de um exame que envolve mais de três milhões de estudantes, em todo o Brasil, e põe em risco conceitos importantes que podem impactar na melhoria de nosso sistema educacional. Ao longo de sua história, o Enem passou por mudanças importantes, desde sua implantação, em 1998. Assumiu finalidades distintas e não complementares: ser um exame voltado para a avaliação do desempenho individual ao final da educação básica, com caráter de adesão individual e optativo, e, ao mesmo tempo, um instrumento classificatório e seletivo para o acesso ao ensino superior. A falta de comparabilidade entre os exames por dez anos, seu caráter optativo e, ao mesmo tempo, a publicação de resultados dos alunos a partir de 2005 geraram impacto significativo nas instituições de ensino, pois a prova passou a ser, socialmente, conhecida como um instrumento de avaliação de instituições, mesmo não tendo características técnicas para cumprir esse papel.

Em 2009, com o ano letivo em pleno andamento, houve a decisão de se alterarem as regras, o formato e o propósito do Enem, acentuando seu caráter classificatório e seletivo, ao vinculá-lo ao processo de ingresso nas universidades federais. Ao período de surpresa inicial seguiram-se momentos de indefinições e impactos, traduzidos no aguardo da adesão ao exame pelas universidades federais, na alteração da data de aplicação de agosto para dezembro e na compreensão da nova estrutura da avaliação, culminando com o adiamento da prova, a dois dias de sua execução, por motivo de fraude. Instituições de educação básica, em todo o País, mobilizaram-se para acolher e preparar seus alunos para a transição que se impunha, sem cuidado, por parte de seus propositores, que transformaram grandes ideias em precários processos.
Indefinições, ao longo do ano de 2010, quanto ao período de realização da prova, que ficou, novamente, para o final do ano, próximo à data de grandes vestibulares, vazamento de dados sigilosos dos alunos por parte do site do INEP, problemas de impressão dos cadernos e dos gabaritos e o despreparo para tratar contingências comprometeram a credibilidade do Enem, não quanto ao seu propósito, mas quanto à condição dos órgãos competentes de implementar, com qualidade, avaliação de tamanha envergadura.
No caso do acesso ao ensino superior, temos exemplos bem-sucedidos, como o Scholastic Assessment Test (SAT), aplicado nos Estados Unidos. O exame apresenta características fundamentais para seu sucesso: seu caráter compulsório a todos os que quiserem ingressar no ensino superior, a oferta de várias oportunidades de realização ao longo do ano e a descentralização da aplicação da prova, utilizando a mesma técnica contida no atual Enem, que é a Teoria de Resposta ao Item (TRI). Essa prova é aplicada, inclusive em outros países, como o Brasil, a todos os alunos que buscam ingressar em universidades americanas.

Os pressupostos pedagógicos do Enem, de avaliar competências e habilidades, de preconizar novas diretrizes para o ensino médio, o estabelecimento de indicadores que orientem políticas públicas e norteiem as escolas, assim como a criação de processos nacionais de seleção à universidade, são elementos importantes, capazes de contribuir para a melhoria do sistema educacional como um todo. Portanto, devem ser perseguidos. Assim, o que está em descrédito não é o Enem em si, mas a forma como as mudanças vêm sendo conduzidas, com prazos e processos inadequados, que levam a fragilidades técnicas e operacionais. Fazendo uma metáfora com a rotina escolar, o processo de aplicação do Enem está em recuperação.


Texto de Esther de Almeida P. M. Carvalho, diretora-geral do Colégio Rio Branco, de São Paulo (SP).
E-mail: estherc@crb.g12.br

Fonte: Jornal Virtual 198 - 10122010  - Revista Profissão Mestre

sábado, 4 de dezembro de 2010

Interdisciplinar: o que é isso?



Embora a palavra seja bonita e até difícil de pronunciar, percebemos que pouco sabemos de seu real sentido. Estudamos, lemos, debatemos e até nos arriscamos a falar sobre o assunto. No entanto, quando chega a hora de colocar em prática, não é difícil perceber que a realidade está bem distante do tema proposto.
Não é de hoje que teóricos como Kilpatrick, Dewey e outros sonharam com esse ideal. Tantos outros vieram depois deles, no exterior e no Brasil. Eles têm sonhado e tentado, da mesma forma, colocar em prática a interdisciplinaridade. Não podemos esquecer que a interdisciplinaridade tem a ver com a vida. É o processo de ensino-aprendizagem que prepara para o enfrentamento dos problemas do dia a dia. Esse é seu principal objetivo e, se colocado em prática, traz os resultados esperados. Se sabemos disso, por que, então, é tão difícil exercer a interdisciplinaridade?
A escola, como a conhecemos hoje, estruturou-se de tal forma segmentada, que se torna difícil alterá-la. A dificuldade se expressa, em primeiro lugar, na formação dos profissionais da educação. Esses profissionais, tão importantes e necessários, já vêm para o exercício de sua função com uma preparação segmentada. Desde a infância, frequentaram uma escola segmentada. Ao se prepararem para o magistério, sua formação continuou a ser segmentada. De um dia para o outro, eles se vêm diante da necessidade de exercer uma função para a qual não foram preparados. Seus orientadores, professores, mestres e até doutores quase sempre também não sabem o que é ser interdisciplinar. Há de se notar ainda, embora não se justifique, a vida difícil que leva o professor, tendo sua carga horária mais que completa, o que o impede de ter uma formação continuada, o que muitos desejariam.
Muitos profissionais que trabalham de forma interdisciplinar o fazem por perceber essa necessidade e tentam se adaptar a ela, transformando suas aulas em momentos de ensino-aprendizagem significativos para o aluno. Não é novidade para nós, educadores, que ninguém aprende aquilo que não quer aprender. Assim, o educador que consegue exercer a interdisciplinaridade pode considerar-se vitorioso e, sem dúvida, terá a atenção e o interesse em seus alunos, já que a interdisciplinaridade tem a característica de produzir o interesse e o desejo de aprender, porque coloca o aluno em contato com os problemas que enfrenta ou enfrentará em sua própria vida.
Vem-me à lembrança a figura do pedagogo como aquele que conduzia, antigamente, um único educando. Sua função era a de preparar, em todos os sentidos, aquele ser que lhe era confiado. É bem provável que essa figura exercesse sua função de forma interdisciplinar, ou até mesmo transdisciplinar, fazendo ligação entre as mais variadas áreas do saber, que davam, inclusive, base moral, cultural e psicológica ao indivíduo. O pedagogo acompanhava desde muito cedo a criança, ensinando a ela o que era de seu interesse e também o que deveria aprender, de acordo com o meio em que vivia e diante das dificuldades ou facilidades que enfrentaria na vida. Infelizmente, só tinham acesso a esse tipo de educação os filhos de famílias mais abastadas. Com o passar do tempo, começaram a se reunir pequenos grupos, em função da dificuldade de se encontrar e, inclusive, manter um profissional assim, de forma particular.
Não há dúvida de que, para atender vários alunos, o ensino segmentado é mais fácil de ser conduzido. Da mesma forma, há de se levar em conta que, hoje, com classes que chegam a 45 alunos ou mais, também é difícil conduzir o ensino de forma interdisciplinar, visando atender as necessidades de cada um. Não é difícil chegar à conclusão de que ser professor/educador não é para qualquer um. Educar de forma interdisciplinar também não o é. É um desafio constante, uma busca constante de aperfeiçoamento, de estudo, de conhecimentos, para identificar a melhor maneira de atingir esse ou aquele aluno da forma como precisa ser atingido. Na verdade, para ser interdisciplinar, o professor precisa amar, e muito, o que faz.
O professor interdisciplinar terá sua formação acadêmica em determinada área, já que a graduação nos prepara dessa forma. Mas saberá buscar os conhecimentos necessários em outras áreas ou aplicar os conhecimentos ensinados à vida do aluno, tornando esse ensino interdisciplinar e altamente prático para a vida do educando. Se ninguém aprende o que não quer aprender, também é verdade que a aprendizagem significativa, que liga as áreas do saber e permite colocar na vida prática o que se aprendeu, é rapidamente assimilada pelo aprendiz.
Como professores, precisamos buscar o conhecimento, a criatividade, a melhor maneira de atingir nossos alunos. Um dos caminhos excelentes é a Interdisciplinaridade. É um grande desafio para o educador de hoje, mas, sem dúvida, um desafio que vale a pena enfrentar, para ver logo à frente o resultado do investimento feito em sua própria formação.

Texto de Mary Hebling de Lima, escritora, pedagoga, psicopedagoga, mestranda em Educação, Arte e História da Cultura, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

E-mail: Ismael_mary@uol.com.br

Fonte: Jornal Virtual Profissão Mestre 194 - 03-12-2010

domingo, 28 de novembro de 2010

Academia de ginástica (mental), por Claudio de Moura Castro

"Sem o desenvolvimento do método científico, não teríamos os avanços tecnológicos que tanto beneficiam a humanidade"

As primeiras ondas encantaram os turistas. Eles ficaram então esperando as próximas. Contudo, foram salvos por uma inglesinha bem jovem, em cujo livro de ciências estava explicado o que era um tsunami e que perigos trazia. Que corressem todos, o pior estava por vir! Em contraste, alguns pobres coitados de Goiânia receberam doses fulminantes de radiação ao desmontar o núcleo radioativo de um aparelho de raio X vendido como sucata. Os turistas foram salvos pelo conhecimento científico da jovem inglesa. Os sucateiros foram vítimas da sua ignorância científica. Não é fortuita a nacionalidade de cada um.

H. Habermeier mostrou que, dentro de níveis comparáveis de qualidade da educação, os países com melhor desempenho em ciências obtinham resultados econômicos mais expressivos. Ou seja, há argumentos poderosos sugerindo o efeito de uma boa base científica no desempenho econômico. Estamos cercados de aparelhos com extraordinária densidade de ciência e tecnologia. Decifrar e manipular a natureza é crítico para a nossa produtividade. A liderança do país no etanol requer que um reles pé de cana incorpore melhoramentos genéticos de altíssima complexidade.

Esses argumentos vêm sendo repetidos ad nauseam. Apesar disso, é lastimável o desempenho brasileiro em ciências. Nas provas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Brasil está entre os últimos lugares, abaixo da média da América Latina, um continente de pífio desempenho educativo (vejam o livro recente O Ensino de Ciências no Brasil, do Instituto Sangari). Quero trazer mais dois argumentos possantes. O primeiro tem a ver com a ideia de que aprender a pensar é uma das tarefas mais nobres e mais árduas da escola. Mas, ao contrário do que almas ingênuas poderiam imaginar, não se aprende a pensar em cursos do tipo "Como pensar". Aprende-se pensando sobre assuntos que se prestam para tais exercícios. E, entre eles, as ciências oferecem um campo excepcional. Exercitamos os músculos nas academias. E exercitamos os músculos do intelecto lidando com as ciências e outros assuntos de lógica exigente. Que fantástica academia para exercícios mentais são as teorias científicas! O rigor das definições, a precisão das leis e as abstrações disciplinadas oferecem um terreno ideal para ginásticas simbólicas. Portanto, mesmo que os conhecimentos não servissem para melhor operar em um mundo complexo, a ginástica mental que permitem é uma das fases mais nobres do processo educativo.


Vejamos o segundo argumento. Se pensamos na contribuição da Europa nos últimos cinco séculos, muitas ideias nos vêm à cabeça. Mas talvez uma das mais decisivas tenha sido o desenvolvimento do método científico, salto que teve Bacon e Descartes como ícones. Por trás dos gigantescos avanços científicos está o método. Com ele, a ciência avança, seja com passinhos, seja com saltos. Não há marcha a ré, pois até o erro educa.

O método impõe a disciplina de formular as perguntas de maneira rigorosa e sem ambiguidades. Em seguida, propõe e fiscaliza um plano de ação para verificar se as hipóteses para responder às perguntas, de fato, descrevem o mundo real. Sem essa disciplina para escoimar de imprecisões e equívocos a busca científica das respostas, não poderíamos ter confiança nos resultados. A vulgarização do poder da ciência se traduz nas afirmativas publicitárias de que "a ciência demonstrou...".

Sem o desenvolvimento do método científico, não teríamos os avanços tecnológicos que tanto beneficiam a humanidade. Mas o meu argumento aqui vai em outra direção. O método tornou-se uma espécie de roteiro seguro para pensar bem sobre todos os assuntos, não apenas para fazer pesquisas. Quem aprendeu a pensar como cientista e a usar o método científico tem um raciocínio mais enxuto e rigoroso. As perguntas são mais bem formuladas e já facilitam a busca sistemática das respostas. Não importa o assunto (mas, obviamente, uma boa base científica apenas dá a embocadura para entrar com segurança no assunto, não substitui o conhecimento específico). Só falta dizer que há uma enorme diferença entre aprender a pensar como um cientista e decorar fórmulas, teoremas e leis. Infelizmente, nosso ensino pende para a segunda versão. E o Pisa joga isso na nossa cara.



Claudio de Moura Castro é economista
claudio_moura_castro@cmcastro.com.br

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Avaliação docente: todos de olho no professor

Para que a prática ajude a ensinar melhor, é preciso desenvolver um sistema que vá além da aplicação de provas


VISÃO GLOBAL A avaliação docente precisa incluir múltiplos olhares para ser efetiva. Ilustração: Alice Vasconcellos Fotos: Carlos Bessa/Márcio de Nero/Marcelo Zocchio/Ivan Shupikov
VISÃO GLOBAL A avaliação docente precisa
incluir múltiplos olhares para ser efetiva
Avaliar, avaliar, avaliar. De alguns anos para cá, a prática tem se tornado um tema recorrente no mundo da Educação. Países criam complexos sistemas de medição, juntas de especialistas estabelecem padrões e faixas de desempenho, organismos internacionais desenvolvem testes para comparar resultados em todo o mundo. No Brasil, uma das novidades foi a instituição de um Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. Previsto para ser aplicado a partir de 2011, vai medir os conhecimentos dos que querem se dedicar ao Magistério. O atrativo é grande: municípios e estados podem aderir à iniciativa, considerando-a um componente da nota dos concursos ou mesmo substituta dela.

A ideia é interessante. No início da docência, a avaliação é fundamental para verificar se o candidato cumpre os requisitos de entrada na profissão. Durante a carreira, ajuda a indicar o que está bom e, principalmente, o que deve ser aperfeiçoado. Mas não basta aplicar uma prova e achar que o problema está resolvido. Se desejamos que o processo ajude o docente a ensinar melhor, é preciso dar um passo atrás e perguntar: o que é mesmo que estamos avaliando?

A resposta requer reflexão sobre o que significa ser um bom professor. É aquele cujos alunos só tiram dez? O que tem uma formação recheada de cursos? Quem se dá bem com colegas e funcionários? Ou tudo isso junto (e muito mais)? Para produzir os Referenciais para o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, o Ministério da Educação (MEC) compilou pesquisas de padrões docentes em sete países. Chegou a uma lista com 20 características do perfil do professor ideal (conheça algumas delas no quadro da página seguinte).

Além da constatação de que exercer o Magistério não é nada fácil, percebe-se que muitos aspectos não podem ser aferidos por provas. Como elaborar uma questão para certificar se o profissional "estabelece um clima favorável à aprendizagem?". Ou se demonstra "valores, atitudes e comportamentos positivos?". Os especialistas na área (e o próprio MEC, faça-se justiça) reconhecem essa impossibilidade. Ao realizar uma sondagem comparativa sobre a avaliação de professores em diversas nações, a uruguaia Denise Vaillant, coordenadora do Programa de Desenvolvimento Profissional Docente na América Latina e Caribe (Preal), concluiu que os sistemas de sucesso apostam na combinação de múltiplas estratégias, como a avaliação pelos pares e pelos gestores das escolas e a autoavaliação. As provas são apenas uma parte do cardápio - e, muitas vezes, não a mais importante.

No Brasil, ainda precisamos construir essa estrutura de avaliação múltipla. A esperança é de que a prova seja apenas o primeiro tijolo, ao qual se somem outros tipos de aferição. Para chegar lá, uma primeira providência é apostar na formação de bons avaliadores. Aqui, os programas de formação têm um papel importante, já que o assunto costuma ser pouco contemplado tanto nos currículos de graduação como na formação em serviço. Esse conhecimento é a base de sistemas como o australiano, em que cada ciclo de avaliação dura dois anos e compreende planejamento (para definir o foco do trabalho), coleta de dados (para aferir a qualidade do ensino e projetar objetivos de evolução, que variam de acordo com o nível do desenvolvimento profissional de cada um, dos principiantes aos mais experientes) e acompanhamento (para avaliar o auxílio oferecido e o avanço na obtenção das metas).

Um segundo passo é estabelecer a participação dos avaliados na definição de critérios e metas. Isso é fundamental para que o corpo docente apoie a avaliação, encarando-a como uma oportunidade pedagógica e não como uma ameaça.


Avaliação docente e plano de carreira devem caminhar juntos

Equacionados o "que" e o "como" avaliar, chega a hora de pensar no que fazer com os resultados da avaliação. É preciso ter atenção especial aos dois extremos do estrato: os educadores que se saem mal e os com performances excelentes. Comecemos pelos que menos se destacam. A constatação óbvia - a de que esses profissionais precisam de ajuda para evoluir - não tem sido acompanhada de atitudes práticas nessa direção. Muitas vezes, se diz que o ideal seria eliminar os piores automaticamente, mas isso está mais para uma medida extrema, não deve ser a primeira atitude.

Novamente, o caso australiano pode servir de base. Por lá, docentes com desempenho ruim têm a chance de passar por um plano de melhora, elaborado com o coordenador ou o diretor da escola. Durante um ano, o educador recebe o auxílio de um mentor (geralmente, um colega com ótimos resultados), incorporando conhecimentos e aprendendo novas práticas de ensino. Se mesmo após esse período persistir a baixa qualidade, aí, sim, ele deixa de lecionar - mas raramente abandona a escola: pode, por exemplo, passar a exercer funções administrativas na instituição.

Também é preciso considerar o topo da pirâmide. Nesse ponto, fica claro que a boa avaliação docente precisa caminhar de braços dados com a estruturação de um plano de carreira no Magistério. No Brasil, a progressão é burocrática, derivada quase exclusivamente do tempo de serviço ou da titulação - e, pior, estimula a fuga da sala de aula. Para muitos, virar coordenador ou diretor é o único caminho para um salário mais alto. Icentivar professores a assumir mais responsabilidades nas escolas é uma saída que deu certo em Cingapura, na Inglaterra e em estados brasileiros, como o Ceará, onde docentes de destaque são convidados a trabalhar como formadores de seus pares em metade da carga horária. Esses e outros exemplos mostram que uma avaliação por múltiplos caminhos, que privilegie a formação inicial e continuada, que contemple o diálogo entre todos os envolvidos e que esteja atrelada à evolução na carreira, tem chances mais concretas de fazer a Educação avançar. Já a prova, sozinha...



Fonte: Revista Nova Escola

domingo, 14 de novembro de 2010

Razões às Pampas para Ler, por Ari Riboldi*


Ler é sempre uma grande aventura, ao alcance em qualquer momento e lugar. No silêncio da insônia noturna, na viagem de ônibus para o trabalho, no banco da praça, na sombra das árvores, no aconchego do lar, no recanto da biblioteca, à espera num consultório. Ler por puro prazer, para aprender mais, para saber – no sentido original, do latim, “sapere”, sentir o sabor. Sim, ler para sentir o sabor da cultura, conhecer o mundo, viajar pelo tempo e pelo espaço. Ler para dominar o texto – do latim “textum”, tecido. E de texto em texto, apropriar-se do grande mosaico do contexto, ou seja, a realidade, o mundo. 
 
    Ler é um verbo com etimologia instigante. No latim vulgar, “legere” significava escolher grãos de um cereal. Atividade do homem da terra, do agricultor. Mais tarde, ainda no latim, passou a ter o atual sentido de fazer a leitura. Afinal, a leitura é sempre uma colheita de letras feita com os olhos. Quem lê torna-se inteligente. Também do latim, “inter”, entre, e “legere”, ler,  o inteligente vai além das letras, além do literal. Capta o que está subjacente, nas entrelinhas. 

    A leitura amplia o vocabulário. Mostra a propriedade e o correto emprego de cada termo. Expande as referências e as formas de comunicação. Ajuda a elaborar o raciocínio de forma lógica. Mostra o emprego da coordenação e da subordinação, a mescla das mesmas, com objetividade, clareza, na soma de ideias, em argumentações contrastantes, em causa e efeito. Enfim, a diversidade de estilos e de formas, na riqueza da linguagem.

    A linguagem, o mais poderoso meio de comunicação, possui múltiplas finalidades. Serve como unidade de uma nação, aproxima o ser humano de seus iguais, na família, no trabalho, no meio social. Pode dar ordens, veicular promessas, súplicas, bendizer e maldizer. Ajuda a pensar, a acalentar sonhos. É a multiplicidade de textos com os mais variados fins: jornal, propaganda, dicionários, manuais, didáticos, poesia, crônica, conto, romance. Nos textos, a vida como ela é e a imitação da vida.

    Os livros levam ao conhecimento de novas culturas, o que permite entender melhor a realidade, desenvolver uma visão crítica do mundo. Aumenta a capacidade de conviver com o diferente, ser mais tolerante, aceitar a opinião divergente. E, sobremaneira, contribui para aperfeiçoar a fala e a escrita, a linguagem como maior patrimônio individual e profissional. Por isso tudo e muito mais, é bom ler às pampas, às carradas, devorar livros, por prazer, por terapia. Como forma de buscar o conhecimento, ampliar os horizontes, aperfeiçoar-se, libertar-se da ignorância que limita e subjuga. Viva os livros! Emocionam, estimulam a criatividade, apontam caminhos, mudam trajetórias. São verdadeiros amigos de todas as horas.


* Ari Riboldi, professor e escritor contato aririboldi@terra.com.br

O Prof. Ari Riboldi está na 56ª Feira do Livro de Porto Alegre, de 30/10 a 15/11. 
Autor de vários livros como: 
O Bode Expiatório 
A CPI das Palavras
Confira a presença do Prof. Ari Riboldi no Programa do Jô:
Fonte: Publicado no Jornal  Zero Hora  de 09/11/2010
Imagem: Aqui

Agradeço ao Prof. Ari Riboldi, pela oportunidade de publicar mais um dos seus excelentes artigos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cinco etapas para realizar uma boa pesquisa escolar

Confira o passo a passo do trabalho necessário para que seus alunos aprendam a investigar temas em todas as disciplinas, na Educação Infantil e no Ensino Fundamental.

Colaborou Camila Monroe

1 - Fazer uma boa pergunta

O primeiro passo para organizar uma situação de investigação que funcione como ferramenta didática é definir o tema de estudo e, em seguida, criar uma pergunta ou situação-problema que desperte na turma a vontade de saber mais (leia o exemplo de uma pesquisa em Ciências no quadro abaixo). Fechada a questão norteadora, antecipe dúvidas ou questões secundárias, que surgirão durante os debates e as descobertas realizadas. Uma boa estratégia é você realizar previamente a pesquisa, levando em conta o nível de conhecimento dos estudantes, as necessidades de aprendizagem e os obstáculos que deverão enfrentar. Essa simulação vai possibilitar ajustes na situação-problema (é possível perceber se o resultado não será o esperado e é preciso reformular a questão, por exemplo) e no planejamento das intervenções.

O tema da pesquisa deve ser atraente e estimulante. "É preciso certo grau de conhecimento sobre o que será investigado para ter a curiosidade despertada e querer se aprofundar no tema", explica Pedro Demo. Não adianta definir como foco a bolsa de valores, por exemplo, se os alunos nunca ouviram falar nesse assunto nem possuem um repertório básico para iniciar a procura. Por isso, antes de propor o trabalho, é importante falar sobre o assunto e exibir vídeos, fotos e outros materiais para aproximar a turma do assunto que será estudado.

O grande desafio é formular questões abrangentes e que permitam diferentes soluções e interpretações, sem ser genéricas ou apenas opinativas. Um exemplo, sobre a independência do Brasil: "Qual foi a importância, para a nossa independência, da reunião de deputados nas cortes portuguesas em 1822?" Para respondê-la, os alunos têm de ler diversos textos, que certamente apresentam diferentes pontos de vista sobre o período e fatores que explicam o fato em questão. É necessário pensar sobre essas diferenças de visão e, em seguida, formular e defender uma ideia própria.

Já a questão "Por que o Brasil se tornou independente?", por outro lado, não tem um foco claro e permite a apresentação de inúmeros argumentos e pontos de vista. Os alunos têm dificuldade de selecionar e ordenar as informações para respondê-la. Além de genérica, ainda permite uma resposta opinativa simples como esta: "Porque não queria mais ser comandado por Portugal" (que não está, necessariamente, certa ou errada).

Da Educação Infantil ao 2º ano
Com alunos menos experientes, o ideal é pesquisar uma única questão coletivamente. É importante anotar num lugar visível, como um grande cartaz na parede, a questão principal e as demais dúvidas surgidas durante o trabalho para que todas sejam relembradas sempre que preciso. Isso permite avaliar os avanços ao longo do processo. As perguntas propostas são simples e muitas delas se referem à localização pontual de informações: "Onde vivem os leões e as girafas?", por exemplo. Como as criança não têm tanta prática nesse tipo de tarefa e ainda estão em fase de alfabetização, isso resolve uma necessidade de aprendizagem fundamental: buscar informações nos livros mesmo não sabendo ler convencionalmente.

Do 3º ao 5º ano
 As questões secundárias, feitas durante a investigação, devem incluir problemas interpretativos e abrangentes - e não somente questões pontuais. A ideia, nessa fase da escolaridade, é levar os alunos a selecionar nos textos lidos informações que ajudem a justificar seu ponto de vista, além de desenvolver a habilidade de fazer uma primeira leitura com base em índice, título, subtítulo e legendas.

Do 6º ao 9º ano
A questão principal deve ser suficientemente abrangente para que os jovens, já mais experientes nesse tipo de atividade, ampliem as relações entre diferentes textos e pontos de vista apresentados pelos autores. Com a tarefa, eles devem se tornar capazes de relacionar dados obtidos em diversas partes do texto (epígrafes, gráficos, índice, ilustrações etc.) e de identificar o que é opinião e o que é fato.
Insetos, pequenos e intrigantes
Professora Valdiane Maria de Lima
Colégio Nacional, Uberlândia, MG
Disciplina: Ciências
1º ano

- Pergunta "Por que há tantas formigas no quintal da escola?" Durante o estudo sobre as formas de vida no ambiente escolar, as crianças encontraram uma grande quantidade de insetos espalhados pela área externa. Isso levou a professora a formular a questão inicial. Dúvidas sobre a estrutura do formigueiro e as necessidades das formigas para sobreviver também surgiram e se transformam em objeto de pesquisa.

- Busca As crianças pesquisaram em livros, assistiram a desenhos animados, entrevistaram biólogos e fizeram observações de campo.

- Interpretação Os textos tratavam das necessidades biológicas dos insetos, e a observação do local fez a garotada identificar ali as condições necessárias para a sobrevivência deles.

- Escrita A turma preparou uma entrevista com biólogos e anotou as respostas. Durante as observações, cada um fez seus registros.

- Socialização Com base nas informações coletadas, os estudantes ajudaram a construir um formigário e uma grande formiga, que ficaram expostos para toda a escola.
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Fonte: Revista Nova Escola

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Retratos: A educação a serviço da educação, por Francikely Cunha Bandeira


Especificidade é qualidade daquilo que é específico, o que é particular a uma espécie. Assim, vamos tratar daquilo que é específico da Filosofia e está disponível a serviço da educação, portanto, a atividade investigativa propriamente dita, já que todo estudo inclui o investigar. Falar de Filosofia implica falar sobre vida e tudo que está presente em seu fluxo. Falar de educação é fazer referência ao que se considera fundamental para a formação do indivíduo, isto é, o conjunto daquilo que é essencial para seu desempenho e manutenção na vida como todo. Desse modo, já é possível assimilar a ideia de que a Filosofia é inseparável da educação e, mais que isso, são compreensões interdependentes.

Podemos nos remeter ao nascimento da Filosofia para melhor introduzir sua compreensão enquanto instrumento a serviço da educação, por assim dizer. A história da Filosofia nos diz que ela nasce do espanto que é algo natural e constante na vida das pessoas. Foi por meio do espanto que o homem começou a filosofar, quando não encontrou respostas satisfatórias para tantas questões. Foi então a partir da ausência de respostas que o homem se confrontou com sua própria ignorância e, tentando fugir dela, desejou conhecer. Desse modo, a primeira virtude do filósofo é admirar-se e, sendo esta a condição de onde advém a capacidade de problematizar, não se pode pensar em Filosofia sem problematização, o que não lhe confere, por sua vez, o título de detentora da verdade, mas aquela que a busca.

Nada escapa à investigação filosófica. Tratar das especificidades da Filosofia a serviço da educação é, na verdade, uma forma de mostrar como teorias que datam de séculos passados estão vivas no nosso contexto. Qualquer coisa que se tenha intenção de estudar irá exigir esforço do pensamento como meio para atingir o que se pretende. Podemos, assim, entender a Filosofia como ponto de partida de todo conhecimento humano organizado, tendo se ocupado de muitos temas que, por sua vez, estimularam e produziram o vasto campo do saber que conhecemos hoje, dividido em ciências.

Na Grécia Antiga, foi alcançado um ideal de educação: a Paideia. Consistia numa educação integral dada ao indivíduo, por assim dizer. A necessidade torna compreensível a Filosofia enquanto fundamento do conhecimento humano e possibilita a introdução de disciplinas filosóficas nos currículos, tendo como resultado, por exemplo, a Filosofia da Educação, Filosofia da História, Filosofia Política, entre outras.

Entender a Filosofia e a Educação nesta perspectiva é fazer da Filosofia uma análise crítica, acreditando no importante papel que o estudo filosófico cumpre no processo de humanização do homem, isto é, burlando a superficialidade e mergulhando no que parece inalcançável.

* FRANCIKELY CUNHA é graduada e licenciada em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba

Fonte: Revista Filosofia

Tudo que estou sentindo hoje, através de Drummond...





Fácil e Difícil

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião...
Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias...
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros.

Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir...
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a
mesma...
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado...
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece.
Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã...
Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas e as vezes impetuosas, a cada dia que passa.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar...
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar...
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.

Fácil é ditar regras e,
Difícil é segui-las...

Carlos Drummond de Andrade

Imagem: Google

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

sábado, 23 de outubro de 2010

Os jovens e a tecnologia, por Anderson Moço

Para os jovens, o mundo virtual é um espaço de expressão e descoberta. Mas é preciso orientá-los a reconhecer e a evitar os riscos da internet.

Ilustração: Daniella Domingues
SEMPRE LIGADA Ao abrir canais de contato, a tecnologia torna-se indispensável ao cotidiano do jovem.
Em julho último, um casal de adolescentes de Porto Alegre protagonizou cenas de sexo divulgadas ao vivo por uma câmera ligada a um famoso site de relacionamentos. Mais de 22 mil pessoas assistiram à transmissão, que, por envolver dois menores - ele com 16, ela com 14 anos -, ganhou notoriedade e acabou virando assunto de polícia. O mais curioso (e que soa até ingênuo) foi o motivo que os levou a se expor dessa forma. Segundo o rapaz, a menina perdeu uma aposta em um jogo de cartas online e, por isso, teria de pagar uma "prenda". Esse episódio lamentável mostra como é preciso orientar os jovens quanto ao uso de celulares, de videogames e principalmente da internet - uma das grandes paixões da moçada. A relação dos jovens com a tecnologia é o último tema da série Desenvolvimento Juvenil.

No que diz respeito à rede mundial de computadores, os especialistas apontam a dificuldade dos jovens para entender que é preciso se comprometer com as ações realizadas no mundo virtual. "Muitos pensam que o ciberespaço não tem efeito algum sobre o mundo real", explica o psicólogo Tiago Corbisier Matheus, do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo, e autor de livros sobre o assunto. Quanto à recusa de se responsabilizar pelas próprias ações, nada de novo: é característica da adolescência. Entretanto, embora não tenha mudado o comportamento dos jovens, a tecnologia trouxe novos espaços e ferramentas para as manifestações típicas dessa fase da vida. A internet e os games, por exemplo, permitem a experimentação de papéis sociais, ampliam o leque de relações interpessoais e o contato com informações, fornecendo elementos para a formação da identidade. Para pais e professores, esses recursos são muito novos, o que inibe a exploração. No entanto, é preciso conhecê-los para ajudar a moçada a construir uma relação saudável com eles.

Para os adolescentes, a tecnologia exerce fascínio porque é uma das poucas áreas em que eles têm desempenho melhor que os adultos. "Eles são mais disponíveis para entrar em contato com o novo e se arriscam a testar coisas que as gerações anteriores olham com curiosidade, mas têm receio de não aprender ou medo de se sentir incapazes e ultrapassadas", ressalta Matheus. Os adolescentes podem eleger ídolos, criar culturas próprias distantes da figura de autoridade dos pais e familiares e construir relacionamentos com certo distanciamento e liberdade (essencial na busca da autonomia que caracteriza a puberdade).

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Fonte: Revista Nova Escola

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