segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mulher da Página 194, por Martha Medeiros

Para repensar nossos valores....

Ela é loira e linda. Tem 20 anos. Modelo profissional. Saiu na última edição da revista americana Glamour ilustrando uma reportagem sobre autoimagem, e foi o que bastou para causar um rebuliço nos Estados Unidos. A revista recebeu milhares de cartas e e-mails. Razão: a barriga saliente da moça. Teor das mensagens: alívio. Uma mulher com um corpo real.

Não sei se Lizzie Miller, que ficou conhecida como a mulher da página 194, já teve filhos, mas é pouco provável, devido à idade que tem.

No entanto, quem já teve filhos conhece bem aquela dobrinha que se forma ao sentar. E mesmo quem não teve conhece também, bastando para isso pesar um pouco mais do que 48 quilos, que é o que a maioria das tops pesa. Lizzie não é um varapau — atua no mercado das modelos “plus size”, ou seja, de tamanhos grandes. Veste manequim 42, um insulto ao mundo das anoréxicas.

A foto me despertou sentimentos contraditórios. Por mais que estejamos saturados dessa falsa imagem de perfeição feminina que as revistas promovem, há que se admitir: barriga é um troço deselegante. É falso dizer que protuberâncias podem ser charmosas. Não são.

Só que toda mulher possui a sua e isso não é crime, caso contrário, seríamos todas colegas de penitenciária. Sem photoshop, na beira da praia, quase ninguém tem corpaço, a não ser que estejamos nos referindo a volume. Se estivermos falando de silhueta de ninfa, perceba: são três ou quatro entre centenas. E, nesse aspecto, a foto de Lizzie Miller serve como uma espécie de alforria. Principalmente porque ela não causa repulsa, ao contrário, ela desperta uma forte atração que não vem do seu abdômen, e sim do seu semblante extremamente saudável. É saúde o que essa moça vende, e não ilusão.

Um generoso sorriso, dentes bem cuidados, cabelos limpos, segurança, satisfação consigo próprio, inteligência e bom humor: é isso que torna um homem ou uma mulher bonitos. Aquelas meninas magérrimas que ilustram editoriais de moda, quase sempre com cara de quem comeu e não gostou (ou de quem não comeu, mas gostaria), são apenas isso: magérrimas. Não parecem pessoas felizes. Lizzie Miller dá a impressão de ser uma mulher radiante, e se isso não é sedutor, então rasgo o diploma de Psicologia que não tenho. Ela merecia estar na primeira página, mas, mesmo tendo sido publicada na 194, roubou a cena.

Que reação a foto causou em você? Repúdio ou alívio?

5 comentários:

Reyel Angel disse...

kkk Barriga ñ me falta! As magrelas podem até ser mais charmosas, porém os homens preferem conteúdo palpável, se é q me entende rs..., por fora e por dentro. Gostei da foto; belo é ser feliz!
Bjos na alma!

Aninha Coaracy disse...

Linda, obrigada pela visita,. volte sempre...
Ahhhhh...Adoro ver foto de gente normal, como essa moça... por que gente de fotoshop já era, não é mesmo!?!... rsrsrs
Beijossssssssssssss

Miguel Loureiro disse...

Nem repúdio nem alívio, prazer. É muita mulher, mas na posição errada. O fotógrafo era rasca...

Em@ disse...

Eu não senti nem repúdio nem alivio, nem , tão pouco, prazer eheheheh Apreciei só. Cheguei a uma alturada vida que ligo pouco ao embrulho, prefiro mil vezes o conteúdo.

Terra de Encanto disse...

Nem repúdio, nem alívio, apenas...uma sã cumplicidade. Deveríamos ser nós, mulheres, as primeiras a acabar com esta ditadura da auto-imagem distrocida, que nos aprisiona e sufoca.

Obrigada pela tua visita. Vou estar atenta ao teu canto. Gostei do que vi.

Susana

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