sábado, 6 de março de 2010

Educação : Longe da excelência

Dados do Ministério da educação indicam que o Brasil avançou em ritmo lento em sala de aula - e a qualidade do ensino é ainda uma meta distante.


Por Ronaldo França

Monalisa Lins/AE

Cenário de atraso
Os índices brasileiros de repetência se assemelham aos africanos

Um novo conjunto de dados sobre a educação brasileira traz à luz um fato incômodo: na última década, os avanços em sala de aula foram bem mais lentos do que o esperado – e o necessário. Os números, reunidos na versão preliminar de um relatório do Ministério da Educação (MEC), revelam que o Brasil deixou de atingir as metas mais básicas rumo à excelência acadêmica. Elas compõem o Plano Nacional de Educação, documento formulado dez anos atrás, durante o governo Fernando Henrique, que, pela primeira vez, definiu objetivos concretos para a educação pública do país, justamente até 2010. Fica bem claro ali que o Brasil patinou no enfrentamento de questões cruciais, tais como os elevadíssimos índices de repetência, indicador-mor da incompetência da própria escola. A meta para este ano era chegar a 10%, índice ainda alto – mas a repetência estacionou em 13%, como em alguns dos países africanos. Outro dado que ajuda a traduzir a ineficácia do ensino é a evasão escolar. Nesse caso, pasme-se, o Brasil até piorou. De 2006 a 2008, o porcentual de estudantes que abandonaram a sala de aula pulou de 10% para 11% – quando o objetivo era baixar a taxa, nesse mesmo período, para 9%. Alerta a especialista Maria Helena Guimarães: "Essas são questões que os países mais ricos já equacionaram, com eficácia, mais de um século atrás".


Ainda que a tendência geral seja de melhora do ensino, a persistência da má qualidade nas escolas brasileiras faz refletir sobre a necessidade de acelerar o passo. Sabe-se que as deficiências no nível básico repercutem, de forma decisiva, nos indicadores de acesso à universidade – um dado que merece atenção por sinalizar as chances de um país competir globalmente. O Brasil conta hoje com apenas 14% dos jovens em idade considerada ideal (entre 18 e 24 anos) na universidade. É um número mínimo na comparação até com países da América Latina, como o Chile, onde a taxa já está em 21% – e também frustrante diante da meta do presente plano de educação, que previa, a esta altura, pelo menos 30% dos jovens brasileiros no ensino superior. O atraso do país ainda se reflete no medidor do analfabetismo: a taxa é de 10%, quando deveria ter caído para 4%. Ao escancarar esse e outros nós, o atual documento do MEC tem o mérito de traçar um diagnóstico preciso, iluminar as várias lacunas e reforçar a ideia de que, com o acesso já garantido à sala de aula, é premente investir com mais vigor na tão almejada excelência acadêmica.

Fonte: Revista Veja

5 comentários:

Em@ disse...

Marise tem um prémio no meu blogue.
Beijinho e bom estudo!

manuel afonso disse...

As metas em educação não se conseguem alterar sem um grande empenhamento do Estado e de toda a Comunidade. O Estado tem de fornecer os meios, sobretudo de índole programático, curricular e de exigêcia. A Comunidade e as famílias têm de se rever em valores que deverão ser protegidos e valorzados.
Estas mudanças são em regra entas, mas são seguras. Claro que os Estados tendem a querer chegar aos resultados sem olhar aos meios, daí, alguns, preferem facilitar o sucesso, diminuindo ao curriclo, metas e objetivos, ou mesmo permitindo passagens ou transições automáticas.
Falei (escrevi) demais.

Nathália (Ná) disse...

Marise

Mulher...
Que traz beleza e luz aos dias mais difíceis
Que divide sua alma em duas
Para carregar tamanha sensibilidade e força
Que ganha o mundo com sua coragem
Que traz paixão no olhar
Mulher,
Que luta pelos seus ideais,
Que dá a vida pela sua família
Mulher
Que ama incondicionalmente
Que se arruma, se perfuma
Que vence o cansaço
Mulher,
Que chora e que ri
Mulher que sonha...
Tantas Mulheres, belezas únicas, vivas,
Cheias de mistérios e encanto!
Mulheres que deveriam ser lembradas,
amadas, admiradas todos os dias...

Para você, Mulher tão especial...
Feliz Dia Internacional da Mulher!

Valdeir Almeida disse...

Marise,

Isso me fez lembrar do que acontece na Bahia: o aluno é aprovado quase automaticamente para a série seguinte, mesmo que o a escola o reprove. E tudo isso para quê? Para alardear para todo o mundo que o índice de repetência no Estado está diminindo, quando na verdade, a qualidade do ensino está caindo.

Abraços, Marise.

Luma Rosa disse...

Marise, gostaria de indicar um post para você ler e depois me diga o que acha:

Como melhorar o Brasil em 25 anos - Educação - http://migre.me/ncqn

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