Seminário, debate e entrevista são conteúdos curriculares. Para que todos aprendam a tomar a palavra, é essencial orientar a pesquisa, discutir bons modelos, refletir sobre simulações e indicar formas de registro
Beatriz Santomauro (bsantomauro@abril.com.br)

Mais sobre Comunicação Oral
Reportagens
- Entrevista com Schneuwly: o ensino da comunicação
- A fala que se ensina, sobre o ensino dos seminários
- Podcast e Ariano Suassuna: casamento proveitoso
- Use a poesia para desenvolver a oralidade
- Ensinar a falar é tão importante quanto ensinar a ler e a escrever
Planos de aula
- Do oral ao escrito
- Entrevista no contexto de estudo sobre vida e obra de um artista local
- Debate sobre fontes e geração de energia elétrica
Quem não apresenta suas ideias com clareza ou defende mal seus argumentos diante um grupo enfrenta problemas tanto na sala de aula como na vida profissional. A escola, no entanto, não tem se dedicado à questão como deve. Embora o ensino da língua oral esteja previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) há mais de uma década, essa prática está longe de ser prioridade. Ela é confundida com atividades de leitura em voz alta e conversas informais, que não preparam para os contextos de comunicação.
"Comunicar-se em diferentes contextos é questão de inclusão social, e é papel da escola ensinar isso", explica Claudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. O que todo professor precisa incluir em seu planejamento são os chamados gêneros orais formais e públicos, que têm características próprias, pois exigem preparação e apresentam uma estrutura específica.
A língua oral está organizada em gêneros (entrevistas, debates, seminários e depoimentos) e o empenho do professor nas aulas deve ser o mesmo dado aos gêneros escritos (contos, fábulas, crônicas, notícias e outros). Assim como não há um texto escrito sem propósito comunicativo, tampouco existe uma só maneira de falar. É preciso criar contextos de produção também para os gêneros do oral - em que se determinam quem é o público, o que será dito e como. "É isso que permite aos alunos se apropriarem das noções, das técnicas e dos instrumentos necessários ao desenvolvimento de suas capacidades de expressão em situações de comunicação", explica Bernard Schneuwly, da Universidade de Genebra, na Suíça, no livro Gêneros Orais e Escritos na Escola.
A diferença entre a língua falada e a língua escrita é uma questão antiga. Até a década de 1980, elas eram consideradas opostas. Enquanto a primeira aparecia como incompleta e imprecisa, a segunda simbolizava formalismo e planejamento. Os debates recentes apontam para um caminho bem diferente. "O oral e o escrito têm pontos de contato maiores ou menores, conforme o gênero", defende Roxane Rojo, docente de pós-graduação em Linguística Aplicada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
É necessário, portanto, ensinar a preparação de situações de comunicação oral com base num planejamento que requer quatro condições didáticas: orientação da pesquisa, discussão de modelos, análise de simulações ou ensaios e indicação de formas de registro. Veja nas páginas seguintes como desenvolvê-las na produção de entrevistas, seminários e debates.
Reportagem sugerida por três leitoras: Salma Marinho Rodrigues, de Bela Vista do Maranhão, MA, Edneia Dias da Rosa, de São Paulo, SP, e Juliana Maria do Rosário, de São Paulo, SP
Continue lendo
- Seminário
- Na produção do seminário, o registro tem destaque
- Entrevista
- Analisar modelos é um meio de aprender a entrevistar
- Debate
- Ao fazer a pesquisa, a turma se prepara para o debate
Fonte: Revista Nova Escola - Edição 230 | Março 2010
7 comentários:
Essa abordagem é importante. Eu, como professor de Português, sem disso.
O trabalho com a oralidade em sala de aula não apenas estimula o aluno a se expressar bem, mas mostra para toda a turma que se deve respeitar as opiniões alheias.
Abraços, Marise e boa sexta-feira pra você.
Boa noite, querida Marise:
É muito importante nossas crianças e jovens criarem o hábito de bem expressarem o seu pensamento de forma lógica e coerente. E a aprendizagem aperfeiçoa-se com o exercício contínuo. Parabéns, pela postagem!!
Um grande abraço, :)
Oi, Marise!
Trabalho no ensino médio...
... no início do ano letivo, é quase regra, recebo alunos emudecidos...
Aos poucos, vamos construindo o exercício da expressão das ideias...
É muito lindo observar as transformações... há muita coisa para ser dita...
Acho que desde os anos iniciais, como propões no post, deve ser desenvolvida a oralidade, principalmente, em situações formais de uso - seminários palestras, entrevistas...
Na escola em que meu filho estuda, há um trabalho bem interessante nesse sentido... desde a primeira série...
As crianças fazem seminários, por exemplo, usando recursos como slides, teatro, dança, cartazes, música... uma graça!!!
Beijos!
Olá!
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