segunda-feira, 31 de maio de 2010

Os segredos dos bons professores, por Camila Guimarães

O que todos nós temos a aprender com os mestres dedicados, capazes de transformar nossas crianças em alunos de sucesso

RICARDO CORRÊA
CONTROLE
A professora Carolina Maia, em sua classe da 2ª série. Em suas aulas,
tudo o que não tem relação com aprender fica para fora da sala.
De uma carteira na penúltima fileira da sala de aula, relembro alguns conceitos de matemática que tanto me assustavam anos atrás. A minha volta estão cerca de 30 alunos do ensino médio de uma escola de primeira linha de São Paulo. O professor João (o nome é fictício, e você já vai entender por quê) dá uma boa aula. As fórmulas, as equações, os problemas se sucedem. Minha intenção não é reaprender matemática, e sim entender como atua um bom professor. João foi indicado pela direção da escola como um dos melhores.
Prender a atenção de um bando de adolescentes às 8 horas da manhã, com esse tema, já pode ser considerado um feito. E João conquista a quase unanimidade dos olhos grudados no quadro verde, onde resolve um exercício. Só dois grupos pequenos travam conversas paralelas (sobre a própria matéria) – e uma menina dá uma cochilada, a três carteiras de mim. Estou ali, tentando perceber os segredos de uma boa aula, quando escuto um diálogo cochichado:
– Não consegui fazer a maioria dos exercícios, acho que vou passar o resto da semana no plantão de dúvidas.
– Você já teve aula com o professor Fernando?
– Ainda não.
– Ele é demais, o melhor professor que eu já tive.
– Ele é legal?
– Não é isso. É que ele explica tudo de um jeito que a gente consegue entender.
A diferença entre esses dois professores – um bom, o outro ótimo – é o fator de maior impacto na educação. Não é que não seja importante ter computadores, visitar pontos históricos ou culturais, adotar bons livros e apostilas ou manter poucos alunos nas salas de aula. É. Mas, como revela um conjunto de estudos recentes, nada tem tanto efeito sobre o aprendizado quanto a qualidade do professor.
Fatores genéticos podem ser responsáveis por diferenças notáveis no desempenho de uma criança na escola. Mas eles só se manifestam se o professor for bom, diz um estudo da Universidade da Flórida, publicado na edição deste mês da revista Science. (O estudo analisou os níveis de leitura de gêmeos que estudavam em classes diferentes. Os que tinham professores piores – medidos de acordo com o resultado geral da sala – não atingiam o nível dos irmãos, com carga genética idêntica.) Esse resultado põe em xeque o mito de que bons alunos se fazem sozinhos.
Outro mito – a existência de alunos para quem o conteúdo é impenetrável – cai por terra diante das experiências de instituições de ensino nos Estados Unidos expostas em dois livros recém-lançados: Teaching as leadership: the highly effective teacher’s guide to closing the achievement gap (Ensinar como um líder: o guia do professor supereficiente para diminuir o déficit de aprendizado), de Steven Farr, e Teach like a champion: 49 techniques that put students on the path to college (Ensine como um campeão: 49 técnicas que colocam os estudantes no rumo da universidade), de Doug Lemov. (Mais detalhes sobre eles e seus autores daqui a cinco parágrafos.) Para que o conteúdo seja aprendido por todos, porém, é preciso haver professores excelentes. Não apenas bons. Excelentes.
Uma análise do economista Eric Hanushek, da Universidade Stanford, revela que os professores entre os 5% melhores ensinam a seus alunos, a cada ano, o conteúdo de um ano e meio. Na outra ponta, os professores do grupo dos 5% piores ensinam apenas metade do que deveriam.
Avaliar o desempenho individual dos professores permitiria não só premiá-los de forma
mais justa
, mas também fazer algo mais importante: entender como eles trabalham
A discussão sobre a qualidade dos professores já está instalada no Brasil. É o cerne de uma batalha entre os sindicatos de professores, que exigem melhores salários e condições de trabalho, e algumas secretarias estaduais, que tentam implementar um sistema de meritocracia, similar ao vigente naqueles países que mais se destacam nas avaliações internacionais de ensino, como Finlândia e Coreia do Sul. Tal sistema já apresenta bons resultados. São Paulo adotou, em 2008, um programa de bonificação para escolas, diretores e professores cujos alunos melhoram o desempenho em provas. Em apenas um ano, o número de alunos da 4ª série que não conseguiam fazer contas básicas de soma e subtração caiu de 38% para 31%.
“Medir o resultado e premiar os melhores é o caminho certo para tornar a carreira de professor mais atraente”, diz Fernando Veloso, economista e especialista em educação. Mas o sistema é ainda incompleto. “Nenhuma das avaliações considera a ação do professor em sala de aula”, diz Paula Louzano, especialista em educação e consultora da Fundação Lemann, organização dedicada à melhora do nível do ensino.
Renato Stockler
MOTIVAÇÃO
Rogério Chaparin, professor de matemática. Ele incentiva os alunos
a encontrar mais de uma solução para o mesmo problema.

Avaliar o desempenho individual dos professores permitiria não apenas premiá-los de forma mais justa e eficiente, mas também fazer algo ainda mais importante: entender como eles trabalham – e estender sua experiência aos demais. Porque, se é verdade que todo aluno pode aprender, é lógico acreditar que todo professor tem condições de tornar-se ótimo.
Premiar os bons professores e punir os ruins é essencial. Mas fazer apenas isso não basta para chegar a um ensino de qualidade. É aí que entram em cena os dois livros recém-lançados nos Estados Unidos. O primeiro, Teaching as leadership, foi escrito por Steven Farr, o responsável pela difusão de conhecimento da organização Teach for America, que dá aulas em escolas públicas para crianças de comunidades carentes. Em duas décadas de atuação, a Teach for America formou 25 mil professores, que deram aulas a 3 milhões de alunos. Mais do que apenas ensinar, a Teach for America vem colecionando dados sobre os professores mais eficientes. Suas técnicas, seus métodos, sua formação, como se preparam para o trabalho. Dessa análise surgiram o que Farr chama de seis pilares do ensino:
1) traçar metas ambiciosas com a turma, como “este ano vamos avançar dois níveis em um” ou “todos os alunos desta sala vão tirar mais que 9 no exame nacional” (não metas vagas, como “vamos aprender o máximo”);
2) envolver alunos e famílias, a ponto de traçar com os pais planos de incentivo individualizados para as crianças;
3) planejar com cuidado as aulas;
4) dar aulas com eficiência, aproveitando cada minuto e cada oportunidade;
5) aumentar a eficiência sempre;
6) trabalhar incansavelmente, porque cada um dos itens anteriores dá muito, muito trabalho.
Na mesma linha, o educador Doug Lemov lançou no início deste mês o livro Teach like a champion. Lemov dirige a Uncommon Schools (Escolas Incomuns), uma associação de 16 escolas que ensinam crianças principalmente de famílias carentes. “Uma de nossas missões é diminuir a distância na taxa de aprendizado entre ricos e pobres”, diz Lemov. Eles têm conseguido. Em 2009, 98% dos alunos da Uncommon tiraram notas acima da média estadual de Nova York em matemática. Na avaliação de inglês, foram 80%. 
reprodução/Revista Época
O livro de Lemov nasceu de uma inquietude dos tempos em que trabalhava como consultor e era chamado por diretores aflitos com a qualidade ruim de suas escolas. Por que alguns professores conseguiam ensinar tão mais que outros a alunos de mesma condição social? O primeiro passo para responder a essa pergunta foi identificar os professores de sucesso. Para rastreá-los, Lemov cruzou as notas de alunos em avaliações nacionais com o índice de pobreza e violência das comunidades em torno das escolas. Fez isso classe por classe, até localizar as maiores notas entre aqueles que todos acreditavam que fracassariam. “Esses são os professores campeões”, afirma (leia sua entrevista). São o equivalente do técnico de futebol que seguidas vezes pega um time no intervalo perdendo de 4 a 0 e empata o jogo. Durante cinco anos, Lemov gravou suas aulas e os entrevistou. O livro é um apanhado de suas técnicas (algumas delas estão no quadro na última página desta reportagem).
À primeira vista, as técnicas podem parecer banais, como circular pela sala de aula ou olhar os alunos nos olhos. Assim como as técnicas de Farr, que incluem elogiar o esforço (“Você prestou atenção”), em vez do talento (“Você tem boa memória”). A professora Carolina Maia passou a ganhar dez minutos a cada aula depois que descobriu um método para garantir a disciplina da classe da 2ª série na Escola Estadual Guilherme Kulmann, de São Paulo. Para duas meninas que discutiam por causa de um lápis de cor, Carolina apenas aponta a porta e pede que elas resolvam o problema no corredor. “Tento deixar o que atrapalha a concentração deles fora da sala”, diz. “Não posso me dar ao luxo de perder tempo.”
Muitos professores lidam com esse tipo de situação dez, 15 vezes por aula. Nesse tempo, 20% do total, não conseguem ensinar. “O universo da sala de aula é constituído por uma infinidade de pequenas ações”, diz Guiomar Namo de Mello, uma das mais respeitadas educadoras do país. “É a execução dessas ações naquele espaço, naquele tempo da aula e com aqueles alunos que distingue o bom professor.” Essas pequenas ações incluem a forma como o professor faz perguntas para a classe, o modo de passar instruções, seu grau de controle sobre as conversas paralelas. E podem ser aprendidas.
No caso dos professores brasileiros, não há como aferir objetivamente quais sejam ótimos. Na falta de estudos como os de Lemov e Farr, dependemos de percepções de diretores e educadores, às vezes de alunos. Contaminada pelo livro de Lemov, percebi diferenças entre o professor João, do início da reportagem (apontado como exemplo pela direção da escola), e o professor Fernando (indicado como excelente por um aluno). João conseguia a atenção da maioria dos alunos; Fernando, de todos. João, até onde percebi, não usava técnicas; Fernando tinha alguns macetes. João deixava transparecer o esforço para explicar o conteúdo; Fernando demonstrava mais empatia com os alunos, parecia entender a origem de suas dúvidas. João explicava os exercícios mais importantes; Fernando tirava dúvidas individuais. Estaria minha percepção correta, com base em apenas uma aula? Será que essas diferenças garantiriam um aprendizado melhor para os alunos de Fernando?
Há outra crítica às receitas de Farr e de Lemov. Ambos se basearam em crianças carentes, cujo grande sucesso é chegar ao nível das demais. Nessas condições, muitos colégios estão dispostos a tentar qualquer coisa. Até a subornar os alunos para tirar boas notas. O economista Roland Fryer Jr., da Universidade Harvard, fez exatamente isso, com resultados mistos. A pesquisa gastou US$ 6,3 milhões, distribuídos para 18 mil alunos. Quando pagava por “notas melhores”, o resultado foi pífio. Mas pagar para ler livros levou os alunos de várias escolas a melhorar sua leitura e, consequentemente, suas notas.


TÉCNICAS
Irinéia Scota (à esq.) e Fabrícia Lima, professoras de redação. Uma planeja aulas
para atrair os alunos, a outra circula pela classe para gastar menos tempo pedindo silêncio.

Várias pesquisas mostram que aprimorar os métodos de ensino dos professores, como sugerem Farr e Lemov, é mais eficaz que incentivar os alunos de outros modos. A questão é: esses conselhos que parecem funcionar para crianças carentes seriam válidos para colégios de classe média e elite? Provavelmente sim, a julgar por algumas práticas de alguns dos melhores colégios do Brasil, como o Vértice, de São Paulo, e o São Bento, no Rio de Janeiro, primeiros colocados no ranking do Enem do ano passado. Ambos adotam uma das estratégias que Lemov considera essenciais: seus professores são treinados por outros professores, na própria escola.
Alexandre Simonka, de 35 anos, professor de física do Vértice, foi contratado há quase dez anos. Acabara de se formar pela USP. Antes de bater o sinal da primeira aula em que assistiu o titular da disciplina (e dono do colégio), compreendeu que toda a física quântica que dominava não serviria para nada. “Eu não tinha a linguagem para passar conteúdo aos meninos de 14 anos”, diz. Por três meses, teve de rever os fundamentos básicos da física. O dono da escola serviu como seu tutor. Simonka diz ter aprendido com ele suas duas principais técnicas: nunca deixar que os alunos anotem no caderno enquanto ele explica (“não dá para dividir a atenção deles com nada”) e sempre, no final da aula, apontar o que é preciso memorizar.
Também é notável que os professores indicados como exemplares pelos colégios que procurei tenham chegado, por aprendizado próprio, a algumas das técnicas descritas por Lemov e Farr. Eis alguns exemplos.
  • Todos os dias, no começo da aula, Carolina aquieta as crianças com a seguinte frase: “Vou contar até três, e uma mágica vai acontecer”. Na primeira vez, não funcionou. Nem na segunda. Em algum momento, os alunos aprenderam a se sentar em silêncio antes de ela chegar ao três.
  • O estudante Leonardo Basile, de 17 anos, começou a competir em olimpíadas de matemática entre a 5ª e a 8ª séries, inspirado pelo professor Rogério Chaparin. Basile concluiu o ensino médio em 2009 e no início de abril estava nos Estados Unidos, escolhendo em qual das quatro universidades nas quais foi aceito vai estudar. “O Rogério sempre foi muito empolgado com o que ensinava”, diz. “E me contaminou.” Chaparin, que dá aulas de matemática no ensino médio de uma escola técnica estadual de São Paulo, não dá aulas shows. O que seu ex-aluno enxergou como paixão é uma técnica. “Nunca passo um exercício que não tenha mais de uma solução”, diz ele. Incentivar os alunos a buscar um jeito diferente de resolver um problema é, para Chaparin, a receita de mantê-los motivados e concentrados.
  • Professor há 25 anos, Carlos Oliveira diz que suas aulas se tornaram melhores depois que ele mudou o jeito de fazer perguntas. Em suas aulas para o ensino médio do Colégio Bandeirantes, de São Paulo, Oliveira se dirige a cada aluno, em vez de dar a palavra apenas a quem levantar a mão. Segundo ele, isso cria uma tensão positiva nos alunos. “Eles sabem que podem ser chamados a participar da aula a qualquer momento e acabam prestando atenção na maior parte do tempo.” Para Lemov, isso é parte da receita de manter as expectativas altas em relação aos alunos. O fracasso do ensino começa quando o professor não acredita que seus alunos possam aprender. Em pelo menos duas ocasiões durante a aula que observei, Oliveira não se conformou com um “não sei”. Repetiu a pergunta aos mesmos alunos, até fazê-los dar a resposta certa depois de chegar a ela, com toda a classe.
  • Em suas aulas de redação, a professora Irinéia Scota apresenta cada tema de um jeito diferente. Para escrever sobre o culto à forma física, os alunos da 8ª série do Colégio Positivo tiveram de trazer suas próprias pesquisas de casa. Reportagens, depoimentos de familiares, músicas. Ao serem apresentados ao gênero teatral, leram um trecho de O auto da compadecida, assistiram a um vídeo com seu autor, Ariano Suassuna, e ao longa-metragem homônimo. A classe discute tudo. Só então os alunos fazem o texto. Nessa hora, ela circula entre as carteiras, tira dúvidas individuais ou dá orientações gerais. “Eles têm chance maior de pedir ajuda e tirar dúvidas”, diz. “É impressionante como quem pede ajuda vai melhor, no médio prazo, do que quem não pede.”
  • Todos os professores observados para esta reportagem também cumprem outra recomendação de Lemov e de Farr. Suas aulas são meticulosamente planejadas. Irinéia Scota, de Curitiba, vai além. O passo a passo de seu plano de aula de redação é transparente para a classe. Os alunos sabem que primeiro vão debater, depois escrever, por fim reescrever, corrigindo os erros. Ao estabelecer etapas, fica mais fácil para o aluno entender por que um recorte de jornal que ele precisa providenciar para amanhã é importante para tirar nota 10 na redação do vestibular. “Nossos melhores professores perceberam que, antes de conseguir fazer o que queremos que eles façam, os alunos têm de conseguir dizer essas ações”, escreveu Farr. “Por isso, essas ações e expectativas têm de ser ensinadas, explicadas e constantemente revistas.”
O mais impressionante nos trabalhos de Lemov e de Farr é que seus segredos do sucesso têm pouco a ver com as grandes teorias da educação. Que faculdade de pedagogia ensinaria Fabrícia Lima, professora de português da rede estadual do Recife, que circular pela sala funciona mais do que ficar parada na frente da lousa dizendo “pssssssiu”? Fabrícia perdia quase dez minutos da aula. Ao passear entre as carteiras, pede a um aluno que guarde o boné, a outro que desligue o MP3. Os alunos mais distantes percebem a acomodação e naturalmente também se preparam. “Nenhum estágio que fiz durante a faculdade me preparou para isso”, diz.
Bernadete Gatti, chefe da área de pesquisa em Educação da Fundação Carlos Chagas, investigou os cursos de pedagogia de todo o país. Descobriu que 70% da carga horária é teoria pura – psicologia, sociologia, filosofia. “Isso afeta diretamente a capacidade do professor formado de lidar com a prática em sala de aula.” Quem sofre é o aluno – e o país, que desperdiça seus talentos do futuro.


PERGUNTAS
Carlos Oliveira, professor de matemática. Ele escolhe quem responde 
a suas perguntas para que todos atentem ao que está sendo ensinado.

As aulas dos campeões

Algumas técnicas dos melhores professores observadas pelo educador Doug Lemov

É certo só se estiver 100% certo
• Continuar perguntando a mesma coisa para o aluno até que ele dê uma resposta 100% certa. O que acaba acontecendo na maioria das classes é algo parecido com o descrito neste diálogo:
– Como era a convivência entre as famílias de Romeu e Julieta? – pergunta a professora.
– Eles não se gostavam – responde um aluno.
– Certo. Eles não se gostavam e disputavam terras havia anos, acrescenta a professora, que ainda dá parabéns ao aluno pela resposta que ele não deu.
Ao não apontar para o aluno que a resposta dele poderia ser mais completa, a professora passa a mensagem de que ele pode estar certo até quando não está – e, obviamente, isso não vai funcionar em uma prova ou no vestibular. A dica é ter paciência e insistir na pergunta, até chegar ao 100% certo. Um excelente professor sairia assim dessa situação: “Foi um bom começo, mas dizer apenas que eles não se gostavam realmente revela qual era a relação entre as famílias?”. Dessa forma, ele deixa claro que não aceita nada menos do que uma resposta completamente correta, sem deixar de demonstrar confiança na capacidade de seus alunos.

  Reprodução Olho no professor
• Os alunos não podem anotar nada enquanto o professor explica a matéria. Todos os olhos devem estar voltados para ele. Isso é mais eficiente para controlar quem está prestando atenção do que repetir 1 milhão de vezes “prestem atenção agora, isso é importante”. Pelo simples fato de que o professor enxerga os olhos dos alunos. Ou se as canetas estão descansando sobre a carteira. Um dos maiores problemas enfrentados no dia a dia por professores é que nem todos os alunos seguem suas orientações. Podem ser orientações de como executar um exercício. Os que ficam para trás estão deixando de aprender e ainda podem tumultuar a aula. Para os bons professores, só há uma porcentagem aceitável de alunos que obedece ao que foi pedido: 100%. Menos que isso, o desempenho da classe toda estará comprometido.

O lado positivo da bronca
• Usar frases positivas na hora de chamar a atenção do aluno. Faz uma tremenda diferença dizer “por favor, eu preciso que você olhe para a frente”, em vez de “não olhe para trás”. Pessoas se motivam muito mais por fatores positivos do que negativos. No geral, elas agem para buscar o sucesso, e não para evitar fracassos. A técnica do enquadramento positivo pode ser aplicada durante a aula ou em uma conversa reservada com o aluno. Se outros estudantes assistem ao diálogo entre o professor e o aluno que está sendo repreendido, o ideal é sempre assumir, a princípio, que o mau comportamento não é intencional. É mais produtivo dizer algo como “classe, só um minuto, parece que alguns se esqueceram de empurrar suas cadeiras”, do que “classe, só um minuto, alguns decidiram não empurrar suas cadeiras como eu pedi”. Isso ajuda o professor a ganhar a confiança do aluno, o que é fundamental para o aprendizado.

  Reprodução Circulação pela sala
• Enquanto explica a matéria ou como resolver um exercício, o professor circula pela sala. Ao quebrar a barreira imaginária que existe entre ele e os alunos, demonstra proximidade. Durante a caminhada, aproveita para fazer perguntas individuais, corrigir ou elogiar um caderno. Circular pela sala é ainda uma boa oportunidade para descobrir o que acontece quando o professor está virado de costas para a turma, ao flagrar um álbum de figurinhas aberto ou um celular ligado.

  Reprodução Para fisgar o aluno
• Apresentar um novo tópico da matéria de um jeito diferente. Esse é o primeiro passo para aprender aquela lição. Para fisgar os alunos, a técnica é usar iscas como uma história, trechos de um filme ou um pequeno desafio. Por exemplo: antes de ensinar o conceito de frase completa, uma professora pede aos alunos que formem uma frase com cinco palavras dadas por ela. Depois de poucos minutos, eles percebem que é impossível executar a tarefa – porque não havia entre as palavras o sujeito da frase. A surpresa do problema sem solução manteve os alunos atentos o resto da aula.

Não vale não tentar
• Não aceitar “não sei” como resposta e conduzir o aluno à resposta certa – ou à melhor possível – é uma das técnicas mais simples para motivar o aluno a aprender. Uma professora pergunta a um aluno qual o sujeito da frase “minha mãe não estava contente”, ele diz que não sabe. Então, ela se volta para a turma e pergunta qual a definição de sujeito. Depois de ouvir que o sujeito é quem pratica a ação, ela volta para o primeiro aluno e repete a pergunta inicial. Ele então consegue responder: a mãe. A cultura do “não sei” é nociva principalmente porque passa a impressão de que alguns alunos não são capazes de aprender. Manter a expectativa alta em relação ao aluno é fundamental para seu sucesso.

  Reprodução A hora certa de elogiar
• O elogio só deve vir quando o aluno fizer mais do que lhe foi pedido. Os professores excelentes fazem uma distinção precisa entre o que o aluno aprendeu dentro das expectativas e quanto ele as superou. Se um aluno cumpre uma tarefa corriqueira, como manter sua carteira limpa, o professor pode dizer “obrigado por fazer o que eu pedi”, em vez de “excelente trabalho!”. A banalização do elogio tem um efeito destrutivo no longo prazo. O elogio por atitudes banais acaba minando a confiança do aluno de que ele possa fazer algo extraordinário.

  Reprodução
O jeito certo de fazer perguntas
• Em vez de fazer uma pergunta para toda a classe responder ou chamar apenas os alunos que levantaram a mão, escolher quem vai dar a resposta, chamando o aluno pelo nome ou apenas apontando para ele. Essa técnica não só permite que o professor cheque o que cada aluno aprendeu, como também é uma forma de mantê-los atentos – afinal, a qualquer momento, alguém pode ser chamado para responder a alguma coisa. Se esse tipo de atividade acontecer todos os dias, os alunos passarão a esperar por isso e, no médio prazo, mudarão seu comportamento. Muitos professores acham que chamar um aluno para responder a uma pergunta é “expô-lo” ao resto da turma. Mas, se a técnica for feita da maneira correta, é o jeito mais eficiente de ouvir aqueles alunos que gostariam de responder, mas hesitam em levantar a mão. 



Fonte: Revista Época

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Especial : Escola e Comunidade


Escola e comunidade. Ilustração Carlo Giovanni

A parceria entre escola e comunidade é indispensável para uma Educação de qualidade e depende de uma boa relação entre familiares, gestores, professores, funcionários e estudantes. Neste especial, confira reportagens, vídeos e artigos fundamentais para se estabelecer um vínculo duradouro e produtivo entre a comunidade e a escola.

   
  1. Reportagens  
  
A escola da família
Aproximar os pais do trabalho pedagógico é um dever dos gestores. Conheça aqui 13 ações para essa parceria dar resultado
Como atrair os pais para a escola
Veja como é possível estreitar a relação com a família e formar uma parceria produtiva
Pais que seguem de perto a rotina
As famílias querem, sim, participar da vida escolar das crianças. Veja como garantir o envolvimento desses parceiros indispensáveis para uma boa Educação
Escola ou família, quem é a culpada?
É possível acabar com o jogo de empurra entre a família e a escola sobre a incumbência pela formação de crianças e adolescentes. Entenda como
Orientador Educacional: o mediador da escola
Elo entre educadores, pais e estudantes, esse profissional atua para administrar diferentes pontos de vista
A escola com a cara da comunidade
Com a consulta aos pais e a participação de diretores, professores e funcionários é possível construir uma proposta eficaz, que atenda aos anseios da sociedade e às necessidades de aprendizagem dos alunos
É preciso dizer não
Pesquisadora carioca diz que a escola deve mobilizar os pais para a necessidade de impor limites e, assim, auxiliar na educação moral dos filhos
A antropologia é útil na escola
Conhecer a cultura e as relações sociais da comunidade ajuda a entender seus alunos e a ensinar melhor
10 passos para se sair bem na primeira reunião de pais
Depois da apresentação da proposta da escola pelo diretor, é a sua vez de entrar em cena. Se você descrever o programa de sua disciplina e a metodologia de forma clara e reservar um tempinho para responder a dúvidas, vai fisgar a família e transformá-la em grande aliada
Parceiros na aprendizagem
Abrir as portas à participação de familiares e da comunidade ajuda os alunos a ter sucesso na vida escolar e colabora para diminuir a evasão e a violência
Não culpe a família pelo desempenho do aluno
Reportagem explica que a ligação entre o mau desempenho escolar e "famílias desestruturadas" não é automática
Boa educação além dos muros
Trabalhando com projetos, professores aproximam alunos da comunidade e melhoram o rendimento
Todos pela qualidade
A forma como a escola usa o espaço, as relações interpessoais e a interação com a comunidade também são importantes na Educação das crianças
De portas abertas para a sociedade
Unir forças com as famílias, valorizar saberes locais e encadear ações para o desenvolvimento das crianças. Essa é a base da relação entre a escola e o entorno
Rede de Taboão da Serra incentiva professores a visitar alunos em casa
Visita de docentes às casas dos alunos melhora a aprendizagem na cidade paulistana de Taboão da Serra
Escolas mostram a importância da participação da família
Duas escolas públicas comprovam que o envolvimento de pais e responsáveis é capaz de provocar pequenas revoluções
Aqui, a violência não entra
Comunidade, equipe unida e aprendizagem. Com esses ingredientes, três escolas construíram uma barreira contra a violência sem precisar de grades, cadeados e câmeras
A participação da comunidade no Conselho Escolar
Convocar as famílias para participar do conselho é uma forma inteligente de compartilhar decisões e responsabilidades
Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares
Responsáveis por tornar a gestão da escola mais democrática, os conselhos reúnem professores, funcionários, estudantes e pais em torno de um objetivo comum: a melhoria do ensino
           
      
2. Vídeos 

Que relação deve existir entre família e escola?
Neste vídeo Heloisa Zymanski, professora de Psicologia da Educação da PUC-SP, explica qual são as relações que devem existir entre famílias e escolas.
O relacionamento entre pais e escola
Neste vídeo, pais e mães dizem de que forma acompanham os estudos de seus filhos. A especialista Heloisa Zymanski, professora de Psicologia da Educação da PUC-SP, fala sobre a relação entre famílias e escolas.
Buscar uma boa relação com a comunidade é papel da escola
Ana Amélia Inoue, coordenadora do Instituto Pedagógico Acaia, em São Paulo, SP, e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10, aponta algumas medidas que os gestores podem implantar na escola para melhorar a relação com os pais e responsáveis pelos alunos.
  3. Artigos  
Educar depende de uma relação mais ampla entre os pais do aluno e os professores do que a prevista em uma mera prestação de serviços
A família, que mais conhece a história da criança, é essencial na relação com a escola e o atendimento especializado
O perfil da instituição está em construção constante e em articulação com toda a sociedade
 Fonte: Revista Nova Escola

domingo, 23 de maio de 2010

O pensamento abstrato na adolescência


A conquista do pensamento abstrato muda a maneira de ver o mundo. Rebeldia e desejo de transformar e projetar o futuro são as novidades



FERNANDO Por que não pode?
Minha mãe me proíbe de sair para os lugares e de ter piercing. 
Tb diz que na escola não pode beijar. 
Pq não pode??? 
Fico bravo com isso, brigo, falo um monte!
Q coisa loka!


É PROIBIDO PROIBIR Rejeitar argumentos dos pais indica 
que o jovem começa a pensar com autonomia.
Ilustrações: Daniella Domingues
Adolescentes são rebeldes. Se alguém diz algo de que não gostam ou impõe proibições com as quais não concordam, eles rebatem, contestam e até gritam para defender suas opiniões. Também gostam de inovar. Querem mudar o mundo, mesmo não sabendo direito como fazer isso. E quando o assunto é sonho, então... Pensam no futuro e se imaginam fazendo milhões de coisas diferentes, da engenharia aeronáutica ao estrelato do rock. Não é difícil encontrar essas atitudes na maioria dos jovens - aliás, será que você não encaixou nas descrições acima alguns de seus alunos?

A explicação para esse jeito de agir é uma importante mudança cognitiva da moçada: a conquista do pensamento abstrato. Em linhas gerais, é a capacidade de pensar sobre coisas que ainda não conhecem ou que não são concretas (como o amor, o futuro e as regras morais) e de estabelecer hipóteses sobre fatos imaginários, o que lhes permite avaliar e escolher alternativas. "O novo pensar torna possível desafiar o mundo, redefinir conceitos fundamentais para a formação da identidade e ampliar o aprendizado de conteúdos escolares", explica Luciene Tognetta, professora do Departamento de Psicologia Educacional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Foi a partir da segunda metade do século 20 que se iniciaram as pesquisas sobre como a criança e o adolescente pensam. Até hoje, o suíço Jean Piaget (1896-1980) é uma das maiores referências no tema. Dos quatro estágios de desenvolvimento cognitivo propostos por ele, o chamado operatório abstrato (que ele também denomina de hipotético-dedutivo) é o último. Inicia-se por volta dos 12 anos e se caracteriza pela habilidade de pensar nas relações entre acontecimentos ou entre coisas sem precisar experimentá-las de fato.

Um pequeno problema lógico ajuda a entender melhor essa mudança na forma de pensar: galinhas brancas produzem ovos brancos, e galinhas vermelhas, ovos vermelhos: Qual a cor dos ovos das galinhas azuis? A criança certamente dirá que não existem ovos e galinhas azuis ou irá fantasiar uma história. Já o jovem seguirá o raciocínio lógico da fala e responderá: "Azuis". "As crianças também são capazes de formular hipóteses e efetivamente fazem isso, mas ainda precisam de um referencial concreto para pensar. Os jovens, não: eles podem criar hipóteses sobre aquilo que não conhecem ou não existe concretamente", explica Luciano de Lemos Meira, docente do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Continue lendo
Fonte: Revista Nova Escola

Para ver, ouvir e refletir...



Recebi este vídeo, da querida amiga
Ana Maria de Minas Gerais.
Lindo demais...
Verdades profundas...
que nos fazem pensar.

Um dia você aprende
... de Willian Sheakespeare

Depois de algum tempo você aprende a diferença,
a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se,
e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos
e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida
e olhos adiante, com a graça de um adulto
e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos,
e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima
se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe,
algumas pessoas simplesmente não se importam…
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança
e apenas segundos para destruí-la,
e que você pode fazer coisas em um instante,
das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
mas quem você é na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos
se compreendemos que os amigos mudam,
percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa,
ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida
são tomadas de você muito depressa,
por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos
com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros,
mas com o melhor que você mesmo pode ser.
descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo,
mas se você não sabe para onde está indo,
qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão,
e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade,
pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,
sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,
enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute
quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência
que se teve e o que você aprendeu com elas
do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens,
poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia
se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva,
mas isso não lhe dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer
que ame, não significa que esse alguém não o ama,
pois existem pessoas que nos amam,
mas simplesmente não sabem como demonstrar isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,
algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga,
você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,
o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto,plante seu jardim e decore sua alma,
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar…
que realmente é forte, e que pode ir muito mais
longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor
e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem
que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar

William Shakespeare

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Como elaborar diagramas e resumos

 No segundo módulo do projeto de formação de professores em leitura em todas as áreas, conheça outros dois procedimentos de estudo que ajudam a entender qualquer tipo de texto


Para estudar, o aluno precisa não só saber ler um texto mas também ter condições de entender seu significado. A elaboração de um resumo auxilia nessa tarefa e, por isso, esse gênero deve ser trabalhado em sala de aula, assim como os procedimentos para chegar a ele. É o que mostra este encarte desenvolvido com exclusividade para o projeto Ler em Todas as Áreas, de NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR, por Cláudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
Conheça as melhores maneiras de elaborar diagramas e esquemas que ajudam a organizar e hierarquizar as ideias, ponto de partida para a produção de resumos. Projeto de formação Ler em Todas as Áreas
2º módulo: Diagramas e Resumos Objetivo geral Formar os professores de 6º ao 9º ano para o trabalho de leitura de textos informativos e o ensino de procedimentos de estudo. Objetivos específicos - Ensinar o aluno a estudar. - Discutir situações didáticas de leitura em contexto de estudo. - Refletir sobre estratégias que favoreçam o domínio de algumas práticas de linguagem ligadas ao estudo: fazer esquemas, diagramas e resumos. - Conhecer bibliografia sobre gêneros de apoio à leitura. Conteúdos do 2º módulo Seleção, organização e registro de informações em situações didáticas de leitura e procedimentos de estudo (esquemas ou diagramas e resumos). Tempo estimado Dois meses. Material necessário O texto O Ensino do Resumo na Sala de Aula, de Isabel Solé, de Estratégias de Leitura, Ed. Artmed.
Continue lendo:

    Fonte: Revista Nova escola Gestão Escolar - Edição 007 | Abril/Maio 2010

    sábado, 15 de maio de 2010

    Educação - Meninos prodígios

    A história de um grupo de jovens com talento fora do comum para a matemática mostra como o estímulo precoce produz resultados extraordinários


    Por Roberta de Abreu Lima
    Oscar Cabral
    Trajetória-relâmpago
    Ricardo, Renan e Alex (da esq. para a dir.): direto da escola para o mestrado

    A biografia dos estudantes que aparecem na foto acima contém um fato raríssimo que os faz destoar completamente da média: eles alcançaram o feito de saltar do ensino médio direto para a pós-graduação em matemática – sem jamais ter pisado numa faculdade. O grupo pertence ao Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro, um dos melhores centros de pesquisa do mundo na área, de acordo com os rankings internacionais. Pois até mesmo ali, um celeiro de cérebros, a precocidade do trio chama atenção. Aos 18 anos, o catarinense Renan Finder já cursa o mestrado em matemática pura e cultiva o hábito de gravar na memória os problemas que, só por diversão, soluciona mentalmente nas horas vagas. O estudante resume o pensamento comum ao grupo dos prodígios: "Desde que me entendo por gente, penso o mundo como um matemático". Recrutados pelo Impa em olimpíadas dedicadas à disciplina, nas quais colecionaram medalhas, esses estudantes compõem um caso emblemático de como rastrear e lapidar talentos bem cedo pode trazer resultados excepcionais. Com todos os estímulos necessários, eles não apenas potencializaram suas aptidões como se conectaram a alguns dos melhores polos de pesquisa do mundo – algo decisivo para sua carreira. Avalia o doutor em matemática Seme Gebara: "Cultivar o talento dos jovens é crucial para o desenvolvimento de qualquer país – mas trata-se ainda de uma exceção no Brasil".
    Há evidências científicas de que os estímulos providos desde muito cedo àqueles de talento especial para a matemática têm efeitos poderosos. Isso porque em nenhuma outra etapa da vida eles estão tão propensos a ser criativos com os números. Explica o especialista alemão Martin Grötschel, da Universidade Técnica de Berlim: "Os estudos mostram que, até cerca dos 20 anos, os jovens ainda não mecanizaram os caminhos para solucionar os problemas, o que deixa o cérebro mais livre para o exercício da criatividade – fundamental para avançar nesse campo". A teoria pode ajudar a entender por que tantos gênios da matemática afloraram ainda na adolescência. Foi com apenas 16 anos que o francês Blaise Pascal (1623-1662) criou seus primeiros teoremas na área da geo-metria. O americano John Nash, por sua vez, escreveu sua tese sobre a teoria dos jogos, aquela que lhe renderia o Prêmio Nobel de Economia em 1994, aos 21 anos.

                     Najlah Feanny/Corbis/Latin Stock
    Genialidade precoce
    O americano John Nash: ele ganhou
    o Nobel pela tese sobre a teoria
    dos jogos que escreveu aos 21 anos


    A história dos jovens prodígios do Impa reforça ainda a ideia de como um ambiente favorável ao aprendizado pode ser decisivo. Em casa, todos eles receberam incentivos para que o gosto pelas equações se perpetuasse. "Desde pequeno, meu pai adorava me colocar diante de desafios matemáticos", lembra o paulista Ricardo Turolla, 21 anos, que na 8ª série do ensino fundamental já havia resolvido 100% dos exercícios dos livros do 3º ano do ensino médio. Foi uma questão de tempo para que o pai de Ricardo, um engenheiro elétrico, acabasse ultrapassado pelo filho – hoje cursando o doutorado na área de sistemas dinâmicos, cujas aplicações vão da previsão do tempo às cotações da bolsa de valores. Como esperado, o grupo também passou por boas escolas de ensino particular, onde encontraram professores que conseguiram mantê-los interessados, apesar do abismo que os separava do restante da turma. O fato de terem participado de uma série de olimpíadas de matemática – competições que têm revelado talentos como o do pernambucano João Lucas Gambarra, 15 anos (veja o quadro abaixo) – também foi relevante. Diz o carioca Alex Correa, 23 anos e um doutorado recém-concluído: "Um ambiente tão competitivo é desafiador à inteligência. Depois de uma olimpíada, eu já pensava em me preparar para a seguinte". Sim, todos estudam madrugada adentro. Por exigência do Ministério da Educação (MEC), também começaram a cursar a faculdade, pré-requisito para que o título de doutor seja válido no Brasil.
    Como outros de sua geração, os três jovens do Impa gostam de videogame, cinema, internet e festas com amigos. O que os distingue é justamente a adoração pela matemática – disciplina que a maioria dos estudantes no Brasil não só detesta como ignora. Numa comparação com alunos de 57 países, conduzida pela OCDE (organização que reúne os mais desenvolvidos), os brasileiros patinaram na 54ª posição, à frente apenas da Turquia, Catar e Quirguistão. A razão central para o flagrante atraso em relação aos demais países diz respeito ao baixo nível dos professores. Para se ter uma ideia, apenas 4% dos docentes do ensino fundamental se especializaram na área. Entre os que têm o diploma, a situação não melhora muito: em exame aplicado pelo MEC aos recém-formados, menos de um terço das questões foi respondido corretamente. Estamos a anos-luz, portanto, daquilo que o matemático americano John Allen Paulos, autor do livro Innumeracy (em português, "analfamatismo"), verificou ser mais eficaz para o ensino da matéria: "O desafio é apresentá-la como uma fantástica ferramenta para enxergar o mundo em que vivemos".

    O campeão de Quixaba

    Josue da Mata
          Coleção de medalhas
          O destaque olímpico João Gambarra:
          seus livros já são os do doutorado

    No 2º ano do ensino médio, o pernambucano João Lucas Gambarra, 15 anos, gosta de dedicar o tempo livre a atividades que causam estranheza aos colegas – todas relacionadas à matemática. Atualmente, ele se divide entre a leitura de um calhamaço sobre análise combinatória (indicado para alunos de doutorado) e a participação diária num fórum em que gente de todas as idades discute a resolução de problemas na internet. Frequentemente, o adolescente chega à resposta antes de todo mundo. Medalhista em cinco olimpíadas de matemática consecutivas entre escolas públicas, competição da qual participa desde os 10 anos, João Lucas tem uma trajetória distinta da maioria dos estudantes que sobressaem pelo talento. Filho de uma historiadora e de um professor do ensino fundamental, ele nunca teve condições financeiras para estudar em escola particular, tampouco para comprar todos os livros que o interessavam. Cientes de sua aptidão fora do comum, no entanto, os pais fizeram de tudo para incentivá-lo. Moradores do município de Princesa Isabel, no interior da Paraíba, eles decidiram matricular João Lucas numa escola pública da cidade vizinha, Quixaba, esta em Pernambuco – justamente pela notória excelência. Entre os 7 000 habitantes de lá, os feitos olímpicos do menino o alçaram à condição de celebridade. "Desde pequeno, matemática para mim sempre foi pura diversão", diz ele, que está em dúvida entre a carreira de engenheiro e a de analista de sistemas. 


    Fonte: Revista Veja -  Edição 2165  -19 de maio de 2010.

    domingo, 9 de maio de 2010

    Fotografia - Adoráveis dorminhocos

    Nas mãos das irmãs fotógrafas Tracy Raver e Kelley Ryden, eles são uns anjinhos adormecidos que não dão um pingo de trabalho.

    Já em casa...


    Por Suzana Villaverde
    Fotos Ryden-Raver LLC



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    Eles são minúsculos, bochechudos, irresistivelmente adoráveis. Mas choram tanto... Essa reclamação, tão comum quanto o olhar tresnoitado em pais de bebês novinhos, não parece existir no estúdio das fotógrafas Kelley Ryden e Tracy Raver, irmãs gêmeas de 39 anos, especialistas em fotos de recém-nascidos. A prova da habilidade quase mágica em administrar o sono impossível é o livro Sleeping Beauties: Newborns in Dream-land (Belos Adormecidos: Recém-Nascidos no Mundo dos Sonhos), um apanhado de bebezinhos adormecidos em poses aparentemente impossíveis. A julgar pelas fotos, perto de Kelley e Tracy não existem os dois bichos-papões do sono neonatal, a cólica e o refluxo – sendo a cólica, segundo o pediatra Marcelo Reibscheid, "um choro mais doído, de que se ouve falar desde o tempo de nossos avós", e o refluxo a qualificação dos tempos modernos para "qualquer coisa que faça a criança chorar". Quem tem um bebê novo em casa sabe exatamente o que ele está dizendo (veja conselhos do pediatra no quadro abaixo). Pois diante das duas fotógrafas, bem alimentados, em ambiente suave, os recém-nascidos comportam-se como os perfeitos anjinhos que não são na vida real. A quem se admira diante da suprema serenidade das fotos, Kelley garante: todos estão dormindo mesmo, e fazem aquelas carinhas mesmo. "Conosco não tem choro. Cada sessão de foto de mais ou menos três horas se passa quase em silêncio, com sons e música suaves e fala baixinha. Quando acaba, os pais querem levar a gente para casa", brinca.
    Ambas mães de filhos pequenos, as irmãs largaram o emprego (programadora de software e executiva de negócios) para se dedicar à fotografia de crianças em geral e, nos últimos três anos, só de bebês. Nesse processo, desenvolveram algumas técnicas infalíveis para acalmar até os mais escandalosos. Primeiro, pedem que os bebês sejam amamentados e vestidos com roupas confortáveis pouco antes de saírem de casa. Quando acomodados no carro dos pais, a viagem até o estúdio – localizado a vinte minutos do centro de Omaha, no Nebraska, bem no meião gelado nos Estados Unidos – já embala os recém-nascidos. Adormecidos, eles entram num estúdio projetado para lembrar o ventre materno: na sala onde as fotos são tiradas, a temperatura ambiente fica em torno de 30 graus e uma máquina reproduz som semelhante ao que escutavam dentro da barriga da mãe. O bebê ideal para ser fotografado tem entre 5 e 12 dias de vida, uma espécie de janela de oportunidade em que estão bem alimentados pelo leite materno abundante e antes das benditas cólicas, em geral desencadea-das com gritante força a partir da terceira semana. Fotos fora do estúdio, só em dias de temperatura amena, em locais isolados. Nessa fase, os bebês são muito maleáveis, como se vê pelas fotos com perninhas caprichosamente dobradas e bracinhos cruzados em torno do rosto. Mesmo assim, na maioria das situações, sobretudo quando ficam soltos num espaço ou pendurados, há sempre a mão providencial de uma das irmãs em algum ponto, segurando a pose (posteriormente, é removida no computador). "Os bebês estão sempre na posição que se vê. Nada é forçado. Mas algumas poses precisam de mais ajuda e cuidado", conta Kelley.
    Mesmo com poucos dias de vida, é possível notar diferenças de temperamento, registra ela, e, sim, meninas dão mais trabalho que meninos. Kelley é tão calma que só de ouvir sua voz sua-ve já começa a dar um soninho: "Quando se trabalha com bebês, é preciso saber transmitir tranquilidade. Pessoas muito aceleradas ou nervosas passam isso para o recém-nascido". Por isso mesmo, pais podem assistir às fotos – bem de longe e sem interferir. A estratégia vem dando certo: cada sessão de fotos das irmãs custa 1 700 dólares (cerca de 3 000 reais) e a agenda está lotada para os próximos meses. Que pai ou mãe resiste a ver seu bebezinho embalado em sono angelical, nem que seja só na fotografia?



    DORMIR, DORMIR, DORMIR
    De barriga cheia, em locais quentinhos e sem barulho, os bebezinhos do livro,
    a maioria entre 5 e 12 dias de vida, fazem pose: paz e maleabilidade




    Mamãe, eu quero

    Bebês muito novinhos choram por cinco motivos: fome, dor, calor, frio e fralda suja. Tirando isso, dormem o tempo todo. Fácil? Pois pais e mães imploram conselhos para o fim do choro. O pediatra Marcelo Reibscheid, de São Paulo, oferece alguns


    Dar mais leite. "A fome é o motivo mais comum do choro. E o bebê para de chorar assim que é amamentado"
    Usar o bom e velho cueiro. "Embrulhado na posição fetal e impedido de mover pernas e braços, ele se sente protegido"
    Fazê-lo sentir o cheiro da mãe. "Qualquer blusa não lavada por perto faz com que o bebê sinta a presença dela"
    Tocar música. "Existem discos prontos para isso. Vão de música clássica a rock"
    Dar colo.
    "O bebê pode ficar mal-acostumado. Mas, se nada resolve, é a solução"
    Rezar, fazer promessa, aproveitar para ler os clássicos e esperar que seis meses passem rápido. Não, não foi o pediatra que disse isso.













    Fonte: Revista Veja

    Mãe não tem limite...



    Por que Deus permite
    que as mães vão-se embora?
    Mãe não tem limite,
    é tempo sem hora,
    luz que não apaga
    quando sopra o vento
    e chuva desaba,
    veludo escondido
    na pele enrugada,
    água pura, ar puro,
    puro pensamento.

    Morrer acontece
    com o que é breve e passa
    sem deixar vestígio.
    Mãe, na sua graça,
    é eternidade.
    Por que Deus se lembra
    - mistério profundo -
    de tirá-la um dia?
    Fosse eu Rei do Mundo,
    baixava uma lei:
    Mãe não morre nunca,
    mãe ficará sempre
    junto de seu filho
    e ele, velho embora,
    será pequenino
    feito grão de milho.

    Carlos Drummond de Andrade

    sábado, 8 de maio de 2010

    Salto no escuro

    Seis de cada dez crianças brasileiras estudam segundo os dogmas do construtivismo, um sistema adotado por países com os piores indicadores de ensino do mundo


    Por Marcelo Bortoloti
    Oscar Cabral
    Faltam metas
    Típica aula construtivista: o aluno dá o ritmo

    VEJA TAMBÉM
    Mais de 60% das escolas públicas e particulares no Brasil se identificam como adeptas do construtivismo. Sendo assim, parece óbvio que seis de cada dez crianças brasileiras estão sendo educadas com base em uma doutrina didática cuja natureza, objetivos e lógica devem ser de amplo conhecimento de diretores, professores e pais. Correto? Errado. Uma pesquisa conduzida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) desvenda um cenário obscuro. Em plena era da internet, os conceitos do construtivismo parecem ter chegado ao Brasil via as ondas curtas de 49 metros de propagação troposférica, com suas falhas e chiados. Ninguém sabe ao certo como o construtivismo funciona, muito menos saberia listar as razões pelas quais ele foi adotado ou deve ser defendido. Ele é definido erradamente como um "método de ensino". O construtivismo não é um método. É uma teoria sobre o aprendizado infantil posta de pé nos anos 20 do século passado pelo psicólogo suíço Jean Piaget. A teoria do suíço deu credibilidade à concepção segundo a qual a construção do conhecimento pelas crianças é um processo diretamente relacionado à sua experiência no mundo real. Ponto. A aplicação prática feita nas escolas brasileiras tem apenas o mesmo nome da teoria de Piaget. O construtivismo tornou-se uma interpretação livre de um conceito originalmente racional e coerente. Ele adquiriu várias facetas no Brasil. Unifica-as o primado da realidade da criança sobre os conceitos básicos das disciplinas tradicionais. Traduzindo e caricaturando: como não faz frio suficiente na Amazônia para congelar os rios, um aluno daquela região pode jamais aprender os mecanismos físicos que produzem esse estado da água apenas por ele não fazer parte de sua realidade. Isso está mais longe de Piaget do que Madonna da castidade.
    A experiência mostra que as interpretações livres do construtivismo podem ser desastrosas – especialmente quando a escola adota suas versões mais radicais. Nelas, as metas de aprendizado são simplesmente abolidas. O doutor em educação João Batista Oliveira explica: "O construtivismo pode se tornar sinônimo de ausência de parâmetros para a educação, deixando o professor sem norte e o aluno à mercê de suas próprias conjecturas". Por preguiça ou desconhecimento, essas abordagens radicais da teoria de Piaget são a negação de tudo o que trouxe a humanidade ao atual estágio de desenvolvimento tecnológico, científico e médico. Sua ampla aceitação no passado teria impedido a maioria das descobertas científicas, como a assepsia, a anestesia, as grandes cirurgias ou o voo do mais pesado que o ar. Sir Isaac Newton (1643-1727), que escreveu as equações das leis naturais, dizia que suas conquistas só haviam sido possíveis porque ele enxergava o mundo "do ombro dos gigantes" que o precederam. O conhecimento que nos trouxe até aqui é cumulativo, meritocrático, metódico, organizado em currículos que fornecem um mapa e um plano de voo para o jovem aprendiz. Jogar a responsabilidade de como aprender sobre os ombros do aprendiz não é estúpido. É cruel.
    Em um país como o Brasil, onde as carências educacionais são agudas, em especial a má formação dos professores, a existência de um método rigoroso, de uma liturgia de ensino na sala de aula, é quase obrigatória. A origem latina da palavra professor deveria ser um guia para todo o processo de aprendizado. O professor é alguém que professa, proclama, atesta e transmite o conhecimento adquirido por ele em uma arte ou ciência. Nada mais longe da realidade brasileira, em que menos da metade dos professores é formada nas disciplinas que ensina. À luz das versões tropicais do construtivismo, essa deficiência é até uma vantagem, pois, afinal, cabe aos próprios alunos definir com base em sua realidade o que querem aprender. É claro que um modelo assim já seria difícil funcionar em uma sala de aula ideal, com um mestre iluminado cercado de poucos e brilhantes pupilos. Nas salas de aula da realidade brasileira, é impossível que essa abordagem leniente dê certo. Adverte o doutor em psicologia Fernando Capovilla, da Universidade de São Paulo (USP): "As aulas construtivistas frequentemente caem no vazio e privam o aluno de conteúdos relevantes".
    Um conjunto de pesquisas internacionais chama atenção para o fato de que, em certas disciplinas do ensino básico, o construtivismo pode ser ainda mais danoso – especialmente na fase de alfabetização. Enquanto na pedagogia tradicional (a do bê-á-bá) as crianças são apresentadas às letras do alfabeto e aos seus sons, depois vão formando sílabas até chegar às palavras, os construtivistas suprimem os fonemas e já mostram ao aluno a palavra pronta, sempre associada a uma imagem (veja o quadro). A ideia é que, ao ser exposto repetidamente àquela grafia que se refere a um objeto conhecido, ele acabe por assimilá-la, como que por osmose. De acordo com a mais completa compilação de estudos já feita sobre o tema, consolidada pelo departamento de educação americano, os estudantes submetidos a esse método de alfabetização têm se saído pior do que os que são ensinados pelo sistema tradicional. Foi com base em tal constatação que a Inglaterra, a França e os Estados Unidos abandonaram de vez o construtivismo nessa etapa. O departamento de educação americano também o contraindicou para o ensino da matemática – isso depois de uma sucessão de maus indicadores na sala de aula.
    O construtivismo ganhou força na pedagogia durante a década de 70, época em que textos de Piaget e de alguns de seus seguidores, como o psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934), vários dos quais traduzidos para o inglês, foram descobertos nas universidades americanas. Foi a partir daí que a corrente se disseminou por escolas dos Estados Unidos e da Europa. No Brasil, virou moda. Uma década mais tarde, porém, tal corrente começaria a ser gradativamente abandonada nos países que a adotaram pioneiramente. Os responsáveis pelo sistema educacional daqueles países chegaram a uma mesma conclusão: a de que a adoção de uma filosofia que não se traduzia em um método claro de ensino deixava os professores perdidos, deteriorando o desempenho dos alunos. Hoje, são poucos os países ainda entusiastas do construtivismo. Entre eles estão todos os de pior desempenho nas avaliações internacionais de educação. Com seis de cada dez crianças brasileiras entregues a escolas que se dizem adeptas do construtivismo, é de exigir que diretores, professores, pais e autoridades de educação entendam como se atolaram nesse pântano e tenham um plano de como sair dele.
    Fotos Ria Novosti/AFP e Farrell Grehan/Corbis
    A anos-luz das origens
    O suíço Jean Piaget (à dir.) e o russo Lev Vygotsky (à esq.): da teoria que eles puseram de pé, o construtivismo das escolas brasileiras só tem o nome.


    Fonte : Revista Veja 

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