domingo, 23 de maio de 2010

O pensamento abstrato na adolescência


A conquista do pensamento abstrato muda a maneira de ver o mundo. Rebeldia e desejo de transformar e projetar o futuro são as novidades



FERNANDO Por que não pode?
Minha mãe me proíbe de sair para os lugares e de ter piercing. 
Tb diz que na escola não pode beijar. 
Pq não pode??? 
Fico bravo com isso, brigo, falo um monte!
Q coisa loka!


É PROIBIDO PROIBIR Rejeitar argumentos dos pais indica 
que o jovem começa a pensar com autonomia.
Ilustrações: Daniella Domingues
Adolescentes são rebeldes. Se alguém diz algo de que não gostam ou impõe proibições com as quais não concordam, eles rebatem, contestam e até gritam para defender suas opiniões. Também gostam de inovar. Querem mudar o mundo, mesmo não sabendo direito como fazer isso. E quando o assunto é sonho, então... Pensam no futuro e se imaginam fazendo milhões de coisas diferentes, da engenharia aeronáutica ao estrelato do rock. Não é difícil encontrar essas atitudes na maioria dos jovens - aliás, será que você não encaixou nas descrições acima alguns de seus alunos?

A explicação para esse jeito de agir é uma importante mudança cognitiva da moçada: a conquista do pensamento abstrato. Em linhas gerais, é a capacidade de pensar sobre coisas que ainda não conhecem ou que não são concretas (como o amor, o futuro e as regras morais) e de estabelecer hipóteses sobre fatos imaginários, o que lhes permite avaliar e escolher alternativas. "O novo pensar torna possível desafiar o mundo, redefinir conceitos fundamentais para a formação da identidade e ampliar o aprendizado de conteúdos escolares", explica Luciene Tognetta, professora do Departamento de Psicologia Educacional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Foi a partir da segunda metade do século 20 que se iniciaram as pesquisas sobre como a criança e o adolescente pensam. Até hoje, o suíço Jean Piaget (1896-1980) é uma das maiores referências no tema. Dos quatro estágios de desenvolvimento cognitivo propostos por ele, o chamado operatório abstrato (que ele também denomina de hipotético-dedutivo) é o último. Inicia-se por volta dos 12 anos e se caracteriza pela habilidade de pensar nas relações entre acontecimentos ou entre coisas sem precisar experimentá-las de fato.

Um pequeno problema lógico ajuda a entender melhor essa mudança na forma de pensar: galinhas brancas produzem ovos brancos, e galinhas vermelhas, ovos vermelhos: Qual a cor dos ovos das galinhas azuis? A criança certamente dirá que não existem ovos e galinhas azuis ou irá fantasiar uma história. Já o jovem seguirá o raciocínio lógico da fala e responderá: "Azuis". "As crianças também são capazes de formular hipóteses e efetivamente fazem isso, mas ainda precisam de um referencial concreto para pensar. Os jovens, não: eles podem criar hipóteses sobre aquilo que não conhecem ou não existe concretamente", explica Luciano de Lemos Meira, docente do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Continue lendo
Fonte: Revista Nova Escola

Um comentário:

Valdeir Almeida disse...

Olá, Marise,

Os pais ficam perdidos, mesmo com todas as descobertas científicas a respeito do tema.

O adolescente passa por mudança congnitiva o que o possibilita ver o mundo de uma forma diferente daquele visto pelos pais. Daí vem o conflito.


Abraços e ótima quarta-feira.

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin