sábado, 19 de junho de 2010

Gestos que educam, por Mara Debus*

Gooooooooooooooooooooool!


Nas arquibancadas, enquanto uma torcida se levanta, aplaude e comemora, a torcida do time adversário se mantém calada, inerte e entristecida.


O artilheiro, ao correr para o encontro da torcida e comemorar o gol feito, tira a camisa, dança, saltita, embala o filho simbólico, beija a aliança, faz o sinal da cruz, eleva os braços ao céu para agradecer e, assim, envia a sua mensagem.


Palavras para quê? Não foram necessárias. E tudo foi literalmente compreendido. O que observamos é a presença da linguagem do corpo. O corpo que fala e comunica. Para comunicar, não é preciso necessariamente falar. A comunicação pode ser através do som, da imagem e escrita. Também por gestos, já que um gesto pode dizer e significar muitas coisas.


O gesto de positivo e negativo feito com o dedo polegar, por exemplo. De origem confusa, para uns nasceu na época dos combates entre gladiadores, na Roma antiga, quando cabia à plateia escolher se o combatente deveria morrer ou não através da escolha de seu gesto; para os ingleses, era comum o uso dos polegares para fechar negócios: as duas pessoas envolvidas molhavam o dedo, levantavam a mão e apertavam um polegar contra o outro. Verídicas ou não, há várias teorias tentando explicar a origem do gesto. O que sabemos, com certeza, é que o uso do polegar para cima significa positivo e polegar para baixo, negativo.


Na infância, a comunicação não verbal é usada com muita naturalidade. Seja através do contato visual ou físico, do sorriso, da expressão facial, gestualidade, postura etc., a criança encontra fórmulas mágicas – no sentido literal da palavra – para demonstrar o que é legal e o que não é legal. Jogar papel na rua? Gesto negativo: dedinho pra baixo. “Bom dia”, “por favor”, “obrigado” e “até logo”? Gesto positivo: dedinho pra cima.


Lições de civilidade aprendidas na família ou na escola, espaços que marcam o início da vida pública e que são necessariamente espaços de construção da cidadania. Exemplos que deveriam ser habituais e que, em época de Copa do Mundo, especialmente, podem ser aplicados para educar nossas crianças e, quem sabe, reeducar adultos.


Assim como o jogo carrega em si um significado muito abrangente, o gesto é cercado de simbolismo e reforça a motivação, permitindo a criação de novas regras e ações. Dedinho pra baixo e dedinho pra cima? Paz e amor? V da vitória? Gestos que permitem a criança ser e estar em um mundo que se movimenta, gesticula e ao mesmo tempo encontrar formas de imitá-lo para aprender a viver.


Levar o exemplo do mundo esportivo para o ambiente educacional é um desafio extremamente válido. Devemos explorar o sentimento de civismo que aflora neste momento em que milhões de patriotas surgem de verde e amarelo com as mais diversas caracterizações e acessórios para comemorar na tentativa de provar o quanto são cidadãos e torcem pelo Brasil.


*Administradora e consultora educacional

Fonte: Jornal Zero Hora - 17 de junho de 2010 | N° 16369

4 comentários:

Suziley disse...

Texto bem interessante. O esporte a serviço da educação. Muito bom mesmo!! Um ótimo final de semana, Marise, beijos no seu coração ;)

Valdeir Almeida disse...

Olá, Marise.

Aí está mais uma utilidade que o esporte apresenta para se trabalhar em sala de aula.

No futebol, o corpo fala. Principalmente nas aulas de Língua Portuguesa, poderíamos aproveitar o fascínio da Copa do Mundo para mostrar aos alunos que o código não é apenas palavras. O corpo comunica, e essa, aliás, é a forma mais ampla de comunicação.

Abraços, Marise, e ótima semana pra você.

Mari Amorim disse...

Esquece o mal que porventura te atinge.
Entrega os problemas ao tempo, que tudo resolve.
Trabalha no bem e o bem responderá com a paz na tua consciência.
Boas energias,
bjs
Mari

armandogt disse...

gostei da analise

http://imaginarybeing.wordpress.com/

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