sábado, 27 de fevereiro de 2010

Alegres e ignorantes, por Lya Luft

"Estar informado e atento é o melhor jeito de ajudar a construir a sociedade que queremos, ainda que sem ações espetaculares"

Ilustração Atômica Studio

Há fases em que, inquieta, eu talvez aponte mais o lado preocupante da vida. Mas jamais esqueço a importância do bom humor, que na verdade me caracteriza no cotidiano, mais do que a melancolia. Meu amado amigo Erico Verissimo certa vez me disse: "Há momentos em que o humor é até mais importante do que o amor". Eu era muito jovem, na hora não entendi direito, mas a vida me ensinou: nem o amor resiste à eterna insatisfação, à tromba assumida, às reclamações constantes, à insatisfação sem tréguas. Bom humor zero. Desperdício de vida: acredito que, junto com dinheiro, sexo e amor, é a alegria que move o mundo para o lado positivo. Ódio, indignação fácil, rancores e inveja – e nossa natureza predadora – promovem mediocridade e atos cruéis.


Quando, seja na vida pessoal, seja como cidadãos ou habitantes deste planeta, a descrença e o desalento rosnam como animais no escuro no meio do mato, uma faísca de bom humor clareia a paisagem. Mas há coisas que nem todo o bom humor do mundo resolveria num riso forçado. Como senti ao ler, numa dessas pesquisas entre esclarecedoras e assustadoras (quando vêm de fonte confiável), que mais de 30% da nossa chamada elite é de uma desinformação avassaladora. Aqui o termo "elite" não tem a ver com aristocracia, roupa de grife, apartamento em Paris ou décima recostura do rosto, mas com a gente pensante. A que usa a cabeça para algo além de separar orelhas. Pois, segundo a pesquisa, entre nós a imensa maioria dos ditos pensantes não consegue dizer o nome de um só ministro desta nossa República. Senadores, nem falar.


A turma que completa o 2º grau, que faz faculdade, que tem salário razoável, conta no banco, deveria ser a informada. Essa que não precisa comprar carro em noventa meses e deixar de pagar depois de quatro. A elite que consegue viajar conhece até algo do mundo, e poderia ter uma pequena biblioteca em casa. Em geral, não tem. Com sorte, lê jornal, assiste a boas entrevistas e noticiosos daqui e de fora, enfim, é gente do seu tempo. Para isso não se precisa de muita grana, acreditem. Mesmo assim, essa elite é pouco interessada numa realidade que afinal é dela.


Resolvi testar a mim mesma: nomes de ministros atuais desta nossa República. Cheguei a meia dúzia. São quase quarenta. Então começo a bater no peito, em público, aliás. Num país onde mais da metade dos habitantes são analfabetos, pois os que assinam o nome não conseguem ler o que estão assinando, ou vivem como analfabetos, pois não leem nem o jornal largado na praça, os que sabem ler deveriam ser duplamente ativos, informados e participantes. Não somos. Nossos meninos raramente sabem o título de seus livros escolares ou o nome dos professores (sabem o dos jogadores de futebol, dos cantores de bandas, das atrizezinhas semieróticas). Agimos como se nada fora do nosso pequeno círculo pessoal nos atingisse.


Além das desgraças longe e perto, vindas da natureza ou do homem, estamos num ano eleitoral. Inaugurado o circo de manobras, mentiras e traições escrachadas ou subliminares que conhecemos. Precisamos de claridade nas ideias, coragem nos desafios, informação e vontade, e do alimento dos afetos bons. Num livro interessante (não importa o assunto) alguém verbaliza velhas coisas que a gente só adivinhava; um filme pode nos lembrar a generosidade humana; uma conversa pode nos tirar escamas dos olhos. Estar informado e atento é o melhor jeito de ajudar a construir a sociedade que queremos, ainda que sem ações espetaculares. Mas, se somos desinformados, somos vulneráveis; se continuarmos alienados, bancaremos os tolos; sendo fúteis, cavamos a própria cova; alegremente ignorantes, podemos estar assinando nossa sentença de atraso, vestindo a mordaça, assumindo a camisa de força que, informados, não aceitaríamos.


Alegria, espírito aberto, curiosidade, coisas boas desta vida, todos as merecemos. Mas me poupem do risinho tolo da burrice ou da desinformação: o vazio por trás dele não promete nada de bom.


Lya Luft é escritora


Fonte: Revista Veja

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Tecnologia e Educação - Entrevista Frederic Litto



Aluno está acostumado com o mundo interativo, por isso a escola deve mudar, diz especialista em Educação à distância


Foto: Cintia Sanchez

Foto: professor Litto

"O professor não pode apenas escrever na lousa, ser um entregador de informação, de conhecimento, como foi no passado"


Por: Bruna Nicolielo - Portal Educar para Crescer - 20 de janeiro de 2010


Ipod, Orkut, Twitter, Facebook, e-readers... A disseminação da internet e de recursos digitais está promovendo uma revolução em vários aspectos da nossa vida. A Educação é uma das áreas mais afetadas, afinal os novos tempos exigem também novas competências e habilidades. Imersos em um mundo marcado pelo excesso de informação, agora os alunos têm de dominar muitas aptidões além do tradicional. Nesse cenário, mais importante que decorar fatos históricos é interpretar diversas fontes históricas e escolher aquela que é a mais significativa; mais importante que conhecer a fórmula de Báskara ou as Leis de Newton é fazer as perguntas certas e lidar não com nacos de informação, mas com temas transversais, que cruzam conhecimentos de várias disciplinas. Novos tipos de alfabetização são exigidos e hoje, os estudantes têm de interpretar imagens e códigos audiovisuais, não mais apenas textos verbais. "O aluno está acostumado com o mundo interativo. Se não gosta do programa, aperta o controle remoto e muda de canal. Quando ele vai para a escola e não gosta do professor ou da matéria, ele também quer nullapertar o controlenull", afirma Frederic Litto, fundador da Escola do Futuro, unidade da Universidade de São Paulo (USP) dedicada à pesquisa e ao desenvolvimento de projetos que aplicam a tecnologia à Educação.

Essa mudança de paradigma exige uma nova Educação, onde outras formas de aprender são valorizadas, em detrimento da Educação tradicional. "O mundo mudou, a escola não mudou. Mas tem de mudar", explica Litto, hoje presidente da Associação Brasileira de Educação à Distância (ABED). Ambientes virtuais de aprendizagem, como a Caverna Digital, um sistema de realidade virtual, ainda engatinham no Brasil. Do mesmo modo, a Educação à distância sofre duras criticas, apesar de crescer anualmente, apontam dados do Censo da Educação Superior, do Ministério da Educação (MEC). Esse universo é a especialidade de Litto, um americano que se graduou e doutorou nos Estados Unidos, mas veio parar no Brasil por conta de uma brasileira, que conheceu em uma universidade americana e com quem é casado até hoje: a biblioteconomista Inês Litto. Defensor das novas tecnologias, porém nada deslumbrado, Litto recebeu a repórter Bruna Nicolielo em sua casa, nos Jardins, em São Paulo. Na entrevista a seguir, ele fala sobre a Educação do Futuro, as mudanças que a tecnologia tem provocado na formas de aprender, educação à distância, entre outros temas.


1. Quais as tendências para a Educação do futuro?


Frederic Litto: A redução do número de aulas presenciais, complementada pela modalidade de Educação à distância, o aumento do uso de recursos tecnológicos e adoção da Internet em sala de aula.


2. Por que há tanta resistência à educação à distância?


Frederic Litto: Essa mentalidade conservadora é um grande entrave para pleno desenvolvimento da Educação à distância. Ela revela uma visão estática do mundo. O mundo mudou, a escola não mudou. Mas tem de mudar. Veja a reação contrária à criação da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo). Pesquisas mostram a eficácia da Educação à distância, mas o potencial dela ainda não foi reconhecido por conta do conservadorismo. A resistência vem de diversos setores: dos empregadores, das faculdades de Educação. E a formação é um ponto nevrálgico da Educação. É preciso travar uma guerra contra a ignorância, contra o conservadorismo. Em outros países do mundo a Educação à distância é uma realidade. É possível fazer cursos de graduação, mestrado... Trata-se de uma possibilidade de democratizar o acesso à Educação. Além disso, o aluno brasileiro de cursos à distância é assíduo.


3. Quais as aptidões básicas do estudante do século XXI?


Frederic Litto: Saber fazer as perguntas certas, resolver problemas, interpretar textos e imagens. A formação também dará ênfase ao espírito critico, em como o estudante deve procurar a informação que precisa, deve tomar decisões e escolher, por exemplo, entre diversas fontes históricas, aquela que é a mais significativa.


4. As inovações tecnológicas estão mudando nosso jeito de aprender?


Frederic Litto: O aluno está acostumado com o mundo interativo. Se não gosta do programa, aperta o controle remoto e muda de canal. Quando ele vai para a escola e não gosta do professor ou da matéria, ele também quer "apertar o controle". A meninada não tem mais paciência com o professor do passado, porque eles estão caminhando com seus próprios pés. Isso tem uma vantagem. Agora o professor tem tempo de fazer um trabalho mais nobre, o de ser um conselheiro, um guia do aluno, ajudar o jovem a ler as entrelinhas do texto poético, literário ou de história, a interpretar sutilezas. Porque tem certas coisas que a tecnologia não resolve. Só mesmo o professor, apontando, dizendo "olha, pode ser assim, ou assim...". Por isso, o professor não pode apenas escrever na lousa, ser um entregador de informação, de conhecimento, como foi no passado. Com tanta informação, não dá para condensar isso em 90 minutos de aula. A Internet e CD roms, que contêm grandes acervos de informação factual, de textos, imagens e sons, é uma forma de conter e disponibilizar a informação muito mais eficiente do que foi no passado, com a saliva e o giz, o professor e o livro-texto. Mas é importante ressalvar: nada substitui o livro-didático e a adoção de novas tecnologias não significa dispensar o professor.


5. Esse novo cenário está transformando a pedagogia tradicional?

Frederic Litto: Sim. A Educação à distância está impulsionando a heutologia, um conceito que se contrapõe à pedagogia tradicional, em que o estudante assimila o conhecimento sem questionar, atendendo aos interesses das instituições e dos professores. Na heutologia, ao contrário, o estudo é autodirigido. Assim, o aluno determina o que, quando e como pretende estudar. Nesse tipo de estudo, o estudante é quem sai em busca do que quer aprender e decide como quer estudar. Universidades como a Excelsior College, de Nova York, dão diploma sem querer saber como e onde a pessoa estudou. O aluno só precisa provar que sabe, que tem competência. E isso se faz por meio de avaliações.


6. Nessa conjuntura, qual é o novo papel do professor?


Frederic Litto: O professor deve ser um arquiteto de atividades, estimulando os alunos a descobrirem o conhecimento, a trabalharem sozinhos, a resolverem problemas. Deve ser um facilitador para o aluno. Nesse sentido, o papel do professor é mais importante do que foi no passado, quando ele tinha como papel a pura e simples entrega de informação para o aluno. Ele era um repetidor e não criador de novo conhecimento, escrevendo na lousa e passando a lição de casa. Ao invés de perder tempo jogando informação para o aluno, "como dono da verdade", agora o professor tem a tarefa de organizar atividades que façam com que os alunos de fato aprendam. Dentro de uma filosofia construtivista, que faz com que os alunos realizem projetos de biologia, química, história, português, e vão construindo tijolo por tijolo o edifício de seu conhecimento individual. As gincanas, caças ao tesouro e atividades que envolvam a solução de problemas são tarefas que podem garantir ao aluno entender princípios profundos de todas as disciplinas. Se o professor joga as informações para eles da forma tradicional, eles não compreendem em profundidade e perdem o interesse em aprender. Memorizam a informação para satisfazer o professor na prova, satisfazer os pais ou para passar no vestibular. Isso não tem nada a ver com Educação!


7. O aluno também precisa assumir um novo papel?


Frederic Litto: Sim, o aluno deve assumir uma posição mais inquisitiva, curiosa. Nessa nova Educação, o aluno exerce o papel de protagonista e as tecnologias digitais são usadas a serviço da aprendizagem. Para adquirir competências imprescindíveis para a vida na sociedade do conhecimento, precisa interpretar informações históricas, ler textos e imagens, tomar decisões. Vou ilustrar essa afirmação contando um episódio que considero muito interessante. Antes da emergência da Internet, havia um projeto de intercâmbio entre escolas públicas de Santos (SP), São Paulo (SP) e Lisboa, em Portugal, que permitia aos alunos do ensino fundamental dos dois países trocar informações. Foi só por meio desse intercâmbio que os alunos portugueses descobriram que seu país tinha comercializado negros africanos para o trabalho escravo. Veja só, livros e professores ocultavam a escravidão. A curiosidade infantil permitiu então que brasileiros e portugueses descobrissem e discutissem um conhecimento novo.


8. O que acha de iniciativas que democratizam o acesso à tecnologia, como o programa Um Laptop por aluno?


Frederic Litto: O programa Um Laptop por aluno é caro, mas é bom. Traz uma novidade para sala de aula, que desperta a curiosidade. Na sociedade do conhecimento, o professor não é o dono da verdade. E a Internet derruba as paredes da sala de aula, porque permite ao aluno contestar as informações transmitidas pelo professor. É fantástico! Mas hoje, as escolas brasileiras não usam o computador direito, como mostra uma pesquisa feita pela Fundação Victor Civita (FVC) [Leia a reportagem sobre a pesquisa em http://educarparacrescer.abril.com.br/politica-publica/tecnologia-escola-519445.shtml]. O computador deveria estar na sala de aula e não restrito à sala de informática ou, pior, à sala da direção. Uma vez, estava ministrando um curso e um professor de inglês, que acessava a Internet pela primeira vez, me perguntou: nullposso ler o New York Times pelo computador?null. E eu falei: nullPodenull. Ele começou a chorar. Disse que aquilo mudara a vida dele. Foi comovente.


9. Como e quando surgiu a Escola do Futuro?


Frederic Litto: A Escola do Futuro surgiu em 1989, sob minha coordenação, quando era professor titular da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP). Inicialmente, a Escola do Futuro era um laboratório departamental, que chamava "Laboratório de Tecnologias de Comunicação" e era ligado ao Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes. Em 1993, a entidade foi instituída como um Núcleo de Apoio à Pesquisa, passando a ser subordinada à Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade. Nessa época, ela passou a se intitular Núcleo das Novas Tecnologias de Comunicação Aplicadas à Educação Escola do Futuro/USP.


10. Qual é o objetivo da Escola do Futuro?


Frederic Litto: As pesquisas iniciais pretendiam explorar e implementar propostas inovadoras que, utilizando recursos como a Internet e a multimídia, contribuíssem para o aumento das possibilidades de ensino e de aprendizagem. Nosso objetivo era discutir e avaliar estratégias educacionais mediadas pelas TICS (tecnologias de informação e comunicação), organizar seminários e cursos. Em 2006, a coordenação do núcleo passou a ser exercida pela professora Brasilina Passarelli, do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Escola de Comunicações e Artes da USP. Hoje, a Escola do Futuro continua desenvolvendo pesquisas nessas e em outras áreas, como a emergência de novas formas de autoria.


11. Que projetos interessantes na área de tecnologias da Educação o senhor destaca?


Frederic Litto: Há muitas iniciativas sendo desenvolvidas e implementadas, inclusive pela iniciativa privada, por meio de fundações e institutos. Faço uma menção especial à Caverna Digital, que foi criada pelo Núcleo de Realidade Virtual do LSI (Laboratório de Sistemas Integráveis), ligado à Escola Politécnica da USP. A Caverna é, grosso modo, um cinema 3D, um sistema de realidade virtual que permite, por meio sons e aspectos sensoriais, grande interação. Esse ambiente pode simular, por exemplo, o fundo do mar, a superfície de Marte... Essa tecnologia pode ser aplicada em muitas ciências, mas na Pedagogia, oferece a possibilidade de desenvolver jogos interativos educativos e objetos de aprendizagem.



Fonte: Portal Educar para Crescer - http://www.educarparacrescer.com.br




sábado, 20 de fevereiro de 2010

A gente decide, por Lya Luft



"Dentro de minhas limitações pessoais e de minha condição individual, eu faço diferença, todos fazemos"

No dia dos seus 102 anos, uma adorável matriarca está sentada junto à mesa de sua cozinha, rodeada de filhas e amigas. Ela corta os quiabos que serão preparados e servidos mais tarde aos visitantes, como de costume. Entrevistada, diz ao jornalista: "A vida, a gente é que decide. Eu escolhi a felicidade".

A aniversariante, dona Canô, mãe de Bethânia, minha irmã querida, naturalmente não quis dizer que "escolher a felicidade" é viver sem problemas, sem dramas pessoais ou as dores do mundo. Nem quer dizer ser irresponsável, eternamente infantil. Ao contrário, a entrevistada falou em "decidir" e "escolher".

Apesar de fatalidades como a doença e a morte, o desemprego, as perdas amorosas, a falta do dinheiro essencial à dignidade, podemos decidir que tudo fica como está ou vai melhorar, dentro do que podemos. Posso optar por me sentir injustiçada, ficando amarga e sombria; posso escolher acreditar no ser humano e em alguma coisa maior do que toda a nossa humana circunstância; posso buscar sempre alguma claridade, e colaborar com ela. Dentro de minhas limitações pessoais e de minha condição individual, eu faço diferença, todos fazemos.

Desse início pessoal, passo ao mais geral: leio que 40% dos nossos jovens e crianças vivem abaixo da linha de pobreza; que o desemprego é uma calamidade, a violência cresce a cada dia e o analfabetismo não diminui; que crianças continuam, aos milhares e milhares, brincando no barro feito de terra e esgoto. Leio, vejo e sei que milhares e milhares de velhos vivem em condições sub-humanas, pois sua aposentadoria é miserável, o serviço de saúde pública também, morre-se em corredores de hospitais ou em filas de postos de saúde, onde médicos exaustos e pessimamente pagos fazem muito mais do que podem.

Não vou recitar a ladainha de que as circunstâncias não justificam euforia nem ufanismo simplesmente porque nós não decidimos algo melhor do que isso que escrevi acima, e todo o resto que qualquer um conhece – e apesar disso continuamos deitando a cabeça no travesseiro toda noite e dormindo quem sabe até bem.

Tenho medo do ufanismo: ele pode ser burro e cego. Olimpíada no Brasil, Copa do Mundo no Brasil, tudo bem: mas eu preferia que antes disso a gente tivesse resolvido os gravíssimos e tristes problemas, tão dramáticos, de comida, saúde, educação, moradia, decência e dignidade de boa parte do povo brasileiro que agora samba e celebra porque teremos Copa, teremos Olimpíada, teremos festa.

Sei que este não é um artigo simpático. Certamente não é alegrinho. Realmente ele trata do que não decidimos, ou decidimos mal, ou decidimos não decidir, como, por exemplo, exigir líderes mais sensatos, mais presentes, mais realistas, mais dignos em todos os níveis. Podíamos decidir ser mais respeitados enquanto povo, mais olhados enquanto gente, mais seguros e mais protegidos enquanto sociedade.

Ou isso a gente não decide porque nem sabe das coisas, pois não se informa, não sabe ler, se sabe ler não costuma, nem o jornal esquecido no banco do ônibus. Onde o povo carrega doença e dor, descrença e desalento, mas também, aqui e ali, leva um jornal para saber onde afinal vivemos, em quem afinal podemos acreditar, e o que afinal deveríamos esperar. Indagados, os mais desassistidos dirão que Deus é quem sabe, Deus decide, a quem ama Deus faz sofrer – frase de imensurável crueldade.

Ou será melhor nem saber nem aprender a ler, nem pegar a folha de jornal, nem ouvir o noticioso no radinho de pilha. Basta saber que sempre há em algum canto motivo para um breve ou longo carnaval, celebrando alguma coisa que possivelmente não vai encher nem o nosso bolso nem a barriga de nossos filhos, nem construir uma casa decente, nem botar esgoto, nem cuidar da nossa saúde, nem amparar nossos velhos, nem coisa nenhuma que seja forte, firme, boa e real. Porque, infelizmente, por aqui ainda decidimos pouco, e poucas vezes decidimos bem. Não porque Deus quis assim, mas porque a gente nem ao menos sabe por onde começar.


Lya Luft é escritora

Fonte: Revista Veja

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A sociedade vai à escola

Com a assumida carência do Estado brasileiro para atender às demandas educacionais do país, organizações do terceiro setor são cada vez mais presentes. Ao ocupar espaços, trazem para a escola as tensões de visões políticas e educacionais divergentes

Por Fabiano Curi

Uma das marcas mais importantes do final da ditadura militar no Brasil foi o fortalecimento de instituições da sociedade civil, nascidas fora do guarda-chuva do Estado. Nos anos que nos separam da filosofia de quartel, indivíduos se organizaram em grupos, comunidades e associações das mais distintas naturezas para mudar e tentar melhorar o entorno por conta própria, sem esperar pela onipresença benevolente do Estado. Assim, proliferaram e popularizaram-se as Organizações Não Governamentais (ONGs), que deixaram de lado o caráter puramente assistencialista das ações de suas predecessoras para assumir posturas mais ativas na elaboração de projetos de intervenção social e na pressão por definições de políticas públicas junto às esferas governamentais.

Um dos setores que mais absorveram as ONGs foi o de educação. A evidente e ampla carência estrutural (física e humana) que caracteriza a educação brasileira, aliada à cada vez mais arraigada visão de que se trata de setor estratégico tanto para a melhoria de vida dos cidadãos como para o crescimento do país, acabou fazendo com que esse fosse um dos principais focos de atuação do 3º setor, para o qual se volta com arco bastante amplo e heterogêneo de trabalhos em escolas e comunidades.

Se têm inegável importância para enfrentar carências e ausências diversas na educação brasileira - importância esta aumentada pela agilidade nas ações e pelo acesso a comunidades em que o Estado tem dificuldade de estar presente - esses projetos muitas vezes resultam em fragmentação das práticas educativas, desperdício de energia e de dinheiro com resultados inócuos e difíceis de mensurar.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com o Grupo de Institutos Fundações e empresas (Gife) e com a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), existiam 338,2 mil Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos em 2005 no país, a maior parte criada na década de 1990. Quase um quarto dessas entidades é de caráter religioso. Têm destaque também associações patronais e de trabalhadores e de defesa de direitos os mais diversos. Contudo, se combinarmos aquelas que têm como motivo a educação com as que promovem a cultura, o resultado será de 20% das ONGs existentes no Brasil.


Hora de consolidação


As ONGs enfrentam agora uma nova etapa de seu desenvolvimento: a consolidação como instituições profissionais, estruturadas e importantes agentes para a educação brasileira. Para Ana Lúcia Jansen de Mello de Santana, professora de economia e coordenadora do núcleo interdisciplinar de estudos sobre o terceiro setor da Universidade Federal do Paraná, "ninguém vai substituir a função do Estado", mas pode complementar sua ação, pois o Estado não consegue chegar a todos os pontos do país, e menos ainda de forma equitativa.

"As organizações do 3º setor, por terem muita autonomia, são extremamente inovadoras nas áreas em que atuam", defende Luiz Carlos Merege, professor durante 15 anos do curso de administração no 3º setor da FGV-SP e atualmente presidente do Instituto de Administração para o Terceiro Setor (Iats). "As ONGs conseguem passar pelo engessamento da escola pública."

Ana Lúcia comenta que elas atuam fazendo reforço escolar, capacitação de docentes, por exemplo. "É o que deve caber às organizações, pois elas têm essa capilaridade, estão muito próximas desses atores de educação, municipal, estadual e organizações sociais", explica. "E elas podem e devem fazer experimentações e é, a partir daí, que sai a inovação."
Mas a questão parece ser mais ampla e complexa, pois os modos de atuar não se restringem a esse tipo de intervenção. Há, por exemplo, instituições que preferem direcionar trabalhar fora do âmbito diretamente pedagógico, focando questões mais estruturais ou de políticas públicas, como é o caso, por exemplo, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Mesmo entre as duas entidades que se associaram ao Inep para fazer a radiografia do setor em 2005 - Abong e Gife - há diferenças claras em termos de vertentes de atuação, concepção e destino dos projetos. Com cerca de 270 entidades associadas, das quais 47% com atuação na área educacional (dados de 2004), a Abong reúne, em sua maioria, ONGs nascidas de movimentos sociais ou que com eles trabalham de forma articulada. Já o Gife tem 112 associados, 106 deles com ações na esfera educacional. A instituição é originária da associação de empresas que tinham ações, em sua maioria, filantrópicas, e buscavam meios de melhorar indicadores do país, entre eles a oferta de mão de obra qualificada. Como se pode intuir, nem sempre as visões sobre educação de instituições com essas diferentes origens são coincidentes, quando não são frontalmente divergentes.


ONGs conseguem passar pelo engessamento da escola pública, diz Merege, da FGV-SP:
Capilaridade X organicidade


Se por um lado essa capilaridade do setor é importante num país com as dimensões do Brasil, com realidades contrastantes entre grandes cidades urbanizadas, campos ricos e pobres e comunidades que vivem distantes das instituições da vida contemporânea, por outro, o excesso de ramificações dificulta sobremaneira a organização de redes de atuação e uma visão mais orgânica da educação.

Na opinião de Elie Ghanem, da Faculdade de Educação da USP, um aspecto dessa fragmentação vem da própria concepção da definição da política pública na área educacional. "É no nível da articulação da política que a coisa poderia ser conjugada", afirma. Para o pesquisador, a própria atuação das escolas é fragmentada. É um problema que deve ser enfrentado por escolas e ONGs. Contudo, diz Ghanem, "são poucas as ONGs que compreendem a importância simultânea de tematizar a política pública e de realizar um serviço educacional".


O papel do Estado


Há uma corrente crítica que condena o Estado brasileiro, independentemente da esfera de governo, por simplesmente terceirizar o que seria sua função na sociedade. Ou seja, se não há condições adequadas de ensino nas escolas públicas, joga-se o abacaxi para uma ONG bem-intencionada descascar e tudo fica por isso mesmo. Na concepção de Sérgio Haddad, presidente da ONG Ação Educativa, o motivo é bastante óbvio: "O setor público trabalha com uma grande carência e existem organizações interessadas em fazer trabalhos. Há aí uma confluência de interesses".

De qualquer forma, por mais que as ONGs sejam importantes num projeto de desenvolvimento da educação brasileira, não é possível eximir o Estado de seus compromissos. De acordo com Luciano Junqueira, professor do Núcleo de Estudos Avançados do Terceiro Setor da PUC-SP, "educação e saúde são as áreas que mais têm crescido em função do Estado, que tem buscado parcerias para com ele colaborar direta ou indiretamente. No fundo, o Estado é responsável pelas políticas".

O papel da ONG, diz Junqueira, é de colaboração. Elas não devem estar a serviço dos órgãos escolares e nem devem ter os órgãos escolares a seu serviço. Opinião corroborada por Ana Lúcia, da UFPR, para quem a educação deve ser uma função não exclusiva do Estado, mas ela deve ser uma política pública. "Política pública de Estado, não de governo. É consenso que a educação faz a diferença para a sociedade. Nesse cenário, as ONGs são aliadas, com um papel complementar, ou suplementar, das políticas públicas."

Ghanem, da USP: o grande debate é o desenvolvimento de políticas públicas mais abrangentes
Um outro problema mencionado pelo professor é que, "pelos valores que envolvem os projetos, a iniciativa privada não vai bancar. O Estado é o principal financiador. A iniciativa privada funciona como parceira para agilizar o atendimento".

Fernando Rossetti, diretor do Gife, reclama que o Estado brasileiro gere muito mal as políticas públicas. "Muitos de nossos associados trabalham em apoio ao Estado". Essa, aliás é uma crítica constante, o Estado muitas vezes quer parceria das ONGs, mas não sabe lidar com elas. Haddad ironiza essa relação: "O governo gosta muito de ONGs que lhes ofereçam serviços gratuitos, principalmente nas funções que deveriam ser suas, mas não gosta daquelas que fazem pressão".

Apesar de verdadeira, a assertiva não contempla um outro lado da questão: como se decide o destino de verbas da educação que vão para instituições as mais diversas sem passar por processos licitatórios? Muitas vezes, sob a alegação de que os trâmites burocráticos impedem a agilidade das ações, se encontra a escusa para a adoção de processos pouco transparentes, questão que precisa ser mais discutida para que se achem mecanismos que equilibrem os dois aspectos.


A força do cidadão


O processo de democratização brasileiro dialogou de perto com a presença de instituições da sociedade civil, entre elas as ONGs, que se destacam na mobilização de pessoas. "Houve momentos em que ONGs propuseram e o Estado implantou as políticas públicas. A participação social do cidadão é uma contingência para ser agente ativo e não passivo da transformação; também leva a um maior controle social", diz Vera Lúcia.

Para Merege, as ONGs vivem um terceiro ciclo no Brasil. O primeiro foi a conceituação da identidade; o segundo, o da visibilidade; neste último há um avanço em termos de estruturação em rede e articulação política, que deságua numa força de representação e influência maiores.

Merege calca sua assertiva nos dados que dão conta de uma participação do 3º setor em 2% do PIB brasileiro. O número ainda é pequeno perto da média de 6% de países com algum grau de semelhança com o Brasil e quase insignificante se comparado aos 13% registrados nos Estados Unidos.

Luciano Junqueira salienta que um problema bastante comum é a visão de que as organizações sociais têm de seguir um modelo de administração semelhante ao das empresas privadas. "A racionalidade do privado é a apropriação individual do produto. No caso da ONG, é a apropriação coletiva."


Efeitos


Ao refletir sobre o resultado do trabalho das ONGs, Rossetti, do Gife, crê que o fato de a sociedade civil se organizar e promover o que chama de "uma educação de mais qualidade", um dos efeitos desse envolvimento é mais estabilidade nas políticas públicas de educação. "As ONGs têm perspectivas, normalmente, de trabalhos de longo prazo e isso é um lastro para mais continuidade nos processos educativos. Muitos dos investidores trabalham com tecnologia social, desenvolvem uma metodologia em poucas escolas, um material, um processo de formação de professores ou de gestão e, quando essa metodologia está sistematizada, trabalham junto ao Estado na aplicação dessa metodologia em larga escala".

Mas, na grande maioria dos casos, os resultados dos projetos não são mensurados. Ou, como reconhece o próprio Rossetti, por se tratar de um fenômeno complexo como a educação, é difícil dizer o que se deve à ação, o que é externo a ela. Além disso, a escola acaba sendo receptáculo de tudo aquilo que as diversas forças sociais creem que seja imprescindível do ponto de vista da formação.

"Joga-se para a escola uma série de atribuições e expectativas sociais, ao mesmo tempo que ela fica à mercê de forças poderosas, ditadas pelo mercado ou pelos embates políticos do campo social, que fazem com que essas tensões ocorram no interior da escola", pontua Roseli Fischman, da Faculdade de Educação da USP. Para ela, esse embate faz com que a escola absorva uma série de conteúdos exógenos, que não ajudam o processo de aprendizagem do estudante.


Sobreposição de ações


A falta de controle do Estado na adoção de políticas que contemplem um trabalho mais racional das ONGs, além da já citada terceirização, têm acarretado um excesso de entidades atuando de forma desordenada dentro do ambiente escolar.

No entendimento de Ana Lúcia, da UFPR, é importante trazer para o seu projeto a demanda da comunidade na qual se pretende atuar. "Não dá para chegar com um projeto bem acabado, mas inapropriado para aquela realidade, que não foi construído ali e, por isso, tende a não prosperar." Esse argumento se assemelha à crítica de Marcos Dantas, autor de A lógica do capital-informação e professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que separa o modelo da realidade. Segundo essa tese, uma das principais causas de fracassos na implementação de modelos de trabalho de empresas estrangeiras em outros países é negligenciar a cultura e os apelos locais em favor de um modelo "correto" e inatacável que já deu certo na matriz. Em outras palavras, quando a realidade não se encaixa no projeto, a culpa é da realidade.

Ana Lúcia lembra também que é importante comprometer os professores e a direção da escola com o projeto, pois eles serão seus agentes. "Do contrário as ONGs acabam assumindo aquilo que é função da escola."


Mercado de trabalho


Há uma concordância quase que geral de que o 3º setor ainda tem muito espaço para crescer nos próximos anos em quase todas as áreas e predominantemente na educação. Contudo, ainda é enorme a procura por profissionais qualificados para todas as ocupações. "O Brasil é uma potência econômica, mas tem gravíssimos problemas sociais. Quando qualquer organização na área de educação abre uma creche, por exemplo, a demanda é enorme", diz Merege.

Ana Lúcia acrescenta outra questão: nada pode ser feito se não houver recursos previamente destinados para sua execução. "Recursos financeiros, materiais, tecnológicos, humanos são investimentos. É preciso buscar as fontes desses investimentos", explica.

O número de novos profissionais que atuam ou pretendem atuar no 3º setor vem aumentando. As próprias faculdades já perceberam isso, oferecendo cursos específicos para a formação de gestores nesse segmento. Luciano Junqueira, um dos responsáveis pelo Núcleo de Estudos Avançados do Terceiro Setor (Neats), da PUC-SP, afirma que os estudantes que ingressam em cursos voltados a esse tipo de formação provêm de diversas áreas, mas normalmente já se iniciaram na vida profissional, às vezes em outras carreiras. "Desde que montamos o núcleo, em 2007, o perfil do alunado se mantém praticamente o mesmo. São profissionais que vêm de organizações diversas: jovens engenheiros, advogados, economistas etc."

Rossetti percebe nas empresas afiliadas ao Gife uma consolidação de seus departamentos que investem na área social, principalmente em educação, o campo que mais absorve investimentos. "Para as empresas, os projetos sociais já fazem parte da cultura de relacionamento de sociedade, ou seja, não é a primeira coisa a ser cortada no momento de diminuição de riqueza."


Futuro dos atendidos


Uma marca de muitas ONGs que trabalham com educação é a tentativa de inserção no mercado de trabalho de alunos oriundos de regiões ou segmentos mais pobres. Contudo, aparentemente esse tipo de educação tem um resultado consideravelmente efêmero, pois muitas das ferramentas apresentadas a eles se tornam obsoletas ou simplesmente descartáveis de maneira extremamente rápida.

O currículo tradicional das escolas tem de conviver com demandas mercadológicas e acadêmicas que mudam de maneira cada vez mais dinâmica. Isso exige agilidade, que não costuma ser uma característica muito forte do Estado, mas as ONGs podem agir bem nesse aspecto, desde que integradas com as políticas públicas e com as necessidades sociais.

Fernando Rossetti considera que hoje tem de se pensar de forma diferente a parte de matemática, português e ciências. "É de fato muito importante e é tradicionalmente o conteúdo escolar. Se você olhar como a elite forma seus filhos, ela não forma só nesses conteúdos. A elite forma seus filhos em artes, esportes, informática, em uma série de habilidades e competências que são importantes para a inserção das pessoas na sociedade em geral e no trabalho, em particular." Além disso, para ele, "dentro dessa nova maneira e dessa nova complexidade de se formar o cidadão, a sociedade civil pode ter um papel importante, e as empresas também, nessa complementação dos estudos escolares".

Essa realidade da sociedade contemporânea acaba sendo um grande obstáculo para as ONGs, pois é comum que, mesmo com boa vontade, muitas delas fiquem presas às exigências mais imediatas do mercado de trabalho e ofereçam programas escolares pouco frutíferos na formação de um indivíduo que irá atuar em uma sociedade mais complexa.

Na avaliação de Elie Ghanem, se uma ONG cria um projeto profissionalizante, tem um aspecto positivo de integrar essa pessoa no mercado de trabalho, mas esse mercado tem de absorver e é preciso pensar na continuidade da formação da pessoa. "Oferecer um curso numa região muito pobre parece bom, mas é muito pouco em um cenário muito maior e mais grave. Essas iniciativas são incipientes e ineficientes, por isso o grande debate é o desenvolvimento de políticas."


Fonte: REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 154


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O mundo em transformação: contexto para a formação docente continua



A formação inicial é fundamental para o exercício profissional, mas para que a mesma torne o profissional apto a desenvolver as competências necessárias a uma realidade em transformação é preciso está apto a aprender com a própria experiência. Numa perspectiva em que a formação do ser humano não começa nem termina na escola, mas que acontece ao longo da sua vida, como aponta o relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI:

Atualmente, o mundo no seu conjunto evolui tão rapidamente que os professores, como aliás os membros das outras profissões, devem começar a admitir que a sua formação inicial não lhes basta para o resto da vida: precisam se atualizar e aperfeiçoar os seus conhecimentos e técnicas, ao longo de toda a vida. (DELORS, 2001, p. 161-162).

Frequentemente, no ensino formal, o professor deve ser capaz de apresentar oralmente um conteúdo com clareza, propor problemas que existem apenas no papel, resolver algumas questões como modelo, sugerir uma série de exercícios aos alunos, elaborar uma prova que exige o conteúdo formal e cobrar disciplina. Embora muitas destas habilidades ainda sejam necessárias hoje, não são suficientes no contexto de uma sociedade interconectada e com mudanças que se processam “a velocidade da luz”.

Hoje, mais do que isso, o professor precisa planejar e dirigir situações de aprendizagem, preocupando-se não apenas com o ensinar, mas também com o aprender. Isto significa uma preocupação com a ação do educando no sentido de conduzi-lo a ações mais ativas na construção do próprio saber. Ao invés de transmitir os conteúdos formais, o educador pode criar situações em que o educando precise agir para resolver e não apenas ficar ouvindo alguém apresentando um conteúdo ao ele nem compreende sequer quais foram as questões que o originaram. “O espírito cientifico proíbe que tenhamos uma opinião sobre questões que não sabemos formular com clareza. Em primeiro lugar é preciso saber formular problemas” (Bachelard, 1996, p. 18).

Se o aprendiz era visto como uma tábula rasa e cabia ao professor depositar conhecimento (usando uma expressão freireana), hoje é necessário levar em consideração os conhecimentos que o aprendiz construiu fora da escola para ancorar as novas informações e promover a aprendizagem significativa. “Aprendizagem significativa, segundo Ausubel, é o processo pelo qual uma nova informação (um novo conhecimento) se relaciona de maneira não arbitrária e substantiva (não literal) a estrutura cognitiva do aprendiz” (Moreira, 1999, p.36). Neste contexto, não faz o menor sentido pensar a avaliação escolar nos moldes de um processo apenas classificatório, seletivo, pontual e estático. As provas formais que apenas são utilizadas para estabelecer uma nota e ponto final, não podem ser chamadas de avaliação. E o problema não está na prova, mas o que é feito com ela. Qualquer mecanismo de coleta de dados - como a prova, o trabalho em grupo, a produção textual... - só se transforma em avaliação quando dele resultam ações que intervenham no processo (Hoffman, 2001; Luckesi, 2003). E se as conjunturas atuais exigem uma aprendizagem significativa em detrimento à mera memorização literal, então é necessário efetivar a avaliação escolar. Para garantir a aprendizagem significativa é necessário ter indícios do que o aprendiz já conhece concretamente, fazendo da avaliação um mecanismo preocupado com o passado (o que ele aprendeu na escola e fora dela), com o presente (o que ele está aprendendo) e com o futuro (o que ele pode aprender de forma significativa).

Há controvérsias e dúvidas sobre a escola ideal a atender as exigências deste novo século. Porém estamos convictos que o conhecimento não pode ser transmitido, mas é construído. Esta construção pode acontecer via aula receptiva, todavia esta não deve ser a única estratégia pedagógica.

O ato de aprender não é um fenômeno individual, mas uma construção social que envolve, no mínimo, duas pessoas. Permanecer aprendendo perpassa pelo universo fascinante da leitura, reflexão e discussão das idéias do escritor dentro do ambiente de trabalho. É preciso que os professores, professoras, coordenação, direção da escola encontrem-se periodicamente em reuniões político-pedagógicas e que nelas dialoguem sobre os problemas da escola, discutam projetos interdisciplinares, compartilhem leituras de revistas, livros, artigos e provoquem conflitos cognitivos uns nos outros e, com isso, produzam teorias como releituras continuas de suas práticas. O palco para a formação docente precisa ser a escola, levando em consideração todos os seus atores, teorias e práticas concretas. O desafio da qualificação cotidiana deve ser superado na dialética dos diversos pensares que compõem a riqueza das diferenças que convivem no mesmo cenário.


Bibliografia:

BACHELARD, Gaston. A Formação do Espírito Científico: contribuições para uma psicanálise do conhecimento. São Paulo: contraponto, 2002.
HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover: as setas do caminho. Mediação: Porto Alegre, 2001.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem na escola: reelaborando conceitos e recriando a prática. Salvador: Malabares Comunicações e Eventos, 2003.
MOREIRA, Marco Antônio. Aprendizagem Significativa. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1999.


Cleidson Carneiro Guimarães,
é Engenheiro Civil, mestre em Ensino, Filosofia e História das Ciências,
professor de Química e Robótica Pedagógica.
Endereço eletrônico: cleidsonguimaraes@gmail.com

Fonte: Jornal Mundo Jovem
Imagem em: www.e-formacao.org/

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Bruxos, vampiros e avatares, por Lya Luft


"A tecnologia abre territórios fascinantes, e ameaça nos controlar: se pensarmos um pouco, sentiremos medo"

Cibernéticos e virtuais, nadamos num rio de novidades e nos consideramos moderníssimos. Um turbilhão de recursos trazidos pela ciência, pela tecnologia, nos atrai ou confunde. Se somos mais velhos, nos faz crer que jamais pegaremos esse bonde - embora ele seja para todos os que se dispuserem a nele subir, não necessariamente para ser campeões ou heróis.


A tecnologia abre territórios fascinantes, e ameaça nos controlar: se pensarmos um pouco, sentiremos medo. O que mais vem por aí, quanto podemos lidar com essas novidades, sem saber direito quais são as positivas, quanto servem para promover progresso ou para nos exterminar ao toque do botão de algum demente no poder? Exageradamente entregues a esses jogos cada dia inovados, vamos nos perder da nossa natureza real, o instinto? Viramos homens e mulheres pós-modernos, sem saber o que isso significa; somos cibernéticos, somos twitteiros e blogueiros, mas não passamos disso. E, se não formos muito equilibrados, vamos nos transformar em hackers, e o mundo que exploda.


Sobre a sensação de onipotência que esse mundo novo nos confere, lembro a história deliciosa do aborígine que, contratado para guiar o cientista carregado de instrumentos refinados, lhe disse: "Você e sua gente não são muito espertos, porque precisam de todas essas ferramentas simplesmente para andar no mato e observar os animais".

Não vamos regredir: a civilização anda segundo seu próprio arbítrio. Mas, como quase todas as coisas, seus produtos criam ambiguidade pelo excesso de aberturas e pelo receio diante do novo, que precisa ser domesticado, para se tornar nosso servo útil. As possibilidades do mundo virtual são quase infinitas. Sua sedução é intensa. Tão enganador quanto fascinante, no que tange à comunicação. Imenso, variado, assustador, rumoroso, ameaçador, e frio, porque impessoal. Nesse mundo difuso somos quase onipotentes, sem maior responsabilidade, pois cada ação nem sempre corresponde a uma consequência - e ainda podemos nos esconder no anonimato. Criam-se sérias questões morais e éticas não resolvidas nesse território: através da mesma ferramenta que nos abre universos e nos comunica com o outro, caluniamos e somos caluniados, ameaçamos e somos ameaçados, nos despersonalizamos, nos entregamos a atividades estranhas, algumas perversas; espiamos, espreitamos, maldizemos amigos e desconhecidos, odiamos celebridades, cortamos a cabeça de quem se destaca porque se torna objeto de inveja e ressentimento, escutamos mensagens sombrias e cumprimos, talvez, ordens sinistras.


Relacionamentos pessoais começam e terminam, bem ou mal, nesse campo virtual - não muito diferente do mundo dito real, dos bares, festas e trabalho, faculdade e escola. Para as crianças, esse universo extenso e invasivo pode ser uma grande escola, um mestre inesgotável, um salão de jogos divertido em que elas imediatamente se sentem à vontade, sem os limites dos adultos. Mas pode ser a estrada dos pedófilos, a alcova dos doentes, ou a passagem sobre o limite do natural e lúdico para o obsessivo e perverso.


Como quase tudo neste mundo nosso, duplo é o gume: comunicar-se é positivo, mas sinais feitos na sombra, sem verdadeiro nome nem rosto, podem acabar em fantasmáticas perseguições e males. Singularmente, mas de maneira muito significativa, enquanto estamos velozes e espertos no computador, criando mundos virtuais, e jogando jogos cada vez mais complexos, buscamos o nevoeiro desse anonimato e, na época das maiores inovações, curtimos voar com bruxos em suas vassouras, namorar vampiros e inventar avatares que vão de engraçados a sinistros.

Estimulante, múltiplo, tão rico, resta saber o que vamos fazer nesse novo mundo - ou o que ele vai fazer de nós. Quando soubermos, estaremos afixados nele como borboletas presas com alfinete debaixo da tampa de vidro ou vaga-lumes em potes de geleia vazios, naquelas noites de verão quando a infância era apenas aquela, inocente, que ainda espia sobre nossos ombros.



Lya Luft é escritora.

Fonte: Revista Veja

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Tecnologia - Revista Nova Escola

Tecnologia

Ilustação: editoria de arte

Como utilizar o computador, a internet, blogs, podcasts, projetores, câmeras e outras engenhocas da modernidade para ensinar ainda melhor os conteúdos curriculares de cada disciplina. Navegue nos mais de 80 links abaixo e faça um upgrade nas suas aulas.

1. TECNOLOGIA EM TODAS AS DISCIPLINAS

Um guia sobre o uso de tecnologias em sala de aula
Quando - e como - as novas ferramentas são imprescindíveis para a turma avançar


ARTE

Reportagens

O uso de recursos digitais para ensinar arte

Ensine a turma a transformar imagens digitais com softwares

Cinema une arte e informática
Turmas de 3ª e 4ª série produzem curtas no computador

Fotografia e edição de imagens digitais
Relato da professora de arte, Rosangela Guella Tamagnone, do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, de 2009

Vídeo: Registro fotográfico: do convencional ao digital
Conheça o trabalho da professora nota 10, Rosangela Guella Tamagnone, vencedora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, de 2009, sobre linguagem fotográfica e edição de imagens no computador

Tecnologia para ensinar composição musical
Relato da professora de arte, Áudrea da Costa Martins, vencedora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, de 2009

Vídeo: Composição musical na aula de Arte

Conheça o projeto da professora Áudrea da Costa Martins, vencedora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, de 2009, que ensinou composição musical e edição digital de áudio aos alunos de 5ª e 6ª séries

Planos de aula

Ferramentas digitais em atividades de artes visuais

O uso de tecnologias nas aulas de Arte


CIÊNCIAS

Reportagens

A tecnologia em experimentos científicos
A turma poderá estudar Ciências, utilizando recursos tecnológicos, como a internet

Robótica sem usar o computador
Sucata e peças de brinquedos podem substituir a informática e levar turmas de 8º e 9º anos a entender o funcionamento das máquinas

Seus alunos vão adorar o espaço
Projeto mantido por seis instituições que realizam pesquisas em astronomia leva planetas, asteróides, cometas, estrelas e galáxias para dentro da escola, via internet

Plano de aula

Iluminação com diferentes cores pode influenciar no crescimento de plantas?


EDUCAÇÃO FÍSICA

Reportagens

Atividades em vídeo nas aulas de Educação Física
Com esse recurso, os alunos podem estudar regras de jogos

Gente Saudável
Qualidade de vida se aprende na escola. E, para que a turma coloque em prática o que é ensinado, basta mostrar como aliar a teoria à prática

Vídeo: Movimento, saúde e qualidade de vida
Conheça o trabalho do professor Ademir Testa Junior, vencedor do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, 2009

Planos de aula

Estudando as lutas com recursos tecnológicos

Saúde e qualidade de vida


GEOGRAFIA

Reportagens

Utilize mapas virtuais para ensinar cartografia
Saiba como usar a tecnologia nas aulas de Geografia

Muda o mundo, muda a Geografia
Os meios de transporte e de comunicação, cada vez mais velozes, estão modificando a "cara" do planeta. Pense neles quando planejar suas aulas

Uma janela para o mundo
O correio eletrônico leva o planeta para dentro da classe e torna a Geografia mais interessante

Lição de casa com a Web 2.0
Lição de casa é coisa séria. Para torná-la mais atraente, saiba como usar blogs, fóruns e chats para transformar a rotina da turma

Vídeo: Lição de casa em ambiente virtual
Conheça o trabalho da professora de Geografia, Karla Emanuella Veloso Pinto, vencedora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, de 2009

Planos de aula

Ambiente virtual da turma

Ensine cartografia para a turma usando o Google Earth

Colocando rugas no mundo plano

Quem não se comunica...


HISTÓRIA

Reportagem

Que tal registrar histórias locais usando tecnologia?
Saiba como é possível pesquisar conteúdos de História, utilizando recursos tecnológicos

Planos de aula

A história local dos afro-descendentes gravada em áudio

Cartazes de guerra


LÍNGUA ESTRANGEIRA

Reportagens

Como utilizar ferramentas digitais para ensinar línguas estrangeiras
Blogs, vídeoconferências pela internet e outros recursos tecnológicos podem ser usados em sala de aula

Idioma que vem da web
A internet é um excelente recurso para explorar o uso real do inglês. Mas é preciso definir muito bem quais gêneros e quais conteúdos abordar

Planos de aula

Videochat em inglês

Estrangeirismos no dia a dia


LÍNGUA PORTUGUESA

Reportagens

O uso de recursos da informática nas aulas de Língua Portuguesa
Ferramentas digitais ajudam na edição e revisão de textos

Revisão de textos no computador
Na hora de revisar, o computador é o melhor instrumento para explorar várias maneiras de aperfeiçoar um texto sem perder tempo

Revisão coletiva e produção de contos de terror
Relato da professora Maria das Dores de Macedo Coutinho Raposo, do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, de 2009

Vídeo: Projeto de produção de texto com revisão coletiva de contos de terror
Conheça o trabalho da professora Maria das Dores de Macedo Coutinho Raposo, do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, de 2009

Reescrita de conto mudando o personagem principal
Relato da professora Claudia Tondato, vencedora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, de 2009

Vídeo: Projeto de reescrita de conto
Conheça o trabalho da professora nota 10 Claudia Tondato, vencedora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, de 2009

Jornal O Domingo e a literatura do século XIX
Relato da professora Maria Tereza Gomes de Almeida Lima, vencedora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, de 2009

Vídeo: Projeto sobre literatura do século XIX
Conheça o trabalho da professora Maria Tereza Gomes de Almeida Lima, vencedora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, de 2009

Vídeo: O computador pode ser um grande aliado na alfabetização de adultos
Emilia Ferreiro fala sobre as vantagens do uso do computador na alfabetização de adultos.

Podcasts sobre Ariano Suassuna: casamento proveitoso
Trabalhar obras de Ariano Suassuna em podcasts é uma boa forma de usar a tecnologia para ensinar vários gêneros orais

Vídeo: Ariano e podcast, o casamento suspeitoso
Conheça o trabalho desenvolvido pelo Educador Nota 10 Jorge Marques, do Rio de Janeiro, sobre oralidade.

Blog: diário (de aprendizagem) na rede
O recurso tecnológico, bastante conhecido entre os internautas, pode servir para acompanhar e divulgar projetos em qualquer disciplina

Planos de aula

Adaptação de conto para peça teatral

Vasculhando a rede

Literatura e podcast


MATEMÁTICA

Reportagens

Ferramentas tecnológicas nas aulas de Matemática
Calculadora e planilhas eletrônicas auxiliam a turma na resolução de problemas

"A única saída é a capacitação"
Professor norte-americano acredita que é necessário encontrar novas maneiras de preparar os docentes para que ajudem os alunos a raciocinar

Informática para ajudar a compreender ângulos
Relato da professora Andréia Betina Legatzky Klitzke, vencedora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, de 2009

Vídeo: Construindo o conceito de ângulo
Conheça o trabalho da professora Andréia Betina Legatzky Klitzke, vencedora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, 2009.

Editor de planilhas para calcular dados sobre consumo médio de água
Relato da professora Daniela Mazoco, vencedora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, 2009.

Vídeo: Tecnologia e estatísticas para calcular o consumo médio de água
Conheça o trabalho da professora Daniela Mazoco, vencedora do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10, 2009.

Plano de aula

Gráficos no Excel na aula de Matemática


ENSINO MÉDIO

Planos de aula

Revele por que a foto digital é herdeira das grandes pinturas

Avalie com os estudantes a credibilidade dos sites de busca


2. GESTÃO ESCOLAR

Computadores: janelas para o mundo
Pesquisa faz um diagnóstico da utilização das tecnologias pelas escolas públicas

Tecnologia nas escolas: tem, mas ainda é pouco
Os recursos ainda são insuficientes e não estão a serviço da aprendizagem dos alunos

Planejamento do uso da tecnologia: a chave para o sucesso
A tecnologiadeve ser incluída no projeto pedagógico

Informática: sete passos para o futuro
Ações simples para inserir a equipe e os alunos em uma verdadeira cultura virtual

Tecnologia na aula
Levantamento indica que as escolas públicas de capitais brasileiras têm computadores. O desafio está em usá-los a serviço da aprendizagem

Entrevista com Léa Fagundes sobre a inclusão digital
Pioneira no uso da informática educacional no Brasil, Léa Fagundes cobra políticas públicas para o setor e defende a ajuda mútua entre professores e alunos

Os pais e a escola - Um futuro melhor
Pesquisa revela que famílias de alunos de escolas públicas esperam encontrar professores e diretores eficientes, e computadores para garantir um bom trabalho para os filhos e menos violência

A conexão que faz a diferença. Mesmo
Especialistas alertam: adquirir equipamentos de ponta é muito mais fácil do que efetivamente se apropriar das novas possibilidades de construção do conhecimento

Ajuda real no mundo virtual
Confira algumas páginas na rede que podem dar uma força na hora de usar as tecnologias na sua escola

Crônica da (crônica) informatização escolar
Sempre acanhado, uso do computador no ensino é tido como precário pela própria secretaria paulista de Educação, que promete (de novo) revolução nos próximos anos.

3. FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Formação para trabalhar com tecnologia: o grande desafio de quem ensina
Sem uma equipe capacitada, o que se vê são professores que aproveitam a sala de informática para deixar os alunos trabalhando sozinhos e escolas que nem sequer utilizam os laboratórios existentes

Emilia Ferreiro: ''O momento atual é interessante porque põe a escola em crise''
Segundo Emilia Ferreiro, as mudanças tecnológicas e sociais trouxeram maiores exigências ao trabalho de alfabetização

Aprender sempre
A formação continuada não é moda passageira. Reflete o mundo cada vez mais veloz em que vivemos, que se renova a cada instante

O melhor do computador
Só ter equipamentos na escola não basta. Confira aqui o que ajuda no aprendizado e o que serve apenas para agradar aos pais

Como os alunos fazem buscas na internet
Estudo realizado pela Universidade de Buenos Aires, na Argentina, mostra como os estudantes procuram informações na rede mundial

Liguem a TV: vamos estudar!
Como usar os programas da televisão na sala de aula para introduzir ou aprofundar conteúdos e para discutir valores e comportamento

Entrevista com Rodrigo Baggio, pioneiro da Inclusão Digital no Tercerio Setor
Há sete anos, o especialista em computadores montou a primeira escola de informática numa favela.

Na Dúvida

O que é um vírus de computador?

Como funciona uma lousa digital?

Como funciona o Twitter?

Como funciona a reciclagem de computadores?

Leitores eletrônicos são mais "verdes" do que livros de papel?

O que é inteligência artificial? Onde ela é aplicada?

4. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

De 2000 para cá, a chamada EAD cresceu 45.000% em números de alunos no país. Muita gente, no entanto, ainda fica de pé atrás com quem tirou diploma de Pedagogia ou Licenciatura nessa modalidade de ensino. Para avaliar se isso é puro preconceito, veja o que é mito e verdade nessa área

Fredric Litto fala sobre Educação a distância
Em entrevista concedida pela internet, o professor Fredric Litto, presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), fala sobre como deve ser o perfil de um aluno que se propõe a fazer um curso a distância de graduação e quais são os critérios de escolha de um bom curso

Tão longe, tão perto
Estudar via internet é uma ótima alternativa para quem mora afastado de uma universidade ou não pode seguir o horário de cursos tradicionais


Fonte: Revista Nova Escola

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