quinta-feira, 29 de julho de 2010

Como trabalhar narrativas longas

No primeiro módulo deste projeto de formação, veja como discutir com os professores os conceitos de leitura, literatura e literatura juvenil

 

Foto: Victor Malta
Foto: Victor Malta
Despertar no estudante o prazer pela leitura não é uma tarefa simples, ainda mais quando se trata de narrativas longas. Para ajudar você, coordenador pedagógico, nessa missão, João Luís Ceccantini, professor de Literatura Brasileira da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), campus de Assis, a 431 quilômetros de São Paulo, além de especialista em leitura, formação de leitores e literatura infantil e juvenil, preparou com exclusividade para NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR este projeto. Neste primeiro módulo, a proposta é discutir os conceitos de leitura e literatura.

Projeto de formação de professores
 
1º módulo: Leitura, literatura e literatura juvenil


Objetivo geral

Formar professores de Língua Portuguesa do 6º ao 9º ano e bibliotecários para o trabalho com narrativas
literárias longas.

Objetivos específicos

- Refletir sobre conceitos como leitura, literatura e literatura juvenil.
- Discutir as relações desses conceitos com a formação do leitor e o letramento literário.
- Despertar ou aprofundar no aluno o gosto e o prazer pela leitura do texto literário, particularmente as
narrativas longas.
- Propiciar o progressivo amadurecimento do aluno quanto à sua consciência de sujeito-leitor.


Conteúdos do 1º módulo

- Conceitos de leitura, literatura e literatura juvenil.
- Critérios de seleção de livros literários.

Tempo estimado
Dois meses.

Material necessário
Cópias dos quadros publicados neste material, obras literárias disponíveis na escola (de preferência, as que tiverem muitos exemplares de um mesmo título) e textos teóricos sobre leitura indicados na bibliografia de apoio.

Desenvolvimento
1ª etapa - Preparação do coordenador
Antes de iniciar o projeto, leia os textos indicados na bibliografia de apoio para poder promover debates mais ricos com a equipe. Durante a leitura, selecione os textos que achar mais interessantes para compartilhar com o grupo durante a formação.

2ª etapa - Leitura inicial
Leia em voz alta um texto literário curto, de cunho metalinguístico, que aborde como tema a leitura ou a literatura. Uma sugestão é o poema Biblioteca Verde, de Carlos Drummond de Andrade. Ouça as impressões dos professores sobre o texto. Para que eles adquiram maior consciência sobre o processo de leitura e se sintam mais preparados para a formação de leitores, proponha que leiam alguns dos textos indicados na bibliografia de apoio - que você também já deve ter lido - sobre os diferentes conceitos de leitura, sua natureza e suas funções. Solicite que todos leiam o material em duplas e comparem com o ponto de vista defendido por Maria Helena Martins no quadro O que É Leitura (abaixo). Faça um debate, enfatizando a ideia de compreensão presente no conceito exposto pela autora. Ressalte também a importância da contínua atribuição de sentidos que deve orientar a leitura na escola, em oposição a práticas mecânicas, nas quais se perdem o propósito principal da leitura e o horizonte da obra lida.
O que é leitura,
de Maria Helena Martins
(3ª edição, Ed. Brasiliense, São Paulo, 1984, pp. 30-31)

Seria preciso, então, considerar a leitura como um processo de compreensão de expressões formais e simbólicas, não importando por meio de que linguagem. Assim, o ato de ler se refere tanto a algo escrito quanto a outros tipos de expressão do fazer humano, caracterizando-se também como acontecimento histórico e estabelecendo uma relação igualmente histórica entre o leitor e o que é lido. (...) As inúmeras concepções vigentes de leitura, grosso modo, podem ser sintetizadas em duas caracterizações:
1) Como uma decodificação mecânica de signos linguísticos, por meio de aprendizado estabelecido a partir do condicionamento estímulo-resposta (perspectiva behaviorista-skinneriana);
2) Como um processo de compreensão abrangente, cuja dinâmica envolve componentes sensoriais, emocionais, intelectuais, fisiológicos, neurológicos,
bem como culturais, econômicos e políticos (perspectiva cognitivo-sociológica).


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Fonte: Revista Gestão Escolar

    quarta-feira, 21 de julho de 2010

    Até breve....

    Ficarei afastada da Internet,  por alguns dias.
    Férias...
    rever amigos e matar a saudades do Rio Grande do Sul.
    E  muito chimarrão.
    Até breve,
    abraços.

    terça-feira, 20 de julho de 2010

    Para todos os amigos...


    Poema aos Amigos - Jorge Luís Borges

    Não posso dar-te soluções
    Para todos os problemas da vida,
    Nem tenho resposta
    Para as tuas dúvidas ou temores,
    Mas posso ouvir-te
    E compartilhar contigo.

    Não posso mudar
    O teu passado nem o teu futuro.
    Mas quando necessitares de mim
    Estarei junto a ti.

    Não posso evitar que tropeces,
    Somente posso oferecer-te a minha mão
    Para que te sustentes e não caias.

    As tuas alegrias
    Os teus triunfos e os teus êxitos
    Não são os meus,
    Mas desfruto sinceramente
    Quando te vejo feliz.

    Não julgo as decisões
    Que tomas na vida,
    Limito-me a apoiar-te,
    A estimular-te
    E a ajudar-te sem que me peças.

    Não posso traçar-te limites
    Dentro dos quais deves actuar,
    Mas sim, oferecer-te o espaço
    Necessário para cresceres.

    Não posso evitar o teu sofrimento
    Quando alguma mágoa
    Te parte o coração,
    Mas posso chorar contigo
    E recolher os pedaços
    Para armá-los novamente.

    Não posso decidir quem foste
    Nem quem deverás ser,
    Somente posso
    Amar-te como és
    E ser teu amigo.

    Todos os dias, penso
    Nos meus amigos e amigas,
    Não estás acima,
    Nem abaixo nem no meio,
    Não encabeças
    Nem concluís a lista.
    Não és o número um
    Nem o número final.

    E tão pouco tenho
    A pretensão de ser
    O primeiro
    O segundo
    Ou o terceiro
    Da tua lista.
    Basta que me queiras como amigo

    Dormir feliz.
    Emanar vibrações de amor.
    Saber que estamos aqui de passagem.
    Melhorar as relações.
    Aproveitar as oportunidades.
    Escutar o coração.
    Acreditar na vida.

    Obrigado por seres meu amigo.

    sábado, 17 de julho de 2010

    Os Dez Pecados do Professor (universitário), por Paulo Ghiraldelli Jr

     


    1. Fim da aula expositiva original. Há professores universitários que se esqueceram que são antes produtores que reprodutores do conhecimento. Professores assim abandonam a aula expositiva em que deveriam apresentar uma tese original e a substituem por seminários dos próprios alunos que, não raro, resultam apenas em forma sofrida de empurrar a aula. Isso não quer dizer que o professor, na graduação, deve dar aula de sua dissertação ou tese e, sim, que ele deve ter um discurso próprio até mesmo sobre o assunto dos cursos básicos. É isso que torna a aula válida e importante, caso contrário o aluno poderia simplesmente dispensar a aula em função do livro. O professor que não tem um discurso original faz o aluno duvidar da utilidade da aula e, então, resta a esse professor segurar o aluno em sala por meio da coerção da caderneta de presença, o que é mais que lamentável.
    2. Doutrinarismo.  Há professores que não conseguem distinguir entre o discurso meramente doutrinário e o discurso útil à ampliação do conhecimento do aluno. Em nome da não neutralidade do seu discurso, torna-se incapaz de distinguir entre o discurso com razões explícitas e bem concatenadas e o discurso com denúncias vazias, razões toscas ou nenhuma razão, preenchido por frases dogmáticas. O doutrinarismo, de qualquer tipo, é o começo do fim do ensino superior. Onde ele impera, a universidade acaba.
    3. Excesso de avaliação. Há professores que não ensinam, apenas avaliam. Seus cursos são, na verdade, um conjunto de provas ou, então, um excesso de informações que só ganham significado pela existência da prova. Trata-se não de um curso para a aprendizagem e, sim, de um curso para se esmerar na “arte de fazer exames”. É interessante que quanto mais avalia, esse professor menos se avalia.
    4. Burocratismo e avalanche de atividades. Há professores que tudo que tocam transformam em burocracia. Exigem a presença na aula, mas de modo burocrático. Exigem a entrega de mil e um trabalhos, mas todos eles só servem para fazer o aluno não estudar, não criar, não se desenvolver, pois são meros instrumentos burocráticos para deixar o aluno ocupado. Esse é o tipo do professor que não tem a mínima noção do que é o conhecimento, ele não sabe que o conhecimento é irmão gêmeo do “período de maturação”. Excesso de atividades pode antes tirar o aluno do estudo que colocá-lo em uma situação de reflexão e amadurecimento. Em um curso universitário em que a maioria dos professores age assim, o melhor que o aluno tem a fazer é sair e procurar uma universidade melhor.
    5. Não problematização. Encontramos professores que expõem tudo de modo liso, como se não existissem problemas a serem resolvidos no âmbito do assunto que ministra. Para esse tipo de professor o conhecimento é um conjunto de enunciados que se sobrepõem, e não uma guerra de teorias e verdades que, não raro, cria mortos e feridos definitivos. Para esse professor, o conhecimento é alguma coisa da ordem do acúmulo e não da maravilha da aventura. No máximo, esses professores colocam questões e perguntas, mas são incapazes de trabalhar com um problema efetivo junto com os alunos. Um curso em que o estudante não se defronta com problemas reais que ele tem de resolver pode ser tudo, menos um curso universitário.
    6. Falta de curiosidade. Muitos professores reclamam da falta de curiosidade dos alunos pelo assunto de seu curso quando, na verdade, eles próprios não possuem nenhuma curiosidade por tal assunto. O professor universitário deve expor os problemas da sua disciplina, em especial os problemas que encontraram soluções, ainda que não definitivas, mas também deve tentar mapear para o aluno os problemas que permanecem em aberto. Entre esses últimos, alguns podem, sim, ser abordados em nível de graduação. Muitas vezes, são os casos que podem ser abordados na graduação os mais próximos do cotidiano e que chamam o aluno para várias formas de laboratório, segundo as especificidades de seus cursos. O professor deve ter curiosidade por eles e fomentar tal curiosidade no estudante. Caso não consiga isso, talvez seja interessante verificar se não está na área errada ou mesmo na profissão errada.
    7. Opinião cristalizada. Encontramos um tipo de professor que conversa muito e deixa o aluno participar da aula com inúmeras perguntas. Dá a impressão de ser um professor aberto. No entanto, às vezes nada é senão um professor extremamente fechado, pois é incapaz de ver que, em determinado nível, o diálogo só ocorre verdadeiramente se a possibilidade de mudar de opinião se verifica. Ele dialoga muito, mas não oferece razões para o aluno mudar de opinião. Inversamente: quando posto na parede e se pega sem razões para argumentar, ainda assim não muda de opinião. O professor universitário que não muda de opinião não serve para o ensino superior. A universidade só é boa se ela cria sem medo o espaço do erro do aluno e do professor, incentivando-os a mudar de posição ou, ao menos, procurar boas razões para não mudar.
    8. Fuga da discussão com os pares. Há professor universitário que nunca consegue conversar com os colegas a respeito do assunto que pesquisa ou trabalha. Conversa de tudo e, sobre assuntos burocráticos da universidade, sabe tudo. Todavia, é incapaz de viver o seu assunto de aula e de pesquisa. Deste professor nenhum colega arranca qualquer opinião sobre conteúdos acadêmicos, embora possa conseguir sua opinião sobre todo o resto. Esse tipo de professor que não se envolve com seus próprios conteúdos que ministra e que, enfim, só é um intelectual em sala de aula, acaba por não ser intelectual em lugar algum. Não tem qualquer condição de se colocar como professor universitário. O professor universitário é um intelectual polemista também e principalmente fora da sala de aula, não só com os alunos, mas com seus pares. Ele escreve e fala cotidianamente sobre seu tema e a relação deste com o que ocorre no mundo. Quando não faz isso, está na profissão errada.
    9. Nem scholar, nem erudito. O professor universitário deve ter erudição e, ao mesmo tempo, ser um scholar de determinado autor ou assunto.  Não se pode ser scholar sem ser erudito no campo da cultura geral e não se pode ser um erudito sem ser um scholar. Só o casamento perfeito dessas duas condições garante o que deve ser o professor universitário.
    10. Não presença nos corredores. O professor universitário não tem seu único lugar na sala de aula ou em sua sala ou escritório. Seu lugar é, principalmente, na cantina, nos corredores, nos espaços em que os alunos circulam. O professor que recusa o exercício do footing pela universidade para se deixar abordar pelos alunos e socializar suas experiências, atender alunos e criar um “clima” de polêmica e conversação cultural, não pode ser professor universitário. A universidade só é viva se nos corredores e nas cantinas fervilham discussões promovidas pelo erotismo socrático distribuído entre mestres e estudantes, o que os faz se seduzirem mutuamente. Fora disso, a universidades quase que se resume a um prédio morto – talvez um túmulo de cérebros.

    © 2010 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ




    sexta-feira, 16 de julho de 2010

    Se eu não fosse imperador..., por Aloyzio Achutti*


    “Se não fosse imperador do Brasil, quisera ser mestre-escola. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro.” (Pedro II)

    É pena que ele tivesse sido imperador, quem sabe não nos faltariam hoje professores, e nós, homens do futuro (dele), estaríamos mais bem preparados...

    De qualquer forma, não temos mais imperadores. Eles foram parar nas escolas de samba e no futebol. Entretanto, a julgar pela política nacional, expressa no salário dos professores, nas escolas e seus equipamentos, nossos dirigentes de hoje – parafraseando – provavelmente diriam: “Se eu não fosse presidente da República, quisera ser jogador de futebol”.

    Muitos jogadores ganham salários astronômicos, fora de parâmetros do mercado de trabalho, desproporcionado com seu preparo profissional, impossível de encontrar termo de comparação com o salário de professores e de profissionais da saúde. É a maior evidência de que nós, homens do futuro do imperador, não fomos preparados para formar uma cultura adequada, pois enquanto freneticamente aplaudimos uns, não valorizamos e agredimos outros.

    É compreensível que o povo necessite de circo assim como necessita de pão. Jogos, como alternativas para extravasar a violência reprimida, também são necessários, e não podem ser menosprezados. Entretanto, seria bom que tivéssemos também alternativas participativas, nas quais o esporte fosse compartilhado, e não ficássemos sentados como espectadores aplaudindo ou vaiando, nem alienados desviando nossa atenção de assuntos muito mais importantes.

    Sabe-se também que há muito interesse secundário em jogo, da indústria, do comércio e da política populista, mas não podemos ficar insensíveis para a deformação provocada na lapidação de ídolos populares, expondo-os a condições de vida e de permissividades para as quais eles absolutamente não foram preparados.

    Dá também para entender que grande parte da população, e até de políticos que ascendem ao poder, assim como ascendem jogadores famosos, não tenha condições de valorizar a educação, o ensino e a saúde, porque não teve aquela orientação e o preparo de que falava nosso imperador.

    Vale a pena examinar (embora não tenhamos uma supervisão de projetos como tem a Fifa), nas plataformas políticas – entre as quais teremos que escolher –, quais as metas educacionais a estarem prontas até a Copa de 2014.

    Assim como saúde, educação é um investimento a ser feito em longo prazo e continuamente. O imperador tinha razão: não há missão mais nobre que a de dirigir inteligências jovens.

    *Médico

    Fonte: Jornal Zero Hora -  15 de julho de 2010 -  N° 16397

    quinta-feira, 15 de julho de 2010

    Veja como organizar sua rotina de estudos para se preparar para o Enem 2010, por Ana Okada



    A quatro meses do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2010, os estudantes que querem se preparar melhor para o exame devem organizar um cronograma de estudos, separando os horários e os assuntos que devem ser estudados. "É importante que ele se prepare para lidar com a situação de forma eficiente", diz Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil. A organização na preparação, segundo ela, além de ajudar nos estudos, também dá mais confiança tanto a quem vai fazer o Enem quanto a quem pretende prestar vestibular.
    Um cronograma, a compreensão dos pais, metas razoáveis, alimentação saudável, atividades físicas e descanso são elementos que devem fazer parte da vida do jovem que está se preparando para o Enem. "A pessoa tem que ser flexível, se organizar e saber balancear os estudos e as horas de lazer", diz Ana Maria. "[Mas] Não tem uma receita: é uma questão de a pessoa se conhecer, observar o que é bom para ela, em quais momentos ela rende mais", diz.

    Cronograma

    O cronograma de estudos deve priorizar as matérias em que o estudante vá gastar mais tempo -aquelas em que ele tem mais dificuldade. Segundo o professor Joe Landsberger, que tem um site com dicas de estudos em 35 idiomas, essa é uma boa estratégia: no começo, o candidato estará mais "fresco", com mais energia para a tarefa. No entanto, o estudante ao Enem não deve deixar de estudar nenhuma disciplina, já que todas serão cobradas.
    O UOL Educação elaborou um cronograma para ajudar na organização. O modelo traz a divisão dos dias da semana e dos horários e foi baseado em uma planilha feita pelo professor William Douglas, especialista em concursos. No pé da tabela, é possível contar quanto tempo foi gasto em cada atividade.


    Uma maneira de definir as prioridades é utilizar o quadro abaixo, baseado em modelo idealizado pelo "guru" de gestão Stephen Covey, mostrado no blog de Roberto Caldeira . De acordo com Covey, nossos afazeres se dividem entre urgentes e importantes. Os urgentes são aqueles que se colocam na nossa frente e para os quais não conseguimos dizer não. Já os importantes são aqueles que realmente fazem diferença. Veja como dividi-los:







     

    Estudo e intervalo

    Após definir os assuntos a serem estudados, deve-se alternar blocos de estudo, com duração máxima de uma hora, e pequenos intervalos -para um lanche ou um copo de água. "Só não se pode esquecer de voltar para os estudos depois. O intervalo é uma oportunidade para se alimentar, relaxar e ganhar energia para a próxima etapa de estudos", diz Landsberger.
    "Quando estuda, o jovem tem que ser realista: nossa atenção não dura 6 horas, não adianta ficar na frente dos livros quando já não estamos prestando atenção. A pausa relaxa e ajuda a focalizar novamente naquilo em que temos que nos concentrar", explica Ana Maria.
    Resumos e revisões semanais também são uma boa estratégia para fixar conteúdos, segundo o professor Landsberger. O estudante pode reservar um horário por semana só para isso, adaptando as atividades de acordo com as prioridades -provas, caso o jovem ainda esteja no ensino médio. Identificar fontes que possam ajudá-lo a estudar, como pesquisas na internet ou um amigo que domine mais a matéria, é outra forma de ajuda.

     

    Preparação e trabalho

    E se o estudante também trabalhar? Os especialistas ouvidos pelo UOL Vestibular recomendam que esses jovens utilizem o tempo de forma inteligente, aproveitando o período que têm livre durante o transporte, ou durante o almoço, além dos fins de semana e feriados.
    "Para quem trabalha é mais difícil, mas ninguém morre de estudar", diz o professor Alberto Francisco do Nascimento, coordenador do curso Anglo. Ele ressalta que a preparação tem que começar na primeira série do ensino médio. "O problema é que a maioria não estuda para aprender, estuda apenas para passar, e todo mundo fica apavorado depois. O melhor é sentar e estudar", diz.
    Ele recomenda treinar com as questões dos anos anteriores e simulados, bem como fazer anotações das aulas.  "O aluno não deve só ler a matéria, deve ler, absorver e interpretar, não é só 'leitura de jornal'", afirma.
     

    quarta-feira, 14 de julho de 2010

    Folclore é mais do que se imagina

    Em geral tratado de forma preconceituosa ou limitada, o folclore é uma área de saberes e expressões que merece muito mais reflexão na hora de ser abordado na escola 

     
    Por Thais Gurgel (Thais Gurgel), colaborou Paula Monteiro.

    No calendário, o folclore tem data marcada para ser lembrado: dia 22 de agosto. E na vida das pessoas, quando ele acontece? Ter clareza sobre essa questão é o primeiro passo para trabalhar na escola as manifestações e a importância da cultura popular tradicional. Por isso, preparamos este conteúdo especial, dividido em três partes: uma entrevista com o educador popular Tião Rocha, do Centro Popular de Desenvolvimento e Cultura, uma pequena antologia de clichês sobre o tema, acompanhada da devida desconstrução de cada um deles e um quiz para estimular a reflexão sobre o folclore.




    Clichês



    Não raro, o folclore costuma resumir-se nas salas e pátios escolares à comemoração de seu dia, quando são relembradas lendas como a da Iara, do Saci Pererê, do Curupira, entre outras. Como geralmente não se articulam em projetos ou sequências didáticas nem fazem parte do dia-a-dia da instituição, a percepção das crianças em relação ao que é, de fato, a cultura popular tradicional fica muito aquém do que essa área de saberes e expressões tem a oferecer. E, para piorar, o mais comum é que suas manifestações acabam sendo tratadas na escola de maneira preconceituosa – como algo inferior em termos de conhecimento.
    O folclore diz respeito à vida de cada um de nós, já que pertencemos a grupos sociais que levam adiante costumes, saberes e valores. Da mais simples receita culinária ao mais complexo ritual de casamento, tudo é compartilhado por um grupo e levado adiante com o passar do tempo e das gerações. Isso acontece somente por uma razão: essas tradições continuam a fazer sentido, inclusive para os mais jovens.

    Quer saber mais?

    BIBLIOGRAFIA ON-LINE

    O que é folclore, de Carlos Rodrigues Brandão
    Entendendo o folclore, de Maria Laura Cavalcanti
    Roteiro de pesquisa sobre folclore
    , por Tião Rocha

    SITES

    segunda-feira, 12 de julho de 2010

    Dica didática: passos para a eficiência do processo ensino-aprendizagem

    1. Planeje a aula. Monte o plano de aula.
    2. Prepare o ambiente com antecedência. Tenha à mão os meios auxiliares de ensino necessários; teste os recursos audiovisuais; organize a sala, a disposição das cadeiras e dos recursos; prepare material de apoio/consumo.
    3. Sensibilize.  Ative a motivação dos alunos; desperte o interesse; estimule atitude receptiva; enfatize a importância do conteúdo; apresente os objetivos da sessão de ensino; apresente a finalidade prática e os ganhos.
    4. Oriente atitudes. Desperte atitudes necessárias à aula e à aprendizagem; solicite e promova atenção, concentração, flexibilidade, tolerância, paciência, compreensão, humildade, relacionamento interpessoal (a própria declaração de intenção do aluno é mobilizadora de recursos).
    5. Oriente comportamentos e habilidades. Sugira formas de participação, estabeleça contratos.
    6. Levante os conhecimentos prévios dos alunos acerca do conteúdo. Permita que os alunos relatem experiências.
    7. Fale sobre o assunto. Recupere suas lembranças e conhecimentos relacionados; depois, especifique o que irá abordar; lance perguntas para discussão do conteúdo; faça brainstorm.
    8. Promova a estruturação da representação do conhecimento. Distribua folhas com mapas mentais, esquemas, tabelas e diagramas do conteúdo a serem preenchidos com palavras-chave ou ilustrações.
    9. Problematize. Gere perguntas abertas, fechadas, abrangentes e/ou específicas sobre o conteúdo; lance perguntas para discussão, para consulta em material de apoio, para raciocínio, memorização; solicite que os alunos elaborem perguntas que sejam respondidas pelos pares, individualmente ou em grupo.
    10. Conduza a aula iterativamente. Passe várias vezes pelo mesmo assunto aumentando o nível de complexidade. Isso reduz ansiedades e revisa a aula.
    11. Expresse intenções imediatas. Segmente a sessão em blocos/etapas e sempre que houver conclusão de assuntos, fale sobre a próxima seqüência.  Oriente finalidades de exercícios e trabalhos.
    12. Possibilite a aplicação dos conhecimentos. Possibilite repetição e o aumento de velocidade na prática.
    13. Verifique o rendimento. Avalie o progresso de cada aluno. Reavalie a metodologia de ensino e a técnica de avaliação. Dê feedback positivo quanto às atitudes demonstradas pelos alunos.
    14. Resuma.
    15. Sensibilize para a aprendizagem continuada.
    E ainda lembre-se de que é importante considerar, além do aspecto cognitivo, o afetivo e o psicomotor no desenvolvimento integral de cada aluno. Portanto, durante a sessão, possibilite momentos de:
    - Pausas. Propicia reflexão, “absorção” do novo conteúdo, além de descanso mental. A pausa em final de informação é um dos maiores indicadores de naturalidade na comunicação. Ainda valoriza a informação transmitida e permite que os ouvintes reflitam sobre o que foi comunicado.
    - Relaxamento de posturas. Possibilita soltar partes do corpo que estão tensas.

    O texto de Danielle Paiva Santos foi baseado no site http://www.possibilidades.com.br. Danielle é pedagoga licenciada pela Universidade de Brasília e pós-graduanda em Psicopedagogia - Preventiva e Interativa. 

     Fonte: Jornal Virtual - Profissão Professor -  Ano 6 - número 56 - 27/02/2008

    sábado, 3 de julho de 2010

    Aprender a observar, por João Luís de Almeida Machado *


    Olhar para analisar, refletir e entender
     
    Imagem-de-homem-de-oculos-com-olhar-serio


    Tentamos ensinar tantos temas, conceitos e idéias em sala de aula que muitas vezes deixamos de trabalhar alguns assuntos que são verdadeiramente essenciais para a educação. Por exemplo, não pensamos mais em aperfeiçoar (com profundidade) a leitura; raramente nos preocupamos em saber se nossos estudantes estão cientes de determinados tipos de ações e práticas básicas em educação, como a produção de fichamentos, sínteses, resumos ou textos dissertativos; não cobramos (e não realizamos) um maior enriquecimento cultural a partir da visita a museus, centros de pesquisa, cinemas, teatros ou universidades; deixamos de aguçar o interesse, a curiosidade e estimular os sentidos para a pesquisa, especialmente o olhar, a capacidade de observar com atenção e critério...
    Pensando nisso tenho utilizado com grande freqüência algumas atividades que pedem um esforço concentrado dos estudantes na observação de filmes e imagens selecionadas, especialmente obras de arte.
    E é notável como há por parte desses jovens uma grande dificuldade de ir além daquilo que é óbvio, do que está em primeiro plano. Os cruzamentos de idéias e conceitos, as sinapses que nossas mentes deveriam estar realizando, a reflexão mais aprofundada em relação aos objetos observados e analisados poucas vezes supera níveis minimamente razoáveis.
    Pensar em grandes resultados demanda mais prática, muito mais exercício. Esse tipo de atividade vem tentar justamente suprir essa enorme lacuna. Provocar os alunos e ao mesmo tempo tentar lhes atribuir um papel cada vez mais constante de protagonistas da aprendizagem e não de receptáculos de informação já previamente sistematizada.


    Imagem-de-Museu
    Se não conseguimos levar os estudantes aos museus, que tal selecionar imagens e
    trazê-las para a sala de aula para que eles possam olhar, apreciar, analisar e
    interpretar num processo de coleta de informações?

    Aliás, esse é um dos principais objetivos em curto prazo das pessoas que realmente estão estudando a educação. Superar o trabalho em aula, ampliar os horizontes da educação, provocar os estudantes para que se sintam desconfortavelmente curiosos e instados a procurar novas informações. E nessa busca de novos dados, já não basta mais se preocupar somente com a bibliografia (que continua essencial, primeira e básica nessa conduta de pesquisadores que devemos ter), é necessário ampliar os horizontes em direção as novas (ou não) possibilidades.
    O que mais parece próximo dos jovens da atual geração com a qual estamos lidando é o trabalho com as mídias e recursos eletrônicos, especialmente os computadores e a Internet. É claro que consideramos esse trabalho importante e que estimular e orientar ações de pesquisa em relação ao universo virtual constituem responsabilidade e compromisso obrigatórios dos educadores do século XXI.
    Porém, quando falo em aguçar os sentidos, especialmente o olhar, me refiro à necessidade de observarmos a natureza, as pinturas, as esculturas, os filmes, as dramatizações teatrais, as danças, as outras pessoas, os animais, profissionais em ação, máquinas em uso, técnicas de trabalho ou mesmo as relações entre pessoas. Desaprendemos a capacidade de olhar e de admirar, de presenciar e aprender com isso.
    O que fiz então, no trabalho com alunos de Ensino Fundamental e também na universidade, foi levar a eles algumas imagens selecionadas de obras de arte confeccionadas por povos da Antiguidade (egípcios, gregos, babilônios, sumérios, acádios e romanos). Esse trabalho pode ser feito com fotografias, filmes ou ainda com desenhos. Também não há restrições quanto aos temas ou áreas de interesse que podem utilizar dessa prática.

    Imagem-de-fotos-antigas
    Fotografias também podem ser utilizadas nessa atividade de observação. Seria muito interessante
    trabalhar com fotos antigas dos familiares dos estudantes como forma de perceber as
    diferenças entre, por exemplo, o tempo de vida dos avós dos estudantes e os dias de hoje.

    As imagens devem ser destacadas com antecedência e, objetivamente destinadas a enfatizar determinadas características, idéias ou conceitos que desejamos vê-los discutir, perceber, entender e aprender a respeito. Esse levantamento prévio das imagens por parte dos professores pode ser feito a partir de acervos públicos (em bibliotecas), com a coleta de fotografias ou reproduções de obras de arte e sua posterior transformação em transparências ou pequenos painéis que possam ser dispostos na sala de aula.
    O segundo momento requer muita percepção por parte dos alunos e uma boa dose de silêncio por parte do professor. É uma parte do trabalho em que o educador não deve dar informações acerca das imagens apresentadas. Os estudantes têm que circular entre os painéis ou ter um tempo certo para observar atentamente as transparências.
    Dessa observação devem ser extraídos dados que sejam utilizados no cruzamento da matéria discutida em aula previamente ou ainda em relação aos temas que irão ser estudados. Essas informações têm que ser sistematizadas num primeiro momento de forma individualizada. Cada estudante cria o seu próprio rascunho com anotações referentes aos detalhes que mais lhes chamaram a atenção e que podem, em suas opiniões, ser úteis num debate mais amplo, envolvendo todos os alunos e também o professor.

    Desenho-de-professor-de-oculo-em-pe
    Além de selecionar as imagens de acordo com os objetivos das aulas e relação
    com os temas trabalhados, o professor é o responsável pela orientação durante os
    trabalhos em pequenos grupos e pelo fechamento da atividade, quando apresenta
    novamente as imagens e explica os motivos que o levaram a colocá-las nessa atividade.

    O próximo passo é reuni-los em grupos pequenos, com 2 ou 3 integrantes, para que possam comparar o que obtiveram de dados em suas anotações. A comparação permitirá que eles percebam a diversidade dos olhares, a riqueza das diferenças que existem entre eles. Os pontos comuns serão provavelmente reaproveitados pelo grupo. Os diferentes pontos levantados por cada indivíduo serão motivos de debate e se tornarão consenso desde que todos no grupo concordem com os argumentos daquele que propôs essas idéias.
    As idéias consideradas válidas a partir da observação e análise de todos os integrantes desses grupos devem ser colocadas numa resposta/relatório que serão entregues ao professor.
    O próximo e último ato dessa programação é a interferência do professor na apresentação e reflexão aprofundada a respeito das imagens utilizadas no projeto.
    Nesse momento cabe ao educador falar a respeito das origens das imagens, daquilo que representam, de seus autores (fotógrafos, artistas, cineastas, desenhistas), das escolas artísticas as quais estão associadas e, principalmente, da relação que existe entre elas e o conteúdo que estão estudando ou que irão começar a falar a respeito.
    Na mais recente aplicação dessa atividade junto a um grupo de alunos, percebi que muitos deles têm grande dificuldade para realizar a observação acurada das imagens e que muitos, por comodidade ou preguiça, preferem respostas simplificadas e curtas, sem qualquer preocupação com detalhes, informações de fundo e divagações que lhes permitam ir muito além daquilo que lhes é oferecido de imediato nas imagens. Cobrem muito, peçam mais!
    Falta mais bagagem cultural. Nossos jovens carecem de mais estímulos para olhar muito além e buscar ir mais longe. Os caminhos mais curtos estão mais em voga entre eles. Mas, em educação e ciência, esses atalhos não levam muito longe, tolhem as possibilidades e encurtam a vida útil daqueles que tentam chegar lá dessa maneira. São literalmente vias tortas, que como nos labirintos, não levam a lugar nenhum.
    A vontade e a disposição tem que ser semeadas pelos mestres e incorporadas pelos estudantes. Por que, se eles assim não fizerem, estão fadados ao fracasso e não ao sucesso em suas vidas futuras, seja no sentido profissional ou no pessoal... 


    *João Luís de Almeida Machado  - Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).
     

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