terça-feira, 31 de agosto de 2010

Conheça cinco métodos para anotar com precisão durante as aulas, por Simone Harnik

Você já pegou o caderno para estudar e ficou sem entender o que tinha escrito? Muitas vezes, o sentido das anotações desaparece pouco depois das aulas, principalmente se o dono do caderno não for dos mais organizados. Por isso, o UOL Educação traz cinco sugestões de métodos para registrar o que o professor diz na classe.

Veja o álbum de fotos com os exemplos de anotações em cada um dos métodos

Entre as técnicas, estão procedimentos simples, como numerar as frases, e outros mais complexos, como o método Cornell, que exige a divisão do papel em três partes e dedicação do estudante. As cinco formas de organização são oferecidas aos alunos da Universidade de Stanford, pelo Centro de Ensino e Aprendizado da instituição. (Veja na tabela abaixo cada um dos métodos detalhadamente).

"Aprender a se organizar é fundamental para o aprendizado, porque, se o estudante não se organiza, não vai conseguir pesquisar, ter autonomia", afirma Noely Weffort de Almeida, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

O processo de ensinar a organização na escola pode começar desde cedo, de acordo com Noely. As crianças devem ser estimuladas pelos pais a registrarem no caderno o que aprendem na sala de aula. Sempre respeitando as diferenças individuais: "É fundamental fazer anotação, mas a forma depende de cada um. A mesma aula pode ser anotada de formas diferentes", diz.


Segundo Ocimar Munhoz Alavarse, docente da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), registrar o que se ouve em aulas e palestras facilita o aprendizado. "O importante é fazer as anotações. Depois, cada um aperfeiçoa o seu método: pode ser no laptop, no papel, no livro", afirma.

Para Alavarse, adotar técnicas de anotações é um passo para quem já está habituado a pôr no papel o que o professor diz. Se você não está acostumado a escrever durante a aula, o primeiro desafio é preencher as folhas do caderno.

E vale ficar atento para não deixar que os métodos "engessem" sua criatividade. Eles podem ser combinados, utilizados conforme a disciplina, a aula, o professor e o gosto pessoal.







Fonte: UOL Educação

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Estudar é preciso!, por Débora Ortiz de Leão*



 Há exatos sete anos, escrevi algo semelhante a esse título. Inspirada pela leitura de um livro de Mario Osório Marques, defendia: “Escrever é preciso”. Hoje, não apenas continuo defendendo essa ideia como procuro ampliá-la a partir do enfrentamento de questões que se apresentam no cotidiano pessoal e profissional. Uma dessas questões decorre dos depoimentos de pessoas preocupadas com uma negativa mudança social: a (des)motivação dos jovens para com os estudos. Como é do conhecimento geral, as mudanças sociais decorrem de múltiplos fatores, mas, sem dúvida, implicam alterações comportamentais que repercutem em uma das instituições sensíveis às transformações sociais: a escola. Em meio a isso, observa-se uma preocupação comum por parte de pais e professores que valorizam os estudos e buscam alternativas para amenizar essa situação. Mas, no conjunto das reflexões, retoma-se o seguinte questionamento: por que ou para que é importante estudar? A maioria das pessoas talvez tenha a resposta na ponta da língua: para ser alguém no futuro. O problema é que essa resposta revela-se insatisfatória. Na verdade, trata-se de referenciais pertencentes há um tempo em que o objetivo estava em viver dias melhores no futuro por meio desse investimento, entre outras crenças. Atualmente, acredita-se que é preciso alterar esse discurso, até porque hoje se conta com estudos e pesquisas que podem fornecer outras explicações. Sabe-se, por exemplo, que o desenvolvimento da formação de conceitos (espontâneos e científicos), fornecidos pela educação escolar e, também, pela educação na sociedade de maneira geral, acarreta um maior desenvolvimento intelectual. Isso porque a aprendizagem de operações mentais exige consciência e controle deliberado por parte do aprendiz, o que favorece enormemente o desenvolvimento das funções psicológicas superiores. Considerando-se esses referenciais, o aprendizado precede o desenvolvimento. Portanto, entende-se que é preciso estudar para aprender e, assim, se desenvolver. Mas o que isso tem a ver com a importância de estudar? Ora, se as pessoas se desenvolvem intelectualmente por meio dos estudos, há maiores chances de ampliar a capacidade de interpretação dos fatos cotidianos. Com isso, encontram melhores soluções para os problemas, conseguem discernir o que é bom para si mesmos e para os outros, além de obter avanços significativos na qualidade de vida atual e não apenas futura. Concordo, portanto, que é preciso estimular os estudos, mas, sobretudo, é preciso argumentar a respeito da sua real importância para as crianças, jovens e adultos que não conseguem entender a necessidade de cumprir essa tarefa no momento atual.

*Professora

Fonte: Jornal Zero Hora

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Para compreender a adolescência

Reportagens ajudam gestores e professores a entender o que se passa durante esse período da vida dos jovens

Verônica Fraidenraich (gestao@atleitor.com.br)

Ilustração: Daniella Domingues
SEXUALIDADE A descoberta do desejo provoca nos jovens sensações desconhecidas.
 Ilustrações: Daniella Domingues
Eles andam em grupos e seguem modas. Muitos são rebeldes e agressivos. Estão na fase de violar regras e querer mudar o mundo. Entender como são e o que pensam os adolescentes é essencial para que a escola obtenha êxito em seu papel de educar. Pensando em como ajudar diretores, coordenadores pedagógicos e professores a trabalhar melhor com esse público, a revista NOVA ESCOLA está fazendo, desde março, uma série de reportagens sobre o que pensam e como se comportam os jovens - conteúdo totalmente disponível
no site.

Na edição deste mês, o assunto é drogas. Compreender a relação dos jovens com essas substâncias e por que o contato se intensifica na adolescência é o primeiro passo. A sensação de prazer, a curiosidade e o desejo de transgredir são fatores que contribuem para o agravamento do problema. O consumo de álcool, por exemplo, faz parte da rotina: 65,2% dos adolescentes já experimentaram bebidas alcoólicas, segundo pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas feita com estudantes de 10 a 18 anos de escolas públicas. Outros 5,9% fumaram maconha e 15,5% usaram acetona e lança-perfume. Muitas vezes, o consumo de drogas lícitas ou ilícitas ocorre dentro da escola. Por isso, é preciso pensar na melhor maneira de tratar o assunto.

Levar os alunos a refletir sobre o tema, mostrando que as consequências são para toda a vida, é uma das formas de incentivar escolhas mais conscientes. Também é importante debater sobre outras formas de prazer imediato e que não são danosos. Vale ressaltar e deixar claro para os estudantes que a abertura para dialogar sobre as drogas não implica na não-obediência às normas estabelecidas em conjunto, como as de não fumar na escola.


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Fonte: Gestão Escolar Edição 009 -  Agosto/Setembro 2010

domingo, 22 de agosto de 2010

Formação literária do professor: nunca é tarde para gostar de ler

Muitos professores brasileiros não tiveram a chance de construir uma história como leitores de literatura. Mas sempre é tempo de criar o hábito de leitura e também inspirar seus alunos.

Elisa Meirelles (elisa.meirelles@abril.com.br). Com reportagem de toda a equipe de NOVA ESCOLA e
NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR

Você terminou de ler um romance. Chega à escola e corre para compartilhar a experiência com os colegas. Fala sobre os conflitos do personagem (sem entregar o fim da história, é claro) e comenta que já viveu vários dos questionamentos narrados na história - razão pela qual a trama prendeu a atenção do começo ao fim. Outro professor aproveita para dizer que já leu algo do mesmo autor - e a conversa continua, animada, até a hora de a aula começar.

"Um mesmo livro nunca é o mesmo para duas pessoas", já disse o poeta Ferreira Gullar. Essa experiência, ao mesmo tempo pessoal e coletiva, é tão rica porque nos permite entrar em contato com uma realidade diferente da nossa - e, graças a isso, (re)construir nossa própria história dia após dia.

Porém a realidade de grande parte dos docentes brasileiros está bem longe disso. Muitos não tiveram acesso a obras literárias em casa nem construíram práticas sociais de leitura (na Educação Básica e nos cursos de graduação universitária). "O professor médio brasileiro do ensino público teve pouco acesso e estímulo a ler. Por isso, conhece poucas obras de literatura contemporânea e clássica", afirma Zoara Failla, gerente executiva de projetos do Instituto Pró-Livro. Então, o que fazer para transformar essa pessoa que tem pouca familiaridade com a literatura em um agente disseminador de boas práticas leitoras? O mais importante é saber que nunca é tarde para se deixar encantar pela literatura e começar uma trajetória como leitor - ou, quem sabe, ampliar ainda mais os conhecimentos sobre os livros. Vamos nessa?

Por que ler

O leitor literário lê por razões variadas: rir, refletir, investigar, relembrar, chorar e até sentir medo. Lê porque mergulha no que autores e personagens pensam e sentem - no passado, presente ou futuro, em lugares distantes ou que nem sequer existem. Lê porque as narrativas literárias o ajudam a refletir sobre a vida e a construir significados para ela.

Como virar um leitor

Não existe um caminho único para se tornar um leitor literário. Você pode começar por textos simples do ponto de vista linguístico e depois passar para os mais complexos - ou iniciar por temas próximos e partir para os mais distantes. "E há os que preferem os grandes desafios desde o princípio porque sabem que eles têm algo a oferecer, nem que seja a estranheza", afirma Ana Flávia Alonço Castanho, selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. Um bom caminho para alavancar o gosto pelos livros é procurar uma comunidade de leitores (podem ser os professores da escola, os amigos, os parentes - o importante é encontrar gente que goste de ler). Em Andar entre Livros, Teresa Colomer, professora de Literatura na Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, afirma que "ao compartilhar as impressões sobre uma leitura passamos a saber os significados que a obra tem para os outros, o que enriquece nosso repertório". Outra vantagem desse diálogo permanente é a troca de indicações de textos e autores.




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Fonte: Revista Nova Escola

domingo, 15 de agosto de 2010

Pensar é transgredir, por Lya Luft


Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.

Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.


Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.


Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"

O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.

Sem ter programado, a gente pára pra pensar.

Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.

Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.

Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.

Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.

Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.


Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.


Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.

Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.

Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.

Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.

Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.

E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Estudo chato!, por Fábio C. R. Mendes*


“Estudar é chato”: essa é resposta mais frequente dos alunos à pergunta de por que não estudam. Eles reconhecem que o estudo é importante no mercado de trabalho, que é preciso ter cultura, que vão precisar estudar ao longo dos anos e até que suas vidas seriam melhores se gostassem de estudar. Contudo, nada disso faz com que o estudo deixe de ser o que é: “chato”. Esta é a opinião da grande maioria.

Convivo diariamente com esse tema há quatro anos, desde que comecei a trabalhar com alunos de diversos colégios, públicos e privados, sobre hábito de estudo. Levo a ideia de que o estudo não é necessariamente chato: o que há é um tipo de estudo bastante comum com as características da “chatice universal”. Vejamos quais são elas, para vencê-las.

Falta de objetivo: Qualquer coisa que fazemos sem um objetivo será chata. O mesmo vale para o estudo. Que objetivos poderiam ser estes? Uma prova, a aprovação no ano letivo, o vestibular, uma profissão ou a realização de um sonho. É preciso parar, pensar e descobrir qual é esse objetivo. O ideal é que seja de um prazo longo e que o aluno veja na sua rotina a construção deste objetivo.

Imposição externa: Você gostaria de ir ao cinema se sempre fosse acompanhado por alguém que o vigia, opina sobre tudo e critica seu modo de apreciar o filme? Se assim fosse, certamente o prazer iria por água abaixo. É isso o que ocorre com o estudo: por anos, sofremos a imposição externa e só isso já faz dele chato. Precisamos entender que nossos objetivos devem nos motivar.

Ineficiência: Você continuaria gostando de ir à academia se nunca obtivesse os resultados desejados? Pois anos de estudo individual improdutivo fazem desta atividade chata. A solução é melhorar a preparação (local, material e conteúdos) e ter método de estudo.

Empecilho ao descanso e ao lazer: Nem a mais bela namorada teria lugar em nossas vidas se impedisse nosso contato com amigos ou se ligasse sem parar, interrompendo toda e qualquer soneca. Se o estudo sempre tirar espaço do descanso e do lazer, ele será um carrasco cruel. Devemos investir na programação de nossa rotina. Assim, descobriremos horários absolutamente livres, os quais são os momentos ideais de estudo.

Observando esses pontos, o estudo poderá deixar de ser chato. E é importante que se diga: existe sim o estudo prazeroso. Portanto, estudantes, não percam as esperanças!


* Professor

Fonte: Jornal Zero Hora 
Imagem: Aqui

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