domingo, 28 de novembro de 2010

Academia de ginástica (mental), por Claudio de Moura Castro

"Sem o desenvolvimento do método científico, não teríamos os avanços tecnológicos que tanto beneficiam a humanidade"

As primeiras ondas encantaram os turistas. Eles ficaram então esperando as próximas. Contudo, foram salvos por uma inglesinha bem jovem, em cujo livro de ciências estava explicado o que era um tsunami e que perigos trazia. Que corressem todos, o pior estava por vir! Em contraste, alguns pobres coitados de Goiânia receberam doses fulminantes de radiação ao desmontar o núcleo radioativo de um aparelho de raio X vendido como sucata. Os turistas foram salvos pelo conhecimento científico da jovem inglesa. Os sucateiros foram vítimas da sua ignorância científica. Não é fortuita a nacionalidade de cada um.

H. Habermeier mostrou que, dentro de níveis comparáveis de qualidade da educação, os países com melhor desempenho em ciências obtinham resultados econômicos mais expressivos. Ou seja, há argumentos poderosos sugerindo o efeito de uma boa base científica no desempenho econômico. Estamos cercados de aparelhos com extraordinária densidade de ciência e tecnologia. Decifrar e manipular a natureza é crítico para a nossa produtividade. A liderança do país no etanol requer que um reles pé de cana incorpore melhoramentos genéticos de altíssima complexidade.

Esses argumentos vêm sendo repetidos ad nauseam. Apesar disso, é lastimável o desempenho brasileiro em ciências. Nas provas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Brasil está entre os últimos lugares, abaixo da média da América Latina, um continente de pífio desempenho educativo (vejam o livro recente O Ensino de Ciências no Brasil, do Instituto Sangari). Quero trazer mais dois argumentos possantes. O primeiro tem a ver com a ideia de que aprender a pensar é uma das tarefas mais nobres e mais árduas da escola. Mas, ao contrário do que almas ingênuas poderiam imaginar, não se aprende a pensar em cursos do tipo "Como pensar". Aprende-se pensando sobre assuntos que se prestam para tais exercícios. E, entre eles, as ciências oferecem um campo excepcional. Exercitamos os músculos nas academias. E exercitamos os músculos do intelecto lidando com as ciências e outros assuntos de lógica exigente. Que fantástica academia para exercícios mentais são as teorias científicas! O rigor das definições, a precisão das leis e as abstrações disciplinadas oferecem um terreno ideal para ginásticas simbólicas. Portanto, mesmo que os conhecimentos não servissem para melhor operar em um mundo complexo, a ginástica mental que permitem é uma das fases mais nobres do processo educativo.


Vejamos o segundo argumento. Se pensamos na contribuição da Europa nos últimos cinco séculos, muitas ideias nos vêm à cabeça. Mas talvez uma das mais decisivas tenha sido o desenvolvimento do método científico, salto que teve Bacon e Descartes como ícones. Por trás dos gigantescos avanços científicos está o método. Com ele, a ciência avança, seja com passinhos, seja com saltos. Não há marcha a ré, pois até o erro educa.

O método impõe a disciplina de formular as perguntas de maneira rigorosa e sem ambiguidades. Em seguida, propõe e fiscaliza um plano de ação para verificar se as hipóteses para responder às perguntas, de fato, descrevem o mundo real. Sem essa disciplina para escoimar de imprecisões e equívocos a busca científica das respostas, não poderíamos ter confiança nos resultados. A vulgarização do poder da ciência se traduz nas afirmativas publicitárias de que "a ciência demonstrou...".

Sem o desenvolvimento do método científico, não teríamos os avanços tecnológicos que tanto beneficiam a humanidade. Mas o meu argumento aqui vai em outra direção. O método tornou-se uma espécie de roteiro seguro para pensar bem sobre todos os assuntos, não apenas para fazer pesquisas. Quem aprendeu a pensar como cientista e a usar o método científico tem um raciocínio mais enxuto e rigoroso. As perguntas são mais bem formuladas e já facilitam a busca sistemática das respostas. Não importa o assunto (mas, obviamente, uma boa base científica apenas dá a embocadura para entrar com segurança no assunto, não substitui o conhecimento específico). Só falta dizer que há uma enorme diferença entre aprender a pensar como um cientista e decorar fórmulas, teoremas e leis. Infelizmente, nosso ensino pende para a segunda versão. E o Pisa joga isso na nossa cara.



Claudio de Moura Castro é economista
claudio_moura_castro@cmcastro.com.br

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Avaliação docente: todos de olho no professor

Para que a prática ajude a ensinar melhor, é preciso desenvolver um sistema que vá além da aplicação de provas


VISÃO GLOBAL A avaliação docente precisa incluir múltiplos olhares para ser efetiva. Ilustração: Alice Vasconcellos Fotos: Carlos Bessa/Márcio de Nero/Marcelo Zocchio/Ivan Shupikov
VISÃO GLOBAL A avaliação docente precisa
incluir múltiplos olhares para ser efetiva
Avaliar, avaliar, avaliar. De alguns anos para cá, a prática tem se tornado um tema recorrente no mundo da Educação. Países criam complexos sistemas de medição, juntas de especialistas estabelecem padrões e faixas de desempenho, organismos internacionais desenvolvem testes para comparar resultados em todo o mundo. No Brasil, uma das novidades foi a instituição de um Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. Previsto para ser aplicado a partir de 2011, vai medir os conhecimentos dos que querem se dedicar ao Magistério. O atrativo é grande: municípios e estados podem aderir à iniciativa, considerando-a um componente da nota dos concursos ou mesmo substituta dela.

A ideia é interessante. No início da docência, a avaliação é fundamental para verificar se o candidato cumpre os requisitos de entrada na profissão. Durante a carreira, ajuda a indicar o que está bom e, principalmente, o que deve ser aperfeiçoado. Mas não basta aplicar uma prova e achar que o problema está resolvido. Se desejamos que o processo ajude o docente a ensinar melhor, é preciso dar um passo atrás e perguntar: o que é mesmo que estamos avaliando?

A resposta requer reflexão sobre o que significa ser um bom professor. É aquele cujos alunos só tiram dez? O que tem uma formação recheada de cursos? Quem se dá bem com colegas e funcionários? Ou tudo isso junto (e muito mais)? Para produzir os Referenciais para o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, o Ministério da Educação (MEC) compilou pesquisas de padrões docentes em sete países. Chegou a uma lista com 20 características do perfil do professor ideal (conheça algumas delas no quadro da página seguinte).

Além da constatação de que exercer o Magistério não é nada fácil, percebe-se que muitos aspectos não podem ser aferidos por provas. Como elaborar uma questão para certificar se o profissional "estabelece um clima favorável à aprendizagem?". Ou se demonstra "valores, atitudes e comportamentos positivos?". Os especialistas na área (e o próprio MEC, faça-se justiça) reconhecem essa impossibilidade. Ao realizar uma sondagem comparativa sobre a avaliação de professores em diversas nações, a uruguaia Denise Vaillant, coordenadora do Programa de Desenvolvimento Profissional Docente na América Latina e Caribe (Preal), concluiu que os sistemas de sucesso apostam na combinação de múltiplas estratégias, como a avaliação pelos pares e pelos gestores das escolas e a autoavaliação. As provas são apenas uma parte do cardápio - e, muitas vezes, não a mais importante.

No Brasil, ainda precisamos construir essa estrutura de avaliação múltipla. A esperança é de que a prova seja apenas o primeiro tijolo, ao qual se somem outros tipos de aferição. Para chegar lá, uma primeira providência é apostar na formação de bons avaliadores. Aqui, os programas de formação têm um papel importante, já que o assunto costuma ser pouco contemplado tanto nos currículos de graduação como na formação em serviço. Esse conhecimento é a base de sistemas como o australiano, em que cada ciclo de avaliação dura dois anos e compreende planejamento (para definir o foco do trabalho), coleta de dados (para aferir a qualidade do ensino e projetar objetivos de evolução, que variam de acordo com o nível do desenvolvimento profissional de cada um, dos principiantes aos mais experientes) e acompanhamento (para avaliar o auxílio oferecido e o avanço na obtenção das metas).

Um segundo passo é estabelecer a participação dos avaliados na definição de critérios e metas. Isso é fundamental para que o corpo docente apoie a avaliação, encarando-a como uma oportunidade pedagógica e não como uma ameaça.


Avaliação docente e plano de carreira devem caminhar juntos

Equacionados o "que" e o "como" avaliar, chega a hora de pensar no que fazer com os resultados da avaliação. É preciso ter atenção especial aos dois extremos do estrato: os educadores que se saem mal e os com performances excelentes. Comecemos pelos que menos se destacam. A constatação óbvia - a de que esses profissionais precisam de ajuda para evoluir - não tem sido acompanhada de atitudes práticas nessa direção. Muitas vezes, se diz que o ideal seria eliminar os piores automaticamente, mas isso está mais para uma medida extrema, não deve ser a primeira atitude.

Novamente, o caso australiano pode servir de base. Por lá, docentes com desempenho ruim têm a chance de passar por um plano de melhora, elaborado com o coordenador ou o diretor da escola. Durante um ano, o educador recebe o auxílio de um mentor (geralmente, um colega com ótimos resultados), incorporando conhecimentos e aprendendo novas práticas de ensino. Se mesmo após esse período persistir a baixa qualidade, aí, sim, ele deixa de lecionar - mas raramente abandona a escola: pode, por exemplo, passar a exercer funções administrativas na instituição.

Também é preciso considerar o topo da pirâmide. Nesse ponto, fica claro que a boa avaliação docente precisa caminhar de braços dados com a estruturação de um plano de carreira no Magistério. No Brasil, a progressão é burocrática, derivada quase exclusivamente do tempo de serviço ou da titulação - e, pior, estimula a fuga da sala de aula. Para muitos, virar coordenador ou diretor é o único caminho para um salário mais alto. Icentivar professores a assumir mais responsabilidades nas escolas é uma saída que deu certo em Cingapura, na Inglaterra e em estados brasileiros, como o Ceará, onde docentes de destaque são convidados a trabalhar como formadores de seus pares em metade da carga horária. Esses e outros exemplos mostram que uma avaliação por múltiplos caminhos, que privilegie a formação inicial e continuada, que contemple o diálogo entre todos os envolvidos e que esteja atrelada à evolução na carreira, tem chances mais concretas de fazer a Educação avançar. Já a prova, sozinha...



Fonte: Revista Nova Escola

domingo, 14 de novembro de 2010

Razões às Pampas para Ler, por Ari Riboldi*


Ler é sempre uma grande aventura, ao alcance em qualquer momento e lugar. No silêncio da insônia noturna, na viagem de ônibus para o trabalho, no banco da praça, na sombra das árvores, no aconchego do lar, no recanto da biblioteca, à espera num consultório. Ler por puro prazer, para aprender mais, para saber – no sentido original, do latim, “sapere”, sentir o sabor. Sim, ler para sentir o sabor da cultura, conhecer o mundo, viajar pelo tempo e pelo espaço. Ler para dominar o texto – do latim “textum”, tecido. E de texto em texto, apropriar-se do grande mosaico do contexto, ou seja, a realidade, o mundo. 
 
    Ler é um verbo com etimologia instigante. No latim vulgar, “legere” significava escolher grãos de um cereal. Atividade do homem da terra, do agricultor. Mais tarde, ainda no latim, passou a ter o atual sentido de fazer a leitura. Afinal, a leitura é sempre uma colheita de letras feita com os olhos. Quem lê torna-se inteligente. Também do latim, “inter”, entre, e “legere”, ler,  o inteligente vai além das letras, além do literal. Capta o que está subjacente, nas entrelinhas. 

    A leitura amplia o vocabulário. Mostra a propriedade e o correto emprego de cada termo. Expande as referências e as formas de comunicação. Ajuda a elaborar o raciocínio de forma lógica. Mostra o emprego da coordenação e da subordinação, a mescla das mesmas, com objetividade, clareza, na soma de ideias, em argumentações contrastantes, em causa e efeito. Enfim, a diversidade de estilos e de formas, na riqueza da linguagem.

    A linguagem, o mais poderoso meio de comunicação, possui múltiplas finalidades. Serve como unidade de uma nação, aproxima o ser humano de seus iguais, na família, no trabalho, no meio social. Pode dar ordens, veicular promessas, súplicas, bendizer e maldizer. Ajuda a pensar, a acalentar sonhos. É a multiplicidade de textos com os mais variados fins: jornal, propaganda, dicionários, manuais, didáticos, poesia, crônica, conto, romance. Nos textos, a vida como ela é e a imitação da vida.

    Os livros levam ao conhecimento de novas culturas, o que permite entender melhor a realidade, desenvolver uma visão crítica do mundo. Aumenta a capacidade de conviver com o diferente, ser mais tolerante, aceitar a opinião divergente. E, sobremaneira, contribui para aperfeiçoar a fala e a escrita, a linguagem como maior patrimônio individual e profissional. Por isso tudo e muito mais, é bom ler às pampas, às carradas, devorar livros, por prazer, por terapia. Como forma de buscar o conhecimento, ampliar os horizontes, aperfeiçoar-se, libertar-se da ignorância que limita e subjuga. Viva os livros! Emocionam, estimulam a criatividade, apontam caminhos, mudam trajetórias. São verdadeiros amigos de todas as horas.


* Ari Riboldi, professor e escritor contato aririboldi@terra.com.br

O Prof. Ari Riboldi está na 56ª Feira do Livro de Porto Alegre, de 30/10 a 15/11. 
Autor de vários livros como: 
O Bode Expiatório 
A CPI das Palavras
Confira a presença do Prof. Ari Riboldi no Programa do Jô:
Fonte: Publicado no Jornal  Zero Hora  de 09/11/2010
Imagem: Aqui

Agradeço ao Prof. Ari Riboldi, pela oportunidade de publicar mais um dos seus excelentes artigos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cinco etapas para realizar uma boa pesquisa escolar

Confira o passo a passo do trabalho necessário para que seus alunos aprendam a investigar temas em todas as disciplinas, na Educação Infantil e no Ensino Fundamental.

Colaborou Camila Monroe

1 - Fazer uma boa pergunta

O primeiro passo para organizar uma situação de investigação que funcione como ferramenta didática é definir o tema de estudo e, em seguida, criar uma pergunta ou situação-problema que desperte na turma a vontade de saber mais (leia o exemplo de uma pesquisa em Ciências no quadro abaixo). Fechada a questão norteadora, antecipe dúvidas ou questões secundárias, que surgirão durante os debates e as descobertas realizadas. Uma boa estratégia é você realizar previamente a pesquisa, levando em conta o nível de conhecimento dos estudantes, as necessidades de aprendizagem e os obstáculos que deverão enfrentar. Essa simulação vai possibilitar ajustes na situação-problema (é possível perceber se o resultado não será o esperado e é preciso reformular a questão, por exemplo) e no planejamento das intervenções.

O tema da pesquisa deve ser atraente e estimulante. "É preciso certo grau de conhecimento sobre o que será investigado para ter a curiosidade despertada e querer se aprofundar no tema", explica Pedro Demo. Não adianta definir como foco a bolsa de valores, por exemplo, se os alunos nunca ouviram falar nesse assunto nem possuem um repertório básico para iniciar a procura. Por isso, antes de propor o trabalho, é importante falar sobre o assunto e exibir vídeos, fotos e outros materiais para aproximar a turma do assunto que será estudado.

O grande desafio é formular questões abrangentes e que permitam diferentes soluções e interpretações, sem ser genéricas ou apenas opinativas. Um exemplo, sobre a independência do Brasil: "Qual foi a importância, para a nossa independência, da reunião de deputados nas cortes portuguesas em 1822?" Para respondê-la, os alunos têm de ler diversos textos, que certamente apresentam diferentes pontos de vista sobre o período e fatores que explicam o fato em questão. É necessário pensar sobre essas diferenças de visão e, em seguida, formular e defender uma ideia própria.

Já a questão "Por que o Brasil se tornou independente?", por outro lado, não tem um foco claro e permite a apresentação de inúmeros argumentos e pontos de vista. Os alunos têm dificuldade de selecionar e ordenar as informações para respondê-la. Além de genérica, ainda permite uma resposta opinativa simples como esta: "Porque não queria mais ser comandado por Portugal" (que não está, necessariamente, certa ou errada).

Da Educação Infantil ao 2º ano
Com alunos menos experientes, o ideal é pesquisar uma única questão coletivamente. É importante anotar num lugar visível, como um grande cartaz na parede, a questão principal e as demais dúvidas surgidas durante o trabalho para que todas sejam relembradas sempre que preciso. Isso permite avaliar os avanços ao longo do processo. As perguntas propostas são simples e muitas delas se referem à localização pontual de informações: "Onde vivem os leões e as girafas?", por exemplo. Como as criança não têm tanta prática nesse tipo de tarefa e ainda estão em fase de alfabetização, isso resolve uma necessidade de aprendizagem fundamental: buscar informações nos livros mesmo não sabendo ler convencionalmente.

Do 3º ao 5º ano
 As questões secundárias, feitas durante a investigação, devem incluir problemas interpretativos e abrangentes - e não somente questões pontuais. A ideia, nessa fase da escolaridade, é levar os alunos a selecionar nos textos lidos informações que ajudem a justificar seu ponto de vista, além de desenvolver a habilidade de fazer uma primeira leitura com base em índice, título, subtítulo e legendas.

Do 6º ao 9º ano
A questão principal deve ser suficientemente abrangente para que os jovens, já mais experientes nesse tipo de atividade, ampliem as relações entre diferentes textos e pontos de vista apresentados pelos autores. Com a tarefa, eles devem se tornar capazes de relacionar dados obtidos em diversas partes do texto (epígrafes, gráficos, índice, ilustrações etc.) e de identificar o que é opinião e o que é fato.
Insetos, pequenos e intrigantes
Professora Valdiane Maria de Lima
Colégio Nacional, Uberlândia, MG
Disciplina: Ciências
1º ano

- Pergunta "Por que há tantas formigas no quintal da escola?" Durante o estudo sobre as formas de vida no ambiente escolar, as crianças encontraram uma grande quantidade de insetos espalhados pela área externa. Isso levou a professora a formular a questão inicial. Dúvidas sobre a estrutura do formigueiro e as necessidades das formigas para sobreviver também surgiram e se transformam em objeto de pesquisa.

- Busca As crianças pesquisaram em livros, assistiram a desenhos animados, entrevistaram biólogos e fizeram observações de campo.

- Interpretação Os textos tratavam das necessidades biológicas dos insetos, e a observação do local fez a garotada identificar ali as condições necessárias para a sobrevivência deles.

- Escrita A turma preparou uma entrevista com biólogos e anotou as respostas. Durante as observações, cada um fez seus registros.

- Socialização Com base nas informações coletadas, os estudantes ajudaram a construir um formigário e uma grande formiga, que ficaram expostos para toda a escola.
Continue lendo
Fonte: Revista Nova Escola

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Retratos: A educação a serviço da educação, por Francikely Cunha Bandeira


Especificidade é qualidade daquilo que é específico, o que é particular a uma espécie. Assim, vamos tratar daquilo que é específico da Filosofia e está disponível a serviço da educação, portanto, a atividade investigativa propriamente dita, já que todo estudo inclui o investigar. Falar de Filosofia implica falar sobre vida e tudo que está presente em seu fluxo. Falar de educação é fazer referência ao que se considera fundamental para a formação do indivíduo, isto é, o conjunto daquilo que é essencial para seu desempenho e manutenção na vida como todo. Desse modo, já é possível assimilar a ideia de que a Filosofia é inseparável da educação e, mais que isso, são compreensões interdependentes.

Podemos nos remeter ao nascimento da Filosofia para melhor introduzir sua compreensão enquanto instrumento a serviço da educação, por assim dizer. A história da Filosofia nos diz que ela nasce do espanto que é algo natural e constante na vida das pessoas. Foi por meio do espanto que o homem começou a filosofar, quando não encontrou respostas satisfatórias para tantas questões. Foi então a partir da ausência de respostas que o homem se confrontou com sua própria ignorância e, tentando fugir dela, desejou conhecer. Desse modo, a primeira virtude do filósofo é admirar-se e, sendo esta a condição de onde advém a capacidade de problematizar, não se pode pensar em Filosofia sem problematização, o que não lhe confere, por sua vez, o título de detentora da verdade, mas aquela que a busca.

Nada escapa à investigação filosófica. Tratar das especificidades da Filosofia a serviço da educação é, na verdade, uma forma de mostrar como teorias que datam de séculos passados estão vivas no nosso contexto. Qualquer coisa que se tenha intenção de estudar irá exigir esforço do pensamento como meio para atingir o que se pretende. Podemos, assim, entender a Filosofia como ponto de partida de todo conhecimento humano organizado, tendo se ocupado de muitos temas que, por sua vez, estimularam e produziram o vasto campo do saber que conhecemos hoje, dividido em ciências.

Na Grécia Antiga, foi alcançado um ideal de educação: a Paideia. Consistia numa educação integral dada ao indivíduo, por assim dizer. A necessidade torna compreensível a Filosofia enquanto fundamento do conhecimento humano e possibilita a introdução de disciplinas filosóficas nos currículos, tendo como resultado, por exemplo, a Filosofia da Educação, Filosofia da História, Filosofia Política, entre outras.

Entender a Filosofia e a Educação nesta perspectiva é fazer da Filosofia uma análise crítica, acreditando no importante papel que o estudo filosófico cumpre no processo de humanização do homem, isto é, burlando a superficialidade e mergulhando no que parece inalcançável.

* FRANCIKELY CUNHA é graduada e licenciada em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba

Fonte: Revista Filosofia

Tudo que estou sentindo hoje, através de Drummond...





Fácil e Difícil

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião...
Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias...
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros.

Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir...
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a
mesma...
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado...
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece.
Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã...
Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas e as vezes impetuosas, a cada dia que passa.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar...
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar...
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.

Fácil é ditar regras e,
Difícil é segui-las...

Carlos Drummond de Andrade

Imagem: Google

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin