quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Feliz 2012!!!!


Cortar o tempo

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente"

(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 17 de dezembro de 2011

Maturidade e liberdade são essenciais para fazer as escolhas certas, por Eugenio Mussak

Parece que cada vez mais temos que optar por isto ou aquilo. Mas como nos prepararmos para tantas decisões?

Escolhas são exigidas em todos os momentos das nossas vidas
Foto: Getty Images


Parece que passamos a vida decidindo, e, ainda que a maioria das pessoas não tenha essa consciência, os momentos de decisão são, também, momentos de ansiedade. Só que uma ansiedade que deriva de uma coisa boa: a existência de mais de uma opção.

A rigor, a ansiedade de escolher é a de ser livre. Escolher é exercer a liberdade, com suas prerrogativas e responsabilidades. E a liberdade só pode ser bem exercida por quem está preparado para ela, ou seja, quem tem maturidade intelectual e emocional para tanto. A liberdade é um valor adulto.

Poder escolher é uma conquista. Então por que às vezes sofremos com isso? A escolha é um privilégio, o problema é a renúncia. E o que nos martiriza são as renúncias definitivas ou aquelas que nos causam insegurança. Para os mortais comuns, a escolha da carreira, por exemplo, significa renunciar a uma grande quantidade de opções, talvez melhores.

Então estamos condenados a conviver com a dúvida de termos feito a escolha certa? Se tomar uma decisão provoca ansiedade, muito pior é não ter a oportunidade de decidir.

Em inglês, escolher é "to choice", mas os americanos, sempre práticos, utilizam uma expressão curiosa para falar sobre escolhas, especialmente no mundo dos negócios, em que os executivos vivem tendo que tomar decisões - "trade off". Mais do que uma escolha, a expressão "trade off" quer significar uma troca.

E a troca significa uma espécie de condenação determinista a que todos estamos sujeitos. Afinal, não se pode ter tudo. Quer isto? Então não vai ter aquilo! E lamba os beiços, porque tem gente que não vai ter isto nem aquilo - parece dizer o destino, com seu olhar de reprovação diante de nosso desespero.

É bem verdade que a tomada da decisão diminui a ansiedade, apesar da dúvida. "É este, pronto!" - e vamos em frente. Ainda assim, sofremos um pouquinho. Sociedades modernas, livres, democráticas, têm essa qualidade – o cidadão tem de fazer escolhas diariamente. Trata-se de um direito e até de uma obrigação.

Nos regimes totalitários, o Estado considera os cidadãos incapazes de escolher seus próprios caminhos, por isso ele os tutela, trata-os como menores irresponsáveis, que devem apenas concordar e obedecer. São títeres nas mãos dos poderosos. E pensar que há famílias que também são assim.

No mundo livre acontece o oposto. Quem se recusa a escolher os rumos de sua vida vira uma espécie de pária, um estorvo para os demais. Sempre lembrando que qualquer escolha pressupõe responsabilidade sobre ela. Apesar disso, ter a oportunidade de escolher o que fazer com sua vida, no macro ou no microcosmo da existência, ainda é a melhor situação, disparado.


Fonte: 

sábado, 19 de novembro de 2011

Resolução SE - 73, de 18-11-2011 - Dispõe sobre a premiação de alunos concluintes do Ensino Médio das escolas estaduais que obtiverem os melhores resultados na prova do Saresp/2011

Dispõe sobre a premiação de alunos concluintes do Ensino Médio das escolas estaduais que obtiverem os melhores resultados na prova do Saresp/2011
O Secretário da Educação, à vista do que lhe representou a Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas e considerando:
- a importância do SARESP para a implementação de políticas públicas educacionais, relacionadas à melhoria da educação básica paulista;
- a necessidade de incentivar os alunos a participarem das provas do SARESP, dada a importância da avaliação do rendimento escolar para o aprimoramento da prática pedagógica e, por via de consequência, para a melhoria do ensino;
- o reconhecimento do êxito alcançado pelo aluno do ensino médio ao término de sua escolaridade básica, mediante a concessão de prêmio pelo mérito alcançado,
Resolve:
Artigo 1º – Fica instituído o Prêmio “Saresp 2011”, destinado aos alunos concluintes do Ensino Médio regular, com o objetivo de incentivar maior participação e envolvimento desses 
estudantes nas avaliações do Saresp programadas para os dias 29 e 30 de novembro de 2011.
Artigo 2º – Concorrerão à premiação, instituída pela presente resolução, os alunos concluintes do Ensino Médio, das escolas da rede pública de ensino da Secretaria de Estado da Educação, que venham a realizar, na respectiva turma/classe do período diurno (manhã/tarde) ou do noturno, todas as provas previstas para o Saresp/2011.
Artigo 3º – Serão contemplados com o Prêmio “Saresp 2011”, os alunos concluintes do Ensino Médio, dos períodos diurno e noturno de cada unidade escolar, que venham a apresentar, relativamente a todas as turmas/classes do período, os maiores valores de média aritmética, calculada entre os resultados obtidos nas provas de Língua Portuguesa e de Matemática, desde que atinjam, no mínimo, a proficiência correspondente ao nível básico.
Parágrafo único - em caso de ocorrer empate das médias aritméticas entre alunos de um mesmo período, o desempate dar-se-á pelo melhor resultado obtido na prova de Matemática, 
sendo que, na persistência do empate, será realizado sorteio.
Artigo 4º – a premiação, que se processará com a entrega de até 12.000 notebooks, contemplará todas as escolas estaduais que mantêm curso de Ensino Médio, cabendo a cada uma, por período de funcionamento, a quantidade de prêmios correspondente ao número de turmas de 3ª série participantes do Saresp/2011, conforme base de dados do CIE, de 30/08/2011, utilizada como referência para sua aplicação.
§ 1º – Após a realização das provas, a plena correspondência entre o número de prêmios e o número de turmas de 3ª série por período, em cada escola, só não ocorrerá se a quantidade 
de alunos, no período, que tenham atendido a condição de proficiência básica, prevista no caput do artigo anterior, venha a ser inferior ao número de prêmios.
§ 2º - Ocorrendo a situação prevista no parágrafo anterior, os prêmios remanescentes poderão ser entregues a alunos de turmas do outro período, na mesma escola, observando-se os critérios estabelecidos no artigo anterior.
Artigo 5º - a divulgação da relação dos alunos premiados dar-se-á por publicação no Diário Oficial do Estado, após o início do ano letivo de 2012.
Parágrafo único - a entrega dos prêmios ocorrerá em âmbito regional, realizada em evento a ser programado e organizado pelas Diretorias de Ensino.
Artigo 6º - Contra os resultados divulgados, não caberá interposição de recursos de qualquer espécie e, em face do cará-ter sigiloso inerente às avaliações externas, também não caberá solicitação de vistas a provas.
Artigo 7º - para acompanhamento e monitoria das ações concernentes à realização da premiação e para tomada de decisões em casos omissos, será designada Comissão de Trabalho, constituída por representantes de órgãos centrais e regionais da Secretaria da Educação e da Fundação para o Desenvolvimento da Educação FDE/GAIRE, indicados pelo Gabinete desta Pasta.
Artigo 8º - a Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas, ouvida a Comissão de Trabalho, a que se refere o artigo anterior, poderá baixar orientações complementares, que se façam necessárias à implementação do processo de premiação.
Artigo 9º - Esta resolução entra em vigor na data de sua PUBLICAÇÃO
fonte: http://www.imesp.com.br 

Fonte: http://profcoordenadorpira.blogspot.com/

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Aula expositiva: o professor no centro das atenções

Essencial para apresentar um tema, sintetizar informações já trabalhadas ou fechar um conceito, a aula expositiva é o momento em que você tem a palavra. Saiba por que esse recurso deve ser valorizado e aprenda com quem já o inclui de forma produtiva no planejamento.

Por Elisângela Fernandes (novaescola@atleitor.com.br)
Colaborou Beatriz Santomauro

Durante muito tempo, a aula expositiva foi o único procedimento empregado em sala de aula. No século passado, no entanto, ela perdeu espaço na escola e até passou a ser malvista por muitos educadores, já que se tornou a representação mais clara de um ensino diretivo e tradicional, que tem por base a transmissão do conhecimento do mestre para o aluno. Não é bem assim. Se bem planejada e realizada, essa estratégia de ensino - em que você é o protagonista e conduz a turma por um raciocínio - pode ser o melhor meio de ensinar determinados conteúdos e garantir a aprendizagem da turma. Mas atenção: ela nunca pode ser o único recurso usado em classe e deve sempre fazer parte de uma sequência de atividades (leia como quatro professores utilizam a aula expositiva em diferentes momentos nas páginas a seguir).

A aula expositiva se consolidou como prática pedagógica na Idade Média pelas mãos dos jesuítas, se transformando na estratégia mais utilizada nas escolas - quando não a única. A transmissão do conhecimento, sobretudo pela linguagem verbal, era uma corrente hegemônica. Acreditava-se que bastava o mestre falar para as crianças aprenderem. O século 20 trouxe luz sobre o processo de ensino e aprendizagem, e pesquisadores como Jean Piaget (1986-1980), Lev Vygotsky (1896-1934), Henri Wallon (1879-1962) e David Ausubel (1918-2008) demonstraram a importância da ação de cada indivíduo na construção do próprio saber e o papel do educador como mediador entre o conhecimento e o aluno. Com base nisso, a escola passou a valorizar outras formas de ensinar, como aquelas que envolvem a resolução de problemas, os trabalhos em grupo, os jogos e as pesquisas.

A disseminação dessas práticas e o fato de a aula expositiva ser associada a uma didática ultrapassada fizeram com que ela - injustamente - fosse ficando de fora do planejamento de muitos docentes. Não é a atividade em si que indica se o professor segue uma ideia tradicional de ensino, mas a forma como ele atua em todos os momentos. Aqueles que ainda trabalham com a perspectiva de transmissão do conhecimento não necessariamente usam só a aula expositiva. Eles podem até propor atividades práticas no laboratório de Ciências, por exemplo, e mesmo assim cobrar apenas a memorização dos alunos. Por outro lado, há os que passam uma significativa parte de seu tempo apresentando uma série de informações em frente à classe e estão, sim, interessados na aprendizagem de cada um dos estudantes.

Levar em consideração os conhecimentos prévios das crianças. Relacionar os conteúdos ao cotidiano delas, problematizá-los e sistematizá-los. Tornar a aprendizagem significativa. Essas são algumas das premissas que devem estar presentes em todas as atividades planejadas, e com a aula expositiva não é diferente. Quando esses aspectos são levados em conta, ocorre um distanciamento do modelo tradicional e uma aproximação da aula expositiva dialogada. "A troca com os estudantes nem sempre é explícita. Eles podem participar oralmente ou apenas refletir, em silêncio", explica Jesuína Lopes de Almeida Pacca, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com ela, para que isso ocorra, dois aspectos são fundamentais. Primeiro, o que está sendo apresentado precisa fazer sentido para a garotada e mobilizar seus conhecimentos. Segundo, é essencial que o professor conheça todos muito bem. Isso porque, enquanto fala, ele deve observar a reação deles, ver se estão atentos, com expressão de dúvida e estranhamento ou se demonstram interesse.

Levantar questões e incentivar a participação de todos, quando necessário, por vezes é um desafio. Há crianças e jovens que ficam mudos por timidez ou medo de falar algo errado. De acordo com Ana Lúcia Souza de Freitas, da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), há também os que temem as gozações dos que acreditam ser uma perda de tempo ouvir uma pessoa que não seja o professor. "Mudar esse quadro leva tempo. É no dia a dia que essa confiança do grupo é construída." Para tanto, a saída é não recriminar os falantes e questionadores e valorizar o que dizem, comentando e incorporando suas ideias ao que está sendo exposto. Isso nem sempre é simples, mas um bom preparo e muito conhecimento sobre o assunto facilitam a tarefa (leia outros segredos da boa aula expositiva no quadro abaixo).

Fonte:http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/aula-expositiva-professor-centro-atencoes-645903.shtml

    terça-feira, 1 de novembro de 2011



    “O tempo é relativo e não pode ser medido exatamente do mesmo modo e por toda parte.” 
    (Albert Einstein)


    O meu tempo!!!
    já nem sei mais... 
    Estou perdida no tempo.

    segunda-feira, 31 de outubro de 2011

    Voltarei em breve...

    “Cada um que passa na nossa vida passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui outra. Cada um que passa na nossa vida passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito; mas não há os que não levam nada. Há os que deixam muito; mas não há os que não deixam nada. Esta é a maior responsabilidade da nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso.
    (Antoine De Saint-Exupéry)
     
     
     

    sexta-feira, 14 de outubro de 2011

    Homenagem a todos os professores

    “Os inúmeros diários para se corrigir,
    As críticas, as noites mal dormidas...
    Tudo isso não foi o suficiente
    Para te fazer desistir do teu maior sonho:
    Tornar possíveis os sonhos do mundo.
    Que bom que esta tua vocação
    Tem despertado a vocação de muitos.
    A rotina é dura, mas você ainda persiste.
    Teu mundo é alegre, pois você
    Consegue olhar os olhos de todos os outros
    E fazê-los felizes também.
    Você é feliz, pois na tua matemática de vida,
    Dividir é sempre a melhor solução.
    Você é grande e nobre, pois o seu ofício árduo lapida
    O teu coração a cada dia,
    Dando-te tanto prazer em ensinar.
    Homenagens, frases poéticas,
    Certamente farão parte do seu dia a dia,
    E quero de forma especial, relembrar
    A pessoa maravilhosa que você é
    E a importância daquilo do seu ofício.
    É por isto que você merece esta homenagem
    Hoje e sempre, por aquilo que você é
    E por aquilo que você faz.”

    Fonte: Autor desconhecido
    Imagem: arquivo pessoal

    quinta-feira, 6 de outubro de 2011

    O Dia D reflexões Filosóficas: Na era da estupidez

     
     
    Nei Alberto Pies

    “Vivemos esperando dias melhores /...O dia em que seremos melhores /Melhores no Amor/Melhores na Dor /Melhores em Tudo” (Jota Quest, canção Dias Melhores)

    Ao sermos interrogados sobre como estamos, é comum respondermos a quem nos interroga de que estamos com pressa, “sempre correndo”. Mas correndo de quem?  Correndo para onde? Correndo atrás de quem? Ou nossas respostas estão vazias de sentido ou, talvez, revelem que estamos a correr, desesperadamente, sem rumo e direção.

    Não há razões que justificam tanta violência nossa de cada dia que decorre de coisas banais. A violência,  transformada em rotina, dá-nos a impressão de que vivemos num tempo em que tudo se pode resolver impondo a força, a esperteza, o despudor, a estupidez ou a eliminação física daqueles que, porventura, “atravancam” o nosso caminho. Mas será que a violência não está a nos revelar que a estupidez é que tomou conta da gente e que o que nos resta é administrá-la? Será possível vencer a estupidez humana?

    A estupidez fundamenta-se na idéia de que não sou humanidade, sou somente eu. Se somente é eu que valho, tudo o resto é secundário e, portanto, passível de manipulação. O outro, que se vire, que se imponha, que se apresente como eu. Não sou capaz de reconhecer a minha condição de dignidade humana como algo que depende ou que pode ser complementada na convivência com os outros. Então, se o outro em nada me ajuda, que pelo menos não me atrapalhe. E, se resolver atrapalhar, nada melhor que julgá-lo, humilhá-lo ou mesmo eliminá-lo.

    Muito preocupante é que muitos de nossos adolescentes e jovens, a partir das constatações referidas, operam as suas condutas e ideias na mais absoluta relatividade, menos quando se trata da exaltação do próprio eu (egocentrismo). Para muitos, tudo é razão de competição ou de etiqueta. Representar é mais importante do que ser. Ter é muito mais importante do que ser. Viver, na máxima velocidade e intensidade, é o melhor do que se tem para fazer. Então porque pensar no futuro?

    Sempre é importante retomar valores que são a base de nossa compreensão de convivência social, como de nossa civilização. A generosidade, o convívio e a compreensão, por exemplo, são geradas pela escutatória. A escutatória é a nossa capacidade de desprender-se um pouco de si para tentar compreender as atitudes e pensamentos dos outros. Mas será que  ainda estamos a fim de perder tempo para ouvir alguém? Ainda temos paciência para compreender que determinadas atitudes resultam de nossa vivência pessoal atribulada e pela falta de habilidade de conviver? Ainda seremos capazes de reconhecer que tão importante quanto falar é também saber ouvir?

    A violência é a face mais perversa de nossa estupidez humana. Na medida em que viver, matar ou morrer viraram obras do acaso, estamos perdendo a verdadeira noção de humanidade, sempre latente em cada um e cada uma de nós. Esta humanidade, presente e latente em cada um e cada uma de nós, requer ser reinventada e recriada em cada momento histórico. Nem sempre vivemos do jeito que vivemos hoje e, no futuro, poderá ser que viver seja ainda muito mais diferente e complexo. 

    Vivemos esperando dias melhores. Dias melhores virão se formos capazes de perceber que vivemos enozados, interdependentes, frágeis, desejosos de comunhão e trocas, mesmo que quase todo o mundo conspire contra a gente. Mas somente a espera pode nos cansar. Vivamos, pois, escolhendo caminhos de liberdade; não de estupidez.
     

    sábado, 1 de outubro de 2011

    Para refletir...


    Frequentemente não conseguimos aceitar os outros porque, no fundo, não nos aceitamos a nós mesmos. Quem não estiver em paz consigo mesmo estará necessariamente em guerra com os outros. A falta de aceitação de si mesmo cria uma tensão interior, uma insatisfação, uma frustração que muitas vezes fazemos incidir nos outros, tornando-os bodes expiatórios dos nossos conflitos interiores.”
    (Jacques Philippe)

    quarta-feira, 14 de setembro de 2011

    Na edição especial 047 da Nova Escola - Setembro, 2011

    50 sucessos do cinema para trabalhar em sala de aula


    LÍNGUA PORTUGUESA
    "A Festa de Babette": aproxime a garotada dos contos de Clarice Lispector
    Explore diversidade da Língua Portuguesa com o documentário "Línguas - Vidas em Português"
    Como produzir textos argumentativos com o filme "Oliver Twist"

    MATEMÁTICA

    "A História da Matemática": como números e frações estão presentes em nosso cotidiano
    Multiplicação e progressão geométrica com base no filme "A Corrente do Bem"

    CIÊNCIAS

    Como retratar novos ângulos da biodiversidade com "Microcosmos"
    "A Incrível Máquina Humana": características do corpo e a integração entre os sistemas Como contextualizar os avanços da genética com o filme "Gattaca"

    HISTÓRIA

    A mitologia grega retratada no filme "Troia"
    Como explorar o Império Romano com "Gladiador"
    "Joana d'Arc de Luc Besson" e os grandes conflitos da Idade Média
    Como retratar a Segunda Guerra Mundial e a perseguição aos judeus com "A Lista de Schindler"

    GEOGRAFIA

    "Ilha das Flores": o descaso com o lixo e a ampla desigualdade social
    "Viagem ao Centro da Terra" permite conhecer a estrutura do planeta
    Como comparar os sistemas de produção ao longo dos séculos com "Tempos Modernos"
    "O Senhor das Armas": tráfico, guerras e geopolítica

    ARTE

    "Batman": porque a arte deve ser preservada
    Como explorar os gêneros cinema e teatro com "O Auto da Compadecida"
    "Frida": o autorretrato e as características do trabalho da pintora mexicana
    Como trabalhar as técnicas de improviso no teatro com "A Viagem do Capitão Tornado"

    EDUCAÇÃO FÍSICA
    "O Último Samurai": arte marcial como filosofia de vida"O Último Samurai": arte marcial como filosofia de vida
    Como explorar a dança e suas variações rítmicas com "Vem Dançar"
    Como discutir o respeito à diversidade na prática esportiva com "Invictus"


    Fonte:http://revistaescola.abril.com.br/edicoes-especiais/047.shtml

    domingo, 28 de agosto de 2011

    Conheça uma história...a dos meus pais: reportagem da Zero Hora

    Beleza interior: O milagre das rapaduras

    Conheça Hilberto Helvino Von Frühauf, o vendedor que sustentou seis filhos comercializando rapaduras

    FABRÍCIO CARPINEJAR | carpinejar@terra.com.br

    A série Beleza Interior segue sua busca de todos os sábados de 2011 por personagens marcantes e peculiaridades de municípios gaúchos.

    Neste, Zero Hora apresenta a história do alegre e incansável vendedor de rapaduras de Victor Graeff, no Alto Jacuí. Desde 1975, os doces caseiros de sua cestinha verde ajudaram o comerciante de Ensino Fundamental incompleto a pagar a faculdade de seis filhos.

    A vida é dura como um pé de moleque, mas no fundo é doce.

    Esta frase só tem sentido na boca de Hilberto Helvino Von Frühauf, 76 anos, morador de Victor Graeff, município de 3 mil habitantes, situado a 263 quilômetros da Capital.

    Ele pagou a universidade de seis filhos vendendo rapadura de porta em porta. Desde 1975, acorda cedo, sai com uma cestinha verde cheia de confeitos feitos pela mulher Nelvi, caminha 200 metros de barro, embarca no ônibus da empresa Azul na Linha Jacuí e segue oferecendo o produto para quem encontrar pela frente em Carazinho, Passo Fundo e Não-Me-Toque, além de sua própria cidade.

    O casal, que completa bodas de ouro em novembro, teve sete filhos; três já morreram: o químico Milton em acidente de carro em 1986; a professora Marilei ao cometer suicídio, inconsolável pelo fim precoce do irmão, em 1991; e Maristela, decorrente de complicações da paralisia cerebral, em 1993.

    — Enterrar um filho é doer como bicho – desabafa.

    Nelvi lembra que dobraram a produção caseira de rapadura para cobrir remédios tarjas preta de Maristela, que passou 19 anos na cama.

    — Ela nunca deixou de ser meu bebê de colo, um bebê grande.

    Com escolaridade até a 5ª série, Hilberto nem guarda ideia de como sustentou o ensino da prole.

    — Eu lutei, não trabalhei. Trabalhar é fácil.

    Sua aparência simples e pobre confirma o milagre. Toda manhã veste uma japona furada, o abrigo cinza com rasgo nos joelhos e as havaianas pretas.
    — Juntei pobrezas para conseguir o estudo de minhas crianças.

    Crianças? Mania de pai que não enxerga o filho adulto:

    Márcia, 38 anos, é formada em Química e reside na praia de Cassino. Moacir, 43 anos, é graduado em Veterinária e Administração e mora em Salvador (BA). Marcos, 45 anos, é pós-graduado em Biologia e escolheu viver em Santa Cruz do Sul. Marize, 48 anos, cursou Filosofia e mora em Mogi das Cruzes (SP).

    A saída de rapaduras depende exclusivamente do fôlego de maratonista de Hilberto, que não admite regressar para casa de mãos abanando.
    — Questão de honra. Melhor voltar tarde, de madrugada, do que ver a cara triste de Nelvi, após horas cozinhando e embalando o material.

    Hilberto comercializa 28 rapaduras de 660 gramas por dia, a R$ 9 cada. Foram 360 mil rapaduras vendidas ao longo de sua história. Isso que sofreu calotes em suas andanças, de clientes que pediram para anotar e desapareceram logo em seguida.

    — Não tem problema, vou aceitando que é cortesia de Deus. Homem honesto não cobra o outro, cobra de si mesmo.

    A memória fisionômica de Hilberto não perdoa nenhuma recusa. Lembrar quem comprou é o básico, ele tem refinamentos.

    — Não esqueço mesmo de quem me disse não.

    Um de seus métodos é contar piadas picantes diante da indecisão do cliente.

    — Ou ele ri e compra ou ele odeia a gozação e também compra de vergonha para calar a minha matraca.

    Sua carência charmosa ainda resulta em comissão de 10%. Afinal, ele é um garçom em permanente trânsito de sua cozinha às ruas.

    — O troco é dele, para homenagear as covinhas do seu riso e seus olhos de Sinatra – brinca a bancária Juliana Ferreira, 29 anos, uma de suas freguesas em Victor Graeff.

    Hilberto não sonha em ganhar na Mega Sena e se aposentar, muito menos delira com qualquer riqueza súbita.

    — Se pudesse mudar algo hoje em sua vida, o que faria? – pergunto.

    — Ficar mais novo para lutar mais – ele responde, sem pensar muito.

    Sorte grande de seus nove netos.
    ZERO HORA

     Foto:Tadeu Vilani


    Fonte: Zero Hora

    sábado, 27 de agosto de 2011

    A escola, a sala de aula e o professor , por Carlos W. Dorlass



         O sistema educacional passa por um período de inércia. Verificam-se repetições de um padrão que, num tempo não muito distante do atual, foi eficaz. Professores continuam executando o mesmo planejamento de décadas passadas, reutilizando estratégias de ensino, avaliações e metodologias, sem considerar que os tempos são outros, esquecendo que hoje a quantidade de informações e a velocidade como são transmitidas são muito maiores. O novo tem sido uma reedição do velho nas escolas.
         O que se observa é que essa mera reprodução de velhos ritos escolares tem se voltado contra a própria escola. Os alunos têm se tornado cada vez menos motivados para as atividades propostas.
         Sabe-se que as escolas são verdadeiras usinas de múltiplas inteligências, mas atualmente elas têm sido um local de repetição de padrões ultrapassados, sem que apresentem preocupações para mudar esse panorama - sem inovar!
         É necessário acompanhar as mudanças e sair da zona de conforto. Os professores precisam se conscientizar de que as aulas precisam despertar o interesse dos alunos, procurar despertar neles a vontade de aprender, incentivar a participação individual no processo de ensino-aprendizagem, promover atividades que permitam que os alunos questionem, participem e opinem. O ensino não pode mais ser uma via de mão única. Quando se sentirem seguros e valorizados em suas opiniões, os alunos sairão das aulas com desejo de voltar, com sede de saber e muito mais preparados.
         A escola que se diz transformadora (e que realmente desejar ser) deve transpor a barreira do conservadorismo, abandonar o paradigma de designar como indisciplina ou desrespeito as manifestações de “vida” e de opinião dos alunos.
         Avaliando o papel da escola, conclui-se que ela deve ser o espaço para reflexão, para discussões entre a geração dos mais velhos com as gerações dos mais novos, e não dos que sabem mais com os que sabem menos. Onde não ocorrem discussões, não se pode chamar de sala de aula. Os professores que resistem em abandonar o velho padrão, que exige que a sala de aula seja um ambiente harmônico e disciplinado, muito pouco têm a ensinar.
         O professor da era da informação deve estar preparado para promover discussões sobre os acertos e erros da humanidade, sobre valores, além de ser realmente capaz de ajudar a formar uma geração melhor do que a anterior.
         Já não se pode mais admitir a presença do professor “PowerPoint”, que apenas repete o que está escrito. O professor "PowerPoint" se assemelha ao sistema de ensino apostilado, onde só se registra o mínimo necessário e fragmentando o conteúdo, sem correlacioná-los com outros assuntos e sem contextualizar e transpor para a realidade dos alunos.
         Não se pode mais aceitar também que seja ensinado o básico. Urge formar cidadãos de valor e com qualidade. É preciso que o ensino seja abordado de maneira que prime pelo significado. A quantidade não garante a qualidade. A sala de aula tem que ser o lugar de exigência máxima e não mínima.
         O professor deve estar atento e preocupado com o desenvolvimento pleno de seus alunos, com as suas presenças e ausências, sua saúde, com as exposições a situações de preconceitos, discriminação e violência. Deve ainda buscar atualizar-se constantemente, trocar experiências com demais professores da escola ou de outras instituições de ensino, ter disposição, paciência, calma para conversar, ouvir os alunos e famílias, estabelecendo com elas uma relação de atenção, proximidade e confiança.
         Um bom professor deve ainda promover a compreensão do "porquê" e "para que" aprender sempre. 


         Carlos W. Dorlass é consultor educacional em empresas e instituições de ensino
    Fonte: Profissão Mestre - Jornal Virtual -  Ano 9 - Nº 229-26/08/2011

    quinta-feira, 4 de agosto de 2011

    Jesus "tentando" ser professor


    Se Jesus fosse educador nos dias de hoje, ele teria que fazer muitos milagres mesmo !!!
    Nem o Senhor Jesus aguentaria ser um professor nos dias de hoje....
    O Sermão da montanha
    (*versão para educadores*)

    Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado
    sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.

    Ele os preparava para serem os educadores capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.


    Tomando a palavra, disse-lhes:
    - Em verdade, em verdade vos digo:

    - Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
    - Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
    - Felizes os misericordiosos, porque eles...?

    Pedro o interrompeu:
    - Mestre, vamos ter que saber isso de cor?

    André perguntou:
    - É pra copiar?

    Filipe lamentou-se:
    - Esqueci meu papiro!


    Bartolomeu quis saber:
    - Vai cair na prova?

    João levantou a mão:
    - Posso ir ao banheiro?

    Judas Iscariotes resmungou:
    - O que é que a gente vai ganhar com isso?

    Judas Tadeu defendeu-se:
    - Foi o outro Judas que perguntou!

    Tomé questionou:
    - Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?

    Tiago Maior indagou:
    - Vai valer nota?

    Tiago Menor reclamou:
    - Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.

    Simão Zelote gritou, nervoso:
    - Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?

    Mateus queixou-se:
    - Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!


    Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
    - Isso que o senhor está fazendo é uma aula?
    - Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica?
    - Quais são os objetivos gerais e específicos?
    - Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?


    Caifás emendou:
    - Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas?
    - E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais?
    - Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?


    Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:
    - Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade.
    - Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.
    - E vê lá se não vai reprovar alguém!

    E, foi nesse momento que Jesus disse: "Senhor, por que me abandonastes..."



    Fonte: Recebi por e-mail.

    quarta-feira, 20 de julho de 2011

    Amigos...



    "O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis". 

    Fernando Pessoa.

    segunda-feira, 4 de julho de 2011

    Corruptinhos , por Ricardo Semler


    É preciso separar tempo de aula para que a meninada pense no que eles fazem que perpetua a corrupção



    Montamos um evento que reunia os 50 mais representativos brasileiros para discutir os nós górdios do Brasil. O evento chamava-se DNA Brasil. Num dos anos, o tema foi "Somos ou Estamos Corruptos?"

    Um dos participantes, paladino da ética, confessou que tinha sido parado por um guarda rodoviário e, dada a pressa, decidiu colocar R$ 50 junto com a carteira de motorista.

    Nós, brasileiros, participamos de uma longa série de pequenos subornos e atos que não achamos bonitos, mas consideramos um mal necessário, ou uma convenção cultural. Depois, apontamos os dedos para os eleitos pelo voto.

    Sim, cada um dos partidos está compromissado com um sistema que envolve desonestidade estrutural. Mas cada brasileiro dá apoio contínuo à corrupção, mesmo na vida particular.

    Desde o Cabral que veio com Pero Vaz de Caminha, passando pela alta elite que escolhia presidentes, a ditadura e a totalidade dos partidos existentes, o país sempre se caracterizou por grandes malandragens.
    Nenhum político eleito tem o luxo de ser completamente honesto. E nós estamos sempre elegendo gente que exige propina, cargos ou favores -sob ameaça de paralisar o governo, como Dilma está percebendo.

    O nosso Cabral atual, que anda de jatinho de empresário que depende de favores oficiais, não se digna sequer em ficar vexado. Sabe que vai ficar por isto mesmo. Talvez porque qualquer brasileiro aceitasse uma carona de jatinho em troca de ceder um favor? Afinal, não se troca voto por camiseta?

    Claro que isto tudo não é uma característica apenas brasileira. Num congresso anticorrupção em Praga, lembrei à delegação alemã de que a lei deles -na época- permitia deduzir do imposto qualquer suborno dado a pessoas fora da Alemanha! Vê-se a hipocrisia da realpolitik.

    E a formação desta mentalidade, começa na escola? Se a maçã da professora já é símbolo sutil, de que forma a educação pereniza a desonestidade? Existe algo mais institucional do que a "cola"?

    E mais: alguns dos empresários e políticos mais jovens e destacados são príncipes da corrupção, desbancando o sonho de que as novas gerações seriam menos sórdidas do que as antigas.
    A cidadania ensinada na escola não chega a este tema, porque é incômodo para os pais. Preferível falar de meio ambiente, ou ensinar a não atirar o pau no gato.

    Precisamos separar tempo de aula -que está sequestrado por trigonometria e tabelas periódicas- para que a meninada pense no que eles já fazem -e veem os pais fazerem- que perpetua a corrupção.
    Afinal, hoje estamos presos num ciclo eterno onde filho de corrupto corruptinho é.





    RICARDO SEMLER, 52, é empresário. Foi scholar da Harvard Law School e professor de MBA no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Foi escolhido pelo Fórum Econômico de Davos como um dos Líderes Globais do Amanhã. Escreveu dois livros ("Virando a Própria Mesa" e "Você Está Louco") que venderam juntos 2 milhões de cópias em 34 línguas. Escreve a cada 14 dias neste espaço.

    Fonte: Folha de São Paulo 

    domingo, 3 de julho de 2011

    O direito do finito, ou, quando a diferença não gera medo, por Mauricio João Farinon


    É possível defender a extrema necessidade do elemento intelectual em questões éticas e morais: em ambas está presente a necessidade de compreensão do real, o que conduz à deliberação e a capacidade de justificar a decisão. O problema básico está na incapacidade de perceber o real, não conseguindo perceber para além do óbvio - sendo mais exato, muitos não conseguem perceber nem o óbvio. Surge, assim, o problema: como compreender, deliberar e justificar, diante de tamanho “déficit de visão”? A riqueza de mundo é condição – talvez não a única – para a lucidez intelectual e prática.

    Defender a necessidade de maior percepção de mundo significa reconhecer o direito do finito. Não se pode seguir afirmando que no eterno, no imutável está a verdade e, em oposição, no efêmero, no exemplar sensível está a simples aparência carente de dignidade diante do eterno. Uma expressão de Theodor Adorno pode elucidar isto: o sofrimento, reduzido ao seu conceito, permanece mudo e seu conseqüências. A verdade é concreta, a dor e o sofrimento são concretos, e por mais que privilegiemos o conceito em relação ao sensível, nenhum intelecto pode reproduzir, em si mesmo, a dor alheia. Aqui é possível situar o direito do finito.

    Nesta indicação reside uma das condições para a justiça social: repensar a relação entre todo e partes. Em primeiro lugar, nas diferenças não estão as marcas da desonra. Deste modo, querer, simplesmente, integrar, incluir no todo, tornar igual o que é diferente, pode ser sinal de violência. Por outro lado, a coesão social depende de um autêntico sentimento de pertença, de inclusão. Conseguir equilibrar isto é função política, ou seja, promover um estado onde, continuando com Adorno, é possível ser diferente sem ter medo. O que se deve questionar: é legítima a diferença ilimitada, ou devemos chegar a um ponto em que precisamos da identidade, pois minha diferença pode ser nociva, ou desequilibrada? Por isso é fundamental repensar a relação entre todo e partes.

    Devemos retornar ao conceito de verdade e nos perguntar qual a verdade ou falsidade do momento da diferenciação e do momento da igualdade. É possível dizer que o problema está em tornar absoluto um ou outro momento. Na Grécia antiga, bárbaro era aquele que não fazia parte da cultura helênica. Hoje, a barbárie reside na indiferença, no déficit de visão que compromete radicalmente a capacidade de compreensão, de deliberação e de justificação. Este é o problema moral da nossa sociedade, a potencialização da abstração do outro, da indiferença, potencialização da inumanidade, já apontada por Rousseau: ser incapaz de sair de si e, orientado pela razão, ir em direção ao outro que sofre, em seu socorro. É cada vez mais radical conseguirmos cultivar este sentimento de humanidade. Sobre a educação recai esta tarefa de formar para o cultivo do único laço que efetivamente nos une: a responsabilidade.

    *Mauricio João Farinon - Professor da área de ética e conhecimento da UPF

    sábado, 25 de junho de 2011

    A sordidez humana, por Lya Luft

    "Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça
    alheia? Quem é esse em nós, que ri quando
    o outro cai na calçada?" 

    Ando refletindo sobre nossa capacidade para o mal, a sordidez, a humilhação do outro. A tendência para a morte, não para a vida. Para a destruição, não para a criação. Para a mediocridade confortável, não para a audácia e o fervor que podem ser produtivos. Para a violência demente, não para a conciliação e a humanidade. E vi que isso daria livros e mais livros: se um santo filósofo disse que o ser humano é um anjo montado num porco, eu diria que o porco é desproporcionalmente grande para tal anjo.
    Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça alheia? Quem é esse em nós (eu não consigo fazer isso, mas nem por essa razão sou santa), que ri quando o outro cai na calçada? Quem é esse que aguarda a gafe alheia para se divertir? Ou se o outro é traído pela pessoa amada ainda aumenta o conto, exagera, e espalha isso aos quatro ventos – talvez correndo para consolar falsamente o atingido?
    O que é essa coisa em nós, que dá mais ouvidos ao comentário maligno do que ao elogio, que sofre com o sucesso alheio e corre para cortar a cabeça de qualquer um, sobretudo próximo, que se destacar um pouco que seja da mediocridade geral? Quem é essa criatura em nós que não tem partido nem conhece lealdade, que ri dos honrados, debocha dos fiéis, mente e inventa para manchar a honra de alguém que está trabalhando pelo bem? Desgostamos tanto do outro que não lhe admitimos a alegria, algum tipo de sucesso ou reconhecimento? Quantas vezes ouvimos comentários como: "Ah, sim, ele tem uma mulher carinhosa, mas eu já soube que ele continua muito galinha". Ou: "Ela conseguiu um bom emprego, deve estar saindo com o chefe ou um assessor dele". Mais ainda: "O filho deles passou de primeira no vestibular, mas parece que...". Outras pérolas: "Ela é bem bonita, mas quanto preenchimento, Botox e quanta lipo...".
    Detestamos o bem do outro. O porco em nós exulta e sufoca o anjo, quando conseguimos despertar sobre alguém suspeitas e desconfianças, lançar alguma calúnia ou requentar calúnias que já estavam esquecidas: mas como pode o outro se dar bem, ver seu trabalho reconhecido, ter admiração e aplauso, quando nos refocilamos na nossa nulidade? Nada disso! Queremos provocar sangue, cheirar fezes, causar medo, queremos a fogueira.
    Não todos nem sempre. Mas que em nós espreita esse monstro inimaginável e poderoso, ou simplesmente medíocre e covarde, como é a maioria de nós, ah!, espreita. Afia as unhas, palita os dentes, sacode o comprido rabo, ajeita os chifres, lustra os cascos e, quando pode, dá seu bote. Ainda que seja um comentário aparentemente simples e inócuo, uma pequena lembrança pérfida, como dizer "Ah! sim, ele é um médico brilhante, um advogado competente, um político honrado, uma empresária capaz, uma boa mulher, mas eu soube que...", e aí se lança o malcheiroso petardo.
    Isso vai bem mais longe do que calúnias e maledicências. Reside e se manifesta explicitamente no assassino que se imola para matar dezenas de inocentes num templo, incluindo entre as vítimas mulheres e crianças... e se dirá que é por idealismo, pela fé, porque seu Deus quis assim, porque terá em compensação o paraíso para si e seus descendentes. É o que acontece tanto no ladrão de tênis quanto no violador de meninas, e no rapaz drogado (ou não) que, para roubar 20 reais ou um celular, mata uma jovem grávida ou um estudante mal saído da adolescência, liquida a pauladas um casal de velhinhos, invade casas e extermina famílias inteiras que dormem.
    A sordidez e a morte cochilam em nós, e nem todos conseguem domesticar isso. Ninguém me diga que o criminoso agiu apenas movido pelas circunstâncias, de resto é uma boa pessoa. Ninguém me diga que o caluniador é um bom pai, um filho amoroso, um profissional honesto, e apenas exala seu mortal veneno porque busca a verdade. Ninguém me diga que somos bonzinhos, e só por acaso lançamos o tiro fatal, feito de aço ou expresso em palavras. Ele nasce desse traço de perversão e sordidez que anima o porco, violento ou covarde, e faz chorar o anjo dentro de nós.

    sexta-feira, 24 de junho de 2011

    Aprenda a jogar Filosofighters... da Revista Super Interessante, por Otávio Cohen


    A SUPER convocou 9 filósofos de diferentes épocas e regiões para uma épica batalha de ideias nos ringues do Filosofighters. O seu objetivo é usar argumentos lógicos e golpes na luta contra o seu adversário. Mas antes de sair por aí espalhando suas teorias pela academia, é preciso treinar bastante. Que tal praticar bastante no modo Aprendiz do Filosofighters? Depois que derrotar todos os inimigos, passe para o modo Mestre e, por fim, enfrente os desafios do modo PhD.
    A gente te dá uma forcinha nesse treinamento e te ensina algumas manhas do Filosofighters. Está pronto? Então, vamos lá. Para começar, aprenda os comandos básicos:

    Também dá para atacar com os golpes especiais. Olha só este exemplo do Nietzsche:

















    Tente as mesmas sequências de comandos para os outros filósofos. Aproveite e aprenda um pouco mais sobre alguns dos principais pensamentos dos nove filosofighters. Você pode se surpreender com as teorias aplicadas nas lutas.  Agora, é hora de colocar em prática. Jogue em http://super.abril.com.br/multimidia/filosofighters-631063.shtml.

    Fonte: http://super.abril.com.br/blogs/superblog/aprenda-a-jogar-filosofighters/

    domingo, 12 de junho de 2011

    A arte de fazer escolhas, por Eugenio Mussak


    Parece que cada vez mais temos que optar por isto ou aquilo. Mas como nos prepararmos para tantas decisões?



    Tomar um sorvete figura entre meus programas favoritos quando vou a Manaus. Trata-se de uma experiência diferente de qualquer outro lugar do mundo, não porque os manauaras dominem técnicas secretas da arte dos gelados que nem os italianos conhecem, mas porque eles dispõem de matériaprima invejável: as frutas amazônicas, com seus sabores incríveis. As mais conhecidas, como o açaí, o cupuaçu, a graviola e o buriti, estão entre elas, mas não são as únicas, apesar de que apenas elas já colocam o freguês em uma situação de difícil decisão. “Não posso pedir uma bola de cada?”, perguntei ao atendente da sorveteria, para ouvir a resposta óbvia: “Claro que o senhor pode, mas vai ter que levar uma caixa, não apenas uma casquinha”. Como eu só queria um sorvete para sair lambendo enquanto caminhava pelo quente entardecer tropical, não me restou alternativa a não ser escolher dois sabores, abrindo mão de todos os demais. Pelo menos por enquanto.

    O que poderia ter sido apenas um acontecimento corriqueiro me colocou em contato com uma questão filosófica: a necessidade de fazer escolhas na vida. Enquanto saboreava meu manjar amazônico, não pude deixar de aprofundar meu pensamento da questão das escolhas e, claro, lembrei-me de algumas das mais difíceis que tive que fazer ao longo de minha trajetória. E de repente me dei conta de que escolher é uma das coisas a que mais o homem se dedica. Não há um dia sequer que não tenhamos que escolher algo e abrir mão de algo também.

    É claro que, na maioria das vezes, fazemos escolhas simples, como o sabor do sorvete, a cor da gravata ou o filme a assistir. Mas quem não sofreu calado quando teve que decidir que vestibular fazer? Ou quando recebeu uma proposta para mudar de emprego? E, suprema decisão, que atire a primeira pedra quem nunca esteve dividido entre dois amores.

    Sim, parece que passamos a vida decidindo, e, ainda que a maioria das pessoas não tenha essa consciência, os momentos de decisão são, também, momentos de ansiedade. Só que uma ansiedade que deriva de uma coisa boa: a existência de mais de uma opção. A rigor, a ansiedade de escolher é a de ser livre. Escolher é exercer a liberdade, com suas prerrogativas e responsabilidades. E a liberdade só pode ser bem exercida por quem está preparado para ela, ou seja, quem tem maturidade intelectual e emocional para tanto. A liberdade é um valor adulto.

    Poder escolher é uma conquista. Então por que às vezes sofremos com isso? A escolha é um privilégio, o problema é a renúncia. Ao escolher dois sabores de sorvete, você abre mão de todos os demais. Até aí, tudo bem – sempre dá para voltar amanhã. O que nos martiriza são as renúncias definitivas ou aquelas que nos causam insegurança. Para os mortais comuns, a escolha da carreira, por exemplo, significa renunciar a uma grande quantidade de opções, talvez melhores.

    Ainda que uma carreira não seja uma condenação, pois sempre é possível mudar, tal escolha carrega o peso de que, depois de investir anos em estudos e sonhos, não é exatamente fácil dar a guinada. Em nosso sistema educacional ainda há o agravante de que a escolha tem que ser feita por garotos recém-saídos da adolescência. A inscrição no vestibular é, por esse motivo, um momento de tensão. Como fui professor de cursinho pré-vestibular, acompanhei muitos desses dramas.

    Vi de tudo. De jovens cheios de certeza àqueles que procuravam orientação vocacional em clínicas especializadas, passando pelos menos previdentes que, na hora H, apelavam até para um jogo de par ou ímpar. “Se der par faço biológicas. Se der ímpar faço humanas”. Dá para imaginar a ansiedade? É evidente que não é assim que devemos escolher. Uma escolha é uma decisão e, como tal, obedece a uma lógica. A técnica de tomada de decisões tem um mandamento: quanto maior o número de variáveis consideradas na tomada de decisão, maior a probabilidade de acerto. Em outras palavras, escolher significa pesar todos os prós e contras, inclusive projetando-os no tempo – a variável mais abstrata.

    E dá para fazer isso o tempo todo? Cada vez que eu quiser almoçar fora, para escolher o restaurante vou ter que montar uma planilha no Excel, com colunas de vantagens e desvantagens, considerando o desejo, a saúde, o preço, o ambiente etc.? Por incrível que pareça, sim, é isso mesmo que fazemos, sem usar um computador e um software, mas lançando mão de algoritmos mentais que consultam todas essas variáveis rapidamente, emitindo, inclusive, notas ponderadas.

    Você pode, por exemplo, decidir por um restaurante caro (nota alta na coluna do “não”) porque ele vai ajudá-lo a impressionar a namorada (nota altíssima na coluna do “sim”). E você faz isso mentalmente, consultando a lógica (tenho o dinheiro), a emoção (estou apaixonado) e o fator tempo (é agora ou nunca).

    Então estamos condenados a conviver com a dúvida de termos feito a escolha certa? Se tomar uma decisão provoca ansiedade, muito pior é não ter a oportunidade de decidir. Pense nas pessoas que você conhece, especialmente das gerações com mais vivência, que se queixam de estarem fazendo algumas coisas por não terem tido a oportunidade de fazer outras. “Eu não tive a chance de estudar”; “Na minha época a gente casava com o primeiro pretendente”; “Eu tive que continuar o negócio da família” – esses são apenas alguns dos lamentos mais comuns de pessoas que, aparentemente, não puderam escolher.

    Se pudessem – ou se percebessem que podiam –, muitas delas teriam dado rumos diferentes às suas vidas. Poder escolher é bom, muito bom, ainda que dê alguma dor de cabeça. Escolher angustia, não poder escolher mortifica.

    Em inglês, escolher é to choice, mas os americanos, sempre práticos, utilizam uma expressão curiosa para falar sobre escolhas, especialmente no mundo dos negócios, em que os executivos vivem tendo que tomar decisões – trade off. Mais do que uma escolha, a expressão trade off quer significar uma troca.

    E a troca significa uma espécie de condenação determinista a que todos estamos sujeitos. Afinal, não se pode ter tudo. Quer isto? Então não vai ter aquilo! E lamba os beiços, porque tem gente que não vai ter isto nem aquilo – parece dizer o destino, com seu olhar de reprovação diante de nosso desespero.

    Às vezes temos, sim, que fazer escolhas difíceis, e sofremos muito por causa disso. Até a literatura já se debruçou sobre o tema. O escritor americano William Styron levou o drama da escolha a um nível épico em seu livro A Escolha de Sofia, que virou filme e rendeu um Oscar de melhor atriz para Meryl Streep.

    O enredo trata da situação vivida por uma mãe judia, que é forçada por um soldado alemão a escolher entre o filho e a filha, ambos crianças. Só um poderia ser salvo, o outro seria executado. Se ela não escolhesse um, ambos seriam mortos.

    No limite da decisão ela opta por poupar o garoto, pois, por ser mais forte, teria mais chance de sobreviver (imagine o sofrimento e a velocidade com que ela montou a tal planilha mental). Como agravante, nem dele teve mais notícias.

    A história é ambientada no pósguerra, com a protagonista já vivendo nos Estados Unidos, tentando reconstruir a vida, mas sempre atormentada por aquele momento dramático em que teve que fazer a escolha mortal. A força do drama relatado pelo autor transformou o título em sinônimo de decisão quase impossível de ser tomada. Daquelas que nunca teremos certeza de termos acertado.

    A maioria de nós jamais terá que tomar uma decisão tão dramática, mas com certeza todos viveremos momentos difíceis, em que o fantasma da dúvida de termos decidido certo assombrará nossa memória, talvez por muito tempo.

    É bem verdade que a tomada da decisão diminui a ansiedade, apesar da dúvida. “É este, pronto!”– e vamos em frente. Ainda assim, sofremos um pouquinho. Sociedades modernas, livres, democráticas, têm essa qualidade – o cidadão tem de fazer escolhas diariamente. Trata-se de um direito e até de uma obrigação. Nos regimes totalitários, o Estado considera os cidadãos incapazes de escolher seus próprios caminhos, por isso ele os tutela, trata-os como menores irresponsáveis, que devem apenas concordar e obedecer. São títeres nas mãos dos poderosos. E pensar que há famílias que também são assim.

    No mundo livre acontece o oposto. Quem se recusa a escolher os rumos de sua vida vira uma espécie de pária, um estorvo para os demais. Sempre lembrando que qualquer escolha pressupõe responsabilidade sobre ela. Apesar disso, ter a oportunidade de escolher o que fazer com sua vida, no macro ou no microcosmo da existência, ainda é a melhor situação, disparado.

    E, já que você escolheu ler este texto até o fim, espero que tenha gostado e que ele tenha agregado pitadas de lógica a seu autoconhecimento. Afinal, conhecer-se e saber pensar são dois elementos fundamentais na hora das decisões. Grandes ou pequenas.

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