quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A Corrente do Bem


           Assistindo ao filme “A corrente do bem”  escrevi um pequeno texto sobre as impressões obtidas, relacionando-as a nossa realidade.
           Embora, possa ser acusado de um certo viés de pessimismo em relação à natureza humana, considero o filme “ A corrente do bem” um bom filme , embora de uma ingenuidade digna de contos de fada. 
Acredito que todos desejaríamos ser bons. Queremos nos julgar bons. Cada um de nós possuí um juízo sobre si próprio em que se julga “bom”. Mesmo o ladrão ou o assassino uma vez presos e provada indubitavelmente sua culpa, quando nem mesmo negam mais seus atos tentam justificá-los se não para os outros pelo menos para si mesmos. Mesmo o indivíduo mais condenável aos olhos da sociedade julga-se “bom”  e tenta justificar seus atos (quando a sociedade os condena) dizendo que “qualquer outro em meu lugar teria feito o mesmo”...
Assim quando assistimos a um filme como “ A Corrente do Bem” ficamos comovidos. Vivemos um momento em que  realmente “somos” os personagens do filme , ou pelo menos desejaríamos sê-los.  As idéias utópicas surgiram antes da criação da própria palavra “Utopia”. O filme , então, é uma pequena jóia de roteiro bem feito. A história e o modo como a mesma é contada nos arranca lágrimas.
Ao explicar o projeto, o professor convida os alunos a realizar uma ação, que seja documentada, através da qual eles consigam mudar o mundo, mesmo que minimamente.
O professor pode até não ter a intenção de realmente transpor os limites físicos da escola onde leciona e mudar o mundo para melhor , mas ao trazer a proposta para a escola, em algum momento ele iria deparar com um aluno que resolvesse assumir os riscos e realmente se propor a “arregaçar as mangas” para realizar tal intento. Entretanto lembremos que o professor , intimamente, não esperava que alguém realmente o levasse a sério. Vemos claramente isso no diálogo que o mesmo mantém com a mãe do aluno que o procura indignada com o fato de seu filho ter levado um mendigo para casa.
Surgiram várias idéias , mas a idéia de um aluno surpreendeu o professor. A sua proposta de fazer o bem para três pessoas desconhecidas, sem pedir nada em troca a não ser que esses beneficiados por sua bondade e solidariedade. Essas pessoas se prontificariam a também ajudar outras três pessoas, dando seqüência a uma corrente do bem. Assim, funcionam as correntes de orações, livros, dinheiro, etc...
A corrente do bem está relacionada com o imperativo categórico de Kant: “Age de maneira que possas querer que o motivo que te levou a agir seja uma lei universal”, a vontade é livre para Kant, assim como para o menino. Para ficar ainda em Kant cito a seguinte frase :” se uma pessoa age de acordo com a lei simplesmente por medo ou esperando alguma recompensa não há aí uma moralidade”.  Deste modo, nada obrigava o garoto do filme a fazer seu trabalho escolar daquele modo. Ele o fez porque o quis . Há no menino uma moralidade  , um idealismo e (como já disse acima) uma ingenuidade (própria das crianças) .
O imperativo categórico funciona como forma que serve para guiar nossa vontade. O bem surge na medida em que nós legislamos sobre nossa conduta, em relação à conduta de todas as pessoas.
          Quando a razão  cria normas, pensamos a partir de nós mesmos, em nossas necessidades, desejos e todos os seus limites. Mas, como criar normas para nós mesmos que sejam justas? Precisamos encontrar os imperativos, que nada mais são do que normas sem conteúdo, que servem para o indivíduo e para todo mundo. A regra é simples: “ o que é justo para mim deve ser justo para todos”. Existem dois imperativos em Kant, a saber, os imperativos hipotéticos, que organizam nossa vontade para conseguir objetivos, e os imperativos categóricos, que produzem o bem por meio da idéia de dever.



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Um comentário:

itzel benitez disse...

Favors Cadeia é um filme que eu amei, ele tem uma mensagem maravilhosa. Eu acho que tem uma grande história e estilo cinematográfico.

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