sábado, 17 de dezembro de 2011

Maturidade e liberdade são essenciais para fazer as escolhas certas, por Eugenio Mussak

Parece que cada vez mais temos que optar por isto ou aquilo. Mas como nos prepararmos para tantas decisões?

Escolhas são exigidas em todos os momentos das nossas vidas
Foto: Getty Images


Parece que passamos a vida decidindo, e, ainda que a maioria das pessoas não tenha essa consciência, os momentos de decisão são, também, momentos de ansiedade. Só que uma ansiedade que deriva de uma coisa boa: a existência de mais de uma opção.

A rigor, a ansiedade de escolher é a de ser livre. Escolher é exercer a liberdade, com suas prerrogativas e responsabilidades. E a liberdade só pode ser bem exercida por quem está preparado para ela, ou seja, quem tem maturidade intelectual e emocional para tanto. A liberdade é um valor adulto.

Poder escolher é uma conquista. Então por que às vezes sofremos com isso? A escolha é um privilégio, o problema é a renúncia. E o que nos martiriza são as renúncias definitivas ou aquelas que nos causam insegurança. Para os mortais comuns, a escolha da carreira, por exemplo, significa renunciar a uma grande quantidade de opções, talvez melhores.

Então estamos condenados a conviver com a dúvida de termos feito a escolha certa? Se tomar uma decisão provoca ansiedade, muito pior é não ter a oportunidade de decidir.

Em inglês, escolher é "to choice", mas os americanos, sempre práticos, utilizam uma expressão curiosa para falar sobre escolhas, especialmente no mundo dos negócios, em que os executivos vivem tendo que tomar decisões - "trade off". Mais do que uma escolha, a expressão "trade off" quer significar uma troca.

E a troca significa uma espécie de condenação determinista a que todos estamos sujeitos. Afinal, não se pode ter tudo. Quer isto? Então não vai ter aquilo! E lamba os beiços, porque tem gente que não vai ter isto nem aquilo - parece dizer o destino, com seu olhar de reprovação diante de nosso desespero.

É bem verdade que a tomada da decisão diminui a ansiedade, apesar da dúvida. "É este, pronto!" - e vamos em frente. Ainda assim, sofremos um pouquinho. Sociedades modernas, livres, democráticas, têm essa qualidade – o cidadão tem de fazer escolhas diariamente. Trata-se de um direito e até de uma obrigação.

Nos regimes totalitários, o Estado considera os cidadãos incapazes de escolher seus próprios caminhos, por isso ele os tutela, trata-os como menores irresponsáveis, que devem apenas concordar e obedecer. São títeres nas mãos dos poderosos. E pensar que há famílias que também são assim.

No mundo livre acontece o oposto. Quem se recusa a escolher os rumos de sua vida vira uma espécie de pária, um estorvo para os demais. Sempre lembrando que qualquer escolha pressupõe responsabilidade sobre ela. Apesar disso, ter a oportunidade de escolher o que fazer com sua vida, no macro ou no microcosmo da existência, ainda é a melhor situação, disparado.


Fonte: 

3 comentários:

Miguel Loureiro disse...

Marise
Gostei, enquadra-se no "Contra" e vou fazer link. Obrigado e Feliz Natal!

Em@ disse...

Marise,
obrigada.gostei.
★* *★Feliz Natal★* *★
beijinhos

Maxwell Soares disse...

Muito bom o texto. Muito edificante. Feliz Natal e um excelente 2012 pra você. Até logo...

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